ARTIGOS

Sensos ridículos

26 de agosto de 2021, 15:06

Foto: Opinião

*Por Gervásio Lima

O senso de ridículo, acompanhado dos seus parceiros, conhecidos pela alcunha de ‘Seu Insignificante’, ‘Ignorante Mor’ e ‘Dona Anta’, está assombrosamente ocupando espaços que antes eram dominados pelas senhoras ‘sensatez’, ‘empatia’ e ‘harmonia’, tornando assim habitual a tal da futilidade e da banalidade.

Valores estão propositadamente tendo seus reais significados deturpados, enquanto as inversões seguem a todo vapor e sem pudores, exalando nos quatro cantos tupiniquins os odores do ódio, do rancor e da violência exacerbados.

Metonímias têm destruído a moralidade, enfraquecendo os princípios e normas de comportamentos, prejudicando incessantemente a relação social dos indivíduos, estes, muitas vezes passando de vítimas para corresponsáveis, numa espécie de envenenamento coletivo da relação humana.

Nem mesmo o atual momento – em que a humanidade enfrenta uma pandemia responsável pela eliminação de quase cinco milhões de pessoas, além de ter deixado sérias sequelas em outras milhões que foram infectadas – tem sido suficiente para despertar a compaixão e o amor ao próximo.

Os bons exemplos se sucumbem diante da enorme quantidade dos maus, estes alimentados por elementos que têm se demonstrado cada vez piores. Contrariando o cantor e compositor baiano Gilberto Gil, infelizmente a ‘fé tem falhado’ na mesma proporção das outras duas virtudes teologais: a esperança e amor.

Mas, como o bom sertanejo descrito no livro ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha, aquele que prega o bem, simbolizado pela pureza do sertanejo, é, antes de tudo, um forte. Embora não demonstre da forma que muitos gostariam, tem como estilo de vida a propagação da generosidade, da piedade, da esperança e da resiliência.

Até onde tudo isso vai, “quem souber morre”, como preconiza o ditado popular.

*Jornalista e historiador

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Quando um não quer dois não brigam

12 de agosto de 2021, 15:25

*Por Gervásio Lima

O termo “quando um não quer dois não brigam” é um ditado popular bastante utilizado para mostrar que uma briga depende da ação de pelo menos duas pessoas. Uma discussão, por exemplo, só ocorre se houver disposição dos dois lados e caso um deles decida não participar dificilmente o debate seguirá em frente.

No momento em que a intolerância tem alcançado níveis alarmantes, com ataques comumente às opções individuais e violações constantes de leis que protegem o cidadão, é mais que propícia a aplicabilidade desta sugestão da sabedoria popular. Ultimamente muitas pessoas estão sendo invocadas em favor de discursos de ódio por estímulos provocados a partir de argumentos irreais e carregados de maldades. Percebe-se, em muitos casos, que as prerrogativas de enxergar, falar, ouvir e até mesmo pensar de determinado sujeito estão sendo transferidas para aquilo que se acredita ser a verdade absoluta.

Comportamentos irracionais não são mais exceções e, assim como muitos animais, a disputa por espaço tem fugido do campo da capacidade racional, dando lugar às mais bizarras atitudes. O contraditório tem superado a coerência e a sensatez, abrindo caminhos para a estupidez.

É preciso trabalhar a capacidade de aprender a respeitar calçado com o ‘chinelo da humildade’ e se identificar com o sentimento da empatia e da solidariedade, olhando para o semelhante como gostaria de ser olhado. A recíproca deve ser sempre verdadeira desde quando o objeto da ação não seja de animosidade.

Ao viver sabendo usar o coração, controlando o que sai da boca e o que entra no ouvido, aproveitando a pureza do ar que rodeia o ambiente onde se encontra e positivando os pensamentos, entende-se o significado da longevidade.

As atitudes servem como forma de reconhecimento. De acordo com o comportamento é possível identificar as intenções e o modo como certos indivíduos vivem e veem o mundo. Felicidade é um estado de espírito constante, construído por atitudes, portanto abuse das atitudes positivas, criando condições para que o bem permeie até mesmo os caminhos não virtuosos.

*Jornalista e historiador

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É agora ou nunca mais

05 de agosto de 2021, 15:20

*Por Gervásio Lima –

O nestante é o ontem, enquanto o agora é o amanhã. O passado é uma certeza mais presente e o futuro a Deus pertence, portanto não deixe para depois o que pode fazer neste momento. Procrastinar não pode e nem deve ser uma regra ou um modo de vida, pois o ‘adiar’ pode caracterizar covardia, medo de encarar o que está por vir, uma inação.

Saber viver é encarar a vida como ela é, seguindo as regras da boa convivência, com o respeito e a aceitação como palavras chaves no conjunto das ações necessárias para se habitar no mesmo espaço dos afins. O comportamento pessoal norteia para a qualidade de sua relação interpessoal e uma pessoa não se define apenas por suas palavras, mas também por seus atos, o que pode contribuir positiva e negativamente em sua interação com a sociedade.

A facilidade em ser bem recebido e acolhido passa pelas ações e condutas demonstradas em uma trajetória, não podendo se esquecer que a recíproca precisa ser sempre verdadeira.

Com uma boa quantidade de comedimento e sapiência, acrescentados de uma pitada de empatia e cortesia a gosto, é possível preparar a receita da boa convivência e, sem susto, ‘degustar’ um prazeroso resultado.

Daqui a pouco pode até não acontecer nada, apenas uma reminiscência, mas ter pressa para que aconteça o apenas desejado, sem ter a certeza que este seja de fato uma realidade, é se martirizar. Como a ‘síndrome do peru do Natal’, aquele que se antecipa a ponto de ficar ansioso ou nervoso está sofrendo antes da hora.

Apenas nas lembranças, o passado é o que aconteceu e o futuro é o que se acredita que vai acontecer. Porque se preocupar com o 21 se o 22 será diferente?

O que está escrito mesmo no primeiro parágrafo? Ah, deixa pra lá, já passou mesmo.

Vida que segue…

*Jornalista e historiador

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A humanidade está em parafuso

23 de julho de 2021, 11:31

*Por Gervásio Lima

“Minha vó já me dizia: meu filho, meu filho, tu vai ver coisa, tu vai ver coisa, e eu pensava que nada, isso é mentira de Dindinha… Mentira uma p*. Era tudo verdade”. Esta, talvez, seja a frase mais lembrada entre tantas outras proferidas pelo saudoso Jotinha. O humorista baiano de Elísio Medrado se tornou um ícone após fazer sucesso com postagens de vídeos e áudios com sua voz esganiçada e quase infantil em aplicativos de mensagens e redes sociais.

José Luiz Almeida da Silva, o Jotinha (52), que faleceu no dia 5 de novembro do ano passado, vítima de complicações da Covid-19, praticamente vaticinou o que estava por vir em todo o mundo e infelizmente foi uma prova viva, ou morta, do que sua avó já lhe dizia.

A humanidade está em ‘parafuso’ e situações inimagináveis têm se tornado corriqueiras, com desfaçatez. O politicamente correto passou a ser uma ‘política incorreta’, sem respeito aos valores mínimos para uma convivência harmônica entre os indivíduos. Ser diferente tem deixado de ser uma opção para se tornar sinônimo de demonização por sujeitos que buscam culpados para esconder pecados.

O bom senso se encontra em desvantagem em um jogo onde o seu adversário não possui qualidade técnica para suportar a pressão da lógica, apelando quando se encontra na iminência de sofrer uma derrota. O bem, se treinado corretamente, jamais será abatido pelo mal, mesmo que o árbitro conspire a favor do último, não ‘dá zebra’.

A sabedoria é a qualidade de ter experiência, conhecimento e capacidade de fazer bons julgamentos. Daí se origina os bons conselhos e lições de vida que as pessoas mais velhas, geralmente avós e avôs, passam para os mais novos. Quanto mais se percorre uma estrada se conhece seus trechos e conforme se delineia o percurso do caminho, conhece-se a verdadeira personalidade do viajante. Desejar ao outro o que não quer para si é um comportamento típico dos que possuem alterações patológicas das faculdades mentais.

Os conhecimentos tradicionais, também chamados de sabedoria popular, são de extrema importância para o desenvolvimento da sociedade. É o saber que permite discernir qual é o melhor caminho a seguir e qual é a melhor atitude a se adotar nos diferentes contextos que a vida apresenta. Portanto ouvir os que realmente desejam o bem e têm a empatia já é ‘meio caminho’ andado para quem busca e contribui com a vitória do bem contra o mal no jogo da vida.

Descanse em paz Jotinha.

*Jornalista e historiador

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O hipócrita é um ‘cringe’ em potencial

14 de julho de 2021, 18:37

*Por Gervásio Lima

Hipocrisia significa fingimento, falsidade; fingir sentimentos, crenças, virtudes, que na realidade não possui. Hipocrisia deriva do latim e do grego e significava a representação, no teatro, dos atores que usavam máscaras, de acordo com o papel que representavam em uma peça. Ou seja, o hipócrita é alguém que oculta a realidade através de uma máscara de aparência. Ele exige que os outros se comportem com certos parâmetros de conduta moral que ele próprio extrapola ou deixa de adotar.

No momento em que os comportamentos humanos e sociais estão entre os assuntos mais discutidos e questionados, é possível observar que o poder de percepção dos indivíduos está mais aflorado, sendo mais fácil, assim, identificar o mau-caratismo presente nos que até pouco tempo se escondiam atrás de uma fantasia que não lhes pertencia.

Existem os que tentam ser o que não são e os que são e não se sentem desconfortáveis em assumir o que realmente são. Tal redundância proposital, que não chega a ser uma prolixidade, é uma forma de enunciar características distintas de determinados sujeitos que se apresentam de acordo com suas conveniências.

Cringe, a palavra da moda, utilizada principalmente pelos nascidos no início do século XXI, remete à vergonha alheia. O termo de origem inglesa é uma gíria para se referir também a algo “vergonhoso”, constrangedor, a situações embaraçosas, aos “micos”, aos momentos em que alguém faz algo descontextualizado.

Portanto é possível afirmar que muitos brasileiros são cringes pelo comportamento adotado diante das inúmeras situações vexatórias e constrangedoras no que se referem à conduta, atitude, modos, atuação, desempenho e costume. O país vive uma hipocrisia generalizada, virou uma arte discursar aquilo que não se pratica, mesmo o ‘orador’ sabendo que está sendo envenenado pelo próprio veneno. Verdadeiros farsantes e incoerentes em suas palavras e ações.

A hipocrisia tem sido o grande mal da nossa sociedade, devendo ser evitada e combatida. A mentira não é doença, é mau-caratismo.

*Jornalista e historiador

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Um erro não justifica o outro

08 de julho de 2021, 16:16

*Por Gervásio Lima

‘Justificar um erro é errar duas vezes’. Uma verdade sincera e sábia absolvida apenas por quem prega a humildade e possui a capacidade de reconhecer suas falhas, fazendo uma autocrítica ao analisar os seus próprios erros sem apontar outras alternativas de culpa, como encontrar um bode expiatório.

Uma das atitudes mais medíocres e covardes é tentar apontar o erro de alguém como se isso fosse capaz de diminuir ou justificar o próprio erro. ‘Mas fulano também fez e sicrano fez pior…’ Um erro não justifica o outro, fato.

O que mais se ouve ultimamente são discursos fraudulentos, tendo como pano de fundo a imagem da família e da religião, usando levianamente o nome de Deus na tentativa de valorizar os mais bizarros comportamentos. Nunca se viu tantos falsos profetas e paladinos da moralidade pregando uma coisa na teoria e pecando nas atitudes, na prática. Muitas são as falas ‘de boca para fora’.

Mas como diz o ditado popular, ‘quem fala demais dá bom dia a cavalo’, muitos têm aberto a boca quando deveriam ficar calados. A verdade está em extinção e, o pior, os que mais diziam defendê-la agora viajam literalmente numa espécie de nave carregada de mentiras e enganações delirantes, com destino incerto.

Comportamentos toscos, misturados com barbáries,  revelam à sociedade sujeitos que em um certo momento foram considerados pessoas normais, empáticas, solidárias e de paz, mas que hoje, incentivados e espelhados por seus verdadeiros semelhantes, espalham o ódio e o medo aos que ousam discordar daquilo que defendem. As relações humanas não são mais as mesmas, e isso tem assustado os indivíduos do bem.

Quem conhece ou presenciou a história brasileira a partir de meados da década de 1960 até meados da década de 1980 estão vivendo um verdadeiro ‘Déjà Vu’.

*Jornalista e historiador

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É preciso saber viver

16 de junho de 2021, 17:41

*Por Gervásio Lima

É vida que segue. Talvez esta seja a frase mais coloquial para se referir à necessidade de superação, atenuar sofrimentos e servir como alento para as mais diversas atrocidades oferecidas de formas instintivas por alguns elementos que permeiam a vida. Mesmo não sendo por vontade própria, acontecimentos negativos surgem como o vento, sem avisarem que vão chegar.

A vida não é o oposto da morte, é o mais importante significado da existência, a principal dádiva do ser humano. Os que acreditam que nada é perfeito possuem ‘desvio de existência’, na verdade não sabem viver, já que não valorizam a singularidade de estar entre os bilhões de viventes que habitam o planeta. Fazer o mal ou fazer o bem é uma opção, ao contrário de conviver com o desagrado por não ter o comando de determinadas situações.

Saber viver é estar bem consigo mesmo, respeitando as diferenças e os espaços dos seus semelhantes. Saber viver é desejar ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos desejasse, é ter paz interior e sentimentos que não sejam de culpa, é fazer o bem sem olhar a quem, de forma intensiva e espontânea, cotidianamente. O mal é ruim para a vida, é danoso, estraga relações, afasta tudo que poderia ser bom e, muitas vezes,  concretiza prematuramente a única certeza que temos – a da morte.

O anseio pela perfeição e a busca da felicidade plena podem desencadear um egoísmo perigoso e reverso. Antes de ser adepto ao “salve-se quem puder” é essencial que se procure exemplos que desconstruam a narrativa do “quem tem a unha maior sobe na parede”. Nada melhor que refletir, mas caso a mágoa, o rancor ou outros sentimentos ruins insistam em querer denominar a situação, busque força para vencer, pois é necessário ter sabedoria constante para a travessia da existência.

Quem espera que a vida

Seja feita de ilusão

Pode até ficar maluco

Ou morrer na solidão

É preciso ter cuidado

Pra mais tarde não sofrer

É preciso saber viver – É preciso saber viver (Roberto Carlos)

*Jornalista e historiador

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Administração pública é pública

09 de junho de 2021, 19:12

*Por Gervásio Lima

Não adianta o discurso de cuidado com o erário se não preservar a transparência em outras áreas da administração. A hipocrisia é parente próxima da corrupção, um elemento acusador, geralmente um aviso de que algo não está bem. A insistência em permanecer em um erro por acreditar que o certo é o que defende faz parte de um dos cúmulos da ignorância, ação tola que inevitavelmente terá  consequências negativas respingadas em quem não tem nada a ver com a situação.

Uma piada mal contada agrada apenas o amigo elegante por conveniência. Para quem ainda não sabe, ou faz de conta que não sabe, se tratando de gestão pública, seja ela municipal, estadual ou federal, o papel dos detentores de cargos eletivos é o de buscar políticas para a melhoria de vida da população, proporcionando o bem-estar e garantindo condições para que serviços essenciais sejam oferecidos sem qualquer distinção – inclusive partidária – pois o povo é hegemônico.

Conforme a Constituição, a administração pública é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que procuram satisfazer as necessidades da sociedade, como educação, saúde, infraestrutura, segurança, cultura e outros. Neste caso, tudo que for de encontro aos princípios estabelecidos não se caracteriza como público, e os agentes públicos responsáveis por fazerem cumprir estas determinações estão sujeitos a punições, mesmo que nem sempre sejam severas.

Prefeitos, governadores e presidente da República que acreditam ser ‘empresários’, administrando seus municípios, estados e o país como se fosse uma empresa privada, tratando servidores como seus funcionários particulares e o dinheiro público como se fosse fruto do lucro da venda de uma determinada mercadoria, estão fadados ao fracasso e bem próximos do xilindró, caso venham ser julgados e condenados por quem de direito.

Defender o errado em causa própria ou por simples birra não significa que o brio esteja protegido. Ao contrário, é um claro exemplo de egoísmo do corruptor. Ninguém que rouba faz algo de bom, pois tira a dignidade e compromete inclusive a vida dos que pregam o bem, as vítimas de um sistema cíclico e vicioso.

Aquele que tem a prerrogativa de comandar a partir de uma confiança depositada através de uma escolha coletiva, precisa, antes de qualquer atitude ilícita, respeitar as leis e não agir confiando na ingenuidade dos que lhe proporcionaram tal oportunidade.

É preciso desconstruir a ideia de que apenas as coleiras dos cachorros são diferentes.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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É ou não é, ou, ou ou…

27 de maio de 2021, 15:34

*Por Gervásio Lima

A mobilização para a chegada de benefícios se dá através da discussão política, mas para que isso aconteça, os políticos, sejam eles do Legislativo – que fiscalizam, propõem e indicam ações – ou do Executivo, que executam as sugestões, precisam ser provocados.

É fato que a política é parte importante para o rumo que a população almeja, mas o comportamento de determinados representantes assusta pela falta de experiência em gestão pública e relacionamento humano. Neste ano de 2021 iniciaram-se os mandatos de quatro anos de prefeitos e vereadores em todos os municípios brasileiros. Já se passaram praticamente cinco meses das novas gestões, período considerado muito curto para grandes realizações concretas, mas tempo suficiente para apresentações de propostas reais na garantia dois direitos e anseios dos municípes.

Quando se foge da verdade política, omitindo as fraquezas e até mesmo os crimes cometidos pelos que foram eleitos para representar a sociedade, comete-se um grande e às vezes irreparável erro. É preciso apresentar, portanto, de qualquer forma, as falhas daqueles que representam a população na esfera municipal, estadual e federal

O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, em razão de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser, sempre ressaltou que todo poder vem do povo. Em sua concepção, ‘para se manter no poder o soberano tem que acima de tudo estar em consonância com os anseios populares, porque o poder existe se os subordinados assim desejarem’. E assim aconteceu com inúmeros candidatos que concorreram à reeleição nas últimas eleições municipais. Quem não trabalhOU, enganOU e não agradOU, o povo retirOU. O que subestimou a importância das urnas, a força do voto e principalmente a importância do eleitor, literalmente se ferrOU.

A partir do momento em que se conhece o comportamento de determinados políticos, o senso seletivo do eleitor se emancipa e as escolhas na hora do voto podem acontecer com mais coerência e qualidade.

Para os novos administradores que acreditam que o poder é para sempre, vale lembrar que os mandatos têm prazo de validade e que muitas vezes acontece a atencipação deste prazo.

Aos que ainda não conseguiram acertar, continuem tentando, pois dias melhores ainda estão por vir.

*Jornalista e historiador

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171 é o artigo da vez

06 de maio de 2021, 21:18

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima

Na gíria, uma “pessoa 171” é vista como alguém aproveitador, capaz de trair e enganar apenas para alcançar seus objetivos, sem se importar com as outras pessoas. No Código Penal, o Artigo 171 define como crime “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

No dia a dia, em qualquer situação, seja no ambiente de trabalho, nas relações comerciais e principalmente na área política, é comum conhecer pessoas que buscam enganar alguém para tirar vantagens, principalmente no que se refere a dinheiro ou a posição social. Uma disputa de poder desenfreada, sem nenhum pudor ideológico, moral, familiar ou até mesmo religioso; neste último caso com o agravante de colocar Deus, o ente infinito e mais respeitado por cristãos e até mesmo por descrentes, como pano de fundo para justificar ou acobertar seus crimes.

A ganância é uma das principais características do estelionatário, um sentimento humano que difere de ambição. Segundo a literatura, o “homem ganancioso é um sujeito movido pelo poder e pela insanidade do ter tudo por vias que extrapola e ofusca o brilho da razão. Seu pensar canaliza todas as energias focando a qualquer preço ter a multiplicação de seus quase inexistentes bens, em patrimônios bilionários, através do sacrifício da sociedade”. Já o ambicioso é aquele que tem vontade e busca a todo custo alcançar certo objetivo, o indivíduo que demonstra cobiça. Ou seja, se trocar um pelo outro é, como diz o ditado, ‘trocar seis por meia dúzia’.

Nos momentos mais difíceis e carentes, quando a fragilidade emocional está mais aparente do que qualquer força espiritual, os denominados ‘santos das causas impossíveis’ aparecem, oferecendo uma gama de sugestões resolutivas e muitas vezes vantajosas com o objetivo de ludibriar suas vítimas e deixar um rastro de prejuízo financeiro e psicológico. Na verdade não passam de “lobos em pele de cordeiros”. Escondem as suas verdadeiras índoles maldosas, se passando por educadas, empáticas e até amigas. Fingem ajudar as pessoas ao seu redor,mas na realidade são más, perversas, egoístas e desonestas.

No Novo Testamento, uma parábola atribuída a Jesus Cristo, alerta: “Cuidado com os falsos profetas. Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os conhecerão pelos que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos”. (Mateus 7:15-16). Nesta parábola, Jesus chama a atenção dos fiéis para uma das piores condições do ser humano: a falsidade.

Qualquer semelhança é pura coincidência.

*Jornalista e historiador

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Boas Festas!

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