ARTIGOS

A humanidade está em parafuso

23 de julho de 2021, 11:31

*Por Gervásio Lima

“Minha vó já me dizia: meu filho, meu filho, tu vai ver coisa, tu vai ver coisa, e eu pensava que nada, isso é mentira de Dindinha… Mentira uma p*. Era tudo verdade”. Esta, talvez, seja a frase mais lembrada entre tantas outras proferidas pelo saudoso Jotinha. O humorista baiano de Elísio Medrado se tornou um ícone após fazer sucesso com postagens de vídeos e áudios com sua voz esganiçada e quase infantil em aplicativos de mensagens e redes sociais.

José Luiz Almeida da Silva, o Jotinha (52), que faleceu no dia 5 de novembro do ano passado, vítima de complicações da Covid-19, praticamente vaticinou o que estava por vir em todo o mundo e infelizmente foi uma prova viva, ou morta, do que sua avó já lhe dizia.

A humanidade está em ‘parafuso’ e situações inimagináveis têm se tornado corriqueiras, com desfaçatez. O politicamente correto passou a ser uma ‘política incorreta’, sem respeito aos valores mínimos para uma convivência harmônica entre os indivíduos. Ser diferente tem deixado de ser uma opção para se tornar sinônimo de demonização por sujeitos que buscam culpados para esconder pecados.

O bom senso se encontra em desvantagem em um jogo onde o seu adversário não possui qualidade técnica para suportar a pressão da lógica, apelando quando se encontra na iminência de sofrer uma derrota. O bem, se treinado corretamente, jamais será abatido pelo mal, mesmo que o árbitro conspire a favor do último, não ‘dá zebra’.

A sabedoria é a qualidade de ter experiência, conhecimento e capacidade de fazer bons julgamentos. Daí se origina os bons conselhos e lições de vida que as pessoas mais velhas, geralmente avós e avôs, passam para os mais novos. Quanto mais se percorre uma estrada se conhece seus trechos e conforme se delineia o percurso do caminho, conhece-se a verdadeira personalidade do viajante. Desejar ao outro o que não quer para si é um comportamento típico dos que possuem alterações patológicas das faculdades mentais.

Os conhecimentos tradicionais, também chamados de sabedoria popular, são de extrema importância para o desenvolvimento da sociedade. É o saber que permite discernir qual é o melhor caminho a seguir e qual é a melhor atitude a se adotar nos diferentes contextos que a vida apresenta. Portanto ouvir os que realmente desejam o bem e têm a empatia já é ‘meio caminho’ andado para quem busca e contribui com a vitória do bem contra o mal no jogo da vida.

Descanse em paz Jotinha.

*Jornalista e historiador

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O hipócrita é um ‘cringe’ em potencial

14 de julho de 2021, 18:37

*Por Gervásio Lima

Hipocrisia significa fingimento, falsidade; fingir sentimentos, crenças, virtudes, que na realidade não possui. Hipocrisia deriva do latim e do grego e significava a representação, no teatro, dos atores que usavam máscaras, de acordo com o papel que representavam em uma peça. Ou seja, o hipócrita é alguém que oculta a realidade através de uma máscara de aparência. Ele exige que os outros se comportem com certos parâmetros de conduta moral que ele próprio extrapola ou deixa de adotar.

No momento em que os comportamentos humanos e sociais estão entre os assuntos mais discutidos e questionados, é possível observar que o poder de percepção dos indivíduos está mais aflorado, sendo mais fácil, assim, identificar o mau-caratismo presente nos que até pouco tempo se escondiam atrás de uma fantasia que não lhes pertencia.

Existem os que tentam ser o que não são e os que são e não se sentem desconfortáveis em assumir o que realmente são. Tal redundância proposital, que não chega a ser uma prolixidade, é uma forma de enunciar características distintas de determinados sujeitos que se apresentam de acordo com suas conveniências.

Cringe, a palavra da moda, utilizada principalmente pelos nascidos no início do século XXI, remete à vergonha alheia. O termo de origem inglesa é uma gíria para se referir também a algo “vergonhoso”, constrangedor, a situações embaraçosas, aos “micos”, aos momentos em que alguém faz algo descontextualizado.

Portanto é possível afirmar que muitos brasileiros são cringes pelo comportamento adotado diante das inúmeras situações vexatórias e constrangedoras no que se referem à conduta, atitude, modos, atuação, desempenho e costume. O país vive uma hipocrisia generalizada, virou uma arte discursar aquilo que não se pratica, mesmo o ‘orador’ sabendo que está sendo envenenado pelo próprio veneno. Verdadeiros farsantes e incoerentes em suas palavras e ações.

A hipocrisia tem sido o grande mal da nossa sociedade, devendo ser evitada e combatida. A mentira não é doença, é mau-caratismo.

*Jornalista e historiador

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Um erro não justifica o outro

08 de julho de 2021, 16:16

*Por Gervásio Lima

‘Justificar um erro é errar duas vezes’. Uma verdade sincera e sábia absolvida apenas por quem prega a humildade e possui a capacidade de reconhecer suas falhas, fazendo uma autocrítica ao analisar os seus próprios erros sem apontar outras alternativas de culpa, como encontrar um bode expiatório.

Uma das atitudes mais medíocres e covardes é tentar apontar o erro de alguém como se isso fosse capaz de diminuir ou justificar o próprio erro. ‘Mas fulano também fez e sicrano fez pior…’ Um erro não justifica o outro, fato.

O que mais se ouve ultimamente são discursos fraudulentos, tendo como pano de fundo a imagem da família e da religião, usando levianamente o nome de Deus na tentativa de valorizar os mais bizarros comportamentos. Nunca se viu tantos falsos profetas e paladinos da moralidade pregando uma coisa na teoria e pecando nas atitudes, na prática. Muitas são as falas ‘de boca para fora’.

Mas como diz o ditado popular, ‘quem fala demais dá bom dia a cavalo’, muitos têm aberto a boca quando deveriam ficar calados. A verdade está em extinção e, o pior, os que mais diziam defendê-la agora viajam literalmente numa espécie de nave carregada de mentiras e enganações delirantes, com destino incerto.

Comportamentos toscos, misturados com barbáries,  revelam à sociedade sujeitos que em um certo momento foram considerados pessoas normais, empáticas, solidárias e de paz, mas que hoje, incentivados e espelhados por seus verdadeiros semelhantes, espalham o ódio e o medo aos que ousam discordar daquilo que defendem. As relações humanas não são mais as mesmas, e isso tem assustado os indivíduos do bem.

Quem conhece ou presenciou a história brasileira a partir de meados da década de 1960 até meados da década de 1980 estão vivendo um verdadeiro ‘Déjà Vu’.

*Jornalista e historiador

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É preciso saber viver

16 de junho de 2021, 17:41

*Por Gervásio Lima

É vida que segue. Talvez esta seja a frase mais coloquial para se referir à necessidade de superação, atenuar sofrimentos e servir como alento para as mais diversas atrocidades oferecidas de formas instintivas por alguns elementos que permeiam a vida. Mesmo não sendo por vontade própria, acontecimentos negativos surgem como o vento, sem avisarem que vão chegar.

A vida não é o oposto da morte, é o mais importante significado da existência, a principal dádiva do ser humano. Os que acreditam que nada é perfeito possuem ‘desvio de existência’, na verdade não sabem viver, já que não valorizam a singularidade de estar entre os bilhões de viventes que habitam o planeta. Fazer o mal ou fazer o bem é uma opção, ao contrário de conviver com o desagrado por não ter o comando de determinadas situações.

Saber viver é estar bem consigo mesmo, respeitando as diferenças e os espaços dos seus semelhantes. Saber viver é desejar ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos desejasse, é ter paz interior e sentimentos que não sejam de culpa, é fazer o bem sem olhar a quem, de forma intensiva e espontânea, cotidianamente. O mal é ruim para a vida, é danoso, estraga relações, afasta tudo que poderia ser bom e, muitas vezes,  concretiza prematuramente a única certeza que temos – a da morte.

O anseio pela perfeição e a busca da felicidade plena podem desencadear um egoísmo perigoso e reverso. Antes de ser adepto ao “salve-se quem puder” é essencial que se procure exemplos que desconstruam a narrativa do “quem tem a unha maior sobe na parede”. Nada melhor que refletir, mas caso a mágoa, o rancor ou outros sentimentos ruins insistam em querer denominar a situação, busque força para vencer, pois é necessário ter sabedoria constante para a travessia da existência.

Quem espera que a vida

Seja feita de ilusão

Pode até ficar maluco

Ou morrer na solidão

É preciso ter cuidado

Pra mais tarde não sofrer

É preciso saber viver – É preciso saber viver (Roberto Carlos)

*Jornalista e historiador

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Administração pública é pública

09 de junho de 2021, 19:12

*Por Gervásio Lima

Não adianta o discurso de cuidado com o erário se não preservar a transparência em outras áreas da administração. A hipocrisia é parente próxima da corrupção, um elemento acusador, geralmente um aviso de que algo não está bem. A insistência em permanecer em um erro por acreditar que o certo é o que defende faz parte de um dos cúmulos da ignorância, ação tola que inevitavelmente terá  consequências negativas respingadas em quem não tem nada a ver com a situação.

Uma piada mal contada agrada apenas o amigo elegante por conveniência. Para quem ainda não sabe, ou faz de conta que não sabe, se tratando de gestão pública, seja ela municipal, estadual ou federal, o papel dos detentores de cargos eletivos é o de buscar políticas para a melhoria de vida da população, proporcionando o bem-estar e garantindo condições para que serviços essenciais sejam oferecidos sem qualquer distinção – inclusive partidária – pois o povo é hegemônico.

Conforme a Constituição, a administração pública é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que procuram satisfazer as necessidades da sociedade, como educação, saúde, infraestrutura, segurança, cultura e outros. Neste caso, tudo que for de encontro aos princípios estabelecidos não se caracteriza como público, e os agentes públicos responsáveis por fazerem cumprir estas determinações estão sujeitos a punições, mesmo que nem sempre sejam severas.

Prefeitos, governadores e presidente da República que acreditam ser ‘empresários’, administrando seus municípios, estados e o país como se fosse uma empresa privada, tratando servidores como seus funcionários particulares e o dinheiro público como se fosse fruto do lucro da venda de uma determinada mercadoria, estão fadados ao fracasso e bem próximos do xilindró, caso venham ser julgados e condenados por quem de direito.

Defender o errado em causa própria ou por simples birra não significa que o brio esteja protegido. Ao contrário, é um claro exemplo de egoísmo do corruptor. Ninguém que rouba faz algo de bom, pois tira a dignidade e compromete inclusive a vida dos que pregam o bem, as vítimas de um sistema cíclico e vicioso.

Aquele que tem a prerrogativa de comandar a partir de uma confiança depositada através de uma escolha coletiva, precisa, antes de qualquer atitude ilícita, respeitar as leis e não agir confiando na ingenuidade dos que lhe proporcionaram tal oportunidade.

É preciso desconstruir a ideia de que apenas as coleiras dos cachorros são diferentes.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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É ou não é, ou, ou ou…

27 de maio de 2021, 15:34

*Por Gervásio Lima

A mobilização para a chegada de benefícios se dá através da discussão política, mas para que isso aconteça, os políticos, sejam eles do Legislativo – que fiscalizam, propõem e indicam ações – ou do Executivo, que executam as sugestões, precisam ser provocados.

É fato que a política é parte importante para o rumo que a população almeja, mas o comportamento de determinados representantes assusta pela falta de experiência em gestão pública e relacionamento humano. Neste ano de 2021 iniciaram-se os mandatos de quatro anos de prefeitos e vereadores em todos os municípios brasileiros. Já se passaram praticamente cinco meses das novas gestões, período considerado muito curto para grandes realizações concretas, mas tempo suficiente para apresentações de propostas reais na garantia dois direitos e anseios dos municípes.

Quando se foge da verdade política, omitindo as fraquezas e até mesmo os crimes cometidos pelos que foram eleitos para representar a sociedade, comete-se um grande e às vezes irreparável erro. É preciso apresentar, portanto, de qualquer forma, as falhas daqueles que representam a população na esfera municipal, estadual e federal

O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, em razão de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser, sempre ressaltou que todo poder vem do povo. Em sua concepção, ‘para se manter no poder o soberano tem que acima de tudo estar em consonância com os anseios populares, porque o poder existe se os subordinados assim desejarem’. E assim aconteceu com inúmeros candidatos que concorreram à reeleição nas últimas eleições municipais. Quem não trabalhOU, enganOU e não agradOU, o povo retirOU. O que subestimou a importância das urnas, a força do voto e principalmente a importância do eleitor, literalmente se ferrOU.

A partir do momento em que se conhece o comportamento de determinados políticos, o senso seletivo do eleitor se emancipa e as escolhas na hora do voto podem acontecer com mais coerência e qualidade.

Para os novos administradores que acreditam que o poder é para sempre, vale lembrar que os mandatos têm prazo de validade e que muitas vezes acontece a atencipação deste prazo.

Aos que ainda não conseguiram acertar, continuem tentando, pois dias melhores ainda estão por vir.

*Jornalista e historiador

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171 é o artigo da vez

06 de maio de 2021, 21:18

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima

Na gíria, uma “pessoa 171” é vista como alguém aproveitador, capaz de trair e enganar apenas para alcançar seus objetivos, sem se importar com as outras pessoas. No Código Penal, o Artigo 171 define como crime “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

No dia a dia, em qualquer situação, seja no ambiente de trabalho, nas relações comerciais e principalmente na área política, é comum conhecer pessoas que buscam enganar alguém para tirar vantagens, principalmente no que se refere a dinheiro ou a posição social. Uma disputa de poder desenfreada, sem nenhum pudor ideológico, moral, familiar ou até mesmo religioso; neste último caso com o agravante de colocar Deus, o ente infinito e mais respeitado por cristãos e até mesmo por descrentes, como pano de fundo para justificar ou acobertar seus crimes.

A ganância é uma das principais características do estelionatário, um sentimento humano que difere de ambição. Segundo a literatura, o “homem ganancioso é um sujeito movido pelo poder e pela insanidade do ter tudo por vias que extrapola e ofusca o brilho da razão. Seu pensar canaliza todas as energias focando a qualquer preço ter a multiplicação de seus quase inexistentes bens, em patrimônios bilionários, através do sacrifício da sociedade”. Já o ambicioso é aquele que tem vontade e busca a todo custo alcançar certo objetivo, o indivíduo que demonstra cobiça. Ou seja, se trocar um pelo outro é, como diz o ditado, ‘trocar seis por meia dúzia’.

Nos momentos mais difíceis e carentes, quando a fragilidade emocional está mais aparente do que qualquer força espiritual, os denominados ‘santos das causas impossíveis’ aparecem, oferecendo uma gama de sugestões resolutivas e muitas vezes vantajosas com o objetivo de ludibriar suas vítimas e deixar um rastro de prejuízo financeiro e psicológico. Na verdade não passam de “lobos em pele de cordeiros”. Escondem as suas verdadeiras índoles maldosas, se passando por educadas, empáticas e até amigas. Fingem ajudar as pessoas ao seu redor,mas na realidade são más, perversas, egoístas e desonestas.

No Novo Testamento, uma parábola atribuída a Jesus Cristo, alerta: “Cuidado com os falsos profetas. Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os conhecerão pelos que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos”. (Mateus 7:15-16). Nesta parábola, Jesus chama a atenção dos fiéis para uma das piores condições do ser humano: a falsidade.

Qualquer semelhança é pura coincidência.

*Jornalista e historiador

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Vivência não é experiência

29 de abril de 2021, 19:29

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima

A frase atribuída ao jornalista Joelmir Betting e citada pelo ex-senador Lauro Campos no início da década de 1990, “Os problemas de hoje são as soluções de ontem, que não foram executadas”, é mais um exemplo de enunciado cuja interpretação demonstra justamente o que está vivendo a população brasileira.

Na verdade, o que o jornalista, corroborado pelo ex-senador, quis dizer é que toda a experiência pela qual passa uma sociedade é marcada de tal forma que no presente ou em algum momento pode contribuir ou prejudicar, a depender de determinados fatores, principalmente da atitude.

As consequências dos problemas não (ou mal) resolvidos, independente de sua época, podem causar prejuízos inimagináveis, principalmente contra a vida. Em qualquer tipo de trabalho, o profissional que não realiza as tarefas pertinentes a sua função ou o faz de maneira desleixada proporcionará danos que podem ser irreparáveis.

Como em uma empresa, quando os incentivos são relegados no momento que os resultados não são bons, diversos problemas podem ocorrer. Daí a importância da vivência e da convivência. Os que participam do processo saberão lidar com situações adversas, sempre buscando alternativas para conseguir melhores cenários futuros.

Defender o indefensável e, ainda pior, de maneira hostil, faltando com respeito ao direito do outro, principalmente o de se manifestar ou declarar uma posição ou lado político, tem sido uma prática comum, nos mais diversos ambientes, até mesmo nas próprias residências. Tais atitudes transcendem a racionalidade, numa clara demonstração de ‘subjugação consentida’ àquele ou aquilo que age como hipócrita.

Comportamentos truculentos, arrogantes e desrespeitosos têm desmascarado muitos que pregam moralidade, mas que na verdade não passam de falsos moralistas ou de falsos profetas.

Defender a morte ou desdenhar da tragédia alheia, negando a realidade, é um comportamento político monstruoso, típico da insensatez e da irracionalidade de um rebanho que não sabe nem que dia é hoje.

“…O povo foge da ignorância

Apesar de viver tão perto dela

E sonham com melhores tempos idos

Contemplam essa vida numa cela…”  – Admirável Gado Novo – Zé Ramalho

*Jornalista e historiador

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A sina dos ‘emes’

14 de abril de 2021, 19:28

*Por Gervásio Lima – 

A sina dos ‘emes’ nunca esteve tão presente como neste triste e preocupante momento de pandemia. A Maldade, a Mentira, a Miséria e a Morte, infelizmente, imperam e literalmente ‘dão as cartas’, tendo como principal incentivador um nefasto discurso fascista de parte da população, que prefere permanecer no erro a reconhecer a bobagem que cometeu.

Com o comportamento típico dos insanos e insensatos, os que insistem na defesa do mal, com o objetivo tosco de esconder a vergonha por uma má escolha, precisam de uma atenção redobrada, pois geralmente usam da truculência e da humilhação para justificarem suas posições radicais. Sem argumentos, buscam a violência física e às vezes armada para persuadir suas vítimas.

Reconhecer o erro, definitivamente não é para os fracos. Ao contrário, é para os fortes de espírito e para os que pregam e seguem os ensinamentos de Cristo, mesmo sem terem uma religião definida. É a tese de ‘fazer o bem sem olhar a quem’.

Usar da desgraça alheia para esconder o mau-caratismo é repugnante e desumano, uma falsidade e deslealdade sem limites para com o próximo. Tal desvio de personalidade influencia não somente na defesa do inescrupuloso como também nos rumos de uma sociedade. Uma tormenta se torna bem mais tranquila quando o comandante e a tripulação se entendem.

A essência da reciprocidade remete ao bem comum, à empatia e ao respeito às diferenças. O mau só é combatido com o bem, portanto pregar ou praticar a maldade em detrimento do bem é uma ação incorreta e inaceitável.

A resiliência precisa ser o principal objetivo de todos que acreditam que existe um mundo melhor à espera dos que atualmente sofrem por conta da ignorância e do negacionismo daqueles que na verdade não sabem nem que dia é hoje.

É preciso acreditar e colaborar para que o amanhã seja diferente, com o abraço simbolizando a saúde, a paz e verdadeiro amor.

*Jornalista e historiador

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O pior cego é o que não quer ver

08 de abril de 2021, 09:09

*Por Gervásio Lima – 

Os mais antigos ditados populares voltaram a ser lembrados e muito utilizados na atualidade. De forma simples e de fácil compreensão e interpretação, os provérbios, ou adágios populares, a partir de frases curtas, têm a função de aconselhar, advertir e principalmente transmitir ensinamentos. Eles fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. Os autores dessas expressões geralmente são anônimos, mas são atribuídos quase sempre ‘aos avós’. Como dizia…

Esta forma de comunicação rápida e indireta tem sido uma das formas encontradas por aqueles que utilizam ‘atalhos linguísticos’ para passar uma determinada mensagem. No atual momento que vive o mundo, em especial o Brasil, com uma das maiores crises sanitárias da história, todo cuidado é pouco com o que se pretende expressar. O mal entendido tem criado desavenças, intrigas e até mesmo violência física. Por conta disto, sem querer querendo, é cada vez mais comum recorrer a metáforas e ditados.

Ao analisar e decodificar o que se lê ou o que escuta, conseguirá tirar as conclusões e se conectar com a realidade, uma forma subjetiva de entendimento sobre algo apresentado. É possível compreender algo sem interpretá-lo, porém não é possível interpretar sem compreender. Talvez seja essa a máxima do sucesso dos provérbios que estão sendo utilizados com tanta frequência.

É possível que uma frase dita em determinada localidade tenha significado diferente em uma outra região, mas – uma coisa é certa – o recado atinge os mesmos objetivos. Sem ir muito longe, resumiríamos o que acontece na política e no comportamento do Brasil e dos brasileiros com a política e com a prevenção da Covid-19, que vem matando uma média de 3 mil pessoas por dia:

As aparências enganam

Diz-me com quem andas e eu te direi quem és

Para bom entendedor, meia palavra basta

Tapar o sol com a peneira

Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Quem se mistura com porcos, farelo come

Quem semeia vento, colhe tempestade

Um dia é da caça, outro do caçador

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe

Quem fala o que quer ouve o que não quer

Quem ri por último ri melhor.

×Jornalista e historiador

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