ARTIGOS

Todo cuidado é pouco em um processo eleitoral

01 de outubro de 2020, 16:23

*Gervásio Lima – 

A única festa a ser comemorada de fato neste ano de 2020 será a ‘festa da democracia’, quando todos os brasileiros, sem distinção, de cor, raça, gênero ou condições financeiras estarão no mesmo nível e com as mesmas responsabilidades ao escolher as pessoas que lhe representarão no Legislativo e Executivo municipal.

No momento em que o virtual passou a ser uma realidade mundial a disputa política deverá acompanhar esta mudança, ficando todos os envolvidos obrigados a conviver e absolver de maneira inteligente esse novo comportamento que requer não somente o domínio digital, mas também muita atenção no que determina as leis, inclusive a eleitoral, para não cometer irregularidades e crimes.

Sem aglomerações, o tapinha nas costas e o aperto de mãos não serão mais os principais símbolos dos cumprimentos dos candidatos com seus eleitores. Aqueles que se saírem melhor no uso da tecnologia, das redes sociais e, principalmente no discurso e no poder de convencimento levarão vantagens sobre seus concorrentes.

Depois das últimas eleições ocorridas em todo o país, quando a disseminação de notícias falsas beneficiou candidatos e contribuiu para o surgimento de um ambiente hostil, misógino, homofóbico, preconceituoso, raivoso e outras odiosidades, se fez necessário, em regime de urgência, ampliar as discussões em torno do assunto. De maneira ainda tímida a justiça tenta incriminar os principais suspeitos em criar e disparar as mentiras que provocaram e continuam provocando um grande estrago para a democracia brasileira.

Para não ser enganado na eleição deste ano é preciso que o eleitor preste muita atenção não só nos discursos presenciais, mas no que venha a receber através de aplicativos de mensagens e nas redes sociais. Como ‘gato escaldado tem medo de água fria’, todo cuidado é pouco com os criminosos travestidos de políticos e apoiadores. Não se tem conhecimento de nenhum vereador ou prefeito beatificado, por tanto não custa nada ficar com ‘um olho no padre e o outro na missa’.

Querer não é o bastante se este não vier junto com o fazer. Como em tudo na vida, não basta desejar o bem e sim realizá-lo e, neste momento virtual, compartilhá-lo. A festa não se resume nas bebidas a serem, consumidas e nas guloseimas a serem degustadas. Festa é sinônimo de alegria, uma comemoração coletiva onde nem todos os envolvidos dançam ou cantam, mas se divertem por estar no mesmo ambiente.

A condução do processo eleitoral, a maneira como acontece o ato de votar e o papel do eleitor antes e após a festa democrática será o retrato dos mandatos dos escolhidos. Que o atípico 2020 seja referência e exemplo de superação, com a empatia e o amor ao próximo prevalecendo como regra de vida.

*Jornalista e historiador

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COSME & DAMIÃO: A FESTA DO CARURU

29 de setembro de 2020, 08:32

Apesar de ter vivido na infância numa cidade de muita religiosidade como Juazeiro do Norte, com suas muitas igrejas, e de ter estudado no seminário dos franciscanos, nunca ouvi falar de nenhuma festa comemorativa em homenagem a dupla de santos São Cosme e São Damião, no Cariri.

No seminário, dentro da hagiografia católica, li de passagem um breve resumo da vida destes santos gêmeos, ambos médicos, oriundos da Ásia Menor, talvez de algum lugar dentro da atual Turquia. Mais tarde, numa coleção de biografias de santos em quadrinhos, aprendi um pouco mais sobre eles. Porém, só depois que vim morar na Bahia foi que entendi tanta devoção por eles. Por aqui comemora-se o Dia de Cosme e Damião nos dia 26 de setembro para os católicos e no dia 27 de para os adeptos do candomblé e umbanda, onde são conhecidos também como os orixás Ibejis, filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru, uma comida típica da tradição afro-brasileira, chamado também de “caruru dos santos” e “caruru dos sete meninos” porque representa os sete irmãos Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.

Na Igreja Ortodoxa, os santos são celebrados no dia 1º de novembro, sendo que os ortodoxos gregos comemoram em 1º de julho. Esses santos morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano.

São Cosme e São Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir docinhos para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.Por outro lado, o termo “Cosme e Damião” teve forte conotação no meu de estudante em Recife, quando frequentava reuniões políticas e éramos perseguidos dentro da noite pela polícia do exército que fazia varredura na área evacuada e depois deixava por conta da polícia estadual, uma dupla de soldados denominada “Cosme e Damião”, escolhidos entre os policiais mais altos, fortes e truculentos. Estes adoravam “descer o pau” em estudantes. Nunca apanhei, mas corri muito para não ser pego. Talvez este tenha sido meu prévio treinamento para tarde me tornar um atleta de corridas da aeronáutica.

A designação desse policiamento como “Cosme e Damião” surgiu na década de cinquenta no Rio de Janeiro e é mantida por tradição até os dias atuais. Em alguns Estados da Federação foram atribuidas outras denominações:

Na BMRS (Batalhão Militar do Rio Grande do Sul) se chamava “Pedro e Paulo”. Na Polícia Feminina da antiga Guarda Civil de São Paulo, a dupla feminina era conhecida por “Marta e Maria”. Na PMBA (Polícia Militar da Bahia) a dupla composta por um policial masculino e um feminino é chamada de Romeu e Julieta.

Hoje, pela força do movimento LGBTI, intersesexuais, transexuais, bissexuais, gays e lésbicas, que forem policiais, podem patrulhar em dupla com as denominações, além das citadas acima, “Romeu-Romeu”, “Julieta-Julieta”, ou serem indistitamente cognominadas com a antonomásia COSME E DAMIÃO.

Bora comer caruru com xinxim de galinha? Será o prato tradicional de hoje.

Por Montiez Rodrigues 

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O preconceito, o racismo e a discriminação são características do irracional

17 de setembro de 2020, 07:25

*Por Gervásio Lima  – 

O conceito de beleza não se resume no porte físico, na cor da pele, no tipo de cabelo, na condição financeira, na posição profissional, na linhagem ou sobrenome. Ser ‘lindo’ é muito mais que tudo isso, é ter a condição de se comportar corretamente como um ser humano que enxerga no outro a sua semelhança, é ter a capacidade de amar e empatia, independente de classe social, raça, gênero ou religião.

A compreensão de vida não se resume em estereótipos, de imagens preconcebidas, padronizadas e generalizadas, como o próprio significado da palavra remete. Definir o sujeito a partir de seus dotes, raça ou situação social é cometer intencionalmente discriminação, racismo e preconceito. Julgar sem conhecer o julgado é perigoso e pode causar situações violentas, assim como o preconceito que geralmente está atrelado à discriminação por parte daqueles que valorizam a si próprios e deprecia os demais.

Os preconceituosos e racistas têm dificuldades em aceitar e conviver com as diferenças, e muitas vezes são medrosos, inseguros e suas atitudes chegam ao delírio, para não dizer ao ridículo. Tratar o outro com inferioridade se julgando superior é um ato insano e irracional.
Bonito é saber viver, literalmente, respeitando o diferente e as diferenças, pregando o bem sem olhar a quem. Não existe riqueza maior que amar e ser amado, ter amigos e uma família construídos com irmandade.

Não sai caro defender e trabalhar em prol da coletividade, basta não ter como regra a satisfação do ego e a lei da vantagem. A comunhão sim deve aparecer como palavra principal quando o convívio em sociedade estiver correndo algum tipo de risco.

Em momentos difíceis a reflexão faz parte do dia a dia daqueles que estão acometidos por algum tipo de situação negativa, seja em uma desilusão amorosa, um problema de saúde, perda de um ente, inseguranças, entre outras. Muitas vezes o ato de refletir serve como uma espécie de ‘antídoto’ para as intempéries da alma. Pensar é um momento de autoavaliação, oportunidade de rever atitudes e inclusive conceitos.

“Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice…”

*Jornalista e historiador

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Violência tem jeito: para começar, sensibilidade

08 de setembro de 2020, 08:57

*Por Ana Rita Tavares –

As autoridades governamentais brasileiras ligadas à segurança pública, pelo que é divulgado nas mídias, não perceberam até agora o problema da violência relacionado com o comportamento agressivo de crianças e adolescentes contra animais. Não despertaram para a importância da chamada “Teoria do Link”, desenvolvida na América do Norte a partir de pesquisas científicas realizadas para aprofundar essa questão, que é óbvia: crianças e adolescentes violentos com os animais serão violentos com o próprio ser humano.

Há alguns anos, através da Associação Brasileira Terra Verde Viva, vínhamos apoiando e desenvolvendo importante trabalho de educação para o público infantojuvenil, a partir da criação de músicas (2005 – CD lançado com o apoio do Ministério Público da Bahia), aulas e exibição de vídeos, ao lado da reflexão sobre a alimentação vegetariana. Tudo tendo como base os princípios da não-violência e valores de respeito a todas as formas de vida, enfatizando a vida animal, que é ainda a mais desconsiderada culturalmente e passa distante do comportamento ético que deveria ter o animal humano.

Em “Maus-tratos aos animais e a violência contra as pessoas”, de Marcelo Robis Nassaro, capitão da PM paulista, colhem-se informações amplas sobre a produção científica nos Estados Unidos nessa linha de entendimento. Fernando Tapia (professor da Faculdade de Medicina do Missouri), em 1971, realizou pesquisa que intitulou “Crianças que são cruéis com os animais”, reportando-se, dentre outros, ao trabalho Enuresis, Firesettingand Cruelty to Animals: A Triad Predective of Adult Crime, publicado por Daniell S. Helmann e Nathan Blackman, em 1966. Seus estudos sugerem que a enurese (incontinência urinária) persistente, atos incendiários frequentes e a crueldade com animais, que formam a tríade de comportamentos, “quando presentes de forma concomitante em crianças ou adolescentes, podem indicar que serão pessoas violentas no futuro”.

Os psicólogos Mary Louise Petersen e David P. Farrinton, apontando o psiquiatra forense e pesquisador Jonh Marshall Macdonald como precursor de estudo dessa natureza, em 1963 (“A ameaça de matar”), já anunciavam a importância da tríade do sociopata ou tríade Macdonald, que tinha a crueldade com animais como um dos ingredientes que compunham o comportamento violento de pessoas contra pessoas.

A pesquisa de Helmann e Blakman analisou 84 prisioneiros adultos do Centro de Saúde Mental de St. Louis, no Missouri, EUA, dos quais 31 foram condenados por crimes violentos contra pessoas. Na infância, estes apresentavam a tríade comportamental. Do restante, 15 apresentaram a tríade completa ou de forma parcial. Isso fez os pesquisadores concluírem que a “presença da tríade na infância ou adolescência poderia ser um prognóstico de comportamento antissocial violento futuro, ou seja, quanto mais cedo fosse detectada a tríade, mais cedo se evitariam crimes violentos no futuro”.

Em Cabo, na África do Sul, onde os índices de homicídio e outros crimes cometidos contra pessoas e animais eram alarmantes, foi implementado um programa de educação por uma ONG humanitária, iniciado na casa de detenção da cidade, que transformou a agressividade dos detentos a partir dos cuidados que eles passaram a ter com pássaros que lhes foram entregues.

Nosso objetivo na via do ativismo, e agora como parlamentar, é despertar nossos governantes para esse aspecto da violência. À falta de valorização desse foco no trabalho de prevenção, muito deixa de ser feito e vidas são ceifadas diuturnamente. A inclusão desse elemento construtor da paz no sistema de educação das escolas públicas e privadas ajudaria a controlar a violência.

Entendendo que esse é um assunto de interesse suprapartidário, convocamos os governantes e os gestores públicos a unir forças nessa direção. Em Catu (BA), a juíza de direito da Vara da Infância e Adolescência apresentou declaração formal à Terra Verde Viva, reconhecendo que o trabalho educativo realizado na rede municipal de ensino daquele município, em 2011, diminuiu a incidência de infração cometida por menores.

*Vereadora de Salvador (PT), advogada e ativista em defesa dos direitos animais

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A mentira é uma das qualidades do néscio 

26 de agosto de 2020, 14:31

*Por Gervásio Lima –

O que seria respeito à vida se não enaltecer a oportunidade de ‘viver’, de sonhar, sorrir, ser útil, feliz, orar, rezar, amar e ser amado? Acreditar que a morte é uma certeza não é a mesma coisa que considerar o fato de morrer ser algo aceitável e não dolorido. Toda perda é sim dolorida e quando se trata de vidas humanas as condolências não são suficientes para amenizar o sofrimento dos enlutados.  

Desdenhar de mortes e de sofrimentos é uma característica de figuras agressivas, sem empatia e amor ao próximo; verdadeiros truculentos que muitas vezes se escondem em uma religião para disfarçar suas maldades e suas blasfêmias. Lobos em peles de cordeiros. Mas existem também muitos que se autodenominam enviados para cuidar dos rebanhos; esses, são seres inescrupulosos que enganam a fé de pessoas inocentes que buscam em Deus a paz espiritual e muitas vezes a ‘solução’ dos seus problemas.  

Uma passagem bíblica (Mateus 7:10-20), ressalta que: “a árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”, ou seja, em um exemplo bem didático: “é pelo fruto que se conhece a árvore. Se você pegar uma banana, você dirá que ela veio de uma goiabeira?”. Segundo Paul Washer, missionário, escritor e advogado americano, “uma pessoa de Deus é conhecida pelos frutos, não por suas palavras”. Partindo desta premissa é correto afirmar que o Mundo, em particular o Brasil, está ‘empesteado’ de falsos profetas. 

Com exceção do que aconteceu no ápice da Ditadura Militar, na década de 1970, nunca na história do país se viu a propagação de tanto ódio, mentiras, perseguições contra políticos, artistas e a imprensa. Numa espécie de filme de terror e um sonho de pesadelos, os que viveram o período de chumbo (1964 – 1985) e os que conhecem a verdadeira história do que aconteceu na época passaram a conhecer na segunda década do século XXI a triste realidade do Brasil nas últimas três décadas do século XX. 

Momento perturbador cheio de sentimentos ruins, como ansiedade, medo e incertezas, e o pior com a família e a religião sendo usadas por néscios que estão à frente dos principais postos eletivos do território nacional. 

Enquanto a democracia está sendo ameaçada, o amém e o aleluia são deturpados. 

*Jornalista e Historiador 

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Opinião: Reclamar por reclamar deixa de ser uma reivindicação para se tornar birra politiqueira

04 de agosto de 2020, 14:51

*Por Gervásio Lima –

Até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não mude de ideia, este ano acontecerão eleições para a escolha dos representantes do Executivo e do Legislativo em todos os municípios do território brasileiro. Por conta da pandemia do novo coronavírus ficou decidido o adiamento do pleito eleitoral que passou do dia 4 de outubro para, o primeiro turno, 15 de novembro deste ano, ficando o segundo turno (nos municípios com mais de 200 mil eleitores, caso nenhum candidato atinja maioria absoluta na contagem dos votos) para o dia 29 do mesmo mês.

Todos os prefeitos que foram eleitos em 2016 e até mesmo os que chegaram ao poder através de eleições suplementares e que estão no primeiro mandato poderão participar da disputa, caso assim queiram e não possuam algum tipo de impedimento por condenação eleitoral ou criminal.

Para os gestores que estão no cargo desde o dia 1º de janeiro de 2017, este ano eles chegam aos quatro anos de administração. Como nos anos anteriores, 2020 deve ser visto e entendido como mais 365 dias de trabalho e como tal compreendido pela população como qualquer outro.

Após uma eleição normal espera-se que o mandato se complete nos quatro anos seguintes. Não sendo cumprido pelos eleitos o que determina a legislação existem meios para abortar, mas caso não ocorra ocorrências que justifiquem impedimento, o último ano de um mandato é tão importante como se fosse o primeiro.

É comum ouvir de parte da população das cidades brasileiras, principalmente daquela que está na oposição de determinada gestão, que as ações realizadas no ano em que acontece uma eleição são ‘obras eleitoreiras’. É inevitável e lógico que o bônus após a entrega de serviços de serviços será para aquele que se encontra no comando. Os benefícios chegando para o coletivo, independente do ano ou das circunstâncias é o que interessa. Vale a população, principalmente os eleitores, ter a capacidade de discernir o certo do errado.

Não se pode reclamar do que está sendo feito e sim do que não foi feito, independente de qual momento. Tentar justificar os motivos para se criticar algo que beneficiará uma cidade e seus moradores é tão prejudicial quanto a não realização deste benefício. Reclamar por reclamar deixa de ser uma reivindicação para se tornar birra politiqueira. Uma ‘auto-análise’ sobre o comportamento enquanto parte, com um pouco de humildade e uma porção considerável de razão poderá aguçar o senso crítico coerente enquanto cidadão e sujeito imbuído de fato nas questões que envolvem a melhoria do meio em que se vive.

E vida que segue…

*Jornalista e historiador

 

 

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Parabéns Jacobina pelos seus 298 anos de fundação!

28 de julho de 2020, 12:59

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima  –  A sabedoria popular costuma dizer que ‘quando Jacobina nasceu não existia cartório’, justificando a equivocada idade atribuída ao município, que conforme os registros dados como oficiais sua elevação à categoria de cidade se deu em 28 de julho de 1880; sendo que outras aglomerações urbanas bi-centenárias, antes de se tornarem independentes administrativamente pertenciam a Jacobina. Para historiadores, a fundação do município se deu há 298 anos, em 24 de junho de 1722, ou seja, tanto o mês e a idade da cidade não estariam corretos.

Neste momento a idade não seria prioridade na discussão. Lembrar que o município existe com os mais diversos tipos de homenagens, declarações amorosas e sentimentos de pertencimentos bairristas não vão contribuir positivamente para que sua população descubra que assim como a sua data de aniversário, muita coisa precisa mudar e principalmente acontecer. Qual é a cidade que temos, qual a cidade que estão nos oferecendo, qual a cidade que queremos e efetivamente merecemos? Qual o papel da sociedade e dos representantes políticos? Uma série de perguntas ainda carece de respostas reais.

Enganam-se os que acreditam que ‘quem vive de passado é museu’. Um município que já figurou entre as dez maiores economias da Bahia, sendo reconhecido como um dos maiores centros comerciais e tido como referência no oferecimento dos mais diversos tipos serviços do Estado, passar de coadjuvante para figurante é um tanto intrigante, para não dizer preocupante, decepcionante e outros ‘antes’…

Quem gosta de verdade cuida. Exaltar suas qualidades naturais, sua riqueza mineral e a sua diversidade cultural sem um plano de ação concreto e com disponibilização coletiva, onde a população possa participar e ser contemplada com os resultados, não irá existir motivos para se comemorar. É preciso ousar e investir em políticas públicas responsáveis. Ao contrário do passado, quando não se discutiu alternativas de enfrentamento de crises e de desenvolvimento, o momento é de reflexão, correção de erros e busca de acertos.

Jacobina tem perdido ao longo dos anos seu protagonismo. Se faz necessário olhar para trás sim, apagar o que não foi bom, aproveitar o que deu certo e numa espécie de ‘jurisprudência’, passar a por em prática os acertos para reorganizar.

O município não é mais uma criança, fácil de ser enganada. Sua história deve ser respeitada e seus filhos biológicos, adotados e enteados precisam se envolver e serem envolvidos no processo de resgate, da pluralidade e da construção de políticas públicas.

*Jornalista e historiador

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A falta de um Plano Diretor

23 de julho de 2020, 10:06

*Por Paulo Roberto Alvares – Um tema que o jornal Tribuna Regional poderia abordar, eis que da maior importância para Jacobina e para os seus habitantes, é o da inexistência de um plano de desenvolvimento urbano que ordene o crescimento da Cidade.

Jacobina tem uma topografia que lhe confere fascínio e beleza,  mas cujas singularidade e complexidade comprometem uma expansão urbana sem planejamento, ao Deus dará, que racionalize e otimize as intervenções que a Cidade requer.

A ocupação acelerada e desordenada de suas encostas é um verdadeiro tiro no pé. Escalar suas alturas para construir a infraestrutura que atenda as demandas naturais e imprescindíveis para o bem estar das populações que ali residem custa caro, além de perpetuar um atendimento também oneroso dos serviços públicos que, perenemente, são e serão exigidos por esses mesmos moradores.

É preciso haver limites para essas ocupações. A partir de determinadas inclinações elas nunca poderiam ser permitidas.

Só um Plano Diretor e a Legislação que o regula poderiam inibir ocupações “fora da Lei”e ordenar uma expansão racional, integrada à uma visão de conjunto, de totalidade.

Em várias cidades brasileiras com topografia acidentada, uma singularidade que chama a atenção é o desprezo por  uma ocupação racional de áreas situadas em encostas pelas populações mais abastadas, liberando-as para invasões desordenadas pelos habitantes de baixa renda, que as “conquistam”, expulsos que são das áreas menos acidentadas e das que constituem o centro dessas cidades, valorizadas e fora do alcance dos mais pobres, 

É a lógica perversa que dita a ocupação das áreas urbanas e a expansão das nossas cidades.

Assim, os ricos e abastados deixam de ocupar espaços e locais que são verdadeiros mirantes, com uma qualidade térmica superior às ocupações dos vales e planícies, sempre mais quentes e úmidas.

São as deformações que a falta de uma visão de totalidade, que faculte uma identificação clara e abrangente das diversas áreas que compõem o conjunto urbano, suas características e vocações de uso e ocupação, e que vão se tornando fatores de comprometimento equivocado e até de degradação dessas áreas assim identificadas.

É o que ocorre com a ocupação das áreas de várzea que integram o grande vale que marca a geografia de Jacobina, áreas essa que constituem um sistema natural de drenagem das águas pluviais, e que não pode ser contido ou barrado, sob pena de que a Cidade e seus cidadãos assistam, no futuro, alagamentos e enchentes que a natureza sabiamente se encarregou de prevenir e minimizar.

Os condomínios privados são outra consequência de cidades mau planejadas, em que os usos e funções que abrigam, se misturam e se confundem, estimulando o seu surgimento como solução de criação de espaços mais protegidos, menos conflagrados.

Vão formando verdadeiros “guetos” onde os mais abastados se abrigarão e construirão, via de regra, arremedos de “mansões” e “palacetes”, caracterizados por uma arquitetura de gosto duvidoso, de pouca funcionalidade e pouco conforto habitacional.

Tornam-se, pois, áreas de exclusão, e seus moradores se alienam dos problemas da  coletividade, vez que passam a não se sentir parte dela., desenvolvendo um sentimento de alheamento em relação aos seus concidadãos, com os quais passam a não interagir, privilegiando suas relações de vizinhança.

É um modelo habitacional comum nos Estados Unidos, um país onde a exclusão social vai se expandindo, com índices de pobreza cada vez maiores, atingindo imigrantes principalmente, dai estimulando o surgimento dessas ilhas da fantasia.

Diferentemente do que ocorre na Europa, onde a distribuição de renda é menos assimétrica.

Entre nós a venda de imóveis nessas áreas coletivas é sempre cercada de um aparato mercadológico grandioso, atraindo nossa população arrivista, consumista ávida de novidades, de ascensão social e de artifícios de ostentação.

Não é a toa que os nomes desses empreendimentos recorrem sempre à anglicismos, símbolos da diferenciação e do esnobismo apátrida.

*Paulo Roberto Alvares

Empresário

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Morra quem morrer, o Brasil mostra que não está nem aí para o coronavírus

04 de julho de 2020, 09:43

Foto: Gomez

por Carlos Alexandre de Souza

Acabou. O Brasil decidiu mostrar a cara, sem proteção alguma, ao inimigo que matou 63 mil pessoas em pouco mais de três meses. Essas vidas perdidas para o novo coronavírus já superam em muito o total de brasileiros vítimas de mortes violentas por ano — em torno de 41 mil, segundo estudos mais recentes. De nada adiantou o sofrimento das famílias e amigos que perderam pessoas queridas e nem puderam se despedir. Tornou-se inglória a luta constante dos profissionais de saúde, que põem a vida em risco, enfrentam jornadas extenuantes, muitas vezes em condições dificílimas, para atender a doentes que exigem tratamento por horas, dias, semanas a fio. Caíram no vazio os alertas do ministro Mandetta; o “fique em casa”, recomendação seguida em todas as partes do mundo; ficaram na memória as entrevistas coletivas, diárias e transparentes, nas quais assistíamos a um esforço de conscientizar a população sobre os riscos da pandemia; perdeu serventia a agilidade do Governo do Distrito Federal, que antecipou as medidas preventivas ainda no mês de março, antes de se perder em um labirinto de contradições.

Máscara, álcool em gel, distanciamento, home office, grupos de risco, atenção aos idosos, aos vulneráveis… Tudo isso fica desprovido de sentido no momento em que nós — sim, nós — decidimos abraçar o novo coronavírus. Vamos lotar as ruas do Leblon, promover uma live proibida, descobrir um restaurante clandestino. Afinal, somos livres. Precisamos espairecer, ninguém aguenta mais essa história de mortos e infectados todos os dias. Vamos tomar vermífugo e outros remédios de maneira preventiva, mesmo que inexistam provas, estudos, recomendações oficiais sobre um medicamento confiável contra o vírus. Vamos esquecer essa conversa fiada de serviços essenciais e liberar todo mundo para trabalhar. Afinal, é a economia que precisamos preservar. Pouco importa se as pessoas ficarem doentes; se morrerem. A morte, a miséria e a desigualdade sempre estiveram presentes no cotidiano brasileiro, muito antes da chegada da covid-19. Não será uma mera gripe que nos despertará o senso de coletivo, que nos aproximará, que encurtará o distanciamento social da realidade brasileira. Há anos, estamos afastados uns dos outros, defendemos os nossos interesses particulares em detrimento do bem comum.

O Brasil de hoje é um país que escolheu os piores caminhos para enfrentar a pandemia. Fracassamos no desafio de agir como nação. Mostramo-nos incapazes de enxergar um propósito coletivo a ser alcançado, que precisa da colaboração de todos. Em vez de se buscar a cooperação, insistimos em alimentar rivalidades. Ficamos restritos à nossa mesquinhez, ao nosso obscurantismo, à nossa arrogância de achar que só têm razão aqueles que pensam como nós. Perdemos um tempo precioso — perdemos vidas — com discussões inúteis sobre remédios mirabolantes, com questionamento de autoridades sanitárias, teorias conspiratórias abjetas, desrespeito explícito das recomendações para usar máscara e evitar aglomerações, politização sobre uma doença que afeta a todos — dos 38 milhões de “invisíveis” aos ilustres ocupantes dos mais altos cargos da República.

Entre os nossos erros de origem, reside o fato de termos escolhido o enfoque inadequado para lidar com o problema. Tentou-se, em primeiro lugar, preservar a economia, como se a economia não dependesse de pessoas vivas para se manter. Em seguida, vieram as sucessivas crises políticas, algumas decorrentes da própria pandemia, outras fabricadas sobre temas diversos, a fim de distrair a opinião pública e deixar de lado o assunto verdadeiramente de interesse nacional. Enquanto isso, a saúde pública, aquela que deveria ser prioridade absoluta, aquela que é nossa defesa indispensável para atravessarmos a pandemia com o menor número possível de vítimas, ficou em segundo plano. A necessidade imperiosa de coordenar, da melhor forma possível, estratégias de combate em uma guerra sanitária sem precedentes foi desviada para um debate político nefasto, no qual declarações sobre a doença passaram a ser vistas como posicionamento político. O alerta das autoridades e da imprensa é tachado de fatalismo; temas antes restritos a cientistas e médicos se vulgarizaram em conversa rasteira de palpiteiros; o negacionismo alcançou níveis assustadores.

A responsabilidade pelo estágio calamitoso da covid no Brasil não recai apenas sobre os ombros das autoridades lenientes com a tragédia sanitária. A indiferença não está apenas entre aqueles que dizem que tudo não passa de uma gripezinha, que é preciso reabrir o comércio, “morra quem morrer”. A negligência, o egoísmo, o individualismo, a falta de empatia, a ausência de civilidade acometem o cidadão comum, também. Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou a possibilidade de o país ter alcançado a estabilização na quantidade de mortes. Vejam a que ponto chegamos: estamos aliviados porque completamos uma semana com a média acima de mil mortes a cada 24 horas. É como se, todos os dias, ocorressem ao menos cinco acidentes como o da TAM, que ceifou 199 vidas.

Sejamos honestos. Morra quem morrer, o Brasil não está nem aí para o coronavírus.

Fonte: Correio Braziliense 

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Opinião: Uma pandemia mais que reveladora

18 de junho de 2020, 11:17

*Por Gervásio Lima –
 
O mundo vive atualmente um dos piores momentos da recente história da humanidade. Não bastassem as crises econômicas que já vinham acontecendo em diversos países, de todos os continentes, a população mundial é surpreendida por um perigoso e mortal vírus que em um curto espaço de tempo, da sua descoberta em dezembro passado, já ceifou milhares de vidas e destruiu, além de famílias, muitos sonhos.
 
O novo coronavírus é uma triste realidade que precisa ser encarada de frente, com responsabilidade, sapiência e muito cuidado. A covid-19 é talvez a doença mais ‘democrática’ que se tem conhecimento, ela não escolhe cor, raça, religião, gênero ou idade. Todos estão suscetíveis à contaminação: menino, menina, criança, jovem e idoso, pobre, rico, médico, servente, pedreiro…
 
A pandemia do novo coronavírus escancarou a fragilidade de órgãos de saúde e de governos pela falta de preparo para situações complexas. A ausência de materiais e profissionais que já eram sabidos veio à tona no momento em que mais precisa. Os investimentos na saúde, mesmo sendo um dos principais motes de discursos políticos e campanhas eleitorais, nunca fizeram jus ao tema. A ausência de equipamentos como respiradores, que deveriam ser tão essenciais como o álcool e o esparadrapo em uma unidade de saúde tem mostrado a fraqueza e o descaso dos governantes, no caso do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente os gestores municipais.
 
O cuidado com a vida humana nunca foi tão propalado e tão pouco desdenhado. A dor causada pela covid-19 não se resume apenas nos pacientes acometidos pela doença, mas naqueles que estão na linha de frente do atendimento (enfermeiros, médicos e outros profissionais de saúde), nos amigos dos infectados e principalmente nos seus familiares, quiçá, os que sentem dores às vezes maiores quando acontece a perda dos seus entes queridos.
 
Segundo autoridades sanitárias o país ainda não atingiu o pico da doença e a situação se complica a cada dia, principalmente pelo relaxamento do isolamento e distanciamento social. Nas cidades onde as medidas estão sendo mais rígidas a contaminação tem atingindo menos pessoas; enquanto em outras, onde a flexibilização com a abertura total dos serviços tem acontecido, a curva do gráfico da doença tem subido desordenadamente.
 
A realização das eleições municipais programadas para acontecerem este ano ainda é uma incógnita, face ao aumento de casos do coronavírus em todo o território brasileiro, mas caso aconteça muitos gestores que buscam a reeleição receberão seus votos de acordo com seus comportamentos diante do coronavírus. Com certeza, principalmente para os que viveram de perto o problema, a recíproca será verdadeira.
 
 
*Jornalista e historiador
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Boas Festas!

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