ARTIGOS

A impunidade prevalecerá enquanto não houver consciência

11 de maio de 2022, 13:25

*Por Gervásio Lima

A ausência da punição ou a sua aplicabilidade de forma não desejada tem deixado de ser discussões que antes remetiam apenas à área jurídica, ao ambiente forense. Atualmente, como técnico de futebol, onde todo torcedor se autodeclara suficientemente capaz de escalar e fazer determinadas mudanças no seu time do coração, as sentenças são amplamente comentadas e às vezes decididas por tribunais compostos por magistrados com os mais diversos tipos de entendimentos sobre a mesma matéria.

O que era para ser um ‘ponto de vista’ vem se transformando, em muitos casos, em ‘meias-verdades’, utilizando-se elementos reais para se criar situações embaraçadoras e perigosas, colocando, inclusive, reputações até então ilibadas como duvidosas.

Os chamados ‘julgadores de plantão’ confundem, e, consequentemente, prejudicam mais que ajudam. Um verdadeiro desserviço para uma sociedade atônita e acometida por rajadas de desinformações e intolerâncias. Um caos total.

As relações interpessoais estão cada vez mais difíceis, sem respeito às ideias e opiniões alheias. A intriga permeia, enquanto a compreensão, o entendimento, a aceitação e a consideração (empatia) têm perdido espaço para a violência, a desarmonia e o ódio. E isso com um agravante, o uso da religião e a imagem da família para confundir aqueles de astúcia limitada.

A antiga estratégia de comunicação, que consiste em empregar recursos emocionais ou simbólicos pra induzir alguém a aceitar uma ideia, uma atitude, ou realizar uma ação (persuasão), tem sido a principal ferramenta utilizada para distrair e tirar o foco de um problema que tem se tornado cada dia mais crônico: a lógica da mentira e  da enganação.

A arte de persuadir nunca esteve tão presente, e, o pior, o emprego de argumentos ilegítimos está conseguindo mudar até mesmo a conduta e a crença de muitos indivíduos, afetando inclusive seus caracteres.

A impunidade prevalecerá enquanto não houver consciência.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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Sabido era o chimpanzé

05 de maio de 2022, 12:21

*Por Gervásio Lima

Reza a lenda que nos lugares mais secos da África para se encontrar um local com a presença de água se prendia um chipanzé por dias, e quando o soltava era só o seguir que encontraria o precioso líquido, pois o mesmo iria direto para uma ‘fonte conhecida’. Sendo verdade ou não, seria uma excelente, mas criminosa, estratégia, uma clara demonstração de maus tratos com um animal.

É de fácil imaginação, usando como exemplos cotidianos, que os praticantes deste macabro método de utilizar o sofrimento alheio para amenizar o próprio, não se penalizavam por tal atitude, por considerar o que pode se chamar da ‘lei da sobrevivência’ ou instinto, uma constante luta pela continuidade da existência. Isso é fato desde a época das cavernas.

O uso de táticas para a garantia da vida vem desde os primórdios. O aprendizado e a evolução humana marcaram a história da existência na terra. Corrobora esta afirmação a espécie à qual pertencemos, o Homo sapiens, que desde o seu surgimento, há cerca de 300 mil anos, já ‘se virava’ para se manter vivo, utilizando da sua habilidade em caçar e cozinhar a carne de suas ‘presas’.

O antigo ditado popular ‘procurar a rudia onde quebrou o pote’ (atribuir a autoria de algo ao seu verdadeiro autor) surge como uma forma de validar a sabedoria popular, que não seria o caso específico do chipanzé (a vítima), mas daquele que ao mesmo tempo é detentor da inteligência e de ausência do conhecimento.

É natural, elogiável e humilde, recorrer àquele ou aquilo que aponte a solução que se procura. Pedir ajuda não ranca pedaço de ninguém (mais um ditado), ao contrário, fortalece o espírito coletivo, melhorando as relações entre os semelhantes.

Agora, usar ‘a lei do mais forte’ como álibi para tirar proveito, do que quer que seja, se valendo da posição que esteja, da função que exerça ou da condição financeira que possua, é mau-caratismo, comportamento típico do covarde.

As relações sociais serão mais efetivas e sadias quando o respeito pelas diferenças e a irmandade passem a ser reconhecidos e praticados na sua essência, onde a sobrevivência seja o significado do dever cumprido (sem usura, sem inveja e sem violência) do ser humano durante sua passagem pelo mundo.

*Jornalista e historiador

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Só ultrapasse com segurança

28 de abril de 2022, 13:19

*Por Gervásio Lima

‘Em time que está ganhando não se mexe’, esta talvez seja uma das mais conhecidas e usadas frases quando o objetivo é justificar o engessamento de algo. É também um dos maiores contrassensos que existem. Seguindo o sentido literal, uma interpretação precisa observará que time vem de coletivo, de um grupo, e ganhar é sinônimo de vitória, portanto quando se possui boas peças em uma equipe as mudanças, nesta equipe, são naturais.

O perigo é quando a mudança ocorre de maneira a não utilizar o bom senso, trocando as qualidades existentes por uma aventura. O incerto geralmente decepciona, causa prejuízos incalculáveis, muitas vezes de difíceis recuperações.

Na dúvida não ultrapasse, mas tendo certeza do que realmente esteja fazendo ou prestes a fazer, siga sua intuição. Não se encabule e não dê atenção ao que não tenha partido da própria vontade. Muito cuidado, fazer por fazer é um comportamento mesquinho e pernicioso.

Continuar apostando no que faz bem não cansa, enquanto insistir no mal está fadado ao fracasso. Existe a mudança consciente e a troca infundada, aquela que inevitavelmente levará os desprovidos de opinião própria a incorrerem em sérios riscos.

Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice. Este outro ditado popular está relacionado ao fato de que as pessoas têm até o direito de errar, mas também devem se ater à sabedoria e ao aprendizado, evoluindo para não mais cometer os mesmos erros.

Persistir no erro é desumano, enquanto errar é humano. Reconhecer o erro é ter caráter, mas persistir no erro é uma péssima escolha.

Uma boa escolha se leva à aquisição de produtos de qualidade, livre de falsificações. O sábio não se sente envergonhado em recorrer ao passado para decidir o que realmente quer para si no presente.

Os bons exemplos precisam ser copiados e disseminados e a consciência limpa é um exterminador em potencial de vários tipos de sujeiras.

O bom só é bom quando não for para apenas um, mas para um todo.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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SALVADOR É OUTRA HISTÓRIA

29 de março de 2022, 10:45

Foto: Notícia Limpa

Texto em baianês de Louti Bahia

Modéstia à parte, que horas são? Já tá na hora de comemorar o aniversário de Salvador? Foi mal aí, não dei o migué não! Quase que eu me passo mermo: juro que eu pensei que era de hoje a oito, mas agora tô de boa. Borimbora que eu preciso contar essa história direito.

Né querendo me gabar não, vú, mas Salvador é a primeira da porra toda: primeira capital do Brasil, primeira cidade do Brasil e primeira cidade planejada do Brasil. Né não, é? A história é essa, mô pai. Se não gostô, venha dá seu jeito.

Tanto é verdade que ela já nasceu com nome de cidade: Cidade do Salvador, uma homenagem a Ele, Ele mermo, Jesus Cristo. De lenhar, né? Por isso que a gente é soteropolitano: o habitante da cidade (politano) do Cristo (sotero vem do grego sotêr, que quer dizer salvador).

Massa, né? É é por isso que tem aquele Cristo ali no morro da Barra. Colé de mermo? Você pensa que a gente imitou o do Rio, foi? Aooooonde!!! O nosso Cristo foi esculpido 11 anos antes em homenagem ao nome original da nossa cidade. Se ligue: Salvador não imita ninguém não, Salvador é boca de zero nove.

Se plante, deixe de bestagem, deixe picuinha e aprenda a história verdadeira. Que Salvador foi a primeira capital do Brasil, tá de boa, todo mundo tá ligado. Mas, meu nego, tá rebocado que você não sabe que ela também foi a primeira cidade do Brasil. Agora eu vou me amostrar: antes de 1549 aqui no Brasil só tinha vila, vilarejo, povoado, mato, onça, cobra, sariguê e aranha. Receeeeeba!!!

Aí, Tomé de Sousa chegô chegano e tirou onda: já veio de Portugal como primeiro governador geral do Brasil e trouxe as plantas da primeira cidade desenhadas em linho. Nossa cidade não foi feita a migué não, pai: Salvador já nasceu brocano!!!

Pire aí: ela foi planejada em Lisboa com o que havia de mais moderno na época, o Tratado do Desenho Italiano. Eita!!! Brocô de novo!!! Pelas regras desse tratado, tinha que ser construída “em acrópole”. Agora fui eu que broquei: falei pouco mas falei difícil. Acrópole quer dizer na parte alta. E tá ligado que lá atrás (lá ele) tinha um rio onde hoje tem a Baixa dos Sapateiros, né?

Vou te dar a real: Tomé de Sousa trouxe mais de 1.000 homens em seis embarcações: uma aglomeração da porra!!! E um passarinho me contou que ninguém tava usando máscara. Um terço era de soldado, um terço era de marceneiro, carpinteiro, pedreiro e mais gente de construção. Além deles, vieram os degredados que tiveram que trabalhar pesado aqui pra ganhar a liberdade.

Junto com essa galera também veio o Mestre das Obras, Luis Dias, o arquiteto da época. O cara era retado, trabalhava várias horas de relógio e se fulano ou sicrano fizesse armengue, tomava baculejo. Foi ele que comandou a grande obra, fez as primeiras ladeiras (Conceição e Preguiça), a Casa de Câmara e Cadeia (atual Câmara Municipal), o Palácio do Governo (atual Palácio Rio Branco) e a principal rua da cidade, a Rua Direita do Palácio que hoje é a Rua Chile.

Mas se ligue: a Cidade do Salvador nasceu toda feita de madeira e palha. Aqui não tinha pedra não, pai. Malmente tinha barro pra fazer casa de taipa. E os portugueses tiveram que levantar um muro de madeira cercano tudo com medo do ataque dos índios. Quem manda invadir as terras duzôto? E dijunto do muro fizeram um fosso de água por fora das duas portas de entrada que tinham ponte levadiça. A Cidade do Salvador não era pouca merda não. Parecia uma superprodução de Hollywood, né não? E era mesmo. Já imaginou quanto Portugal investiu pra construir uma cidade do lado de cá do oceano? Foi dinheiro comaporra. Salvador já nasceu tirando onda.

Né culhuda não que eu não sou garganteiro. Salvador continuou brocando em alta ao longo da história. Até o século XIX, era o principal porto do hemisfério sul do planeta! O mundo todo passava por aqui: gente da Zoropa, da África, da Índia, da casa da porra. Até Charles Darwin veio por essas bandas. Em 1832, ele ficou na dele e pesquisou nossa fauna e flora para a sua Teoria da Evolução das Espécies. Moral da porra, vú? Mas no ano seguinte ele olhou de novo pra Salvador e disse “é pra lá que eu vou”. Apareceu aqui e ficou solto na buraqueira: Charles Darwin pulou o nosso carnaval!!! É mole? Onde hoje é a Praça Castro Alves, no século XIX era o Largo do Theatro São João. Lá rolava o carnaval da elite baiana imitando o de Veneza. Aí, Charles Darwin não guentô e ficô todo se bulino.

Que mal lhe pergunte, sabe qual foi o primeiro carnaval do Brasil? Nem lhe conto. Como eu disse no começo, Salvador foi a primeira da porra toda: o primeiro carnaval do Brasil aconteceu aqui em 1549. Êta lasqueira. Os padres jesuítas que chegaram com Tomé de Sousa realizaram a festa nas aldeias indígenas pra facilitar a catequização. Hoje em dia não parece, mas o Carnaval é um evento do calendário católico.

Já viu, né: quanto mais eu escrevo, mais tem coisa pra escrever. É por que Salvador é o ouro, é barril dobrado. Mas chega de bolodório senão você vai dizer que eu falo mais que a nega do leite.

E se você não é daqui e ficou com inveja, né comigo não! Não me conte seus problemas. Só te digo uma coisa: se não guenta vara, peça cacetinho porque Salvador é outra história.

Texto em baianês de Louti Bahia, da Amo a História de Salvador

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Cansei de mim

24 de março de 2022, 10:14

Foto: Reprodução

Cansei-me da elite brasileira! E eu sou parte dela. Cansei de mim.

Branco, com acesso aos Poderes, formado pela UnB e com mais condições de vida do que a absoluta maioria da população. Mas, que coisa nós viramos! Um Brasil triste, capenga e ridículo. Termos ainda 30 % dos brasileiros apoiando o crápula do Presidente diz muito sobre quem nós somos: um país que nega a existência do navio negreiro, que teima em dizer que não há racismo e que convive com a violência e a misoginia. Uma aristocracia que ganha dinheiro com a miséria. Nós somos uma sociedade que aceita sentar-se com o Bolsonaro defensor de torturadores, que cospe nas mulheres, que cultua a morte e exalta a tortura.

A pior representação do que poderíamos imaginar. Vamos esquecer daquela ideia do brasileiro cordial. Vamos fixar no brasileiro sacana, covarde e indiferente com a pobreza, com a fome e com o desemprego. Naquele para o qual pouca importa se nosso sofrido povo está em estado de abandono – com 14 milhões de famélicos e 20 milhões de desempregados. Essa é a nossa elite.

Às vezes, como elite que sou, fico andando pela Europa, ainda que a trabalho, e devo dizer que não vejo aqui o ambiente tóxico que temos no dia a dia da imprensa brasileira. É difícil ter, como temos, alguns jornalistas viúvos do ex-juiz Sérgio Moro e que se apresentam como ícones. Parece não existir fundo nesse buraco. Nós somos o fim do tal poço.  

Mas, ainda assim, é preciso resistir às tragédias diárias. Não é possível viver somente entre uma guerra sanguinária de uma ocupação covarde e bandida e um Brasil se desmilinguindo como povo e como nação. Hoje, somos uma imagem pálida do que éramos na era do Lula. O bando chefiado pelo Moro, que foi o principal eleitor do bolsonarismo, a serviço de grupos que precisam ser desmascarados, roubou o que tínhamos de mais nosso: uma identidade orgulhosa de um país.

Sendo lulistas ou não, temos apenas uma chance de voltar a ter o Brasil de volta: derrotar esse projeto obscurantista. Vamos vencer o fascismo, confrontar os representantes da barbárie e fazer um Brasil feliz de novo!

Na verdade, não estamos a pedir muito. É um pouco de respeito, uma pitada de amor, um carinho pelas pessoas que estão absolutamente desprotegidas e um afago, no limite. Até, quem sabe, um abraço amigo. Ou seria pedir demais um contato assim, quase amoroso, com quem esses bárbaros cuidam de afastar das nossas vidas? E vamos enfrentá-los em todas as áreas.

Ainda agora, o Superior Tribunal de Justiça condenou um dos membros daquele bando.  O tal Deltan foi condenado a pagar ao Lula, pela leviandade do uso do power point, um valor a título de danos morais. Um gesto mínimo de respeito por parte do Judiciário. Um reconhecimento de que a breguice, o uso político e a ausência de técnica jurídica do Ministério Público não podem prevalecer. Deltan não é só corrupto e incompetente; ele é coitado, brega e vulgar.  E a sua reação contra o Tribunal foi de um destempero de quem se julga acima das instituições.

É o começo do fim do grupo que Moro comandava. Vamos garantir a eles os direitos que eles desprezaram. Todos, inclusive o da prisão somente após o trânsito em julgado. Sem vingança, apenas com respeito à Constituição.

Remeto-me ao grande Castro Alves, em O Navio Negreiro:

“Quem são estes desgraçados,

Que não encontram em vós,

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são?”

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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O brasileiro é, antes de tudo, um forte

17 de março de 2022, 08:32

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima – Um novo normal se apresenta como a banalização de tudo que se foi construído em torno da essência do apaziguamento, das relações interpessoais e do que realmente é o respeito à vida. O egoísmo e as vicissitudes preponderam, enquanto o bom senso se confunde com o irreal.

O saber viver nunca foi tão necessário, principalmente no momento em que o comportamento passou a ser um termo que generaliza as escolhas em todos os sentidos. O novo não significa necessariamente boas mudanças, ao contrário, em muitos casos ele tem sido nocivo, perigoso.

As distorções propositais estão aliadas à falta da capacidade de interpretar determinadas mensagens. O querer apenas ouvir e falar o que considera como verdade absoluta é a ponta do iceberg, uma pequena parte de um problema que inevitavelmente pode gerar situações desagradáveis.

Como se estivessem em uma verdadeira guerra, onde o perigo é iminente, os indivíduos se comportam como se estivessem em um campo minado, colocando o fator sorte e sua crença religiosa como justificativa para o livramento.

A Angústia, o medo e até mesmo a vergonha por ter tomado determinada decisão ou ação têm transformado criaturas em seres introvertidos e rodeados de incertezas.

O novo normal não acontecerá quando tudo que se entende por ruim passar ou acabar; o novo normal nada mais é que a capacidade de aceitar as diferenças, respeitar o semelhante e não fazer juízo de valor através de conceitos antecipados.

Enquanto xenofóbicos, misóginos, homofóbicos, ’etaristas’ e outros tantos praticantes de discriminações e preconceitos não aprenderem que todos são iguais e dividem espaços no mesmo planeta, a normalidade não deixará de ser uma utopia.

Quem acredita que a prática do bem é um caminho ainda seguido pela maioria, não se deixa abater e nem dá lugar para o desanimo e o desespero. Parafraseando Euclides da Cunha, em seu clássico Os Sertões, ‘o brasileiro é, antes de tudo, um forte’.

As adversidades não são invencíveis e não podem ser usadas como subterfúgio. A partir das dificuldades é que se alimentam as forças para derrotar aquilo que aflige. O alento ao encarar uma ladeira é saber que ela não possui apenas subida, mas também descida.

Forte é o povo.

* Jornalista e historiador.

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A vida é assim

11 de fevereiro de 2022, 06:21

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima – É comum atribuir determinadas dificuldades, situações aflitivas e outros momentos turbulentos da vida a uma ‘provação’, uma prova à força moral, e mais comumente à fé religiosa. Algo muito particular, é entendido de diversas formas, tanto pelos que são acometidos por algum problema, e até mesmo pelos ‘conceiteiros de plantão’, aqueles que conceituam a vida alheia em detrimento da sua.

Atribuir a fatos externos para justificar o motivo  (ou até mesmo se autojulgar) dos desarranjos que venham ocorrer é uma forma de minimizar uma situação geralmente muito desagradável. A ‘lei do castigo’ assusta e prejudica o que se pode chamar simplesmente de ‘uma consequência’. Sem incluir aquilo que se considera inevitável, toda ação é suscetível a erros e consequentemente a resultados negativos.

Esperar o ruim acontecer para valorizar o bem é uma atitude egoísta. Não é preciso que aconteça o mal para demostrar complacência, nem ser autocomplacente para desculpar os próprios erros ou aceitar os defeitos.

Está bem consigo mesmo, enquanto o semelhante clama pela falta de emprego, pela ausência de comida, do difícil acesso a itens que deveriam ser básicos, como moradia, saúde e educação, é uma clara demonstração de egoísmo daqueles que priorizam os seus próprios interesses e não se importam com os dos outros.

Nem tudo que é desejado ou esperado se concretiza, e não é por isso que o fim está por perto.

A vida é feita de escolhas, de pensamentos, sentimentos e atitudes. Conforme a ‘lei do livre-arbítrio, todos têm o direito de escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. Ou seja, o sujeito possui a capacidade de tomar decisões por conta própria, a capacidade de escolher como agir e como se comportar. O que vier a acontecer não terá responsabilizado e sim apenas um responsável.

De acordo a ‘lei do retorno’, cada ação que se faz gera uma reviravolta a quem fez. Em suma, acredita-se que existe um mecanismo compensatório para equilibrar as próprias ações em sociedade e no universo. Se for uma boa pessoa, terá coisas boas, mas se for o contrário sempre pagará com a mesma moeda.

Viver é sinônimo de respeito a si e aos que estão em volta. Viver é saber diferenciar o chute da topada e a vitória da derrota. Viver é assim, assado…

*Jornalista e historiador

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A Bahia é porreta

20 de janeiro de 2022, 17:47

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima

A fama de ‘descansado e sossegado’ do baiano já caiu por terra. A coragem e a luta da população baiana são fatos marcantes e fazem parte do dia a dia daqueles que trabalham arduamente pela sobrevivência. Faça chuva ou faça sol, estão sempre presentes na labuta.

Agora uma coisa não se pode negar, o povo baiano é de nascença muito festeiro. O gingado, o requebrado e a alegria contagiantes estão intrinsecamente ligados à vida e à alma baiana. Com o mesmo vigor do trabalho e da correria cotidiana, sempre que possível o corpo e a mente se entregam e se esbaldam no canto e na dança.

Baianamente falando, o povo baiano além de feliz é retado.

Talvez de todos os brasileiros, os baianos são os que mais têm sofrido com as limitações impostas pela pandemia da Covid. O não poder abraçar, beijar e carinhar como gostariam, angustia, mas não tanto quanto ser tolhido do que mais gostam: dividir e espalhar felicidade do seu jeito único e frenético de ser.

Baiano é uma figura porreta. Amigo, companheiro, parceiro… boa gente. A Bahia vai além do seu sotaque, é um lugar apaixonante, de pessoas acolhedoras e solícitas, sempre à disposição para ajudar. A Bahia é o norte, sul, leste e oeste; é o mar, é o rio, é a mata, a caatinga e o cerrado. A Bahia é o ontem, o hoje e a saudade amanhã.

A baianidade é sinônimo de diversidade, de querer bem e de gostar sem olhar a quem; é viver com intensidade e ter a certeza que poderá realizar o que foi sonhado. Baianidade é alegria, é trabalho, é fé.

Não basta viver na Bahia, é preciso ‘viver a Bahia’, apreciar sem moderação seus atrativos naturais e históricos; conhecer e se deliciar com sua culinária, saboreando do acarajé ao bode assado; da galinha caipira à feijoada, à maniçoba e ao vatapá.

Quero meu umbu, meu caju, minha goiaba e meu araçá, enquanto não chega a laranja, a jaca, o abacaxi, a manga, a uva, o morango e a cajá. Não esquecendo do tamarindo, jenipapo, seriguela, pitanga, acerola, abacate, mamão e o maracujá.

Viva o Senhor do Bonfim, Viva Iemanjá e Oxalá!

*Jornalista e historiador

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O futuro a Deus pertence

16 de dezembro de 2021, 08:48

*Por Gervásio Lima –

Quem nunca teve vontade de voltar no tempo, ou de ter o poder de bisbilhotar o futuro? Visitar o passado é uma verdadeira utopia dos que vivem em uma espécie de nostalgia plena, com a saudade fazendo parte do cotidiano de suas vidas. Saber o que o espera ou o que irá acontecer lá na frente é talvez uma das maiores curiosidades do ser humano, que chega a recorrer a métodos quase bizarros na tentativa de decifrar o quase sempre indecifrável.

Passear um pouco no que foi vivido, do ponto de vista da lembrança, é absolutamente possível, principalmente quando o que já passou marcou e inevitavelmente ficou guardado na memória. Como diz a música, ‘o que passou, passou’. O que aconteceu de bom serve como exemplo para se viver o presente e para tornar o que ainda está por vir um pouco mais previsível.

Tudo pode acontecer, inclusive nada, mas dependendo do planejamento, o que envolve principalmente o comportamento, é possível sim prevê o amanhã, mesmo que não seja em sua totalidade. Viver o agora é uma espécie de premiação para quem chegou até aqui. Enquanto o mais adiante não chega é necessário e saudável contemplar o dia de hoje como se fosse o último.

Todo mundo tem um vidente em si, mas o resultado do ‘eu sabia’ só acontece depois, como uma possibilidade considerada. As previsões não passam de hipóteses. Como já relatado anteriormente, o futuro é o resultado de uma soma de fatores que podem ou não interferir no que irá acontecer.

É importante entender o passado para se compreender o presente e tentar projetar o futuro, pois o passado e o presente podem nos dar respostas do que devemos fazer para alcançarmos o futuro desejado. Mas não adianta fazer planos contando com algo que está para chegar, pois como já diz o ditado: “O futuro a Deus pertence”

“Não sei porque você se foi

Quantas saudades eu senti

E de tristezas vou viver

E aquele adeus, não pude dar

Você marcou em minha vida

Viveu, morreu na minha história

Chego a ter medo do futuro

E da solidão, que em minha porta bate”  –   Gostava Tanto de Você – Édson Trindade (cantada por Tim Maia).

*Jornalista e historiador

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Pobre, rico, país chamado Brasil

02 de dezembro de 2021, 15:47

‘Um índice pode ser um indicador, um sinal ou um fator de referência. Serve, também, como um comparador para explicar determinadas situações ou condições’. Palavra simples e de fácil pronúncia, tem poder de provocar tanto sentimentos positivos quanto negativos, dependendo da situação e do enunciado.

Pavoroso para uns, simpático para outros, tem sido mais utilizado ultimamente como estatística de informações desagradáveis. A todo momento é apresentado algo desolador, em todas as áreas. Na televisão, no rádio, na internet ou em publicações impressas, a situação do Brasil é revelada como preocupante em todos os aspectos. Os índices/indicadores são alarmantes, principalmente quando se trata de fome, segurança, saúde, educação e economia. O país tem registrado números negativos, que preocupam não só a sua população, mas também o mundo, sobretudo no que se refere ao meio ambiente, à economia, à saúde pública e segurança. A imprensa independente e até mesmo as consideradas conservadoras já não escondem o que a maioria gostaria que fosse uma fake news, uma notícia falsa.

O medo é uma reação natural e normal do ser humano quando vislumbra algum perigo, mas, por outro lado, a coragem é a capacidade de reagir, apesar do medo e da intimidação. Com disposição, força e vigor, supera-se o medo e enfrentam-se os problemas e as situações complicadas. Melhor ainda, os corajosos são conscientes das suas próprias possibilidades e estão sempre dispostos a seguir suas ideias quando sabem que estão corretos.

O medo é talvez o sentimento que impera nesses momentos incertos e tortuosos, mas o alento é saber que existe a coragem.

Este não é o Brasil que o brasileiro quer:

‘Imagem do Brasil derrete no exterior’ (El País), ‘O mundo avança e o Brasil fica fora’ (IstoÉ), ‘Fome volta a crescer no Brasil e atinge 10,3 milhões’ (Poder 360),’ Mercado financeiro volta a elevar estimativas de inflação para 2021 e 2022’ (G1), ‘Gasolina volta a subir no Brasil e chega a R$ 8,00 por litro’ (Pragmatismo político), ‘Por dia cinco mulheres foram vítimas de feminicídio em 2020, aponta estudo’ (CNN), ‘Corte de verbas para educação preocupa pesquisadores e universidades’ (Diário do Pernambuco), ‘Brasil lidera lista de países que mais desmataram florestas’ (UOL), ‘Brasil duplica armas registradas em um ano, e mortes violentas crescem na pandemia’ (BBC), ‘Brasil registra mais de 12 mil crimes de ódio pelo segundo ano consecutivo e o número de denúncias quase dobra’ (wordshealtheworld), ‘Brasil está entre os três países com as piores inflações no mundo’ (Yahoo) …

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador

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Boas Festas!

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