ARTIGOS

Violência tem jeito: para começar, sensibilidade

08 de setembro de 2020, 08:57

*Por Ana Rita Tavares –

As autoridades governamentais brasileiras ligadas à segurança pública, pelo que é divulgado nas mídias, não perceberam até agora o problema da violência relacionado com o comportamento agressivo de crianças e adolescentes contra animais. Não despertaram para a importância da chamada “Teoria do Link”, desenvolvida na América do Norte a partir de pesquisas científicas realizadas para aprofundar essa questão, que é óbvia: crianças e adolescentes violentos com os animais serão violentos com o próprio ser humano.

Há alguns anos, através da Associação Brasileira Terra Verde Viva, vínhamos apoiando e desenvolvendo importante trabalho de educação para o público infantojuvenil, a partir da criação de músicas (2005 – CD lançado com o apoio do Ministério Público da Bahia), aulas e exibição de vídeos, ao lado da reflexão sobre a alimentação vegetariana. Tudo tendo como base os princípios da não-violência e valores de respeito a todas as formas de vida, enfatizando a vida animal, que é ainda a mais desconsiderada culturalmente e passa distante do comportamento ético que deveria ter o animal humano.

Em “Maus-tratos aos animais e a violência contra as pessoas”, de Marcelo Robis Nassaro, capitão da PM paulista, colhem-se informações amplas sobre a produção científica nos Estados Unidos nessa linha de entendimento. Fernando Tapia (professor da Faculdade de Medicina do Missouri), em 1971, realizou pesquisa que intitulou “Crianças que são cruéis com os animais”, reportando-se, dentre outros, ao trabalho Enuresis, Firesettingand Cruelty to Animals: A Triad Predective of Adult Crime, publicado por Daniell S. Helmann e Nathan Blackman, em 1966. Seus estudos sugerem que a enurese (incontinência urinária) persistente, atos incendiários frequentes e a crueldade com animais, que formam a tríade de comportamentos, “quando presentes de forma concomitante em crianças ou adolescentes, podem indicar que serão pessoas violentas no futuro”.

Os psicólogos Mary Louise Petersen e David P. Farrinton, apontando o psiquiatra forense e pesquisador Jonh Marshall Macdonald como precursor de estudo dessa natureza, em 1963 (“A ameaça de matar”), já anunciavam a importância da tríade do sociopata ou tríade Macdonald, que tinha a crueldade com animais como um dos ingredientes que compunham o comportamento violento de pessoas contra pessoas.

A pesquisa de Helmann e Blakman analisou 84 prisioneiros adultos do Centro de Saúde Mental de St. Louis, no Missouri, EUA, dos quais 31 foram condenados por crimes violentos contra pessoas. Na infância, estes apresentavam a tríade comportamental. Do restante, 15 apresentaram a tríade completa ou de forma parcial. Isso fez os pesquisadores concluírem que a “presença da tríade na infância ou adolescência poderia ser um prognóstico de comportamento antissocial violento futuro, ou seja, quanto mais cedo fosse detectada a tríade, mais cedo se evitariam crimes violentos no futuro”.

Em Cabo, na África do Sul, onde os índices de homicídio e outros crimes cometidos contra pessoas e animais eram alarmantes, foi implementado um programa de educação por uma ONG humanitária, iniciado na casa de detenção da cidade, que transformou a agressividade dos detentos a partir dos cuidados que eles passaram a ter com pássaros que lhes foram entregues.

Nosso objetivo na via do ativismo, e agora como parlamentar, é despertar nossos governantes para esse aspecto da violência. À falta de valorização desse foco no trabalho de prevenção, muito deixa de ser feito e vidas são ceifadas diuturnamente. A inclusão desse elemento construtor da paz no sistema de educação das escolas públicas e privadas ajudaria a controlar a violência.

Entendendo que esse é um assunto de interesse suprapartidário, convocamos os governantes e os gestores públicos a unir forças nessa direção. Em Catu (BA), a juíza de direito da Vara da Infância e Adolescência apresentou declaração formal à Terra Verde Viva, reconhecendo que o trabalho educativo realizado na rede municipal de ensino daquele município, em 2011, diminuiu a incidência de infração cometida por menores.

*Vereadora de Salvador (PT), advogada e ativista em defesa dos direitos animais

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A mentira é uma das qualidades do néscio 

26 de agosto de 2020, 14:31

*Por Gervásio Lima –

O que seria respeito à vida se não enaltecer a oportunidade de ‘viver’, de sonhar, sorrir, ser útil, feliz, orar, rezar, amar e ser amado? Acreditar que a morte é uma certeza não é a mesma coisa que considerar o fato de morrer ser algo aceitável e não dolorido. Toda perda é sim dolorida e quando se trata de vidas humanas as condolências não são suficientes para amenizar o sofrimento dos enlutados.  

Desdenhar de mortes e de sofrimentos é uma característica de figuras agressivas, sem empatia e amor ao próximo; verdadeiros truculentos que muitas vezes se escondem em uma religião para disfarçar suas maldades e suas blasfêmias. Lobos em peles de cordeiros. Mas existem também muitos que se autodenominam enviados para cuidar dos rebanhos; esses, são seres inescrupulosos que enganam a fé de pessoas inocentes que buscam em Deus a paz espiritual e muitas vezes a ‘solução’ dos seus problemas.  

Uma passagem bíblica (Mateus 7:10-20), ressalta que: “a árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”, ou seja, em um exemplo bem didático: “é pelo fruto que se conhece a árvore. Se você pegar uma banana, você dirá que ela veio de uma goiabeira?”. Segundo Paul Washer, missionário, escritor e advogado americano, “uma pessoa de Deus é conhecida pelos frutos, não por suas palavras”. Partindo desta premissa é correto afirmar que o Mundo, em particular o Brasil, está ‘empesteado’ de falsos profetas. 

Com exceção do que aconteceu no ápice da Ditadura Militar, na década de 1970, nunca na história do país se viu a propagação de tanto ódio, mentiras, perseguições contra políticos, artistas e a imprensa. Numa espécie de filme de terror e um sonho de pesadelos, os que viveram o período de chumbo (1964 – 1985) e os que conhecem a verdadeira história do que aconteceu na época passaram a conhecer na segunda década do século XXI a triste realidade do Brasil nas últimas três décadas do século XX. 

Momento perturbador cheio de sentimentos ruins, como ansiedade, medo e incertezas, e o pior com a família e a religião sendo usadas por néscios que estão à frente dos principais postos eletivos do território nacional. 

Enquanto a democracia está sendo ameaçada, o amém e o aleluia são deturpados. 

*Jornalista e Historiador 

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Opinião: Reclamar por reclamar deixa de ser uma reivindicação para se tornar birra politiqueira

04 de agosto de 2020, 14:51

*Por Gervásio Lima –

Até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não mude de ideia, este ano acontecerão eleições para a escolha dos representantes do Executivo e do Legislativo em todos os municípios do território brasileiro. Por conta da pandemia do novo coronavírus ficou decidido o adiamento do pleito eleitoral que passou do dia 4 de outubro para, o primeiro turno, 15 de novembro deste ano, ficando o segundo turno (nos municípios com mais de 200 mil eleitores, caso nenhum candidato atinja maioria absoluta na contagem dos votos) para o dia 29 do mesmo mês.

Todos os prefeitos que foram eleitos em 2016 e até mesmo os que chegaram ao poder através de eleições suplementares e que estão no primeiro mandato poderão participar da disputa, caso assim queiram e não possuam algum tipo de impedimento por condenação eleitoral ou criminal.

Para os gestores que estão no cargo desde o dia 1º de janeiro de 2017, este ano eles chegam aos quatro anos de administração. Como nos anos anteriores, 2020 deve ser visto e entendido como mais 365 dias de trabalho e como tal compreendido pela população como qualquer outro.

Após uma eleição normal espera-se que o mandato se complete nos quatro anos seguintes. Não sendo cumprido pelos eleitos o que determina a legislação existem meios para abortar, mas caso não ocorra ocorrências que justifiquem impedimento, o último ano de um mandato é tão importante como se fosse o primeiro.

É comum ouvir de parte da população das cidades brasileiras, principalmente daquela que está na oposição de determinada gestão, que as ações realizadas no ano em que acontece uma eleição são ‘obras eleitoreiras’. É inevitável e lógico que o bônus após a entrega de serviços de serviços será para aquele que se encontra no comando. Os benefícios chegando para o coletivo, independente do ano ou das circunstâncias é o que interessa. Vale a população, principalmente os eleitores, ter a capacidade de discernir o certo do errado.

Não se pode reclamar do que está sendo feito e sim do que não foi feito, independente de qual momento. Tentar justificar os motivos para se criticar algo que beneficiará uma cidade e seus moradores é tão prejudicial quanto a não realização deste benefício. Reclamar por reclamar deixa de ser uma reivindicação para se tornar birra politiqueira. Uma ‘auto-análise’ sobre o comportamento enquanto parte, com um pouco de humildade e uma porção considerável de razão poderá aguçar o senso crítico coerente enquanto cidadão e sujeito imbuído de fato nas questões que envolvem a melhoria do meio em que se vive.

E vida que segue…

*Jornalista e historiador

 

 

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Parabéns Jacobina pelos seus 298 anos de fundação!

28 de julho de 2020, 12:59

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima  –  A sabedoria popular costuma dizer que ‘quando Jacobina nasceu não existia cartório’, justificando a equivocada idade atribuída ao município, que conforme os registros dados como oficiais sua elevação à categoria de cidade se deu em 28 de julho de 1880; sendo que outras aglomerações urbanas bi-centenárias, antes de se tornarem independentes administrativamente pertenciam a Jacobina. Para historiadores, a fundação do município se deu há 298 anos, em 24 de junho de 1722, ou seja, tanto o mês e a idade da cidade não estariam corretos.

Neste momento a idade não seria prioridade na discussão. Lembrar que o município existe com os mais diversos tipos de homenagens, declarações amorosas e sentimentos de pertencimentos bairristas não vão contribuir positivamente para que sua população descubra que assim como a sua data de aniversário, muita coisa precisa mudar e principalmente acontecer. Qual é a cidade que temos, qual a cidade que estão nos oferecendo, qual a cidade que queremos e efetivamente merecemos? Qual o papel da sociedade e dos representantes políticos? Uma série de perguntas ainda carece de respostas reais.

Enganam-se os que acreditam que ‘quem vive de passado é museu’. Um município que já figurou entre as dez maiores economias da Bahia, sendo reconhecido como um dos maiores centros comerciais e tido como referência no oferecimento dos mais diversos tipos serviços do Estado, passar de coadjuvante para figurante é um tanto intrigante, para não dizer preocupante, decepcionante e outros ‘antes’…

Quem gosta de verdade cuida. Exaltar suas qualidades naturais, sua riqueza mineral e a sua diversidade cultural sem um plano de ação concreto e com disponibilização coletiva, onde a população possa participar e ser contemplada com os resultados, não irá existir motivos para se comemorar. É preciso ousar e investir em políticas públicas responsáveis. Ao contrário do passado, quando não se discutiu alternativas de enfrentamento de crises e de desenvolvimento, o momento é de reflexão, correção de erros e busca de acertos.

Jacobina tem perdido ao longo dos anos seu protagonismo. Se faz necessário olhar para trás sim, apagar o que não foi bom, aproveitar o que deu certo e numa espécie de ‘jurisprudência’, passar a por em prática os acertos para reorganizar.

O município não é mais uma criança, fácil de ser enganada. Sua história deve ser respeitada e seus filhos biológicos, adotados e enteados precisam se envolver e serem envolvidos no processo de resgate, da pluralidade e da construção de políticas públicas.

*Jornalista e historiador

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A falta de um Plano Diretor

23 de julho de 2020, 10:06

*Por Paulo Roberto Alvares – Um tema que o jornal Tribuna Regional poderia abordar, eis que da maior importância para Jacobina e para os seus habitantes, é o da inexistência de um plano de desenvolvimento urbano que ordene o crescimento da Cidade.

Jacobina tem uma topografia que lhe confere fascínio e beleza,  mas cujas singularidade e complexidade comprometem uma expansão urbana sem planejamento, ao Deus dará, que racionalize e otimize as intervenções que a Cidade requer.

A ocupação acelerada e desordenada de suas encostas é um verdadeiro tiro no pé. Escalar suas alturas para construir a infraestrutura que atenda as demandas naturais e imprescindíveis para o bem estar das populações que ali residem custa caro, além de perpetuar um atendimento também oneroso dos serviços públicos que, perenemente, são e serão exigidos por esses mesmos moradores.

É preciso haver limites para essas ocupações. A partir de determinadas inclinações elas nunca poderiam ser permitidas.

Só um Plano Diretor e a Legislação que o regula poderiam inibir ocupações “fora da Lei”e ordenar uma expansão racional, integrada à uma visão de conjunto, de totalidade.

Em várias cidades brasileiras com topografia acidentada, uma singularidade que chama a atenção é o desprezo por  uma ocupação racional de áreas situadas em encostas pelas populações mais abastadas, liberando-as para invasões desordenadas pelos habitantes de baixa renda, que as “conquistam”, expulsos que são das áreas menos acidentadas e das que constituem o centro dessas cidades, valorizadas e fora do alcance dos mais pobres, 

É a lógica perversa que dita a ocupação das áreas urbanas e a expansão das nossas cidades.

Assim, os ricos e abastados deixam de ocupar espaços e locais que são verdadeiros mirantes, com uma qualidade térmica superior às ocupações dos vales e planícies, sempre mais quentes e úmidas.

São as deformações que a falta de uma visão de totalidade, que faculte uma identificação clara e abrangente das diversas áreas que compõem o conjunto urbano, suas características e vocações de uso e ocupação, e que vão se tornando fatores de comprometimento equivocado e até de degradação dessas áreas assim identificadas.

É o que ocorre com a ocupação das áreas de várzea que integram o grande vale que marca a geografia de Jacobina, áreas essa que constituem um sistema natural de drenagem das águas pluviais, e que não pode ser contido ou barrado, sob pena de que a Cidade e seus cidadãos assistam, no futuro, alagamentos e enchentes que a natureza sabiamente se encarregou de prevenir e minimizar.

Os condomínios privados são outra consequência de cidades mau planejadas, em que os usos e funções que abrigam, se misturam e se confundem, estimulando o seu surgimento como solução de criação de espaços mais protegidos, menos conflagrados.

Vão formando verdadeiros “guetos” onde os mais abastados se abrigarão e construirão, via de regra, arremedos de “mansões” e “palacetes”, caracterizados por uma arquitetura de gosto duvidoso, de pouca funcionalidade e pouco conforto habitacional.

Tornam-se, pois, áreas de exclusão, e seus moradores se alienam dos problemas da  coletividade, vez que passam a não se sentir parte dela., desenvolvendo um sentimento de alheamento em relação aos seus concidadãos, com os quais passam a não interagir, privilegiando suas relações de vizinhança.

É um modelo habitacional comum nos Estados Unidos, um país onde a exclusão social vai se expandindo, com índices de pobreza cada vez maiores, atingindo imigrantes principalmente, dai estimulando o surgimento dessas ilhas da fantasia.

Diferentemente do que ocorre na Europa, onde a distribuição de renda é menos assimétrica.

Entre nós a venda de imóveis nessas áreas coletivas é sempre cercada de um aparato mercadológico grandioso, atraindo nossa população arrivista, consumista ávida de novidades, de ascensão social e de artifícios de ostentação.

Não é a toa que os nomes desses empreendimentos recorrem sempre à anglicismos, símbolos da diferenciação e do esnobismo apátrida.

*Paulo Roberto Alvares

Empresário

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Morra quem morrer, o Brasil mostra que não está nem aí para o coronavírus

04 de julho de 2020, 09:43

Foto: Gomez

por Carlos Alexandre de Souza

Acabou. O Brasil decidiu mostrar a cara, sem proteção alguma, ao inimigo que matou 63 mil pessoas em pouco mais de três meses. Essas vidas perdidas para o novo coronavírus já superam em muito o total de brasileiros vítimas de mortes violentas por ano — em torno de 41 mil, segundo estudos mais recentes. De nada adiantou o sofrimento das famílias e amigos que perderam pessoas queridas e nem puderam se despedir. Tornou-se inglória a luta constante dos profissionais de saúde, que põem a vida em risco, enfrentam jornadas extenuantes, muitas vezes em condições dificílimas, para atender a doentes que exigem tratamento por horas, dias, semanas a fio. Caíram no vazio os alertas do ministro Mandetta; o “fique em casa”, recomendação seguida em todas as partes do mundo; ficaram na memória as entrevistas coletivas, diárias e transparentes, nas quais assistíamos a um esforço de conscientizar a população sobre os riscos da pandemia; perdeu serventia a agilidade do Governo do Distrito Federal, que antecipou as medidas preventivas ainda no mês de março, antes de se perder em um labirinto de contradições.

Máscara, álcool em gel, distanciamento, home office, grupos de risco, atenção aos idosos, aos vulneráveis… Tudo isso fica desprovido de sentido no momento em que nós — sim, nós — decidimos abraçar o novo coronavírus. Vamos lotar as ruas do Leblon, promover uma live proibida, descobrir um restaurante clandestino. Afinal, somos livres. Precisamos espairecer, ninguém aguenta mais essa história de mortos e infectados todos os dias. Vamos tomar vermífugo e outros remédios de maneira preventiva, mesmo que inexistam provas, estudos, recomendações oficiais sobre um medicamento confiável contra o vírus. Vamos esquecer essa conversa fiada de serviços essenciais e liberar todo mundo para trabalhar. Afinal, é a economia que precisamos preservar. Pouco importa se as pessoas ficarem doentes; se morrerem. A morte, a miséria e a desigualdade sempre estiveram presentes no cotidiano brasileiro, muito antes da chegada da covid-19. Não será uma mera gripe que nos despertará o senso de coletivo, que nos aproximará, que encurtará o distanciamento social da realidade brasileira. Há anos, estamos afastados uns dos outros, defendemos os nossos interesses particulares em detrimento do bem comum.

O Brasil de hoje é um país que escolheu os piores caminhos para enfrentar a pandemia. Fracassamos no desafio de agir como nação. Mostramo-nos incapazes de enxergar um propósito coletivo a ser alcançado, que precisa da colaboração de todos. Em vez de se buscar a cooperação, insistimos em alimentar rivalidades. Ficamos restritos à nossa mesquinhez, ao nosso obscurantismo, à nossa arrogância de achar que só têm razão aqueles que pensam como nós. Perdemos um tempo precioso — perdemos vidas — com discussões inúteis sobre remédios mirabolantes, com questionamento de autoridades sanitárias, teorias conspiratórias abjetas, desrespeito explícito das recomendações para usar máscara e evitar aglomerações, politização sobre uma doença que afeta a todos — dos 38 milhões de “invisíveis” aos ilustres ocupantes dos mais altos cargos da República.

Entre os nossos erros de origem, reside o fato de termos escolhido o enfoque inadequado para lidar com o problema. Tentou-se, em primeiro lugar, preservar a economia, como se a economia não dependesse de pessoas vivas para se manter. Em seguida, vieram as sucessivas crises políticas, algumas decorrentes da própria pandemia, outras fabricadas sobre temas diversos, a fim de distrair a opinião pública e deixar de lado o assunto verdadeiramente de interesse nacional. Enquanto isso, a saúde pública, aquela que deveria ser prioridade absoluta, aquela que é nossa defesa indispensável para atravessarmos a pandemia com o menor número possível de vítimas, ficou em segundo plano. A necessidade imperiosa de coordenar, da melhor forma possível, estratégias de combate em uma guerra sanitária sem precedentes foi desviada para um debate político nefasto, no qual declarações sobre a doença passaram a ser vistas como posicionamento político. O alerta das autoridades e da imprensa é tachado de fatalismo; temas antes restritos a cientistas e médicos se vulgarizaram em conversa rasteira de palpiteiros; o negacionismo alcançou níveis assustadores.

A responsabilidade pelo estágio calamitoso da covid no Brasil não recai apenas sobre os ombros das autoridades lenientes com a tragédia sanitária. A indiferença não está apenas entre aqueles que dizem que tudo não passa de uma gripezinha, que é preciso reabrir o comércio, “morra quem morrer”. A negligência, o egoísmo, o individualismo, a falta de empatia, a ausência de civilidade acometem o cidadão comum, também. Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou a possibilidade de o país ter alcançado a estabilização na quantidade de mortes. Vejam a que ponto chegamos: estamos aliviados porque completamos uma semana com a média acima de mil mortes a cada 24 horas. É como se, todos os dias, ocorressem ao menos cinco acidentes como o da TAM, que ceifou 199 vidas.

Sejamos honestos. Morra quem morrer, o Brasil não está nem aí para o coronavírus.

Fonte: Correio Braziliense 

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Opinião: Uma pandemia mais que reveladora

18 de junho de 2020, 11:17

*Por Gervásio Lima –
 
O mundo vive atualmente um dos piores momentos da recente história da humanidade. Não bastassem as crises econômicas que já vinham acontecendo em diversos países, de todos os continentes, a população mundial é surpreendida por um perigoso e mortal vírus que em um curto espaço de tempo, da sua descoberta em dezembro passado, já ceifou milhares de vidas e destruiu, além de famílias, muitos sonhos.
 
O novo coronavírus é uma triste realidade que precisa ser encarada de frente, com responsabilidade, sapiência e muito cuidado. A covid-19 é talvez a doença mais ‘democrática’ que se tem conhecimento, ela não escolhe cor, raça, religião, gênero ou idade. Todos estão suscetíveis à contaminação: menino, menina, criança, jovem e idoso, pobre, rico, médico, servente, pedreiro…
 
A pandemia do novo coronavírus escancarou a fragilidade de órgãos de saúde e de governos pela falta de preparo para situações complexas. A ausência de materiais e profissionais que já eram sabidos veio à tona no momento em que mais precisa. Os investimentos na saúde, mesmo sendo um dos principais motes de discursos políticos e campanhas eleitorais, nunca fizeram jus ao tema. A ausência de equipamentos como respiradores, que deveriam ser tão essenciais como o álcool e o esparadrapo em uma unidade de saúde tem mostrado a fraqueza e o descaso dos governantes, no caso do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente os gestores municipais.
 
O cuidado com a vida humana nunca foi tão propalado e tão pouco desdenhado. A dor causada pela covid-19 não se resume apenas nos pacientes acometidos pela doença, mas naqueles que estão na linha de frente do atendimento (enfermeiros, médicos e outros profissionais de saúde), nos amigos dos infectados e principalmente nos seus familiares, quiçá, os que sentem dores às vezes maiores quando acontece a perda dos seus entes queridos.
 
Segundo autoridades sanitárias o país ainda não atingiu o pico da doença e a situação se complica a cada dia, principalmente pelo relaxamento do isolamento e distanciamento social. Nas cidades onde as medidas estão sendo mais rígidas a contaminação tem atingindo menos pessoas; enquanto em outras, onde a flexibilização com a abertura total dos serviços tem acontecido, a curva do gráfico da doença tem subido desordenadamente.
 
A realização das eleições municipais programadas para acontecerem este ano ainda é uma incógnita, face ao aumento de casos do coronavírus em todo o território brasileiro, mas caso aconteça muitos gestores que buscam a reeleição receberão seus votos de acordo com seus comportamentos diante do coronavírus. Com certeza, principalmente para os que viveram de perto o problema, a recíproca será verdadeira.
 
 
*Jornalista e historiador
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OPINIÃO – Médica elogia o Slim Prime: adotei hábitos saudáveis, me alimento bem e sem restrições

04 de junho de 2020, 07:24

Foto: Divulgação

Por Tamara Leal – 

Depois de comprovar a eficácia do programa em sua própria vida, ela o tem indicado para pacientes com patologias como hipertensão, diabetes, hipotireoidismo, além das medidas farmacológicas indicadas para cada caso

Jacobina – Com vasta experiência em programas de Emagrecimento, a fisioterapeuta e proprietária da empresa Slim Family (Emagrecimento Inteligente), Celiane Santos, dispõe do programa Slim Prime (veja aqui), tratamento integrado e multidisciplinar saudável e sem uso de remédios.

O programa Slim Prime vem chamando a atenção pelos resultados rápidos: é aplicado em três fases, possibilitando a perda de peso sem redução de massa magra e a manutenção de peso, na fase pós programa.

A médica Rísia Maria Barreto conheceu o programa por meio do empreendedor Túlio Rafael e surpreendeu-se com os resultados. “Ele havia seguido o Slim Prime alguns meses antes. Acompanhei o processo e vi que, perto de outros métodos testados pelo Túlio (e foram muitos), esse realmente fez alguém que eu conhecia, louco e desenfreado por comida, aprender a controlar suas vontades mesmo colocado em tentação a todo momento”, destaca.
Túlio Rafael teve um excelente resultado, emagreceu de forma saudável e mantém o peso. “Isso me chamou bastante atenção. Comecei a observar que ele comia fracionado, respeitava os horários e principalmente bebia água – algo que como profissional sempre orientei, mas pouco fazia. Além do Tulio, o meu irmão, o médico Renan Barreto, topou fazer o programa – já o vi fazer vários outros e sempre voltava a comer sem consciência e retornava ao peso anterior. Com o Slim Prime foi diferente, mesmo nas reuniões de família, com banquetes, comida gostosa de mãe, não caía em tentação. Foi de fato que percebi: algo diferente era feito!”, revela a médica.

Mesmo presenciando os casos de sucesso de Túlio Rafael e Renan Barreto, a médica ainda evitou, por várias vezes, encarar o processo por ideias negativas. Mas como iria mudar de Jacobina, resolveu entrar no programa. “Em novembro, decidi entrar no Slim Prime, estava prestes a ir embora da cidade e era minha “última” chance com o tempo certinho do programa. Entrei e, particularmente, pensei tratar-se de uma data péssima, pois chegaria natal, réveillon e carnaval (muitas tentações no caminho!). Foi então que, em conversa com a Celiane Santos, percebi que as tentações estão aí, o tempo todo: nos finais de semana, aniversários, reuniões de amigos, e toda vez você vai adiar ou aprender a lidar com esses momentos? Refleti e decidi seguir com o pensamento de fazer dar certo”, confessa Dra. Rísia.

Equipe multidisciplinar

A equipe multidisciplinar (nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta) do programa possibilitou que as maiores dificuldades da Dra. Rísia Maria, como pensamentos negativos e gerenciamento das necessidades alimentares, fossem transpostas.

A médica explica: “Fazer a escolha certa diante de uma mesa farta e desenvolver a consciência de que uma falha hoje não é só um pulinho fora da dieta, mas fora do que eu tinha como objetivo em mente, só foi possível com ajuda da equipe. Todos os profissionais foram fundamentais para que eu adquirisse a consciência de uma alimentação saudável e saber lidar com as vontades. E não é que não possamos comer “besteiras” mas ter a consciência do ato e como agir após, ou até evitar, por você saber que não precisa daquilo”.

Resultado

“Eliminei poucos quilos que, para mim, foram maiores do que 10, pode ter certeza. A balança mostra o peso, sem separar o que significa, o método utiliza as bioimpedâncias, essas falam muito mais sobre seu “peso”, e o que aconteceu foi a troca de gordura corporal por massa magra, houve substituição, meu corpo modificou-se, mas o peso não foi tão significante. Utilizo a balança convencional para manter meu peso, ligo alerta quando sobe um pouco e acredito que é natural subir após um final de semana, quando nos permitimos comer algo diferente, mas é ela (balança) também que nos lembra de voltar aos hábitos saudáveis para controle do peso”, orienta.

A médica Rísia Maria tem conseguido manter o peso. Ela explica que o Slim Prime possibilita conhecer mais dos alimentos e comer de tudo, compondo pratos mais balanceados. “Adotei hábitos saudáveis, alimento-me bem e sem restrições. Essa mudança teve impacto direto na minha saúde: durmo melhor, acordo disposta, o funcionamento intestinal melhorou, pele saudável… Ah, havia um fator que me irritava muito mais que o peso, a retenção hídrica, causada pelo excesso de peso, alimentos errados, baixa ingesta de líquidos. Após o programa é muito raro ver meus pés inchados”, conta a médica.

Outro ganho destacado pela cliente: “O alívio das cólicas menstruais e da tensão menstrual sem precisar daquelas reposições hormonais ou ingestão de remédios, frequentes todos os meses. E depois de perceber tantos benefícios, tenho indicado muito para os pacientes com hipertensão, diabetes, hipotireoidismo e tantas patologias nas quais se alimentar bem é fundamental além das medidas farmacológicas”, finalizou.

Sobre o método Slim Prime
É um programa de emagrecimento voltado às pessoas com obesidade e sobrepeso. Visamos a mudança de composição corporal, ou seja, o emagrecimento saudável e sem uso de remédios. O paciente perde massa gorda, preserva ou ganha massa magra (sem a obrigatoriedade da prática de atividade física), diminui o percentual de gordura visceral e resgata o peso ideal, consequentemente, a saúde, autoestima e o bem-estar.

Contato:
Multiplace – Rua Manoel Novaes, 276 – Sala 204  –  Centro – Jacobina/BA
Telefones: (74) 3622-4109 / WhatsApp: (71) 99184-1463
Instagram: @slimfamily_jacobina

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Opinião: As organizações da sociedade civil (OSCs) e a proteção dos animais

07 de maio de 2020, 11:08

Foto: Reprodução

*Ana Rita Tavares –

Em tempos, ou não, de Covid19, o Poder Público deve assegurar vida digna e livre de sofrimento aos animais. Embora esse reconhecimento esteja inscrito no ordenamento jurídico brasileiro, são milhares de seres sencientes convivendo, cotidianamente, com o abandono, agressões diversas, privação de liberdade, de alimento e de condições básicas de existência. Ante a ineficácia ou mesmo inexistência de políticas públicas, as OSCs assumem protagonismo.

A Constituição Federal, art. 225, § 1º, VII, incumbe ao Poder Público o dever de proteger os animais. E a Lei Federal nº 9.605/98, art. 68, dispõe, categoricamente, que pratica crime aquele que deixar de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental, tendo o dever legal de fazê-lo. É inequívoco, portanto, que privar os animais da devida assistência pública configura grave desrespeito à legislação pátria.

Em Salvador, lamentavelmente, ao longo dos anos, a escassez de investimentos públicos e de políticas contínuas e eficazes provocou quadro crônico de desamparo. No município, apenas são disponibilizados, e não atendem a necessidade local, os serviços públicos de vacinação antirrábica, de castração de caninos e felinos domiciliados e, mais recentemente, de recolhimento de animais de grande porte soltos em vias públicas, após insistentes reclamos do nosso mandato. Permanecem descobertas questões cruciais, como a castração e cuidados pós-operatórios de caninos e felinos que vivem nas ruas, o atendimento veterinário clínico e cirúrgico e a educação em prol da guarda responsável.

Nesse cenário, quando animais em situação de rua ou sob a guarda de tutores carentes, por exemplo, são atropelados, envenenados, sofrem inúmeras outras agressões e contraem doenças, o que é bastante comum, são as OSCs, ou, isoladamente, pessoas compassivas e solidárias, que propiciam cuidados básicos, sem qualquer apoio governamental, arcando com despesas que fogem à sua capacidade orçamentária. Diariamente, inúmeros animais morrem ou permanecem desamparados porque não há assistência pública que lhes assegure dignidade e saúde.

A Associação Brasileira Protetora dos Animais (ABPA-BA) é um exemplo de organização da sociedade civil que desempenha o papel do Poder Público na cidade, entre tantas outras (Gatil da Barroquinha, Terra Verde Viva, Cuidar é o Bicho). Fundada em 1949, a mais antiga instituição de proteção animal de Salvador abriga mais de 300 animais, sem apoio governamental, contando apenas com doações de pessoas solidárias.

São caninos e felinos resgatados das ruas, vítimas de maus-tratos, que recebem assistência veterinária, são castrados e ficam aptos à adoção responsável. Alguns permanecem no abrigo da Associação, sobretudo os

idosos, deficientes e portadores de doenças crônicas, que necessitam de tratamento e alimentação especiais. As despesas mensais com ração, produtos de limpeza, medicamentos, remuneração de veterinários e outros itens somam mais de 55 mil reais.

É absurdo e incompreensível o flagrante desequilíbrio entre a atuação do Poder Público e o trabalho voluntário das OSCs. É sabido que o ativismo cria realidade social. Historicamente, a ação de pessoas engajadas, conscientes de seus direitos e deveres, exercitando a cidadania, assegurou conquistas importantes para a coletividade. É imprescindível, portanto, que ativistas, gestores das OSCS, simpatizantes da causa e os setores acadêmicos das universidades se mobilizem, defendam os interesses daqueles que não têm voz e cobrem das autoridades públicas respeito à legislação, mais dignidade e saúde para os animais.

GHANDI já dizia que: “Se pode avaliar a grandeza e o progresso moral de uma nação pela forma como ela trata os seus animais”. E é desse pacifista que me faço acompanhar ao trazer aqui está inadiável reflexão.

*Vereadora de Salvador (PT), advogada e ativista em defesa dos direitos animais.

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Opinião: Jornalistas são agredidos por Bolsonaristas – Voto tem consequências

05 de maio de 2020, 14:38

Notória a adesão de importantes meios de comunicação de massa à campanha do presidente Jair Bolsonaro. Da mesma forma – assim como em outras categorias profissionais elitizadas – muitos jornalistas, mesmo conhecedores dos fatos e sempre bem informados, por razões que a razão desconhece, ‘surfaram na onda’ e ‘mergulharam de cabeça’ na campanha, abonando-a com seus respectivos votos e, por via de consequência, influenciando no resultado do pleito eleitoral.

Bolsonaro, eleito, não perdeu oportunidade para humilhar e ofender ditos profissionais, para além de atacar os respectivos meios de comunicação. O reiterado bullying presidencial redundou, domingo (03/05), em atos de agressão física a profissionais da imprensa livre, em uma manifestação em frente ao Palácio da Alvorada, justamente no Dia Internacional que lhe é dedicado.

Jornalistas do Brasil, fica aqui a minha dica: voto tem consequências aqui e em qualquer lugar do mundo.

Vandilson Rosa Matos

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