ARTIGOS

O ataque a Marina Silva: um sintoma da brutalização do Parlamento

29 de maio de 2025, 11:45

Foto: Reprodução

*Felipe Freitas, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Governo da Bahia

Toda pessoa convidada a falar em um parlamento, qualquer que seja a condição desse convite, merece respeito, consideração e urbanidade no trato. É isso que prevê a civilidade democrática, é o que preconiza a boa educação. Assim, o episódio do ataque à ministra Marina Silva em audiência no Congresso Nacional nos faz refletir sobre o que podemos esperar da arena do debate público em nosso país e sobre quais são os parâmetros básicos para o debate democrático e para a resolução de conflitos e problemas sociais.

A ministra Marina é representante das classes populares que, de maneira incomum, ocupou os mais destacados cargos da República. Notabilizou-se como símbolo da participação política dos excluídos sociais e como estandarte da democracia e de suas virtuosas possibilidades. Assim como o presidente Lula, Benedita da Silva e poucos outros personagens da política nacional, Marina chegou às altas rodas da República tendo superado a pobreza e todas as dificuldades que esta impõe às pessoas.

Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro, foi também senadora, deputada federal e ministra. Mulher negra, vinda da favela, construiu uma trajetória política marcada pela luta social e pela defesa dos direitos humanos. Sobre Lula, sua biografia é amplamente conhecida e, neste contexto, dispensa maiores apresentações.

Marina alfabetizou-se aos 16 anos, foi vítima de doenças graves na infância, viveu o flagelo da fome e da exclusão e, de um dos extremos da pobreza amazônica, transitou para a militância política de esquerda, sendo reconhecida internacionalmente tanto por sua atuação em defesa da pauta ambiental quanto por seu papel na defesa de iniciativas inovadoras de desenvolvimento sustentável.

Marina foi quase tudo o que se pode ser numa democracia representativa: vereadora, deputada estadual e federal, senadora, ministra e, por mais de uma vez, candidata à Presidência da República. Esse rol luminoso de feitos políticos por meio do voto popular conferiu a Marina irrepetível notoriedade internacional e destacado reconhecimento público, alcançado por poucos parlamentares na vida republicana.

É possível afirmar sem medo que Marina Silva e Benedita da Silva são as mulheres negras que ocuparam os mais altos postos de representação política na sociedade brasileira nos últimos anos. Porém, nada disso as blindou dos desvairios da violência política.

Portanto, o que significa atacar alguém como Marina? Qual o impacto de tentar calar um dos mais eloquentes símbolos da transição democrática e do sucesso político de uma filha legítima da luta popular em nosso país?

É preciso dimensionar a extensão — profunda, certamente — dos ataques misóginos e racistas à ministra Marina, expressão direta da brutalidade de alguns membros do nosso parlamento. Esse abuso também representa um ultraje à própria regra do jogo democrático, na medida em que viola um dos maiores monumentos da democracia no Brasil.

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Bicho maluco beleza

16 de maio de 2025, 10:17

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

No momento em que o egocentrismo sufoca a complacência, a melhor maneira de praticar a boa convivência é concordar com o discurso e evitar o acirramento, pois como diz o adágio popular, ‘o mal do sabido é pensar que todo mundo é besta’. A prudência é a arte praticada pelos que têm o dom da sabedoria, aqueles que verdadeiramente sabem viver.

A harmonia é um comportamento coletivo, um estado de equilíbrio e cooperação entre os indivíduos. Quando as divergências atingem um grau de desrespeito, o sinal de alerta deve ser acionado e medidas devem ser tomadas para evitar uma convulsão social.

A arrogância é típica do intolerante, daí a justificativa do afastamento em vez da tentativa de conciliação. Apoiar-se na domesticação do selvagem vai de encontro às regras da natureza cultural e racional. Engana-se quem acredita que aquilo ou aquele desprovido de sensibilidade e sensatez seja capaz de demonstrar ou praticar a compaixão, ser empático.

Perda de tempo disputar espaço com o vazio. Recipiente com furos não armazena líquido. O irracional vive quase que exclusivamente em busca de suas presas, pela necessidade de sobrevivência e procriação. Habituá-lo ao convívio social, fora de sua bolha, é quase sempre uma tarefa impossível.

Não é necessário ter posicionamentos iguais ou semelhantes. O ideal é a convivência harmônica com as diferentes experiências, opiniões e perspectivas. O importante é ter um olhar mais amplo e humano sobre o mundo e suas pluralidades.

“Ô, ô-ô, bicho maluco beleza

Ô, ô-ô, bicho maluco beleza

Bicho maluco beleza do Largo do Amparo

Teu estandarte tão raro, Bajado criou

Usando tintas e cores do imaginário

Ai, quantas dores causaste ao teu caçador” – Bicho Maluco Beleza – Alceu Valença

*Jornalista e Historiador

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Inversão de valores: o cúmplice travestido de vítima

16 de abril de 2025, 15:08

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

É fácil, muito fácil, cobrar aquilo que não se consegue realizar. Demandar é cômodo, transferir responsabilidade é mais ainda. A necessidade de demonstrar poder, mesmo sem tê-lo, é comum entre os fracos, que geralmente se escondem atrás do potencial alheio

Esperar do próximo aquilo que não possui é uma forma bizarra de animosidade. Não tem como exigir o que não é recíproco. Em uma sociedade onde se busca a harmonia, o respeito às diferenças, e a garantia de direitos, a disputa de poder é vista como uma forma de ocupar os espaços ou a eles ter o acesso, ao contrário do abuso do poder, onde o egocentrismo encontra moradia para cometer as mais perversas e inaceitáveis maldades para impor os seus desejos.

O uso da dor, do sincretismo, do berço familiar e do sentimento de pertencimento, são elementos essenciais para os novos tipos de ‘abutres’, que se aproveitam do sofrimento e da crença do semelhante para obter os mais diversos tipos ilícitos de vantagens.

Provocar situações em busca de resultados pessoais ou da corja à qual se está inserido, é uma espécie de ‘modus operandi’ do mau-caratismo de sujeitos vis. Ser influenciado ou persuadido por aquele que vive e pratica o mal nem sempre é inocência, mas vontade de ser igual: um cúmplice travestido de vítima.

Que nessa Semana Santa, uma das celebrações mais importantes para os cristãos – quando é relembrada a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo – a figura de Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus, entregando-O à morte, por 30 moedas de prata, após ter participado da Última Ceia, sirva como exemplo de quão é necessário o máximo de cuidado para não se deixar surpreender com as maldades dos falsos profetas.

*Jornalista e Historiador

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Apolo ou Tupã? A escolha é individual

08 de abril de 2025, 11:45

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

Uma das maiores e mais discrepantes inversão de valores que se tem conhecimento é a de o mal sobrepor o bem. Ferir e até mesmo exterminar, em situações mais extremas, têm sido uma prática quase que normalizada pelos que desprezam a divergência.

A imposição de ideias está virando regra e caminha a passos largos, lado a lado com a intolerância, numa brutal e perigosa busca por um ideal egoísta e subserviente. Como nas mitologias gregas e indígenas, vive-se um momento onde existe um deus para cada situação, numa verdadeira disputa de crenças, com a intransigência obtendo cada vez mais destaque.

Defender o indefensável está na moda. Blasfêmias, ofensas, insultos, afrontas e desacatos são utilizados com frequência para justificar barbáries sociais e jurídicas. Vale aquilo que disseram ou praticam, menos as observações pessoais.

A adesão cega a determinado sistema ou doutrina tem demonstrado historicamente que as consequências são danosas, provocando mais horrores que afeições. Para aceitar, compreender e respeitar opiniões divergentes, não precisa de uma ponte ou de um carteiro, mas entender que a política da boa vizinhança depende de atitudes próprias.

Se aceitar os deuses da ancestralidade como símbolo dos anseios e dos temores for a saída, que se cultue Apolo, uma divindade da mitologia grega que representa, entre outras coisas, a ordem e a justiça; ou o deus Tupã, segundo a mitologia indígena, criador dos céus, da terra e dos mares. O grande “Espírito do Trovão”, que deu origem à vida. O primeiro representa a paz, enquanto o outro ensina a viver.

A escolha é individual.

“Sabe o que eu queria agora, meu bem?

Sair, chegar lá fora e encontrar alguém

Que não me dissesse nada

Não me perguntasse nada também”Onde Deus possa me ouvir – Vander Lee

*Jornalista e Historiador

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O Brasil foi batizado na Bahia

21 de março de 2025, 09:45

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

O baiano é, além de receptivo e solícito, uma inspiração de brasilidade, amante da cultura e disseminador de alegria. E isso, com o privilégio de ter nascido no berço das tradições culturais, ser descendente da coragem, resultante das lutas e vitórias históricas que reverberam até os dias atuais.

Talvez o fato de poder acordar ouvindo Gil, Caetano, João Gilberto, Betânia, Caymmi, Raul, Tom Zé, Moraes Moreira, Brown, Ivete Sangalo; ou dormir depois de ler Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, assistir a um filme de Glauber Rocha, recitar as poesias de Castro Alves,  e aprender geopolítica com Milton Santos, sejam motivos de incômodo para aqueles que não têm uma praia de Itapuã para banhar e o Farol da Barra para iluminar a alma.

O que fariam em Lençóis ou em Porto Seguro os que descansam mais que trabalham? Com certeza eles não entenderão o que é gozar do privilégio de viver a natureza e, ao mesmo tempo, trabalhar duro para recepcionar não apenas os que gostam do acarajé, mas também de uma boa buchada, mocotó, traíra frita, galinha caipira e bode assado com pirão de aipim.

Já é Carnaval cidade, acorda pra ver, pois o São João bate na porta e a Festa de Reis está prestes a acontecer. Como é bom saber que todo brasileiro se amarra na folia e que o Brasil foi batizado na Bahia. Olodum ou Filhos de Gandhi, o que importa é a baianidade nagô.

O baiano é humilde por natureza, mas não confundam sua benevolência com idiotice. Enganam-se os que acreditam que os filhos ou moradores da terra de Mãe Menininha do Gantois e da Santa Dulce dos Pobres normalizam situações ou aceitam provocações que ferem seu brio. Xenofobia contra o lugar onde nasceu o Brasil é um disparate. Comentários jocosos e gratuitos, partindo de onde deveriam ser combatidos, são repugnantes. A justiça poderia ser muda e não cega.

Alô doutor, o senhor calado é um poeta.

Sorria, você está na Bahia. Aqui o baiano não nasce, estreia.

*Jornalista e Historiador

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Os dias continuam passando iguais

11 de março de 2025, 10:13

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

Não existe luz que não apague, mas, para a frustração dos que pregam as trevas, a escuridão também não é eterna. O dia se reveza com a noite. Numa espécie de contemplação democrática, os gostos são satisfeitos sem que aconteçam conflitos.

Uns gostam do sol, enquanto outros adoram a lua. Os que sentem frio valorizam o verão, já os que sofrem com o calor contam os dias para a chegada do inverno.

A vida segue assim, cada qual com suas escolhas e respeitando as ‘estações’ individuais. Nada é para sempre, tudo é transitório; portanto não adianta atropelos, pois, ao contrário do que é preestabelecido, tudo ainda pode acontecer, inclusive nada.

A construção talvez seja uma das mais importantes palavras para caracterizar o sucesso e o insucesso. O saber, o afeto, as relações e sobretudo a resiliência são construídos de acordo com o que se quer aprender. Assim como as cores e os significados que lhes são atribuídos. O azul, o rosa, o vermelho, o preto, o branco… são apenas tonalidades.

Nem sempre o que é bom para um vai agradar o outro. Ratificando, geralmente os que sofrem com o calor admiram o inverno e vice-versa. O bom mesmo é saber que existe a Primavera.

“Mudaram as estações, nada mudou

Mas eu sei que alguma coisa aconteceu

Tá tudo assim, tão diferente…” – Por Enquanto – Cássia Eller

*Jornalista e Historiador

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Educação é vida, um tributo a João Felipe

04 de fevereiro de 2025, 15:51

*Por Gervásio Lima –

A vida é como um monumento que precisa de uma paisagem tão convincente quanto para justificar sua existência. Redundantemente, a presença de luzes, no seu infinito conceito, não pode ser ausência em seu entorno. Para uma boa apresentação, o cuidado precisa ser coletivo, pois a principal obra em que se está inserido pode não ser a mesma para todos.

Longe do apenas saber ler e escrever, a educação é uma paisagem, com passagens que vão desde o processo de ensino-aprendizagem até o desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais. É uma provocação das habilidades natas e de novas descobertas, construídas em diferentes ambientes, mas tendo sempre como bases a família e o aprendizado escolar.

Parafraseando a música, ‘existem momentos na vida que lembramos até morrer’; sim, existem vários, até porque a essência da sobrevivência é viver, estar em atividade, aprendendo ou compartilhando o que se aprendeu.

A emoção da primeira vez é algo indestrutível. O nascimento, considerado, sem exageros, um milagre, estaria entre um dos responsáveis pelo sentimento mais sublime que se tem conhecimento: o de celebrar a vida.

Os primeiros passos, as primeiras palavras enunciadas, o primeiro dia de escola, o aprender a ler… é como ‘o primeiro Valisere, que as meninas nunca esquecem’.

A iniciação da educação infantil seria a segunda parte da separação umbilical, com exagero mesmo. É o início não somente da vida escolar, mas o principal e essencial passo para a socialização; para a oportunidade de ter acesso às informações e de aprender a conhecer o mundo fora dos confortos materno e paterno.

A educação está entre o monumento e os seus arredores são constituídos por paisagens naturais ou construídas.

Ao meu neto João Felipe – que em seu primeiro dia de aula (03/02/2025) fez mãe, pai, avó, avô, bisavós e tios chorarem de emoção -, desejo que a educação seja um pilar para sua vida, tanto dentro como fora da escola. Te amamos.

*Jornalista e Historiador

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A esperança é a última que morre

30 de janeiro de 2025, 13:27

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

A música ‘Modinha para Gabriela’, da saudosa Gal Costa, caracteriza perfeitamente aquele, ou aquela, que popularmente é chamado de ‘cabeça dura’. Pessoa que não muda de ideia sobre nada, que se recusa a aceitar que a opinião do outro pode estar certa, e, ainda pior, não diz o motivo de tal resistência: ‘Eu nasci assim, eu cresci assim. E sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela. Sempre Gabriela’.

Está em alta fazer juízo de valor sobre assuntos em evidência no dia a dia, principalmente os que se referem a política, gênero, empoderamento e religiosidade. Muitas vezes, de forma irresponsável e até criminosa, emitem-se opiniões a partir de uma avaliação subjetiva, baseadas em valores, crenças, experiências e emoções pessoais, sem respeitar as escolhas do outro.

A falta de informação dificulta a compreensão, podendo levar a interpretações equivocadas, mas pior mesmo é a falta de interesse pela busca do conhecimento. É mais prático e conveniente acompanhar o ‘ouvi dizer’ em vez da comprovação da verdade.

As referências não são mais as mesmas. Ter algo ou alguém como exemplo está sendo arriscado e quase em extinção, com as relações de confiança passando por revisões frequentemente. O grau de desconfiança tem aumentado vertiginosa e assustadoramente por culpa da desinformação.

Os mesmos que pregam a paz, estimulam os conflitos, e os paladinos da moralidade agem sempre em favor deles mesmos. Daí a necessidade do exercício constante da capacidade cognitiva para não apenas desconfiar, mas também para acreditar, seguindo a premissa de que ‘a esperança é a última que morre’.

Não confunda Zé carroceiro com Zeca roceiro.

*Jornalista e Historiador

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A perigosa artificialidade da inteligência

21 de janeiro de 2025, 10:30

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

A disseminação das chamadas ‘informações rápidas’, sem sequer analisar seus conteúdos, se tornou uma prática de leitura onde o que menos importa é a veracidade. Numa espécie de fuxico dos tempos modernos, a preocupação em encaminhar mensagens, muitas vezes agressivas para o receptor, tem tornado as chamadas redes sociais (que de sociáveis não tem quase nada), em perigoso instrumento de manipulação e desinformação, onde ‘crias podem ser vítimas de criadores’ e vice versa.

A exposição de dados pessoais e até mesmo uma simples imagem, seja ela individual ou familiar, com amigos, no ambiente de trabalho ou outros, pode se tornar uma dor de cabeça, se usada por criminosos cibernéticos: aqueles que comentem crimes por meio da internet.

A Inteligência Artificial (IA), como qualquer outra tecnologia, se não usada para o bem, pode se transformar em poderosa arma letal. O objetivo geral da IA é desenvolver máquinas que possam operar com o mesmo nível de capacidade cognitiva dos humanos, ou até superá-los em certos casos, o que é bastante preocupante. Como, onde, para quê e para quem as máquinas realizarão tarefas antes exclusivas à inteligência humana?

Quanto mais aparecem novas tecnologias em um futuro vivido e vivenciado hoje, mais se recorre ao ontem, ao passado, onde os ensinamentos e as lições de vida eram capazes de fazer valer o respeito, principalmente aos semelhantes. No tempo em que virtudes como a generosidade, a solidariedade, a empatia e a compaixão partiam de um coração de verdade, capaz de sentir dores e se emocionar, as regras, de fato, eram seguidas.

No mais, temperança e dar tempo ao tempo. Enquanto isso, o melhor é aceitar que dói menos’.

*Jornalista e Historiador

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Todos são iguais perante as leis

14 de janeiro de 2025, 16:07

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima –

Cachorro que late muito nem sempre morde, mas, além de incomodar, pode estar a anunciar algo ruim ou desagradável. Identificar a índole de determinados cachorros, no sentido figurado, não é uma tarefa difícil. Eles são facilmente reconhecidos pela forma como se comportam e se expressam.

Como um ser adestrado, na ânsia de agradar o seu tutor (ou tutora), mesmo este sendo temporário, demonstra uma fidelidade exacerbada, a ponto de desagradar o próprio dono, tão exagerado a exposição dos seus comandos (ordens).

O animal considerado o melhor amigo do homem é por vezes penalizado pela comparação a determinados elementos ou por se atribuir sua alcunha a ações intoleráveis. Quem nunca usou o termo ‘cachorrada’, que atire a primeira pedra.

Falar o que não deve é, talvez, um dos atos mais abusivos e egoístas do animal racional. Um despreparo, uma verdadeira violação das regras básica da boa convivência entre os semelhantes. Pensar antes de falar é um ‘antídoto’ contra palavras venenosas, que machucam e, no ápice da ignorância, podem provocar algo bem pior.

A prática do bom comportamento, do respeito e da boa convivência, torna as relações menos intolerantes e mais amistosas. A humildade faz parentesco com os bons costumes a partir do tratamento que se oferece aos que estão em seu entorno: sem preconceitos e sem discriminações.

De acordo com as leis, principalmente a divina, todos são iguais, mas muitos contrariam esta premissa, indo sempre de encontro à ‘política da boa vizinhança’.

*Jornalista e Historiador

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