ARTIGOS

Jacobina: Um clube de e para ‘artistas’

17 de outubro de 2019, 09:55

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima –

Fundado em 1933, por um grupo de ‘artistas’, como eram chamados os profissionais liberais como os alfaiates, sapateiros, pedreiros, carpinteiros e outros, a agremiação Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, tinha como objetivo não somente servir como um local para a realização de festas e bailes de micareta, mas de ser um local de inclusão para os associados e suas famílias. Em seu primeiro estatuto e, acredita-se, que tenha sido o único, entre outras atribuições, funcionaria integralmente no local uma escola de ensino primário e uma biblioteca com acesso para toda a comunidade.

Os considerados ‘excluídos’ da época não podiam frequentar os dois clubes existentes naquele momento na cidade que eram o Clube 2 de Janeiro, fundado em 1878 e a Sociedade Filarmônica Aurora Jacobinense, fundada em 1879. Apenas os integrantes das famílias mais abastadas e as elites econômicas tinham acesso a esses espaços. Daí se deu a necessidade de se fundar um clube organizado por trabalhadores, uma espécie de ‘sociedade popular recreativa dançante’.

Estatuto – O artigo 1º do Estatuto da União dos Artistas Jacobinenses, aprovado em 1933, diz: “Sob a denominação de Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, com sede nesta cidade de Jacobina do Estado da Bahia, fica constituída pelos presentes estatutos, por tempo indeterminado, uma Sociedade Operária, cuja finalidade é socorrer aos seus associados que por moléstia ou outras circunstâncias, se acharem impossibilitados de promover os meios de melhorar a sua situação”.

Após passar um período inativo, o octogenário e histórico Clube dos Artistas, local onde no passado se realizavam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social, passa a abrigar atualmente a sede de uma associação de lojistas.

Semelhança histórica – Em um dos trechos do livro “A invenção do cotidiano na metrópole”, a professora doutora em História da Unicamp/SP, Luzia Margareth Rago, fala da vida social e do lazer na cidade de São Paulo entre os anos de 1900 e 1950: “A vida boêmia passava a exercer enorme fascínio como lugar da evasão, do diletantismo, dos prazeres, da possibilidade de escapar à normatividade da vida cotidiana que progressivamente se instaurava. Vida boêmia, espaço da imaginação e da criatividade, pensavam os intelectuais; espaço da promiscuidade e do desregramento, denunciavam os médicos”.

Não muito diferente, conforme diversos depoimentos de remanescentes, a visão que a sociedade jacobinense tinha sobre os ‘clubes’ da cidade, seu papel social e seus frequentadores era praticamente a mesma. A vida boêmia era bastante concorrida. Jacobina naquele momento era um dos principais municípios da Bahia, com uma economia pujante. Além da agropecuária e garimpagem, era um grande entreposto de diversos produtos fornecidos para inúmeras cidades através da rede ferroviária. Na própria estação do trem, desativada em 1976, havia um bar, o Bar da Leste, que funcionava anexo ao prédio, onde regularmente acontecia música ao vivo. Quem partia ou quem chegava de viagem era recepcionado com ‘festa’.

Saudade – Um dos frequentadores ‘Dos Artistas’, como o clube era chamado, Cosme Pereira Nascimento, o ‘Cosminho da Dires’, relembra das inesquecíveis micaretas e dos bate-papos nos inícios das noites entre amigos. “Peço que não deixem este clube morrer, mudar de nome. Esta história de 1933 não pode se acabar, ninguém é dono desse salão, ele pertence a todos os cidadãos jacobinense”, apela Cosminho.

O Clube dos Artistas fica localizado entre as ruas da Conceição e São Salvador, ao lado da Igreja da Conceição.

*Jornalista e historiador

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Traição virtual: O perigo do mau uso das redes sociais

16 de outubro de 2019, 13:55

*Por Gervásio Lima – É fato que, atualmente uma das melhores maneiras de conversar com amigos, fazer novos, e até mesmo reencontrar amigos perdidos no tempo, são as redes sociais, mas, o uso inadequado destas redes pode trazer muita dor de cabeça e muitos problemas.

Relações conjugais em crise e até mesmo fim de relacionamentos amorosos, novos e antigos, são alguns dos vários pontos negativos do acesso inadequado da rede mundial de computadores, a internet. Existem muitos perigos na rede e a culpa não é do Facebook, Orkut ou qualquer outro site, e sim de quem está à frente do computador, smartphone, tablets e outros meios que dão condições de acesso. À medida que as pessoas (internautas) se expõem fornecem informações importantes sobre suas vidas ou acabam fazendo o que não deveriam.

A exposição pessoal e familiar é um dos maiores perigos. Existem muitos predadores que usam a internet para caçar sua presa. Se você posta fotos de sua família e associa a elas informações como “meu marido está fora da cidade este final de semana” ou “o pequeno Gabriel está grande o suficiente para ficar em casa sozinho”, são exemplos de riscos. Informações deste tipo podem colocar a segurança dos filhos vulnerável.

Uma história real, digna de roteiro de uma trama novelesca, contada por um taxista da cidade de Salvador, chama atenção para a capacidade que a rede social tem em construir e destruir relacionamentos. O motorista Cornélio (nome fictício para não expor, digamos, o personagem, ou melhor, a vítima), pessoa visivelmente de bem, falante e extrovertido, se gabava dos seus dotes culinários: “temperei um feijão com carne hoje pela manhã e até agora estou na expectativa de sentir o gosto, mas estou preocupado, pois os meus filhos podem mexer e azedar”. Indagado se a sua esposa não estava em casa, Cornélio disse que não tinha mais esposa, que criava os filhos de 14 e 17 anos de idade sozinho. Você é viúvo? O taxista responde: “não, eu e meus filhos fomos abandonados por minha ex-esposa”. Ué, abandonado como? O taxista explica: “minha esposa conheceu uma pessoa pela internet e resolveu deixar tudo para trás e ir embora para a Costa Rica, país localizado na América Central, bem longe daqui”. Que pena, sinto muito por você. “Pois é, o pior é que durante os vinte anos que passamos juntos, ela nunca demonstrou nada que eu pudesse desconfiar da sua fidelidade. Sempre foi uma mãe e uma esposa maravilhosa, mas o diabo da internet virou a cabeça dela”, disse Cornélio, com ‘voz de choro’.

Infelizmente, o que aconteceu com o taxista tem sido uma praxe. Muitas pessoas, desavergonhadas, perderam a noção de honra e pudor, uma verdadeira degenerescência do caráter. Navegar em redes sociais é algo cada vez mais comum e um vício para milhares de pessoas. Por meio delas se consegue fazer coisas que antigamente só era possível pessoalmente.

Segunda a psicóloga clínica Marisa de Abreu, a pessoa que trai virtualmente tem os mesmo motivos que a que trai pessoalmente. A única diferença é que a internet tem meios mais práticos, que podem ser trilhados dentro de sua própria casa, no cômodo ao lado de quem está sendo traído.

O objetivo não é desmotivar o uso dessas redes. Não é isso! A intenção é motivar o uso consciente e seguro. Até porque não se pode ignorar os inúmeros benefícios dessas ferramentas: aproximação das pessoas, publicidade, oportunidades de negócio, divertimento, entre outros.

*Jornalista e historiador

 

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Médico jacobinense lembra os momentos que conviveu com a agora Santa Dulce dos Pobres

13 de outubro de 2019, 12:25

*Por Airton Vieira Costa –

Morei no hospital de Irmã Dulce por 2 anos e meio como interno, na época eu tinha 21 anos de idade. Tive a honra de estar com a Irmã Dulce em muitos momentos. Fizemos uma viagem longa para o Rio de Janeiro, de carro porque ela tinha receio de avião. Tive que levar um balão de oxigênio porque ela precisava fazer uso constante de oxigênio e nebulizações. Foram dois dias de viagem sem intercorrências, com o grande motorista e segurança pessoal chamado Cabeça (um policial aposentado). Fomos escolhidos para esta viagem por nos considerar “experientes e confiáveis”. Viajou conosco a esposa do administrador e proprietário do carro, uma Caravan da Chevrolet. 

O objetivo da viagem era a formatura de sua sobrinha Maria Rita, em Jornalismo e Comunicação e a participação de Irmã  Dulce no programa de televisão de Flávio  Cavalcanti. Foi a primeira vez que as Obras Sociais seriam divulgadas nacionalmente. Eu estava no sexto ano do curso de Medicina. Éramos chamados os “filhos de Irmã Dulce”, ela nos tratava assim. Sempre atenta aos nossos quartos, em nossa alimentação, mesada…  Tinha até leite em pó da Suíça.

Sempre achei muito interessante a forma delicada para conosco. Em um dos momentos com a agora Santa Dulce dos Pobres, ela me contou sobre uma aliança que perdeu, e milagrosamente a encontrou na capela. Tinha fala mansa e firme. Era incansável, mesmo com febre ou doente. Fazia tudo. Ajudava a todos, até varrer e lavar o hospital junto com os funcionários. Se preocupava muito para honrar os compromissos financeiros, principalmente com pessoal, como o décimo terceiro nos finais de ano.

Fico agradecido a Deus pela oportunidade única de ter estado com Irmã Dulce. Carrego o seu testemunho humanitário, de fé, de humildade e reverência a Deus. Tenho muitas outras histórias guardadas no meu coração.

*Jacobinense e médico há 40 anos.

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Tecnologias do bem são utilizadas para o mal

09 de outubro de 2019, 19:19

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima – 

É indiscutível a importância da tecnologia para a vida, em vários aspectos. Ela é uma necessidade absoluta que responde a diversos problemas da humanidade. Viver sem tecnologias é algo que a cada dia se duvide mais. Elas estão presentes nos lares, nas escolas, no trabalho, no centro médico, no lazer, na mais simples atividade corriqueira… Em quase tudo.

O dia a dia está cheio de tecnologias que facilitam uma série de processos, isso é fato. Infelizmente, o uso inadequado e irresponsável também é fato, principalmente quando se trata da área da comunicação, onde em menos de três décadas todo o mundo passou a ter acesso ao sistema global de redes de computadores interligados, o fenômeno da internet que além de ser uma forma altamente eficaz de comunicação, processamento de dados, transmissão de informação e pesquisa se constitui em um espaço global para a socialização.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, o acesso à informação rápida não garante o conhecimento, pois este depende da compreensão e de aprendizagem de quem a utiliza. Daí o que poderia está contribuindo para a formação de bons cidadãos tem a sua importância deturpada. E como qualquer ferramenta o mau uso pode causar estragos irreparáveis.

Quando o assunto é tecnologia vem à mente em primeiro plano a telefonia móvel, celular, e o computador. Em ambos se aplica a internet; sendo que no primeiro o que predomina são as redes sociais, principalmente o whatsApp, aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones (celular) que combina recursos de computadores pessoais, com funcionalidades avançadas). Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar ainda imagens, vídeos e documentos e até mesmo realizar ligações grátis.

Se o celular é algo extraordinário no mundo tecnológico, o whatsApp nem se fala. Esta perfeita combinação mudou a forma de ver e viver a vida de muitas pessoas que a utiliza de diversas formas. Seus benefícios são inegáveis, assim como os malefícios. Responsável pela disseminação de fake news (notícias falsas), o uso inadequado do whatsApp tem provocado uma série de situações desagradáveis, colocando inclusive em risco a vida de pessoas.
Na política, por exemplo, muitos desavisados foram vítimas de milhões de falsas notícias compartilhadas durante o último processo eleitoral.

Durante a sétima edição do evento jornalístico Festival Gabo, realizado no último dia 4, na Colômbia, o WhatsApp confirmou que terceiros utilizaram o aplicativo para disparar mensagens falsas ou verdadeiras relacionadas com as eleições presidenciais de 2018 no Brasil. Segundo os representantes do aplicativo, os grupos responsáveis pelos envios ilegais das mensagens são sensacionalistas e têm a intenção de manipular uma audiência específica. Cerca de 50 milhões de mensagens falsas eram enviados por dia.

Muitos brasileiros atiraram no que viram e acertaram no que não queriam ver.


*Jornalista e historiador

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A política não tem maldade, o político sim

03 de outubro de 2019, 14:42

*Por Gervásio Lima –

Não bastasse a prática de corrupção, da mentira e da enganação intrínsecas em muitos sujeitos, vítimas e potenciais vítimas de malfeitores estão sujeitas a uma série de outras atrocidades que influenciam diretamente em suas vidas, atingindo desde a social como a pessoal. A perversidade assusta e preocupa, além de ferir o corpo e a alma. O mal machuca e alcança não apenas um sofredor, mas um grande número de sofredores.
Todos que buscam uma sociedade mais humana e mais justa esperam daqueles que lhe representam, seja na religião, na educação, na política e outras áreas influenciadoras, a serenidade e a sapiência para se tornarem em verdadeiras referências benignas. Disseminar o ódio não é bom nem para o odioso.
Na política, por envolver indivíduos e fazer parte da própria natureza do homem, todo cuidado é pouco para que o seu real papel não seja deturpado. Fazer política é buscar meios para a melhoria da vida seja coletiva, através do sujeito político delegado para a função de representante da população em cargos eletivos do Executivo e Legislativo.
Infelizmente, nem sempre o político está para a política e em vez de procurar o bem comum utiliza da prerrogativa de um mandato para pregar a politicagem, não sabendo que o poder político é um dos mecanismos que viabilizam projetos que mudam a vida das pessoas, independente do partido que pertence.
O bom político não é aquele defende a bandeira da honestidade, até porque ser honesto não é qualidade e sim obrigação, e sim aquele que tem como premissa o bem estar dos representado, através do oferecimento do acesso às políticas públicas essenciais.
Em se tratando do Executivo, não basta querer ser o timoneiro sem ter condições para assumir a função. Executar é mais complexo que legislar, apesar de um não ‘viver sem o outro. E, não necessariamente o bom legislador será um bom gestor, e vice-versa.
Quando se trata de cuidar de gente a vaidade não pode sobrepor a realidade.

*Jornalista e historiador 

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A retirada da Petrobras da Bahia é inadmissível

24 de setembro de 2019, 12:50

Foto: Reprodução

*Por Josias Gomes –

Sob qualquer pretexto. Não existe justificativa econômica, logística ou ganho de nenhuma natureza para a estatal e os seus servidores. Muito pelo contrário, a medida é entendida como outra perseguição política à Bahia.

A pergunta que fica é, onde está a responsabilidade social dos dirigentes da Petrobras? Anualmente investem milhões em propaganda e projetos sociais para passarem a imagem de que a empresa tem compromisso com a sociedade, mas ao mesmo tempo querem virar as costas para milhares de servidores e funcionários que têm as suas carreiras e vidas vinculadas à Bahia.

O prejuízo econômico com a retirada da Petroleira no Estado é incalculável, sofreremos com a ausência de investimentos, a demissão em massa de terceirizados e a falência de diversas empresas que dependem da existência da Petrobras, além de perdas dolosas de arrecadações de municípios e do Estado.

Não vamos deixar este absurdo acontecer! Formamos uma ampla frente a favor da Petrobras que vai desde sindicatos e petroleiros até parlamentares, sociedade civil e o Consórcio Nordeste.

O presidente do Consórcio, companheiro Rui Costa, posicionou-se de forma contundente: “Definimos por um conjunto de ações, de solicitação de agenda com ministros, presidente da Petrobras, enfim, um calendário de ações onde nós, governadores do Nordeste, vamos manifestar posição muito clara contra a retirada de investimento dessa importante empresa que é a Petrobras, onde o petróleo nasceu. Não justifica retirar investimentos do Nordeste e da Bahia. Vamos buscar junto ao executivo federal, direção da Petrobras e ao Congresso Nacional”.

Não vamos permitir que este desgoverno destrua a Petrobras. O primeiro ataque frontal é no Nordeste. No entanto, sabemos que o Capitão Mentira e Paulo Guedes querem entregar a maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo ao capital privado!
O petróleo é nosso! A Petrobras é nossa! Venceremos!

*Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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Político não é profissão, corretor imobiliário sim

16 de setembro de 2019, 11:59

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima – 

Em qualquer área de atuação o conhecimento identifica a qualidade do profissional, mas apenas saber não caracteriza o sujeito como completo. A teoria é fundamental, é a base e o enriquecer do conhecimento; enquanto a prática, não menos importante, é o complemento essencial e a realidade da concretização.

Não basta querer ser, é preciso ter certeza do que almeja. Convicto de sua escolha, o próximo passo é ‘se jogar’ naquilo que decidiu fazer, sem medo de ser feliz. Contudo, não obstante, no entanto… Faz-se necessário utilizar sempre a responsabilidade e a humildade como parâmetros.

A identificação da vocação não se aplica somente na escolha da profissão que exerce ou venha a exercer. Algumas atividades requerem estudos de um dado conhecimento, como as profissões de médico, engenheiro, biólogo, e assim por diante, enquanto para outros trabalhos não se exige necessariamente a posse de um diploma, nem um simples certificado de escolaridade.

Quando se trata da política, então, sendo ‘profissão um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional’, seria correto afirmar que político não é profissão. Na visão de especialistas na área, é uma função de caráter temporário e seria inadequada uma comparação dos políticos com a classe trabalhadora, pois a função dos políticos é representativa e não prestadora de serviços.

A atuação política pode até não ser formalmente considerada uma profissão, entretanto não faltam pessoas que fazem dela uma carreira, seja apenas para suprir interesses pessoais, seja para atender às “demandas sociais”. Muitos vêm na atividade a possibilidade de ascensão. Difícil, então, abrir mão dos privilégios, prática comum nos rincões do Brasil.

O ‘profissional na política’ não é o mesmo de ‘profissional político’. Um seria “cobra criada” e o outro a própria criatura.

Existem prefeitos e vereadores que vão mais longe. Vez ou outra aparecem notícias escabrosas de práticas abusivas daqueles que foram confiados os votos da população. Por está exercendo um cargo eletivo, temporário, gestores e edis se acham donos das povoações que representam. Se vacilar eles leiloam e vendem os patrimônios públicos de suas cidades. Aí sim, se transformariam em corretores imobiliários, aquele profissional re realiza a intermediação entre o vendedor e o cliente que deseja comprar um imóvel urbano ou rural. Profissão de corretagem.

 

*Jornalista e historiador

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1880, histórias de uma década

26 de julho de 2019, 13:47

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima – 

Foi no século XIX (1801 – 1900), a partir da sua segunda metade, que a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos e sociais. Nesse período se mudou a forma de governo, foi feita a Constituição, se iniciou a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado e as fazendas de café e outras lavouras se modernizaram. As cidades cresceram e nelas as primeiras indústrias se instalaram.

A década de 1880 foi marcada por diversos e importantes fatos históricos no Brasil. Entre os de maior relevância estão a independência do Brasil (1822), abolição da escravatura (1888), a e proclamação da república (1889). Neste espaço de tempo, mas precisamente em 28 de julho de 1880, foi elevada à categoria de cidade por uma Lei Provincial, a “Agrícola Cidade de Santo Antônio de Jacobina”. Um reconhecimento que aconteceu somente 160 anos depois da localidade ser promovida a distrito (1720); 158 anos após ter se tornado município (1722) e 128 anos depois de ser pronunciada como ‘freguesia’ (1752).

A cidade do Ouro, nome carinhoso dado por conta das minas de ouro que atraíram os portugueses e bandeirantes paulistas no início do século XVII, chega aos seus 139 anos de emancipação política com os mesmos problemas de uma localidade que não possui ‘vida própria’. Famosa por suas belezas naturais, culturais e arquitetônicas, Jacobina vem sendo devassada há mais de 250 anos. Sua capacidade de se transformar em um dos principais municípios do Estado da Bahia, do ponto de vista econômico, através da oferta dos mais diversos tipos de serviços, é barrada na incapacidade daqueles que a população ao longo das últimas décadas vem acreditando. Urge a necessidade da discussão e elaboração de um plano de desenvolvimento por toda a sociedade jacobinense. Identificar, de forma coletiva, os gargalos que têm limitado o desempenho e a capacidade de o município avançar se faz necessário.

Possuir atrativos turísticos e não saber usar é como ter a chuteira e a bola e não ter um local para jogar, ter igrejas, festas religiosas e não saber rezar ou orar, ter o ouro e não possuir a jóia e ser hospitaleiro e não receber visitas.

Esperar que as soluções para tornar-se auto-sustentável apareçam apenas com a ajuda externa é uma aposta arriscada. Explorar o potencial que possui com políticas sérias é uma estratégia inteligente e beneficiará todo o conjunto. O bom gestor não é sinônimo de administrador e sim aquele que ousa, encoraja, intenciona e age.

A certeza de dias melhores só existe quando as obrigações são realmente cumpridas e a maior festa de aniversário de uma cidade é a comemoração por este cumprimento.

Coragem e força Jacobina. Feliz aniversário!

*Jornalista e historiador

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Manda quem pode e obedece quem tem juiz

25 de julho de 2019, 14:47

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima  – 

Os diálogos que têm vindo a público envolvendo o então juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, são considerados por juristas e outros especialistas e estudiosos do assunto uma ‘aberração judicial’; o maior escândalo do judiciário brasileiro.

As trocas de mensagens através do aplicativo Telegran, reveladas a partir das reportagens do The Intercept Brasil, uma premiada agência de notícias internacional, extrapolam o que é legal nas funções de cada um dos envolvidos. A ‘vaza jato’, como está sendo chamado o episódio, tem apresentado gravíssimos crimes. 

A prisão de acusados de hackear, invadir e adquirir informações dos celulares das autoridades que fazem parte da mais alta cúpula da Operação Lava Jato (que visa apurar lavagem de dinheiro), seria suficiente para dirimir a gravidade das conversas grampeadas? O que seria mais importante neste momento, prender e condenar quem bisbilhotou ou investigar a veracidade do que o ‘bisbilhoteiro’ tornou público?

Os flagrados precisam ser investigados. Não basta apenas prender quem conseguiu ter acesso ao que foi dito. A população, a mais castigada e principal vítima de todo o imbróglio vivido no país nos últimos anos, merece uma resposta contundente e verdadeira. As instituições representativas e fiscalizadoras não podem se acovardar neste momento de extrema tensão entre acusados e acusadores. É preciso identificar quem são os coringas e quem são os D´Artagnans.

Não parece ser a melhor opção tentar confundir a opinião pública com o abafamento e descaracterização das denúncias. É difícil acreditar que órgãos de imprensa que sempre pregaram a moralidade e que gozam da credibilidade perante a um sem número de leitores e seguidores, como o grupo Folha de São Paulo e a revista Veja, fechassem parceria com a Agência Intercept, com publicações dos diálogos através de mensagens de textos e áudios, sem ter a certeza da veracidade dos fatos expostos.

Muito estranho também encontrar um hacker acusado de invadir celulares de ministros e até presidente da república em sua residência, portando milhares e milhares de reais e imaginando que não seria descoberto. Muita inocência para um super dotado da tecnologia continuar vivendo na capital da laranja do Brasil (Araraquara) depois de supostamente cometer um crime de tamanha proporção. 

Sobre The Intercept Brasil – O The Intercept Brasil é uma premiada agência de notícias dedicada à responsabilização dos poderosos por meio de um jornalismo destemido e combativo. Suas investigações aprofundadas e suas análises implacáveis se concentram em política, corrupção, meio ambiente, segurança pública, tecnologia, mídia e muito mais. O The Intercept dá aos seus jornalistas a liberdade editorial e o suporte legal de que precisam para expor a corrupção e a injustiça onde quer que as encontrem.
 
Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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A verdade saindo do poço

17 de julho de 2019, 17:27

*Por Gervásio Lima  –  

Inúmeros episódios ocorridos no Brasil antes e após as últimas eleições estão deixando o povo brasileiro encucado. Uma ‘aura sombria’ ronda o país num momento de incertezas, impotências e de medo. O brio está cedendo espaço para o esmorecimento e o antes envaidecido agora anda cabisbaixo e desolado, quiçá envergonhado.

Conseguir lidar com as situações inevitáveis da vida é uma grande e importante virtude e demonstração de força, e a população brasileira com sua peculiar resiliência sabe muito bem o que é isto, por viver ainda uma cultura onde o sofrimento é enaltecido e valorizado. Talvez por ter cerca de 90 por cento de seus habitantes declarados cristãos, o Brasil se apega à fé para acreditar que ‘depois da tempestade vem a bonança’.

Uma antiga parábola judaica sobre a verdade e a mentira, intitulada “A Verdade saindo do poço” (La Vérité sortant du puits) e ilustrada pelo artista francês Jean-Léon Gérôme, em 1896, diz que “a mentira vive viajando ao redor do mundo vestida com as roupas da verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade porque percebeu que o mundo não tem nenhum desejo de encontrar a verdade nua. Aos olhos de muita gente é muito mais fácil aceitar a mentira com as roupas da verdade do que a verdade nua e crua”.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Nunca na história da terra dos saudosos João Gilberto e Paulo Henrique Amorim se conheceu tantos lobos em peles de cordeiros. O que até pouco tempo era a ‘verdade absoluta’ se revelou em mais uma fraude, uma mentira (fake), como tantas outras que passaram a fazer parte do cotidiano da Nação Tupiniquim, com o aval de poderes que também em outrora eram respeitados pela ‘verdade’ que pregavam.

A angústia é um sentimento que está relacionado com situações que acontecem nem sempre por vontade própria, é uma manifestação emocional que perturba e incomoda; mas não é perpétua. Ter a humildade de reconhecer os erros e trabalhar para corrigi-los é uma qualidade dos fortes.

Errar é humano…

Como na música ‘Sozinho’, de Peninha, é preciso ‘sonhar acordado, juntar o antes, o agora e o depois’ e se apegar na esperança de o bem vir a vencer o mal e a verdade prevalecer.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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