CULTURA

Jacobina: 3° Recital de Natal do Projart 2019

04 de dezembro de 2019, 17:39

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Lançamento do livro: Anabília Almeida – Mulher e Política

20 de novembro de 2019, 18:00

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Jacobina Arte comemora aniversário de fundação com eventos na Grécia

19 de novembro de 2019, 13:59

Foto: Reprodução/Jacobina Arte

A famosa, histórica e principal cidade da região grega da Maceônica, Thessaloniki (ou Tessalônica), recebeu no início do mês de novembro (8,9 e 10), capoeiristas de diversas partes do mundo para comemorar o 19º aniversário do Grupo de Capoeira Jacobina Arte; agremiação fundada pelo jacobinense Marcos Paulo Almeida Brandão, o mestre Pitbull, que reside atualmente na Grécia.

Construída no séc. XVI, a Torre Branca  foi adotada como símbolo de Thessaloniki

O evento que foi realizado no Centro Cultural de Thessaloniki reuniu alunos, contramestres e mestres de capoeira que atuam na Europa e no Brasil. Foram três dias de festa e muita roda de capoeira para marcar uma importante data para o esporte e cultura Brasileira e Mundial, proporcionado por um perseverante jacobinense que acreditou e conseguiu realizar a façanha de disseminar uma das principais e positivas heranças dos escravos africanos para países do Ocidente e do Oriente, levando sempre o nome da sua cidade natal, a qual é homenageada com o nome do grupo.

 

Mestre Pitbull

“Sinto-me uma pessoa realizada, por fazer o que gosto e por está contribuindo em apresentar este esporte que na verdade é uma arte cultural. Nestes 19 anos de fundação, o Jacobina Arte só tem a agradecer a todos que nos acompanham e que acreditam em nosso trabalho. Obrigado aos amigos, alunos e professores. Vamos comemorar que a festa é nossa; a festa é de quem pratica e apóia a capoeira”, comemora mestre Pitbull, finalizando com a afirmação: “mais do que um esporte, a capoeira é uma forma de expressão cultural que reúne história, tradição e muitos benefícios para saúde”.

A bandeira de Jacobina é presença marcante nos eventos

O contramestre Torneiro foi o responsável pela organização das comemorações deste ano, que contou ainda com as presenças dos seus parceiros, mestre Parafuso (França), mestre Ligeirinho, Formado Urso, os professores Falcão, Malandro, Corpo Fechado e os contramestres Torneiro, Gavião e Montanha (Grécia),contramestre Santo (Turquia), contramestre Abadá (Croácia), graduado Furacão (Áustria). O também jacobinense, contramestre Drácula que atua em Jacobina foi um dos convidados. Já o professor mestre Lourival, primeiro instrutor de Pitbull, foi um dos homenageados.

Encontro dos mestres Lourival e Pitbull

CAPOEIRA – Presente na cultura brasileira desde o tempo dos escravos, a capoeira é mais do que um esporte, é um miste de luta, arte, dança, ritmos e música, em uma roda cheia de gingado ao som do berimbau. Espalhada pelo Brasil, inicialmente a fim de trazer proteção, a capoeira também pode proporcionar benefícios não só para a mente.

 

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Inspirado em Bob Marley, fotógrafo de Gana é autor da melhor foto do ano

18 de novembro de 2019, 14:06

Foto: Yuri Ferreira

O fotógrafo nigeriano Michael Aboya recebeu um dos maiores prêmios da fotografia mundial, o ‘Agora Awards’. Com a foto ‘Songs of Freedom’ (Canções de Liberdade, em português), ele ganhou a categoria de ‘Melhor Foto do Ano‘, em evento que aconteceu em 6 de outubro na cidade de Barcelona, Espanha.

A foto de Aboya mostra três crianças ganesas, em Accra, capital do país africano, de punho erguido, enquanto uma delas toca um violino. A imagem é forte e inspiradora.

Michael Aboya é um dos principais fotógrafos africanos. Autodidata, ele tem como foco o seu próprio povo e as imagens do lugar onde vive. O título da foto, ‘Songs of Freedom‘, é inspirado na canção ‘Redemption Song’, do cantor jamaicano Bob Marley. As crianças retratadas na imagem são filhos de pescadores do bairro de Labadi, parte costeira de Accra.

Aboya tem 24 anos. Nigeriano, vive em Gana há 9 anos. Fez cursos de programação, mas sempre foi apaixonado pela fotografia. Há 4 anos, juntou dinheiro e começou a fotografar, e isso virou sua grande paixão. Depois de muito trabalho, ele ganhou um dos maiores prêmios possíveis em sua área profissional.

Fotógrafo usa sua arte para mudar a percepção que as pessoas têm da África 

“Eu acredito que quando negros e indígenas contam suas próprias histórias, elas conseguem apresentar o seu país e seu continente de maneira nova para o mundo, mostrando o amor, a paz e a harmonia, e mostrando o lado positivo um pouquinho mais à mostra, deixando a negatividade pra trás. Eu criei essa imagem para enfatizar o fato de que nós temos o poder de nos libertar de qualquer tipo de prisão mental, física, espiritual ou emocional”, afirmou Aboya ao Bored Panda.

Octavi Royo, presidente do ‘Agora Awards’, comentou a imagem.

‘Canções de liberdade’ é uma foto impactante, com fortes contrastes e composição inteligente. é uma melodia que soa como a conquista de um futuro que mostra intelectualidade, pacifismo, esforço e dignidade. É uma imagem cheia de símbolos que indicam que a África está acordada e será protagonista de um futuro cheio de esperança. Para mim, essa foto é um manifesto visual de uma realidade presente, e simultaneamente, uma mensagem digna e otimista para o futuro.”

Confira mais fotos de Michael Aboya:

 

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Presidente da Ancine é acusado de estelionato e falsidade ideológica

05 de novembro de 2019, 13:34

Foto: Pedro França / Agência Senado

O diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, foi denunciado pelo Ministério Público Federal, nesta segunda-feira (4), por crimes crimes de falsidade ideológica, estelionato, uso de documento falso e crime contra ordem tributária. O órgão ainda requer que ele pague R$ 569 mil por dano moral coletivo.

No dia 30 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que afastava Castro da Anine. Ele já estava sendo denunciado pelo MPF por denunciação caluniosa, prevaricação, violação de sigilo funcional e associação criminosa. 

No dia 25 de outubro, contudo, ele conseguiu liminar junto ao Tribunal Regional Federal da Segunda Região, para retornar às suas funções na agência reguladora.

A nova acusação diz que Castro constituiu uma empresa do ramo audiovisual com laranjas. Ele teria criado a empresa Supro Limited em 1999, nas Ilhas Virgens Britânicas, por intermédio do escritório Zuñiga y Associados, localizado no Panamá, para que a empresa não ficasse em seu nome.

“Em seguida à constituição da offshore, o denunciado constituiu outra empresa, denominada Supro do Brasil Ltda, cuja sociedade constava como sócia a empresa Supro Limited e o próprio Christian”, continua o documento.

Em 2008 e 2009, Castro teria feito falsa declaração à Junta Comercial de São Paulo omitindo que era o sócio-administrador da Supro Limited, para manter a empresa em funcionamento, com CNPJ válido. Ele ainda teria apresentado uma ata de uma falsa assembleia na qual os funcionários do escritório Zuñiga y Asociados, fingindo serem diretores da Supro Limited, “dariam para Christian uma procuração com total poderes”.

Ainda de acordo com o MPF,  Castro fez uma alteração contratual na Supro do Brasil Ltda para que não mais constasse como parte da sociedade. Em 2017 ele estava sendo cogitado para o cargo de diretor da Ancine e “queria evitar que seu nome fosse rejeitado para o cargo por suas ligações com empresas offshore”. Em seu lugar, entrou sua mulher, Marta Zimpeck.

Christian de Castro teria dado declaração falsa à Receita Federal do Brasil, omitindo que detinha participação societária e era o sócio-administrador da Supro Limited e da Supro do Brasil.

A denúncia lista ainda que ele prestou declaração falsa à Comissão de Ética da Presidência da República, “ao preencher e assinar, em 27 de janeiro de 2018, DCI (Declaração Confidencial de Informações) omitindo que era sócio” das empresas.

Castro nega as acusações. “A defesa de Christian de Castro Oliveira informa que todos os fatos serão esclarecidos perante a Justiça, não procedendo a acusação formulada pelo MPF”, disse o advogado Tiago Lins e Silva. 

Com informações da Folhapress

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Biografia de Raul Seixas levanta polêmica com Paulo Coelho

24 de outubro de 2019, 07:54

Foto: Reprodução

Quando conheceu Raul Seixas, Paulo Coelho via com desconfiança o aspirante a roqueiro interessado em ETs. Juntos, eles desenvolveram o interesse pela magia, criaram uma sociedade famosa e compuseram músicas até hoje eternas no rock brasileiro.

Também enfrentaram a ditadura. Uma história dos dois com a polícia política, aliás, estava oculta até agora – a de que Raul pode ter entregado Coelho aos militares.

A sugestão aparece no livro “Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida”, do jornalista Jotabê Medeiros, com lançamento previsto para o próximo dia 1º. O caso, segundo a obra, aconteceu em maio de 1974, quando Raul e Coelho desfrutavam do sucesso de “Krig-ha, Bandolo!”, disco lançado no ano anterior e que já tinha mais de 100 mil cópias vendidas.

Paulo Coelho não quis participar da reportagem e elucidar o episódio. “Não sou o tipo de pessoa que gosta de ficar olhando para chagas que já cicatrizaram”, diz por email.

Segundo Medeiros, Raul havia sido chamado para dar um depoimento no Dops, o Departamento de Ordem Política e Social da ditadura militar, e ligou para o amigo para acompanhá-lo e ajudá-lo a dar os esclarecimentos sobre as músicas que haviam feito em parceria. Paulo Coelho não sabia, mas essa não era primeira vez naqueles dias que Raul ia ao prédio.

“Comparei as datas e vi que, entre o primeiro depoimento de Raul ao Dops e o segundo depoimento, no qual ele levou Paulo Coelho, demorou pouquíssimo tempo”, diz Medeiros.

De acordo com o que o jornalista conta no livro, Raul entrou na sede do órgão, ficou lá por meia hora e retornou tentando dar algum recado cifrado ao amigo, que o esperava. Coelho não entendeu e foi chamado para o interrogatório, que incluiu perguntas sobre o livreto que acompanha o disco “Krig-ha, Bandolo!” e a Sociedade Alternativa cantada por Raul.

A polícia foi até o apartamento do escritor e prendeu sua namorada, Adalgisa Rios. No dia seguinte, quando liberado, Coelho pegou um táxi com Raul, mas foi capturado novamente e levado para um lugar desconhecido, onde sofreu torturas por duas semanas. “Raul evitou Paulo durante um ano depois do acontecido”, conta Medeiros. “Paulo não tinha convicção das coisas, não pensava nisso, estava amedrontado, como talvez esteja até hoje.”

A relação entre os fatos vem a partir de um documento obtido pelo jornalista no Arquivo Público do Rio de Janeiro. “Acredito que, na maioria das vezes, as pessoas foram atrás da questão da censura às letras e não prestaram atenção aos motivos das audiências.”

Fernando Morais, autor de “O Mago”, biografia de Paulo Coelho, também teve acesso ao mesmo documento. “Vi pela primeira vez alguns dias atrás”, diz. “O que me chamou a atenção foi saber que o temido e superinformado Doi-Codi [Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna] imaginava que o Paulo fosse militante do PCBR [Partido Comunista Brasileiro”Revolucionário], sendo que ele nunca foi filiado a nenhum grupo armado que lutava contra a ditadura. É possível que ele nem sequer soubesse o que era o PCBR.”

O próprio Paulo Coelho teve acesso ao documento recentemente, por meio de Medeiros. Mas mesmo os papéis oficiais não são conclusivos. O texto diz que, “por intermédio do referido cantor”, no caso, Raul, seria possível chegar até Paulo e Adalgisa.

Morais acredita que alguém delatou os artistas à polícia, mas não tem certeza de que o informante foi Raul.

“Entre a data da produção do documento e a prisão de Paulo e Gisa, decorrem 36 dias”, diz. “Por que o Doi-Codi, com todo o poder de que dispunha, levaria tanto tempo para localizar e prender um ‘militante do PCBR’ e ‘uma militante do PC do B’ [Partido Comunista do Brasil] – duas organizações armadas – que não estavam na clandestinidade, tinham endereço certo, trabalhavam e frequentavam a universidade normalmente?”

Medeiros, por sua vez, crê que Coelho “não tem a menor dúvida, hoje, após ver o documento, de que Raul o entregou”.

A relação de Raul Seixas e Paulo Coelho começou a azedar a partir daquele ano. Depois de um tempo sem se falar, voltaram a colaborar no período que foi o auge da carreira do cantor. Nos anos seguintes, Raul lançou “Gita” (1975), “Novo Aeon” (1976) e “Há 10 Mil Anos Atrás” (1978), alguns de seus discos mais importantes.

As colaborações entre os dois foram rareando, e Paulo começou a trabalhar com diferentes cantores, como Rita Lee. Mas o que os afastou de vez foi a entrada de ambos para a seita do sacerdote Marcelo Motta, inspirada nas ideias do ocultista britânico Aleister Crowley. Juntos, compuseram, por exemplo, a muito conhecida “Tente Outra Vez”.

“O conflito começou quando Paulo abandonou a seita à qual aderiram juntos”, diz Medeiros. “Paulo crê que Raul mergulhou fundo demais naquele ideário e passaram a se estranhar. Paulo não tinha mais paciência para os jogos de doutrinação da seita. Raul, como era mais hábil e maleável, adequava-se a ela.” 

O último encontro deles, após um pedido feito pelo produtor e amigo Roberto Menescal a Paulo Coelho, teria acontecido num hotel na divisa de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Coelho não queria encontrar Raul em São Paulo, e Raul não queria ir ao Rio. A ideia é que eles fariam novas músicas juntos, mas depois de cinco dias esperando o cantor – que estava trancado dentro de um quarto do hotel –, Coelho acabou desistindo da ideia.

“Convivi cerca de quatro anos com Paulo Coelho para escrever sua biografia”, diz Fernando Morais. “Em nenhum momento percebi que ele alimentasse a mais remota suspeita de que Raul tenha sido o responsável por sua prisão.”

Para Jotabê Medeiros, Paulo Coelho tentou falar do caso em diversas ocasiões. “No filme sobre a vida dele, ele se ressente de Raul não tê-lo procurado no tempo em que ficou cativo e mesmo depois de ser solto.”

O jornalista também cita um artigo do escritor sobre o abuso que sofreu na ditadura, publicado neste ano pelo jornal The Washington Post. Ele lembra um trecho em que Coelho diz que “procura o cantor”, falando de quando foi liberado pela polícia.

No ano em que se completam três décadas da morte de Raul Seixas, a obra de Medeiros é uma entre muitas que se propõem a celebrar a memória do roqueiro. O livro “Raul Seixas: Por Trás das Canções”, do jornalista Carlos Minuano, acaba de ser lançado, e se concentra mais nas histórias das músicas do baiano.

Ainda que o legado de Raulzito seja inquestionável, a relação tão celebrada dele com Paulo Coelho ganha novas nuances. O escritor diz que as chagas já foram cicatrizadas, sinal de que pode já ter perdoado o antigo parceiro. De certa forma, as revelações também deixam dúvida sobre os caminhos que a dupla poderia ter seguido, caso a relação com a ditadura tivesse sido outra.

“Paulo e Raul produziram algumas das canções mais poderosas, do ponto de vista da ressonância cultural, do nosso tempo”, afirma Medeiros. “Separados, somente Raul mantinha a fleuma. Paulo não tinha a credibilidade do cantor, a voz, a autoridade. Foi ganhando outro tipo de autoridade ao longo da vida. Juntos, eram uma força da natureza.” (Folhapress)

 

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Jacobina: Um clube de e para ‘artistas’

17 de outubro de 2019, 09:55

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima –

Fundado em 1933, por um grupo de ‘artistas’, como eram chamados os profissionais liberais como os alfaiates, sapateiros, pedreiros, carpinteiros e outros, a agremiação Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, tinha como objetivo não somente servir como um local para a realização de festas e bailes de micareta, mas de ser um local de inclusão para os associados e suas famílias. Em seu primeiro estatuto e, acredita-se, que tenha sido o único, entre outras atribuições, funcionaria integralmente no local uma escola de ensino primário e uma biblioteca com acesso para toda a comunidade.

Os considerados ‘excluídos’ da época não podiam frequentar os dois clubes existentes naquele momento na cidade que eram o Clube 2 de Janeiro, fundado em 1878 e a Sociedade Filarmônica Aurora Jacobinense, fundada em 1879. Apenas os integrantes das famílias mais abastadas e as elites econômicas tinham acesso a esses espaços. Daí se deu a necessidade de se fundar um clube organizado por trabalhadores, uma espécie de ‘sociedade popular recreativa dançante’.

Estatuto – O artigo 1º do Estatuto da União dos Artistas Jacobinenses, aprovado em 1933, diz: “Sob a denominação de Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, com sede nesta cidade de Jacobina do Estado da Bahia, fica constituída pelos presentes estatutos, por tempo indeterminado, uma Sociedade Operária, cuja finalidade é socorrer aos seus associados que por moléstia ou outras circunstâncias, se acharem impossibilitados de promover os meios de melhorar a sua situação”.

Após passar um período inativo, o octogenário e histórico Clube dos Artistas, local onde no passado se realizavam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social, passa a abrigar atualmente a sede de uma associação de lojistas.

Semelhança histórica – Em um dos trechos do livro “A invenção do cotidiano na metrópole”, a professora doutora em História da Unicamp/SP, Luzia Margareth Rago, fala da vida social e do lazer na cidade de São Paulo entre os anos de 1900 e 1950: “A vida boêmia passava a exercer enorme fascínio como lugar da evasão, do diletantismo, dos prazeres, da possibilidade de escapar à normatividade da vida cotidiana que progressivamente se instaurava. Vida boêmia, espaço da imaginação e da criatividade, pensavam os intelectuais; espaço da promiscuidade e do desregramento, denunciavam os médicos”.

Não muito diferente, conforme diversos depoimentos de remanescentes, a visão que a sociedade jacobinense tinha sobre os ‘clubes’ da cidade, seu papel social e seus frequentadores era praticamente a mesma. A vida boêmia era bastante concorrida. Jacobina naquele momento era um dos principais municípios da Bahia, com uma economia pujante. Além da agropecuária e garimpagem, era um grande entreposto de diversos produtos fornecidos para inúmeras cidades através da rede ferroviária. Na própria estação do trem, desativada em 1976, havia um bar, o Bar da Leste, que funcionava anexo ao prédio, onde regularmente acontecia música ao vivo. Quem partia ou quem chegava de viagem era recepcionado com ‘festa’.

Saudade – Um dos frequentadores ‘Dos Artistas’, como o clube era chamado, Cosme Pereira Nascimento, o ‘Cosminho da Dires’, relembra das inesquecíveis micaretas e dos bate-papos nos inícios das noites entre amigos. “Peço que não deixem este clube morrer, mudar de nome. Esta história de 1933 não pode se acabar, ninguém é dono desse salão, ele pertence a todos os cidadãos jacobinense”, apela Cosminho.

O Clube dos Artistas fica localizado entre as ruas da Conceição e São Salvador, ao lado da Igreja da Conceição.

*Jornalista e historiador

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CONVITE: Garotas do Calendário – GAMMA

16 de outubro de 2019, 18:32

Neste Outubro Rosa, o Projeto Garotas do Calendário – GAMMA, tem o prazer em convidá-lo (a), para o lançamento do Calendário 2020 e da Exposição, a realizar-se dia 18 de outubro de 2019, às 19h no Shopping Da Bahia, 2º Piso, Em Salvador.

A exposição ficará em cartaz de 18 a 31 de Outubro.

O Calendário estará a venda no balcão ao lado da exposição e toda a renda será revertida para o Hospital Aristides Maltez.

Venha fazer parte desta ação de apoio a luta e prevenção contra o câncer de mama.

Fotografias: Wilson Militão

Contamos com a sua Valiosa Presença.

Garotas do Calendário – GAMMA

Horário de vendas: Conforme horário de funcionamento do Shopping.

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Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

09 de outubro de 2019, 09:28

Foto: JEFFERSON SOUSA/ARQUIVO PESSOAL

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:

“A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre”

Só que Bastião, de 74 anos, não sabe ler nem escrever. Palavras, rimas e métricas brotam na cabeça, no improviso. Mas décadas de composição da poesia popular repentista – inspirada pela caatinga, pelos problemas de alcoolismo, pelo sexo, pelo solo castigado, pela seca, pelos bichos – nunca ganharam qualquer registro.

Pelo menos, era assim até 2008. Foi nessa época que o comerciante Bernardo Ferreira, de 57 anos, nascido no sítio vizinho ao de Bastião, comprou uma câmera em São Paulo e começou a filmar a vida da pacata Itapetim, de 14 mil habitantes, e o que saía da cabeça e da boca de Bastião e de outros poetas desse pedaço de sertão.

https://youtu.be/kPv2CW8DCRQ
 

Como a única rede social que Ferreira conhecia era o Orkut, foi lá que postou um vídeo do poeta Bastião. O registro bombou, mas desagradou o artista, que não queria aparecer.

Ferreira pediu perdão, mas continuou gravando. Conta que queria agora guardar os vídeos para si, fazer um arquivo para poder acessá-los no futuro. Foi quando ouviu falar de “um tal de YouTube”.

“Me falaram que era na internet, que eu abria uma conta, ficava com uma senha como a de banco e, quando quisesse ver, era só entrar lá. Eu não sabia que os vídeos estavam sendo expostos pro resto do mundo”, disse Ferreira à BBC News Brasil.

Alguns dos vídeos começaram a receber milhares de visualizações sem que ninguém se desse conta disso durante cinco anos. Mesmo sem título, descrição, thumbnail e outras configurações que os profissionais aprendem, um mar de gente interessada no sertão e nos poetas iletrados foi chegando, comentando, compartilhando…

“Eu só colocava os números ‘1, 2, 3’ [no título], não sei como descobriram.”

Foi só em 2013 que Jefferson Sousa, de 25 anos, filho de Ferreira, percebeu o que estava acontecendo. Ele acessou o email no novo smartphone do pai e ficou impressionado com o que viu: “Tinha 3 mil emails não lidos, dizendo ‘fulano’ comentou… Foi quando fui olhar o que era e tinha 200 mil visualizações mensais”, conta.

Hoje, o canal de Ferreira, batizado de Bisaco Doido, tem 32 mil inscritos e acumula mais de 14 milhões de visualizações. Um documentário sobre Leonardo Bastião, o poeta que fez mais sucesso no canal, foi produzido e dirigido por Jefferson e ganhou o mundo.

“O poeta analfabeto” já foi exibido em festivais de cinco países, como Rússia, França, Índia e Bósnia, onde ganhou na categoria “melhor roteiro”. No último dia 28 de setembro, o filme foi exibido em praça pública, em Itapetim.

Bastião assistiu em pé, ao lado de Jefferson e Ferreira, e foi tietado pelo público que foi ver a história dele no telão. A prefeitura da cidade reproduziu versos do poeta em alguns prédios públicos.

Documentar a história

Nas gravações, Bastião aparece dizendo que não se considera poeta. Diz que a poesia que faz é fácil e que pega apenas “carona” nas coisas da natureza, feitas por Deus. Assim como ele, há outros poetas declamando ou cantando repente em sítios, bares e praças na região. Uma cultura passada de geração para geração na base da oralidade.

Ferreira afirma que queria dar uma nova dimensão à arte que considera tão importante e representativa da sua região. Hoje conselheiro tutelar, já foi dono de loja de discos de vinil e vendia cópias de filmes e CDs, com a chegada dos computadores. Era como se levasse a cultura para dentro de Itapetim. Agora, leva de lá para fora.

“Aqui tem e tiveram muitos poetas que, com tempo, ficaram sem nenhum registro. A poesia deles só segue adiante quando um decora e sai falando por aí. Eu queria era registrar e ficar guardado, como fotos antigas, que as pessoas olham e reconhecem os traços na geração da nova da família”, explica Ferreira.

Se passa um dia sem postar um vídeo, o dono do Bisaco do Doido diz que, provavelmente, está doente. Quando Ferreira sabe de alguém que está declamando poesia nos sítios, ele vai atrás para filmar: “Eu vou nas brenhas mesmo. Tem poeta que não sabe nem o que é celular, muito menos internet.”

Jefferson, que se formou em jornalismo no Recife, até tentou dar umas dicas para o pai “profissionalizar” o canal. Mas logo percebeu que não fazia sentido. “Queria organizar, mas vi que isso ia mudar quem ele era. Ele conquistou o público do jeito dele, desse modo artesanal, então ia mudar essa originalidade”.

O documentarista diz que o retorno financeiro é pouco, mas já paga o emplacamento anual do carro do pai. O computador segue com mais de 20 gigabytes de arquivos de vídeos não publicados.

Com toda a repercussão do Bisaco, mais pessoas foram procurá-lo, e eventos de cultura popular passaram a ser organizados na região. Alguns artistas famosos do Nordeste e turistas chegam a procurar Bastião no seu sítio.

E a visibilidade do canal reverberou também na esfera pública. De acordo com o secretário de Cultura de Itapetim, Alisson Alves, dos turistas que buscam a cidade, muitos chegam até lá porque viram as atrações e histórias no Bisaco do Doido.

“Todo mundo aqui que teve algum tipo de repercussão passou pelas câmeras dele. Não só Bastião, mas a igreja matriz, as pinturas rupestres”, conta. Alves também destaca a realização de eventos culturais na cidade, impulsionados pelo que os vídeos amadores mostram.

“Fiquei muito surpreso e muito grato com isso tudo, porque é povo de uma cidade tão pequena e escondida que está sendo visto pelo mundo. As redes sociais abriram a porta para que vejam como essa região é rica”, conta Ferreira. O poeta Bastião, entretanto, não costuma ser muito receptivo a visitantes desconhecidos e se recusa a dar entrevistas.

No fim de 2018, após uma proposta de um empresário paraibano e com o impulso da divulgação de Ferreira e Jefferson, foi publicado um livro com mais de 200 versos de Bastião, Minha Herança de Matuto (Grupo Claudino), com uma tiragem de 1000 exemplares. A renda foi toda para o poeta e usada para reconstruir a sua casa, que havia desmoronado.

Quando Jefferson foi gravar o documentário, já em 2019, Bastião já se enxergava mais como artista. Mas não quis falar seus versos – na verdade, preferiu falar da vida e suas tristezas.

“Ele estava mais introspectivo e foi uma relação mais pessoal. Ele ficou muito próximo da minha família, do meu pai, minha mãe, e assim pude entender mais a relação dele com a natureza e o universo dele e como ele enxerga ‘o pingo da água na folha que a abelha bebeu’, que a gente, na correria, nem percebe”, relata.

A poesia e o Pajeú

No Pajeú, há tantos poetas que, reza a lenda, quem bebe da água do rio que batiza a região sai fazendo música e poesia por aí. A área formada por 17 cidades é famosa em Pernambuco por ser berço de diversos artistas de poesia popular como Lourival Batista, o “Louro do Pajeú” ou ainda “o rei do trocadilho”.

Um dos pioneiros em documentar a poesia da região, o professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Nunes, em seu último levantamento, catalogou 270 poetas só em Itapetim.

Apesar de não ter uma explicação exata para o fenômeno, Nunes diz que a mais aceita é que seja uma consequência da história do colonização do Nordeste brasileiro. Esse modelo de poesia cantada, de cancioneiro, no improviso, tem suas raízes nos aedos gregos – os poetas antes da invenção do alfabeto – e na chegada dos mouros à Península Ibérica, onde hoje estão Espanha e Portugal.

“Com a descoberta do Brasil, foi aí que tivemos a chegada desses cantadores no litoral. Com as perseguições, parte desse pessoal entra no território e vai parar na ‘cabeça’ do Pajeú, na Paraíba”, explica Nunes, autor dos livros Itapetim: Cidade das Pedras Soltas (editoras CEHM/Fidem/Condepe) e Itapetim, Ventre Imortal da Poesia (editoras CEHM/Fidem/Condepe/Cepe).

O primeiro cantador de viola de que se tem notícia no Brasil é Agostinho Nunes da Costa, filho de João Nunes da Costa, um judeu que veio da Galícia para o Recife nas primeiras décadas do século 18. Cristão novo, ele foi perseguido e foi morar em João Pessoa e continuou fugindo até parar numa fazenda onde iria começar o núcleo populacional da atual cidade de Teixeira, na Paraíba.

O pesquisador relata até um roteiro geográfico da poesia: de Teixeira, que fica na divisa com Pernambuco, descendo junto ao leito do rio. Resultado: quanto mais distante da “cabeça” do rio Pajeú, menos poetas. Itapetim é o primeiro município nessa rota.

Segundo Ferreira, nas ruas da cidade, não é preciso marcar hora para encontrar uma poeta: “A poesia brota como uma cacimba que brota água”. Numa região onde as pessoas conhecem a história pela poesia não registrada em papel, os vídeos, o livro e o documentário são enxergados como uma forma de sedimentar uma cultura única e extremamente rica.

“A diferença para os poetas letrados é que esses não têm de fato tanto vocabulário e cultura. Mas muitas vezes parece que o poeta letrado é muito mecânico. Quando vem desse povo simples, é de coração, de sentimento”, opina Nobre.

E Ferreira completa: “Quem não é poeta aqui, é doido. E eu sou um doido que documenta tudo isso”.

https://youtu.be/0OJkIrWSnrM

Em um dos vídeos que fizeram sucesso no Bisaco do Doido (acima), Bastião está no seu sítio, com o inseparável chápeu, e faz versos sobre a sua história e a “herança” que recebeu do pai:

Nasci na casa atrasada

Sou filho de Luisinho Bastião

Fiz muitas letras no chão

Mas o lápis era a enxada

E morreu à míngua, sem nada

E minha herança foi assim

Meio quadro de terra ruim

Que ainda hoje eu defendo

E nem abandono nem vendo

O que pai deixou pra mim

(Leonardo Bastião)

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Crônica – Álcool

25 de setembro de 2019, 13:53

Por Marcelo Rodrigues –

Preciso de álcool. Tento às vezes me convencer de que não é necessário,mas preciso.Começo a admitir uma impossibilidade de vida sem ele.O mundo e as pessoas se tornam melhores, depois que bebo.Até o meu corpo,que normalmente sente enjoos, fica mais leve.

Com o álcool, eu me sinto bem, porque me nasce uma boa saudade de coisas que ainda não conheci. De pessoas diferentes e outros países.Nos meus delírios de ébrio,tenho a ousadia de querer viver no México, em Medelim ou na fria Ucrânia. Imagino que esses lugares farão uma revolução na minha alma, pois neles se falam outras línguas e há mulheres como nunca vi.Com o álcool, imagino que ainda vou viver tudo isso.

O mais certo, porém, é que nunca saia da minha pequena cidade e que, depois de alguns anos, me levem para o “Pau Ferro”, o distante e isolado cemitério onde a minha mãe está enterrada, e onde preparei mais um lugar.Talvez escrevam na minha lápide,como uma verdade ou uma ironia: “sonhava em conhecer o mundo.Hoje, porém, vive em Deus e conhece o Universo inteiro.

Por isso o álcool. Ele nos faz suportar a certeza de que jamais cruzaremos o portão do jardim, e que é somente no bar que estão as cidades por conhecer, as pessoas pra conversar, todos os dias, até o fim dos sonhos, até o fim da gente.

Marcelo Rodrigues é colaborador do Notícia Limpa

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