ARTIGOS

A sina dos ‘emes’

14 de abril de 2021, 19:28

*Por Gervásio Lima – 

A sina dos ‘emes’ nunca esteve tão presente como neste triste e preocupante momento de pandemia. A Maldade, a Mentira, a Miséria e a Morte, infelizmente, imperam e literalmente ‘dão as cartas’, tendo como principal incentivador um nefasto discurso fascista de parte da população, que prefere permanecer no erro a reconhecer a bobagem que cometeu.

Com o comportamento típico dos insanos e insensatos, os que insistem na defesa do mal, com o objetivo tosco de esconder a vergonha por uma má escolha, precisam de uma atenção redobrada, pois geralmente usam da truculência e da humilhação para justificarem suas posições radicais. Sem argumentos, buscam a violência física e às vezes armada para persuadir suas vítimas.

Reconhecer o erro, definitivamente não é para os fracos. Ao contrário, é para os fortes de espírito e para os que pregam e seguem os ensinamentos de Cristo, mesmo sem terem uma religião definida. É a tese de ‘fazer o bem sem olhar a quem’.

Usar da desgraça alheia para esconder o mau-caratismo é repugnante e desumano, uma falsidade e deslealdade sem limites para com o próximo. Tal desvio de personalidade influencia não somente na defesa do inescrupuloso como também nos rumos de uma sociedade. Uma tormenta se torna bem mais tranquila quando o comandante e a tripulação se entendem.

A essência da reciprocidade remete ao bem comum, à empatia e ao respeito às diferenças. O mau só é combatido com o bem, portanto pregar ou praticar a maldade em detrimento do bem é uma ação incorreta e inaceitável.

A resiliência precisa ser o principal objetivo de todos que acreditam que existe um mundo melhor à espera dos que atualmente sofrem por conta da ignorância e do negacionismo daqueles que na verdade não sabem nem que dia é hoje.

É preciso acreditar e colaborar para que o amanhã seja diferente, com o abraço simbolizando a saúde, a paz e verdadeiro amor.

*Jornalista e historiador

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O pior cego é o que não quer ver

08 de abril de 2021, 09:09

*Por Gervásio Lima – 

Os mais antigos ditados populares voltaram a ser lembrados e muito utilizados na atualidade. De forma simples e de fácil compreensão e interpretação, os provérbios, ou adágios populares, a partir de frases curtas, têm a função de aconselhar, advertir e principalmente transmitir ensinamentos. Eles fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. Os autores dessas expressões geralmente são anônimos, mas são atribuídos quase sempre ‘aos avós’. Como dizia…

Esta forma de comunicação rápida e indireta tem sido uma das formas encontradas por aqueles que utilizam ‘atalhos linguísticos’ para passar uma determinada mensagem. No atual momento que vive o mundo, em especial o Brasil, com uma das maiores crises sanitárias da história, todo cuidado é pouco com o que se pretende expressar. O mal entendido tem criado desavenças, intrigas e até mesmo violência física. Por conta disto, sem querer querendo, é cada vez mais comum recorrer a metáforas e ditados.

Ao analisar e decodificar o que se lê ou o que escuta, conseguirá tirar as conclusões e se conectar com a realidade, uma forma subjetiva de entendimento sobre algo apresentado. É possível compreender algo sem interpretá-lo, porém não é possível interpretar sem compreender. Talvez seja essa a máxima do sucesso dos provérbios que estão sendo utilizados com tanta frequência.

É possível que uma frase dita em determinada localidade tenha significado diferente em uma outra região, mas – uma coisa é certa – o recado atinge os mesmos objetivos. Sem ir muito longe, resumiríamos o que acontece na política e no comportamento do Brasil e dos brasileiros com a política e com a prevenção da Covid-19, que vem matando uma média de 3 mil pessoas por dia:

As aparências enganam

Diz-me com quem andas e eu te direi quem és

Para bom entendedor, meia palavra basta

Tapar o sol com a peneira

Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Quem se mistura com porcos, farelo come

Quem semeia vento, colhe tempestade

Um dia é da caça, outro do caçador

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe

Quem fala o que quer ouve o que não quer

Quem ri por último ri melhor.

×Jornalista e historiador

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O que aprendi em 43 anos aprendendo a ser jornalista, a profissão que não prescinde da verdade

07 de abril de 2021, 17:14

Por Giorlando Lima

Comecei nesse negócio de jornalismo no mês de setembro de 1978, três meses antes de completar 17 anos. No ano passado, eu pensava que poderia fazer uma comemoração quando eu completasse 40 anos(Ver NdoE) de atividade, mas não deu. Comecei do melhor jeito, o chamado “de baixo”. Entrei no mundo do jornalismo pela porta larga do jornal A Palavra, da minha cidade natal, Jacobina. O hebdomadário, como eu aprendi a chamar, circulava aos sábados e durante a semana era produzido numa rua que hoje se chama Travessa da Delegacia, onde duas salas serviam de redação e oficina.

Azeitona

Fiz a opção por trabalhar no jornal por vários motivos. Gostava de notícias, adorava ler jornais e revistas, consumia tudo o que aparecia na minha frente, desde gibis, como Reco-Reco, Bolão e Azeitona, que meu pai não queria que eu lesse – e eu não sei o porquê, até hoje -, a revistas semanais nacionais, fotonovelas, receitas, corte e costura, almanaques de farmácia…

Jacobina tinha apenas aquele jornal na época. E já era bem antigo. O dono do A Palavra era professor de português no Deocleciano Barbosa de Castro, o maior colégio da cidade, um centro educacional, como se chamava, porque atendia colegial e ginasial, ou primeiro grau e secundário. O professor Edmundo Isidoro também era pastor presbiteriano, orador excelente e redator ainda melhor. Eu queria aprender com ele. E, por fim, eu queria trabalhar, ter algum salário.

Não fui logo escrevendo. Tinha a função inicial de revisar pequenos textos que chegavam, a maioria escrita à mão, como avisos funerários, aniversários, anúncios de venda ou aluguel de imóveis. No sábado, ia entregar o jornal aos assinantes. Eram muitos. Eu andava mais que carteiro, porque ia de uma parte a outra da cidade fazendo a distribuição. Quem conhece Jacobina sabe que não é fácil ir a pé do centro até a rua do Leader, voltar fazendo a região da Igreja Matriz, seguir até o Texaco, de lá para a Estação e Rua dos Índios. Ainda bem que ninguém na Caeira ou na Catuaba gostava de ler jornal.

Havia uma pequena máquina de escrever, Facit, se não me engano, de cor rosa, onde o pastor Edmundo redigia o texto principal do jornal, que ia na capa, como manchete. Ele também escrevia textos menores, mas, no geral, era um só. Usei a máquina algumas vezes, mas resolvi tentar escrever direto no componedor. Nem sei direito como explicar o que era um componedor, espero que a foto seja suficiente. (Achei uma definição no glossário do site português tipógrafos.net*). Mas, saibam que era muito complicado, com risco permanente de tudo desmontar e se misturar, tanto na fase da composição como na fôrma, quando o texto composto já estava amarrado, pronto para ir para a prancha e servir à impressão.

Pois bem – adiantarei, porque não quero fazer um livro -, o pastor Edmundo foi meu primeiro professor de jornalismo. Fui logo aprendendo que, para informar, o jornalista precisa pesquisar, ir o mais fundo possível e trazer à tona os fatos reais, narrando-o com todos os lados possíveis, para o texto não ficar pobre da verdade, não cometer injustiça. Na mesma lição: apuração e ética, a necessidade de ser correto ao dar uma notícia, narrar um fato, “sem atingir a honra e a moral de ninguém”.

Mais tarde, conheci o jornalista Wilson Barbosa, editor de Municípios de A Tarde. Cheguei a ele em 1982 por recomendação de Sylvio Simões, também jornalista e um dos donos do jornal, que eu conhecera em Feira de Santana no lançamento de um livro de poesias escrito por ele. Eu fiz matéria sobre o evento para o jornal Feira Hoje, onde trabalhava. Simões me disse que eu poderia trabalhar no jornal da família dele, me autorizando a procurá-lo depois. Na micareta de 1982, houve uma greve no FH. O sindicato (Raimundo Lima, Zé Carlos Teixeira) negociou com a empresa a volta dos jornalistas ao trabalho, com o menor número de demissões possível. O menor número possível era eu, o foca. Eu e um fotógrafo cujo nome não lembro. Tive que voltar a Jacobina e lembrei de procurar Sylvio Simões e ele me mandou falar com Wilson Barbosa, que poderia me aproveitar no interior.

Consegui ser encaixado na editoria, mas, de graça, sem ganhar um centavo, bastando, como remuneração, ter a palavra “correspondente” antes das matérias escritas por mim e aproveitadas pelo jornal. Jacobina – Do Correspondente. Mas, não é disso que quero falar neste texto (deixo para outra crônica) e sim das lições que tomei com Barbosa e sua subeditora, Sandra Régis. O velho jornalista, responsável pela editoria que talvez fosse o pintinho feio da redação, porque o patinho era a seção de obituário, me disse: “Giorlando, para ser repórter tem que escrever reportagem, tem que saber redigir matéria, não é a mesma coisa de fazer poesia, de escrever bonito, é contar o fato e fato é o que acontece e não o que se cria”. Aí ele me mandava pentear telex. Eu já fazia isso no Feira Hoje. No diário feirense chegaram até a me mandar traduzir press release em espanhol e por um tempo fiz o horóscopo. Mas, isso também não é história para agora.

Naquele tempo, ser correspondente de jornal no interior era ser pauteiro e repórter ao mesmo tempo. Como pauteiro, eu tinha que ter a capacidade de identificar qual assunto era importante para a cidade, mas, acima disso, o que seria interesse do leitor do jornal em qualquer lugar, afinal A Tarde circulava em quase toda a Bahia. Como pauteiro e repórter em uma cidade de 40 mil habitantes, tinha que saber sobre o que e como falar. Era um caminho para conseguir respeito e reconhecimento e isso exigia respeitar as fontes, a sociedade, o lugar, sem abrir mão de ser instigante, questionador. Essa vigilância sobre meu próprio trabalho forjou um profissional cuidadoso com a informação e, sempre, com a fontes e os leitores.

No meu trabalho de repórter, no início, eu anotava as informações que colhia em folhas de papel soltas, depois organizava tudo em um caderno brochura, datilografava numa Olympia que o velho e saudoso Rigoberto Lopes me emprestou por um longo tempo, enviava – de carona em um malote de órgão público (não lembro qual –  e esperava o jornal chegar, no dia seguinte, para comparar o texto editado e publicado com o que estava escrito no meu caderno. Para ver o que tinha sido cortado, o que tinha sido reprovado. Eram aulas, que duraram quatro belos anos. Começaram em Jacobina, continuaram em Salvador, Jequié, Itabuna/Ilhéus, até chegar a Vitória da Conquista, e me servem até hoje, numa jornada que inclui temporadas em São Luís e Imperatriz (MA) e Belém (PA), entre outros lugares onde pratiquei o que aprendi.

Na verdade, sigo aprendendo, como pessoa, e para ser o jornalista que sonho em ser desde menino.

A FONTE

A lição mais preciosa que tanto tempo no jornalismo me ensinou foi a dizer de onde veio o dado que embasa as minhas afirmações em um artigo ou comentário ou a informação que passo em uma matéria. Do que eu falo? Quem me disse, onde li, qual a publicação que avaliza… Porque mesmo que seja um artigo de opinião, um comentário dentro de um programa, o narrador, sendo jornalista, tem a obrigação de dizer de onde veio a informação que ele divulga, a história que ele conta.

Quase tudo tem mais de um lado. Mais do que dois ou três, até. Podemos concordar ou discordar, mas não podemos excluir o fato, os lados, as versões, se há alguém os sustentando. Se duas pessoas são apanhadas em flagrante em uma mesma situação não é correto apresentar só uma. Assim, se duas pessoas agem de forma positiva, têm mérito em relação a um fato ou resultado, não se pode destacar apenas uma. E, principalmente, se dois têm versões, visões e argumentos diferentes, opostos sobre o fato abordado pelo jornalista em sua reportagem/matéria, há que se permitir ao leitor/ouvinte/telespectador conhecer a verdade de cada um para fazer sua avaliação, seu juízo. Eu sei como isso é difícil, principalmente se as pessoas não podem ser encontradas ou ouvidas na mesma hora, no tempo em que a matéria, artigo ou comentário está sendo produzido. Há, inclusive, quem se nega a falar, a dar sua versão e isso isenta o jornalista.

Nos meus quase 40 anos escrevendo para jornais, revistas, TV, sites, produzindo ou apresentando no rádio, sempre levei em conta o tal do outro lado. Incontáveis vezes publiquei sem a segunda versão, porque nem sempre ela foi dada. Mas, sempre evitei dar a primeira versão como definitiva. Mesmo hoje, diante da exigência da velocidade ou do fato notório, reconhecido e comprovado, sempre guardo o espaço do reparo, da crítica, da opinião contrariada. Claro que também são incontáveis as vezes em que errei ao avaliar uma “verdade” ou ao rejeitar uma “mentira”. Mas, quem quer fosse o personagem, objeto, ator, envolvido, jamais seria alvo. Nem idolatrado. Elogios ou críticas, nunca perseguição ou veneração.

Nestas quatro décadas de atuação no campo quase sempre excitante e apaixonante, mas muitas vezes árido e degradante, do jornalismo, aprendi muito. E errei muito. Mas, por ter referências de educação doméstica e boa formação escolar e de trajeto, aprendi a rejeitar a mentira. E se não gosto da mentira, odeio a mentira no jornalismo. Em 40 anos na estrada, tendo sido chefe em veículos de comunicação, assessorias, secretarias e editor de jornais ou revistas dos quais fui sócio ou eu mesmo criei e mantive por algum tempo, pude interagir com muita gente. Alguns que chegavam sabendo um pouco menos que eu, começando ali, arriscando seus primeiros textos ou buscando evoluir como repórteres e jornalistas que sonhavam ser. Muitos daqueles dizem que aprenderam comigo. E talvez eu lhes tenha mesmo ensinado e se o fiz, tentei fazer do jeito certo, orientando-os a fazer do jeito certo.

FAKE NEWS

Não tenho a pretensão de ser professor de ninguém. Mesmo os meus filhos já sabem muito mais do que eu poderia aprender se vivesse o dobro do que já vivi. Mas, apesar de ter ficado mais paciente, ter aderido à diplomacia, na medida que a minha personalidade permite, eu fico muito triste – e tantas vezes aborrecido – quando vejo que há muitos profissionais tratando o jornalismo como mero instrumento de tendências políticas (ou corporativas), a serviço da construção de “verdades”, da defesa de interesses de terceiros, confundidos como se fossem pessoais, sem nem mesmo o serem.

Nessa missão, usam dados, números, informações, boatos, versões, para cimentar os interesses de um lado. É o tempo da tal pós-verdade, a quadra das fake news, a era do “o ruim que eu defendo é melhor do que o ruim defendido por você”.

Há algum tempo, me queixei a um colega, um amigo jornalista (amigos também erram), de que ele tinha reproduzido uma informação deturpada com o propósito de ressaltar um determinado político pespegando defeitos em outro. Era uma coisa que pode ter sido gerada por uma confusão, um equívoco, mas estava sendo divulgada com o interesse de atingir a figura pública, por parte de uma pessoa que sabia que aquilo não era verdade. O meu amigo disse que não se importava, o que importava é que era contra a pessoa a quem ele combatia, e que mesmo distorcida a notícia servia ao propósito.

As redes sociais trouxeram essas coisas à normalidade. Servem, inclusive, para criar ou consolidar mitos, personagens desprovidos de estofo, mas que, objetos de veneração e do mau uso da mídia, transformam-se em heróis ou celebridades, ainda que incapazes de responder positivamente a uma varredura em sua história de vida ou na mínima avaliação de sua capacidade – técnica, profissional, gerencial, administrativa. E acabam por se confirmar péssimos no desempenho da missão conquistada à base da falácia e da enganação.

Na internet se diz o que se quer dizer e basta que isso atinja o inimigo de alguém para que esse alguém espalhe, dissemine como verdade nos zap zap que “informam” e orientam uma massa gigantesca no Brasil. O contrário também acontece. Se uma pessoa tem como inimigo determinado político, artista ou mesmo um cidadão comum, não hesitará em contestar fatos, desfazer história e informações positivas, com argumentos mentirosos, acusações, ataques à honra, espalhando para ingênuos, maldosos, seguidores, partidários, em um efeito dominó, que quando cessar, se cessar, já terá feito estrago irreparável na pessoa alvo dos ataques que, incontáveis vezes, é inocente.

Quando o tema é política – e este tem sido o principal assunto do Brasil há um bom tempo – todo mundo e ninguém parece ter razão. Estabeleceu-se, definitivamente, o lado bom e o ruim (ou dos bons e dos ruins), o bem e mal. A consolidação do pernicioso maniqueísmo. E isso é mais confuso – e perigoso – quando se trata de imprensa, jornalismo. Meias verdades e mentiras completas, ditas como se verdade fossem, se disseminam tanto por um lado quanto por outro. É frequente que programas de rádio e blogs, para enaltecer o dirigente atual, ataquem o gestor anterior e vice-versa. Às vezes, mais versa do que vice. É quando a imprensa se torna o lugar da raiva, da pirraça e do mero interesse político-partidário, visando a manutenção do poder ou a ansiedade para retomá-lo.

Porém, também se pode dizer que na maior parte do tempo tudo é feito como se espera e se admite, pois crítica e elogio têm seu lugares e a sua frequência depende das ações dos avaliados e, também, dos sentimentos do profissional que comenta. Quem deseja que jornalistas, radialistas e blogueiros sejam imparciais o tempo todo deve ser quem descarta a condição humana, social e, portanto, política desses profissionais. Mas, esperar isenção é esperar a atitude certa. E falar a verdade é obrigação. Não é possível? Eu acredito, piamente, que é. Acho que pode ser possível ter opinião, ser contra um lado do fato ou a favor do outro, mas não inventar, não mentir, não colocar defeitos que não existem e nem forçar virtudes que não se acham.

O desvirtuamento praticado frequentemente pela mídia contra os fatos, a história, a informação, em favor de interesses partidários, lobistas e/ou pecuniários, é prejudicial ao cidadão, prejudica a formação dos nossos jovens, marca o meio, marca a vida da cidade, degrada o ambiente político, enfeia o currículo de quem o pratica. Fere a ética. Não a ética burocrática de uma categoria, mas a ética do respeito primário e fundamental à verdade, início e fim de tudo, sustentação da liberdade, o bem maior da humanidade.

Mas, tem gente que não liga para isso.

Por fim, como sempre, aviso que este artigo é uma expressão de um sentimento pessoal, sujeito, claro, a contestações. Respeitosas, espero. Está assegurado o lugar para o contraditório, para a outra versão, se houver. Afinal, é disso que trato desde a primeira linha.

* COMPONEDOR: [Tip hist] (Winkelhacken, alemão). Instrumento imprescindível na composição manual com tipos móveis. Utensílio de que o compositor se serve para reunir os caracteres (letras) que retira da caixa, formando palavras e linhas de texto dentro de uma medida previamente determinada.

Consiste de uma lâmina de metal com dois rebordos em esquadria, e uma peça móvel — a que se dá o nome de justificador — para fixar a abertura da boca do componedor. Esta invenção de Gutenberg serve para formar linhas de texto, recebendo os tipos metálicos que o  compositor vai retirando dos caixotins.

Texto escrito em janeiro de 2019

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Futebol e política podem e devem marcar gol de placa

02 de abril de 2021, 09:18

*Por Josias Gomes –

Até quando vai perdurar a omissão do futebol brasileiro?

O Deutsche Welle (DW), empresa pública de radiodifusão da Alemanha, traz matéria importantíssima a respeito da Copa do Catar ou a “Copa do dinheiro sujo e desumana”. E mostra como o futebol pode ser protagonista em causas políticas. Neste caso, os grandes atores dos protestos são os próprios jogadores das seleções europeias que iniciaram os jogos Eliminatórios da Copa de 2022.

Na foto temos a seleção alemã protestando contra os abusos financeiros e de direitos humanos cometidos pela monarquia absolutista que impera no Catar. Os jogadores escreveram Human Rights em suas camisas negras. Já os noruegueses escreveram em suas camisas: “Direitos humanos – dentro e fora de campo”.

Na matéria, o DW cita o jornal inglês The Guardian que apurou: “6,5 mil trabalhadores e trabalhadoras morreram por condições insalubres de trabalho durante a construção dos luxuosos estádios movidos a arcondicionado que servirão de palco para a Copa de 2022”. Veja mais: https://www.dw.com/pt-br/copa-do-catar-a-aberra%C3%A7%C3%A3o-movida-por-gan%C3%A2ncia-e-sofrimento/a-57048739 .

Trazendo pra realidade brasileira, vivemos um massacre com mais de 315 mil vidas perdidas na pandemia. Enquanto federações, clubes e jogadores de futebol se omitem diante da barbárie. Vivem em suas bolhas, em sua maioria, preocupados com as questões financeiras. Com raras exceções, atletas se manifestam em defesa do povo que morre de abandono, fome e vírus, vítimas de um desgoverno mais cruel do que a monarquia do Catar. Vale lembrar que tudo é política, inclusive a omissão daqueles que acreditam que um minuto de silêncio antes das partidas resolverá o maior atentado contra os Direitos Humanos no Brasil.

*Já passou da hora do esporte mais popular do Brasil se unir ao seu povo nas lutas de libertação. Chega de gol contra*. O 7×1 é agora neste minuto. É chegado o momento dos nossos ídolos retribuírem todo amor que recebem das massas. Sem elas, eles nada seriam.

*Deputado Federal do PT/Bahia licenciado e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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Em tempo de Murici, cada um cuida de si

31 de março de 2021, 16:46

Foto: Enzo Lima

Por Gervásio Lima – 

 “Em tempos de Murici, cada um cuida de si”. Um dos provérbios mais egoístas e arrogantes que existe, é atribuído ao nordestino por conta de uma frase que seria dita pelo baiano de Inhambupe, o coronel do Exército Pedro Nunes Tamarindo, durante a terceira expedição militar no então arraial Belo Monte (Canudos), quando pela terceira vez a população local, comandada pelo líder religioso Antônio Conselheiro, derrotou as tropas federais.

Nunca se imaginava que uma celebração ao egoísmo fosse servir como um alerta à necessidade do isolamento e do distanciamento social, quando o indivíduo, ao cuidar de si, estará protegendo e salvando não apenas a sua, mas a vida dos que estão em sua volta e em seu convívio. Numa verdadeira inversão de valores para o bem, valorizar a autoproteção neste momento de pandemia é uma forma consciente e humana de valorizar a vida e proteger o próximo.

Salvem-se quem puder. Se cada cidadão cuidar da sua própria vida é quase certo que irá sobreviver e contribuirá com a sobrevivência dos outros.

O mundo vive uma crise sanitária inimaginável, um problema de proporções catastróficas, sem comparações de ocorridos há mais de um século, quando a medicina não tinha os avanços tecnológicos e farmacêuticos que existem na atualidade, e quando as informações não eram compartilhadas de forma instantânea como agora.

Se compararmos o comportamento da população mundial, conforme relatos históricos, diante do combate da Gripe Espanhola ocorrida há 100 anos, com a forma como a população encara a Covid-19 em pleno século XXI, pode se afirmar que agimos como se vivêssemos na ‘idade das trevas’, com a predominância da ignorância e do negacionismo, por mais insano que isso pareça.

A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou em torno de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial. A Covid-19, descoberta no final de 2019 na China, disseminou rapidamente para todo o planeta, e em pouco mais de um ano já contaminou cerca de 130 milhões e tirou a vida de mais três milhões de pessoas. Somente no Brasil, já foram infectadas 13 milhões, com 320 mil mortes até o momento, conforme dados apurados a partir dos números de pacientes que procuraram atendimentos médicos e que realizaram testes. De acordo com as autoridades de saúde, é possível que as ocorrências podem ser de quatro a cinco vezes maiores que os números oficiais divulgados.

O problema é muito sério. Independentemente do lado político, religioso ou da condição social de cada indivíduo, o melhor é acreditar na verdade da ciência e absorver a mensagem do antigo provérbio em toda a sua plenitude. Fica a dica.

Jornalista e historiado                                   

 

*Jornalista e historiador      

            

 

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O PÊNDULO: DE GALILEU A FOCAULT – A Função Preguiça na Matemática Baiana

21 de março de 2021, 09:10

Quando Galileu Galilei, aos 18 anos descobriu a Lei do Isocronismo Universal e fez a fórmula matemática que calcula o movimento pendular, jamais imaginou que Humberto Eco, escritor italiano, a descreveria com tanta beleza e arte em sua monumental obra O Pêndulo de Focault: “…em sua isócrina majestade…eu sabia – mas qualquer um teria podido concluir pela magia daquele plácido respirar – que o período era regulado pela correlação entre a raiz quadrada do comprimento do fio e a do número π, que, embora irracional para as mentes sublunares, relaciona, por alguma razão divina, a circunferência ao diâmetro de todos os círculos​ possíveis – de modo que o oscilar de uma esfera de um pólo a outro decorre de uma arcana conspiração entre a mais intemporal das medidas, a unidade do ponto de suspensão, a dualidade de uma dimensão abstrata, a natureza terciária do π, o tetrágono secreto da raiz e a perfeição do círculo.”

Eu, por minha vez, também tentei dá um destino melhor a equação de Einstein que relaciona friamente a energia à matéria, a famosa E=mc². Sendo a velocidade da luz uma constante universal, considerando a preguiça o inverso da energia pessoal, o quociente entre as velocidade do movimento corporal e a da luz, o tempo no espaço de uma vida torna-se o inverso desta mesma velocidade. Concluí que o preguiçoso vive mais do que aquele que vive correndo atrás das coisas do mundo, o famoso workaholic. Quando o ócio é criativo, este transforma o inferno do tédio cotidiano num paraíso doce e estimulante para se viver. Este lento meditar se intensifica quando catalisado por uma dolente rede cearense.
Despretenciosamente, neste eco de Eco, talvez minha fórmula manemolente não ecoe como as belas palavras do mestre italiano.

Por: Montiez Rodrigues 

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Amar como Jesus amou

18 de março de 2021, 08:28

*Por Gervásio Lima  –

A capacidade de certos indivíduos em deturpar conceitos, valores, significados, sentimentos e princípios inerentes a determinadas coisas e até mesmo a seus semelhantes assusta e merece atenção e cuidado, diante do perigo que este tipo de comportamento pode oferecer. A depender do problema que venha a ser ocasionado são inevitáveis tomadas de decisões, inclusive com a utilização dos direitos estabelecidos por leis.

De proporções inimagináveis, o ódio e a descrença nunca estiveram tão presentes entre as sociedades. Tudo que se acreditava que aconteceria a partir da facilidade de acessar as informações, que aproximou o que há pouco tempo era considerado muito longe e até mesmo inacessível, não aconteceu. Hostilidade, desamor, desumanidade e insanidade são as características intrínsecas dos que mesmo com a possibilidade da emancipação social preferem viver e se comportar como seres primitivos, como um ogro.

Incrivelmente, os que pregam o quanto pior melhor defendem suas opções maldosas como princípios criados como uma espécie de ‘estatuto’ com o objetivo de punir os que se opõem às suas opiniões, sempre arraigadas de preconceitos de gênero, cor e condição social. Esses são os verdadeiros incongruentes, sujeitos contraditórios, desconexos, incoerentes, desproporcionais e incompatíveis, desprovidos de ‘senso de ridículo’.

Viver em sociedade, respeitando as diferenças, é talvez a principal base da boa relação entre os seres. A harmonia, como a própria palavra soa, remete ao bem comum, o bom convívio e à deferência. Mas, em pleno século XXI, a animosidade, a intriga, a desavença e o desrespeito, como uma erva daninha, invadem, sem pedir licença, e prejudicam as relações humanas, provocando efeitos devastadores. Uma verdadeira luta constante entre o bem e o mal, onde o mal travestido de bem confunde, e tira até mesmo a vida, principalmente dos incautos.

Em qualquer ocasião, amar é extremamente nobre. Amar sem olhar a quem, criar empatia e entender o outro com as necessidades físicas e afetivas se faz necessário, sendo a melhor demonstração de que nós humanos podemos voltar a ser racionais.

“Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu; sentir o que Jesus sentia; sorrir como Jesus sorria e ao chegar ao fim do dia, eu sei que eu dormiria muito mais feliz…” – Padre Zezinho

*Jornalista e historiador 

 

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Tudo na vida passa

11 de março de 2021, 08:31

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima – 

“Tudo na vida passa, tudo no mundo cresce. Nada é igual a nada não. Tudo que sobe desce, tudo que vem, tem volta. Nada que vive, vive em vão. Nem todo dia é festa, nem todo choro é triste. Nenhuma dor sempre
 
Em 1982 a banda The Fevers, uma das mais queridas e tocadas no Brasil fazia sucesso com a música ‘Elas por Elas’ (trecho acima). Neste mesmo ano a seleção brasileira foi considerada a melhor seleção da Copa do Mundo, mesmo não levando a taça. No início daquele ano, no dia 19 de janeiro, morre uma das melhores interpretes da música brasileira, a cantora Elis Regina. Bem mais para frente, no dia 13 de dezembro, o saudoso Leonel Brizola é eleito governador do Rio de Janeiro. Brizola foi único político eleito pelo voto para governar dois estados diferentes em toda a história do Brasil, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. 
 
Já se passaram 39 anos, mas incrivelmente a estrofe da música ‘Elas pro Elas’ continua atual, uma verdadeira mensagem de otimismo para uns e um recado para outros. Didaticamente falando, ‘quem avisa amigo é’ ou ‘os ‘os humilhados serão exaltados’. 
 
A arrogância e a prepotência são passageiras, e o resultado na vida para quem insiste em se comportar como tal é inevitavelmente catastrófico. Pior que caminhar se livrando dos espinhos é tropeçar em pedras no caminho. O bem pode em certos momentos ser apenas uma trilha, mas sempre levará a um destino seguro, onde as lágrimas causadas por tribulações durante o percurso serão transformadas em sentimentos de alegria, em comemoração às conquistas e às curas das dores.
 
O ato de cantar ajuda a exercitar o coração, fazendo com que as pessoas se sintam bem, passando quase sempre uma mensagem sobre o olhar para o que realmente importa na vida. A música também influencia diretamente no desempenho da memória, um exemplo disto é a canção ‘Pra não dizer que não falei da Flores’ (1968), de Geraldo Vandré:
 
“Caminhando e cantando, e seguindo a canção, Somos todos iguais, braços dados ou não. Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Caminhando e cantando, e seguindo a canção…” 
 
A letra que transmitia, e ainda transmite, esperança, acabou se tornando um hino de resistência no Brasil,  sendo, na época, censurada e proibida de tocar pelos militares. 
 
Como diz Flávio José, “Se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada”. 
 
*Jornalista e historiador 
 

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Que vença a virtude soberana

03 de março de 2021, 17:18

*Por Gervásio Lima  –  

Aquilo que se vaticinou infelizmente aconteceu, numa velocidade também previsível. A desdenha por parte de um grande número de brasileiros com relação à pandemia da Covid-19 tem gerado sofrimentos irreparáveis pelos que foram contaminados e pelas famílias e amigos das quase 260 mil vidas perdidas por conta da doença.

Os que ainda lutam para sobreviver em um leito hospitalar e os que procuram as unidades médicas para serem atendidos e não encontram vagas são vítimas da insanidade, da frieza e da desumanidade daquele que deveria levar a sério o cargo que lhe foi confiado através do voto, mas ao contrário, insiste em imitar o comportamento ditatorial e fascista do nazismo, movimento político que entre outras aberrações se caracterizou pelo autoritarismo, apontando os comunistas como responsáveis pelos problemas sociais e estimulando a irracionalidade como meio de adesão às propostas políticas de solução dos problemas nacionais.

Onde está o erro dos que estão do lado da vida? Qual a maldade dos que promovem o bem? Seguir as orientações das autoridades em saúde é um das principais caminhos para quem busca a cura de enfermidades, isso é uma lógica. Duvidar do que a comunidade científica de todo o mundo tem exposto é sinônimo de ignorância, quiçá genocídio. Na guerra entre um vírus e a ciência, a morte é o soldado da doença e os profissionais de saúde são os guerreiros que lutam pela vida.

A sensatez, a compaixão e a empatia dividem a mesma trincheira. Aquele que acredita que o mal vence o bem não é digno de admiração moral. Negar o perigo de uma doença que já afetou centenas de milhões no planeta é negligenciar a vida dos seus próprios seguidores.

Chorar por um erro cometido é um sentimento de culpa reversível, algo que muitas vezes sem muito esforço pode ser corrigido. Chorar pela morte de um ente querido é uma dor que se torna crônica, que castiga e machuca pelo resto da vida. Que o choro seja de alegria, por saber que no fundo do mar sempre há um chão onde pisar, por tanto, vamos todos nos vacinar.

Ainda há tempo para o súdito se redimir, pois enquanto existem vidas, existem esperanças. Que vença a virtude soberana.

 

Vacina, sim!

*Jornalista e historiador

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A sensatez na luta contra a ignorância

17 de fevereiro de 2021, 17:46

*Por Gervásio Lima

Nunca na história deste país a política do quanto pior melhor esteve tão presente e atuante. Na contramão de praticamente todo o planeta, o Brasil (e um monte de brasileiros) se passa de desavisado e corrobora para que a mais dramática e perigosa pandemia que o mundo já passou se torne cada vez mais uma ameaça à vida e às estruturas que permitem o viver.

A sensatez disputa diuturnamente contra a ignorância. A angústia e a tristeza são desdenhadas em troca da vergonha e do arrependimento impregnados nos que defendem a violência em detrimento da vida.

Loucura, loucura, loucura…, como diz aquele que visando o poder, apenas pelo poder segue o que sua vaidade construída em apontar misérias contribuiu e continua contribuindo para a instalação generalizada da desavença e da mentira na terra que um dia foi uma ‘nação canarinho’, mas que hoje não passa de uma povoação repleta de dragões, expelindo fogo pelas ventas.

Mais de 240 mil brasileiros perderam a vida em apenas um ano. Famílias arrasadas e desesperadas. Muitos dos que se foram eram arrimos, principais alicerces familiares; os portos seguros. Eram irmãos, filhos, sobrinhos, afilhados, amigos, tios, pais, avós. Todas as vítimas da Covid-19, disseminada nos quatro cantos do mundo, eram seres humanos, com uma história, com sonhos, com vontade de viver.

O novo coronavírus foi uma surpresa, ninguém imaginava que em tão pouco tempo uma peste, no sentido literal da palavra, fosse causar um estrago tão grande, sem escolher classe social, raça, cor, gênero e religião. Mas surpresa ainda foi saber que os energúmenos realmente existem e o pior, são tão prejudiciais quanto a doença que tem matado os inocentes em sua maioria.

Mesmo acompanhando a devastadora ação da doença causada pelo novo coronavírus, negacionistas, que em outros tempos eram chamados de anticristos, insistem em ir de encontro às orientações das autoridades de saúde e como forma de desafiar a ciência e os preceitos da compaixão e empatia pregam o contrário de tudo aquilo que poderia e pode salvar vidas.

Se puder fique em casa e quando chegar sua vez diga SIM para a VACINA.

*Jornalista e historiador

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