ARTIGOS

A sensatez na luta contra a ignorância

17 de fevereiro de 2021, 17:46

*Por Gervásio Lima

Nunca na história deste país a política do quanto pior melhor esteve tão presente e atuante. Na contramão de praticamente todo o planeta, o Brasil (e um monte de brasileiros) se passa de desavisado e corrobora para que a mais dramática e perigosa pandemia que o mundo já passou se torne cada vez mais uma ameaça à vida e às estruturas que permitem o viver.

A sensatez disputa diuturnamente contra a ignorância. A angústia e a tristeza são desdenhadas em troca da vergonha e do arrependimento impregnados nos que defendem a violência em detrimento da vida.

Loucura, loucura, loucura…, como diz aquele que visando o poder, apenas pelo poder segue o que sua vaidade construída em apontar misérias contribuiu e continua contribuindo para a instalação generalizada da desavença e da mentira na terra que um dia foi uma ‘nação canarinho’, mas que hoje não passa de uma povoação repleta de dragões, expelindo fogo pelas ventas.

Mais de 240 mil brasileiros perderam a vida em apenas um ano. Famílias arrasadas e desesperadas. Muitos dos que se foram eram arrimos, principais alicerces familiares; os portos seguros. Eram irmãos, filhos, sobrinhos, afilhados, amigos, tios, pais, avós. Todas as vítimas da Covid-19, disseminada nos quatro cantos do mundo, eram seres humanos, com uma história, com sonhos, com vontade de viver.

O novo coronavírus foi uma surpresa, ninguém imaginava que em tão pouco tempo uma peste, no sentido literal da palavra, fosse causar um estrago tão grande, sem escolher classe social, raça, cor, gênero e religião. Mas surpresa ainda foi saber que os energúmenos realmente existem e o pior, são tão prejudiciais quanto a doença que tem matado os inocentes em sua maioria.

Mesmo acompanhando a devastadora ação da doença causada pelo novo coronavírus, negacionistas, que em outros tempos eram chamados de anticristos, insistem em ir de encontro às orientações das autoridades de saúde e como forma de desafiar a ciência e os preceitos da compaixão e empatia pregam o contrário de tudo aquilo que poderia e pode salvar vidas.

Se puder fique em casa e quando chegar sua vez diga SIM para a VACINA.

*Jornalista e historiador

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O ser humano é único

11 de fevereiro de 2021, 17:05

Foto: Reprodução

O ser humano é único; cada um carrega sua característica, com genótipo e fenótipo individual. Já o modo de se comportar, a maneira como ver o mundo e a forma de agi em determinadas situações podem sofrer interferências e influências externas.

O acesso à informação, o ambiente onde está inserido e, principalmente, o processo de ensino e aprendizagem desde o caminho percorrido na educação escolar, na profissão escolhida e na construção familiar, poderão servir como parâmetros para entender determinadas atitudes de um sujeito.

É fato que a ambientação, a convivência e o relacionamento social podem ‘moldar’ o indivíduo, o aprendizado que o forma, e o faz produto do seu meio.

Conforme o filósofo Jean-Jacques Rousseau, ‘o homem nasce bom em si mesmo, ou seja, sua natureza é dotada de bondade e que ‘é a partir do momento em que resolve viver em sociedade que as desigualdades aparecem’. Rousseau acreditava que existiam dois tipos de desigualdade: ‘a primeira, a desigualdade física ou natural, que é estabelecida pela força física, pela idade, saúde e até mesmo a qualidade do espírito; e a segunda desigualdade era moral e política, que dependia de uma espécie de convenção e que era autorizada e consentida pela maioria dos homens. Segundo o filósofo, para estudar a desigualdade moral e política, deve-se “ir até a essência do homem para julgar a sua condição atual”.

Vale ressaltar que o processo de ensino e aprendizagem não pode se limitar à mera transmissão de informações. Nem sempre o que se ouve, ver ou ler é uma verdade absoluta. A capacidade de identificar e absorver o que é certo e o que é verdade irão expor quem é realmente o manipulado e o conhecedor.

Segundo o provérbio, ‘quem nunca comeu melado quando come se lambuza’. Essa pérola da sabedoria tradicional remete àquele que nunca teve acesso a algum bem ou guloseima ou mesmo posição social, quando passa a tê-lo exagera na dose, gerando rupturas, desconfortos e até mesmo conflitos.

 

 

“Viver

E não ter a vergonha

De ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser

Um eterno aprendiz”…  – O que é, o que é? – Gonzaguinha

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador

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Sonhos que queremos ter

04 de fevereiro de 2021, 16:53

*Por Gervásio Lima – 

Entre as mais usadas em prosas, versos, canções e nos mais diversos discursos, principalmente políticos, a palavra ‘sonho’ vai além de uma simples expressão ou um recurso estilístico. Era o tempo em que sonhar remetia à utopia, à apenas vontade, desejo… De conotação forte e verdadeira ‘sonho’ sempre foi, mas com um sentido mais expressivo atualmente, uma palavra de sentidos positivos, sobretudo quando o ‘sonhador’ está literalmente acordado.

Ter, querer, realizar, conquistar e, para muitos, enricar, são, talvez, os mais egoístas dos verbos da gramática brasileira, se contrapondo com os mais suaves sentidos de doar, dedicar, dividir, ajudar, alimentar, ofertar e rezar. As palavras da primeira e segunda relação podem até ser antagônicas, mas todas elas se resumem no contexto do sonho. Por tanto, sonhar não é apenas ter vontade, imaginar ou como diz a gíria popular, ‘viajar na maionese’.

Sonhar é luta, labuta e sinônimo de realidade para os que acreditam que o impossível é uma lamentação dos fracos e incautos. Como tudo que se deseja precisa de cautela, responsabilidade, respeito e humildade, não se pode brincar com o sonho, caso contrário ‘o boi foi pro brejo’.

Geralmente a maneira como o indivíduo se comporta em suas ações demonstra sua personalidade. Se o modo de agir de um sujeito com os seus pares diferir da forma que agia quando era apenas um sonhador este passa a ser motivo de preocupação, por caracterizar um dos principais sinais de Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), conhecido antigamente como “dupla personalidade” (o nome deixou de ser usado, inclusive porque o paciente pode apresentar mais de duas). Infelizmente muitas pessoas possuem uma maneira diferente de interagir e lidar com o meio onde estão inseridas.

As frases: “Dê poder ao homem e descobrirá quem ele é” (Nicolau Maquiavel), ‘‘Quer conhecer o homem, dê-lhe o poder” (Platão) e “Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe o poder” (Abrahm Lincoln), são tão recentes quanto era no período em que foram ditas. Guiam o atual momento político brasileiro, em todas as suas esferas.

 

“Essa noite

Eu tive um sonho de sonhador

Maluco que sou, eu sonhei

Com o dia em que a Terra parou

Com o dia em que a Terra parou … “ 

O dia em que a Terra parou – Raul Seixas

 

*Jornalista e Historiador

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A ciência venceu a arrogância. Viva a vida, viva a vacina!

18 de janeiro de 2021, 15:40

*Por Gervásio Lima – 

Os defensores do bom senso, da sanidade, da ciência, e principalmente da vida estão comemorando a autorização para o início da vacinação contra o novo coronavírus, responsável por causar a Covid-19, doença que já infectou quase 100 milhões de pessoas no mundo e tirou a vida de mais de 2 milhões, sendo cerca de 210 mil apenas no Brasil.

Não tendo mais como postergar, o Governo Federal que tinha quase como certeza a presença da vacina produzida na Índia neste domingo (17), no Brasil, quando esta receberia a licença para uso emergencial, foi obrigado a, literalmente, ter que ‘engolir’ a confirmação da autorização da vacina oriunda da China, aquela que foi motivo de chacota e até mesmo desautorizada o seu uso pelo presidente da República.

Do ponto de vista da ciência, tendo como parâmetro o tempo para produção de um imunizante, a chegada da vacina em produção industrial é considerada um recorde; enquanto que o atraso da sua presença em condição de uso no país é tido como que imoral e criminoso. É fato que a demora para a sua licença que só aconteceu depois de mais de 8 milhões de contaminados, se deu por birra política e irresponsabilidade administrativa.

Mesmo sendo o segundo país no mundo com o maior número de mortes, ficando atrás somente dos Estados Unidos da América (EUA), o Brasil se comportou como uma nação ditatorial, com seu timoneiro, adepto ao negacionismo, desdenhando de um grave e grande problema planetário, tentou a todo momento descaracterizar e amenizar a situação, fato que infelizmente foi e é seguido por uma grande parte dos seus apoiadores.

O que importa agora é que mais uma vez o bem venceu o mal, a coerência venceu a arrogância e a ciência novamente contribui para a prevenção da vida. Que venham os imunizantes, independente do continente, língua de origem, regime de governo, ideologia ou partido político.

A vacina contra a Covid-19 será a responsável pela chegada de um novo normal no planeta. Espera-se que os próximos votos para a escolha dos representantes eletivos dos municípios, dos estados e do país sirvam também como um antídoto contra os que se comportam como tiranos, responsáveis por toda a miséria moral, material e social da população brasileira.

Viva a vida!
Viva a Vacina!


*Jornalista e historiador

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Opinião: O cangaço tem de ser mais estudado!

17 de janeiro de 2021, 11:42

* Josias Gomes – 

Baiana, natural da brava Paulo Afonso

Ela nasceu Maria Gomes de Oliveira, ficou conhecida como Maria de Dea acréscimo que veio do nome de sua mãe, como é costume no nordeste. No entanto, depois de seu assassinato, passou a ser Maria Bonita. É verdade, só depois de sua morte é que ela recebeu esse nome. Incrível, não?

Se estivesse viva, Maria Bonita completaria hoje 111 anos. No mesmo dia do seu nascimento, 55 anos depois nos Estados Unidos, nascia Michelle Obama que veio a ser anos depois a primeira-dama norte-americana.

O cangaço já foi objeto de vários estudos sociológicos, históricos, mas ainda acho que o tema é objeto de interpretações de vários estudos pouco esclarecedores do momento em que ocorreu o fenômeno, onde a lei era o “olho por olho, dente por dente” vigente no nordeste. Não sei, mas ainda cabem estudos que dêem conta de forma mais profunda qual o mundo político nordestino da época e seus atores principais. O tema precisa ser socializado para entendermos, inclusive, os movimentos libertários que se seguiram na região, a exemplo das lutas campesinas.

Desde a adolescência, me interessei pelo tema, o primeiro livro que li sobre o cangaço foi Lampião, Cangaço e Nordeste de Aglae Lima de Oliveira, isso quando ainda estava no Ginásio Agrícola de Escada no início dos anos de 1970. O aprendizado adquirido no livro me valeu o direito de responder sobre Lampião num programa que a direção do Ginásio fazia semanalmente, imitando a rede Tupi, que tinha um programa onde o apresentador Jota Silvestre entrevistava uma pessoa sobre uma personalidade, até o mesmo cometesse um erro de resposta.

Aglae respondeu durante meses sobre Lampião, eu assisti a todos os programas. Depois continuei lendo muito sobre o tema, mas confesso que é necessário mais estudos.

Recentemente, o tema da mulher no cangaço tem sido objeto de estudos que valem a pena serem lidos, a maioria é biografias, mas contextualiza muito bem a presença das mulheres no cangaço.

Para conhecer e compreender a razão e o porquê de mulheres de ingressarem no cangaço, torna-se indispensável a leitura destas novas publicações.

No entanto, hoje é dia de relembrar a mais importante mulher cangaçeira, a rainha do cangaço. Foi casada com Zé de Neném, natural de Santa Brígida, – terra do meu companheiro Gordo de Raimundo- abandonou o marido pra se unir ao rei do cangaço. Alguém naquele mundo de meu Deus brigaria com o “homi” pela posse de Maria de Dea?

A história do Cangaço explica o mundo de opressões que vivia os nordestinos.
Lampião e o seu bando de valentes não foram meros assassinos. Foi um homem do seu tempo que não aceitou o assassinato do seu pai, nem a usurpação da pequena propriedade de terra. Lutou como um Dante, errou como qualquer um erraria naquelas condições opressoras.

É preciso entender as razões políticas e econômicas para se fazer justa análise das inúmeras atrocidades praticadas pelos cangaçeiros e seus perseguidores – as tropas oficiais- já documentadas e do conhecimento geral. É tanta riqueza histórica que precisamos nos debruçarmos pra entender a capacidade que o comandante Lampião exercia no Nordeste e fazia temer o poder Federal. Tanto que foi condecorado pelo estado como Capital Virgulino, o objetivo era jogar o cangaço contra a Coluna Prestes, fato que não ocorreu mas que serviu pra receber armamento moderno.

Também carecemos de mais explicações sobre o fato de Lampião ter uma série de coiteiros, dentre eles, governadores, latifundiários, policiais militares. Talvez essa conjuntura nos alertem para um fato: a revolução de 1930 com suas ambiguidades, mas que tenha vindo pra modernizar o país e em grande parte o fez. Apesar de manter a mesma estrutura social que bem poderia dar fim nesse país que era e continua sendo tão desigual. Getúlio se tornou um ditador que navegou na onda autoria dos anos Hitler/ Mussolini.

Igual aos dias atuais, onde somos mais uma vez, um país refém de uma onda antidemocrática patrocinada por um déspota que contou com apoio da direita e de grande parte da mídia.

E a essa altura, na há nordestino cabra da peste que não diga: ah, Lampião que faz falta!

Mesmo que a afirmação acima seja exagerada, é inegável que devemos beber da fonte de coragem de Lampião e Maria Bonita, usando os meios democráticos para subvertermos a opressão do desgoverno que consegue ser mais violenta do que os tempos do Cangaço!

*Deputado Federal do PT/Bahia licenciado e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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“À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, ex-ditador romano Caio Júlio César

08 de janeiro de 2021, 08:53

 

*Por Gervásio Lima – 

Para se referir ao caráter, aos traços morais de personalidade, que envolve principalmente o comportamento e a reputação de determinado sujeito, diz-se que o mesmo é uma pessoa honesta, sem vícios de desvios de índole, correta… 

Como se a honestidade fosse uma virtude, a própria palavra se torna vítima dos que a usam para cobrir, ou encobrir, o seu antônimo. Chega ao cúmulo do cinismo o fato de priorizar falsos discursos em detrimento do bom comportamento e da verdade. Falar e fazer são iguais apenas em números de letras e por iniciar com a letra ‘efe’ de falso e de fascista. 

Muita falação para pouca ação. 

Ser honesto é não fazer coisas que são moralmente erradas. Nos tempos atuais é mais comum ouvir notícias sobre roubos, corrupção e mentiras do que histórias de pessoas que foram honestas. Muitos indivíduos acham que ser honesto é apenas não mentir, mas existem outras definições mais completas para honestidade, como ser íntegro, probo, correto, honrado, digno e outras qualidades que também se somam à lista dos bons sinônimos. 

Todavia, mesmo diante de tantos fatos desprezíveis e deploráveis presenciados diuturnamente no Brasil e no mundo, a honestidade deverá ser sempre uma espécie de guia para a vida, a direção de todas as atitudes que venha a ser tomada. Uma coisa é a obrigação 

“Ser honesto não é obrigação e nem dever, ser honesto é qualidade do SER, despido do ego do poder e não contaminado pelo apego do ter”, Silvia Serpa. 

A quem diga que as frases bíblicas, ‘Amar o próximo como a ti mesmo’ e ‘Não desejar para os outros o que não quer para si’, deveriam servir como parâmetros de vida, quiçá se encontraria figuras mais dignas e exempláveis.

*Jornalista e historiador

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Opinião: Que 2020 sirva de lição

30 de dezembro de 2020, 14:54

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima  –  

Entre os pedidos que estão no topo dos desejos da população mundial, o de esquecer o ano de 2020, como se ele não tivesse existido, aparece como um dos principais. As consequências provenientes da contaminação do novo coronavírus e o desenvolvimento da Covid-19, doença causada por esse agente infeccioso, causaram um verdadeiro rebu mundial. Depois de mais de um século da última pandemia (Gripe Espanhola), a humanidade, que há cerca de 11 meses pregava saber de ‘quase tudo’, descobriu que ‘quem sabe menos das coisas sabe muito mais que ela’.

Pois bem, o ano de 2020 não é para ser excomungado e muito menos esquecido, até porque não seria ele o responsável por todo o mal que aconteceu neste intervalo de tempo que o planeta terra completa (ou) mais uma volta em torno do Sol. 2020 é motivo de se comemorar por ter mostrado a fraqueza para os que se achavam fortes, a dor para os insensíveis, a fé para os incrédulos e o amor para os mal-amados. Um momento de reflexão, compaixão e empatia, recheado de interrogações espirituais, propósitos e provações.

Este é (ou foi – depende do dia em que está lendo este texto) o ano que as pessoas providas de sensatez, coerência, ponderação, equilíbrio e discernimento conseguiram entender, e dentro do possível aceitar, de forma que, o que para muitos foi um dano, na verdade foi um momento de compreensão e de lições, principalmente de vida.

Enxergar a realidade é ter a capacidade não só de encará-la, mas de enfrentar, lutar e vencer. Durante uma batalha o guerreiro não tem tempo para saber o motivo do combate, o importante no momento é se defender e se manter vivo, usando todos os recursos que lhes é oferecido. Procurar culpado neste momento não resolverá o problema em que está envolvido ou foi submetido.

As indefinições, as incompreensões, as incertezas, as angústias e todos os medos serão substituídos pela gratidão, compaixão, generosidade, resiliência, esperança e amor a si próprio e ao próximo. Acreditar que o melhor está por vir não é vaticinar, é ter fé no homem e fé na vida.

Antes de pensar em procrastinar o uso de um determinado medicamento por acreditar em conspirações ou em opiniões irresponsáveis daqueles que deveriam usar a coerência e a importância da função que exerce, é bom lembrar que a erradicação de diversas enfermidades se deu por conta do uso de imunizantes específicos, das vacinas. A vacina é a forma mais eficaz de prevenir doenças em todas as fases da vida. Elas defendem o organismo dos vírus e bactérias que provocam doenças e podem até levar o indivíduo à morte.

Milhares de brasileiros tiveram paralisia irreversível ou morreram por conta da poliomielite, até que uma vacina foi desenvolvida e a doença é considerada atualmente erradicada no país. Pense nisso!

Ano Novo, Viva a Vida!

*Jornalista e historiador

 

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Os sotaques que temos em um país que desejamos

16 de dezembro de 2020, 11:07

*Por Gervásio Lima –  

Por maior que o Brasil seja, a língua portuguesa segue a mesma em qualquer região, sofrendo apenas algumas mudanças no som e no ritmo da prosa. O modo de falar se difere de uma região para outra, pois as origens dos sotaques brasileiros estão na colonização do país feita por vários povos em diferentes momentos históricos. No Sul, por exemplo, tem a influência dos alemães, italianos e outros povos vindos do leste europeu.

Existem os sotaques admirados, os considerados engraçados, os execrados e até mesmo os romantizados. O porreta é que é possível identificar o estado de origem de uma pessoa a partir das expressões vocais utilizadas em sua fala. Talvez, os mais fáceis de serem identificados estão o ‘nordestinês’, o ‘gauchês’ e o ‘mineirês’. Não precisa, por exemplo, dizer que é baiano, basta falar em algum momento as palavras ‘oxente ou mainha’; assim como falar ‘aperreado e avexado’, para se saber que se trata de um pernambucano arretado. “Pense num trem bão sô essa miscelânea linguística brasileira”, disse um mineiro que foi de pronto apoiado pelo gaúcho, “Bah, não é que é verdade tchê”?

De todos, o modo de falar na região Nordeste é o mais diversificado. Em cada estado e suas respectivas regiões há variações no sotaque dos nordestinos. De acordo historiadores o popularmente conhecido “sotaque nordestino” se originou da influência portuguesa, juntamente com uma influência francesa depois de alguns anos. A quem diga que é o sotaque mais gostoso de se falar, assim como a sua culinária regada à buchada de bode, mocotó, ensopado de rabada, galinha caipira e o famoso acarajé da Bahia.

‘Barril’ é como os baianos chamam algo muito bom. Porém, barril também pode ser usado para falar de algo muito feio. Já ‘alma sebosa’ é como os pernambucanos chamam alguém ruim, assaltante, aquele que só faz coisas ruins para os outros e o ‘Tabacudo’ é a pessoa besta, que não é muito esperta.

No dialeto sulista as palavras são consideradas incomuns e muitas vezes apenas seus moradores sabem os verdadeiros significados. Por lá, ‘guapecada’ é um tipo de cachorro sem raça definida; cão desobediente, vadio; pessoa que não gosta de trabalhar; pessoa sem-vergonha; quem não cumpre a palavra empenhada. No nordeste seria um ‘vira-lata’, ‘pra nada’, um ‘cara lisa’. O ‘xucro’ na Bahia é o mesmo que ‘um bicho do mato’, enquanto o ‘surungo’ no Rio Grande do Sul é ‘baile de gente simples’, por aqui é conhecido como ‘forrobodó’, ‘arrasta-pé’, ‘risca faca’, ‘brincadeira’ e ‘rala-bucho’.

Que os piás, os buguelos, os carinhas, os guris, os pivetes e demais crianças de todas as regiões brasileiras recebam as bênçãos do Menino Jesus neste Natal. Que as diferenças fiquem apenas nos sotaques, e as ações para o bem, o respeito e a empatia prevaleçam, independente da naturalidade.

Que o coroa da barba de algodão e o chapéu do Saci Pererê envie o presente que os pequenos e os grandes seres humanos aguardam o mais rápido possível, a vacina contra o novo coronavírus.

*Jornalista e historiador.

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07 de dezembro de 2020, 12:31

Foto: Montiez Rodrigues

Há exatamente dois anos que não piso numa igreja. Foi quando escrevi este texto:

Saindo do Bar do Tonho, na Praça Rio Branco,  entrei por um beco onde dei de frente com a Igreja da Conceição toda remodelada, de pintura nova e toda enfeitada para a festa do feriado da Santa que será amanhã. Há décadas que não ponho os pés numa igreja, mas lembrei-me da velha piada do cachorro que entra na igreja só porque vê a porta aberta. Ali, vadio como um cão e fascinado pela arquitetura recauchutada, curioso, adentrei-me além do umbral, e fui por onde os mistérios da fé se espalham pelas paredes e colunas carregadas de ícones.

Achei lindo o altar! Barroco de se mergulhar no tempo de quando o templo foi inaugurado no século XVIII. De dentro, o céu do fim da tarde parecia tão bege quantos os tons claros que se refletiam por toda a Igreja, riscados por colunas de um outro bege beirando a marrom. Sentei-me num banco para apreciar os vitrais e só não me ajoelhei porque me faltou reza. Minha alma silenciosa, pensamentos anulados e, feito um cão que invadiu o portal, fiquei contrito. Sem nada pedir, uma paz baixou sobre mim deixando-me tão pequeno que, saindo de mim mesmo, mal pude enxergar meu estado, meu físico, minha existência, meu nada.

De rabo entre as pernas, saí imaginando que a religião e a fé não estão ao alcance das mentes complexas e furiosas que em tudo vêem manipulação ou teoria da conspiração. A mente quanto mais irracional, mais intensa. A fé, o pensamento científico não a interpenetra, a lógica fria não a descreve. Só o amor, a confiança, a crença num ser superior, estes baluartes da crença, podem dar conforto à alma aflita.

Existe um mundo simples de pessoas simples que não se arvoram a ser Deus, que possuem o amor e a simplicidade de Jesus a pautar suas vidas.
Quisera eu ter a simplicidade da mente de um cachorro que vê apenas o que vê sem se perder pelos meandros do espírito vadio de uma ovelha desgarrada. Jiddu Krisnhamurti escreveu em Viagem Por Um Mar Desconhecido que deveríamos aprender a ver. Ver através do véu das representações cerebrais, sem idéias preconcebidas. Somente levantando o Véu de Isis é que realmente poderemos vê-la em toda sua plenitude. Nossa Senhora!

BENDITA SEJAS, MÃE IMACULADA DA CONCEIÇÃO! EU TE SAÚDO!
🎼🎶🎵
Nossa Senhora, me dê a mão!
Cuida do meu coração!
Da minha vida
Do meu destino…🎵🎶🎼🎼🎶🎵

 

Por Montiez Rodrigues 

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O DIA DE SANTA BÁRBARA

04 de dezembro de 2020, 12:29

Hoje, 4 de dezembro, é o dia dedicado àquela que é considerada pela hagiografia católica(a história dos santos) como protetora contra tempestades com raios e trovões Parece contraditório que uma Santa, que em vida foi uma mulher belíssima, esteja associada há algo tão brutal como raios, trovões e a procela em todo seu furor. Em outras mitologias este poder sempre foi atribuído a entidades masculinas como Zeus(grego), Thor, filho de Odin(nórdico), Seth(egípcio), Raijin(japonês) e Lei Gong(chinês). A exceção fica por conta da bela e poderosa Iansã no candomblé baiano que, como Orixá dos fenômenos climáticos, também é conhecida na umbanda como Oyá.

Bárbara de Nicomédia (280 – 317) d.c. começou sofrer o martírio, provavelmente no Egito ou na Antioquia, por volta de 313d.c. Sua vida foi escrita em diversos idiomas: grego, siríaco, armênio e latim. Conforme a lenda, Santa Bárbara era uma jovem belíssima. Padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulminou seu assassino. Em função disso, Santa Bárbara passou a ser invocada contra tempestades, temporais e tormentas e como protetora contra os raios.
Isso teria se passado no dia 4 de Dezembro de 317, hoje dia dedicado à Santa. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil. Aqui, Santa Bárbara é a Padroeira dos Mineiros.

Que as velas amarelas e vermelhas se acendam por toda a Bahia no dia de hoje em homenagem a Iansã. E que as velas brancas iluminem os altares dos templos anglicanos, ortodoxos e os da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana espalhados pelo mundo.

VIVA SANTA BÁRBARA!

Montiez Rodrigues

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