CULTURA

Jacobina: Um clube de e para ‘artistas’

17 de outubro de 2019, 09:55

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima –

Fundado em 1933, por um grupo de ‘artistas’, como eram chamados os profissionais liberais como os alfaiates, sapateiros, pedreiros, carpinteiros e outros, a agremiação Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, tinha como objetivo não somente servir como um local para a realização de festas e bailes de micareta, mas de ser um local de inclusão para os associados e suas famílias. Em seu primeiro estatuto e, acredita-se, que tenha sido o único, entre outras atribuições, funcionaria integralmente no local uma escola de ensino primário e uma biblioteca com acesso para toda a comunidade.

Os considerados ‘excluídos’ da época não podiam frequentar os dois clubes existentes naquele momento na cidade que eram o Clube 2 de Janeiro, fundado em 1878 e a Sociedade Filarmônica Aurora Jacobinense, fundada em 1879. Apenas os integrantes das famílias mais abastadas e as elites econômicas tinham acesso a esses espaços. Daí se deu a necessidade de se fundar um clube organizado por trabalhadores, uma espécie de ‘sociedade popular recreativa dançante’.

Estatuto – O artigo 1º do Estatuto da União dos Artistas Jacobinenses, aprovado em 1933, diz: “Sob a denominação de Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, com sede nesta cidade de Jacobina do Estado da Bahia, fica constituída pelos presentes estatutos, por tempo indeterminado, uma Sociedade Operária, cuja finalidade é socorrer aos seus associados que por moléstia ou outras circunstâncias, se acharem impossibilitados de promover os meios de melhorar a sua situação”.

Após passar um período inativo, o octogenário e histórico Clube dos Artistas, local onde no passado se realizavam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social, passa a abrigar atualmente a sede de uma associação de lojistas.

Semelhança histórica – Em um dos trechos do livro “A invenção do cotidiano na metrópole”, a professora doutora em História da Unicamp/SP, Luzia Margareth Rago, fala da vida social e do lazer na cidade de São Paulo entre os anos de 1900 e 1950: “A vida boêmia passava a exercer enorme fascínio como lugar da evasão, do diletantismo, dos prazeres, da possibilidade de escapar à normatividade da vida cotidiana que progressivamente se instaurava. Vida boêmia, espaço da imaginação e da criatividade, pensavam os intelectuais; espaço da promiscuidade e do desregramento, denunciavam os médicos”.

Não muito diferente, conforme diversos depoimentos de remanescentes, a visão que a sociedade jacobinense tinha sobre os ‘clubes’ da cidade, seu papel social e seus frequentadores era praticamente a mesma. A vida boêmia era bastante concorrida. Jacobina naquele momento era um dos principais municípios da Bahia, com uma economia pujante. Além da agropecuária e garimpagem, era um grande entreposto de diversos produtos fornecidos para inúmeras cidades através da rede ferroviária. Na própria estação do trem, desativada em 1976, havia um bar, o Bar da Leste, que funcionava anexo ao prédio, onde regularmente acontecia música ao vivo. Quem partia ou quem chegava de viagem era recepcionado com ‘festa’.

Saudade – Um dos frequentadores ‘Dos Artistas’, como o clube era chamado, Cosme Pereira Nascimento, o ‘Cosminho da Dires’, relembra das inesquecíveis micaretas e dos bate-papos nos inícios das noites entre amigos. “Peço que não deixem este clube morrer, mudar de nome. Esta história de 1933 não pode se acabar, ninguém é dono desse salão, ele pertence a todos os cidadãos jacobinense”, apela Cosminho.

O Clube dos Artistas fica localizado entre as ruas da Conceição e São Salvador, ao lado da Igreja da Conceição.

*Jornalista e historiador

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CONVITE: Garotas do Calendário – GAMMA

16 de outubro de 2019, 18:32

Neste Outubro Rosa, o Projeto Garotas do Calendário – GAMMA, tem o prazer em convidá-lo (a), para o lançamento do Calendário 2020 e da Exposição, a realizar-se dia 18 de outubro de 2019, às 19h no Shopping Da Bahia, 2º Piso, Em Salvador.

A exposição ficará em cartaz de 18 a 31 de Outubro.

O Calendário estará a venda no balcão ao lado da exposição e toda a renda será revertida para o Hospital Aristides Maltez.

Venha fazer parte desta ação de apoio a luta e prevenção contra o câncer de mama.

Fotografias: Wilson Militão

Contamos com a sua Valiosa Presença.

Garotas do Calendário – GAMMA

Horário de vendas: Conforme horário de funcionamento do Shopping.

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Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

09 de outubro de 2019, 09:28

Foto: JEFFERSON SOUSA/ARQUIVO PESSOAL

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:

“A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre”

Só que Bastião, de 74 anos, não sabe ler nem escrever. Palavras, rimas e métricas brotam na cabeça, no improviso. Mas décadas de composição da poesia popular repentista – inspirada pela caatinga, pelos problemas de alcoolismo, pelo sexo, pelo solo castigado, pela seca, pelos bichos – nunca ganharam qualquer registro.

Pelo menos, era assim até 2008. Foi nessa época que o comerciante Bernardo Ferreira, de 57 anos, nascido no sítio vizinho ao de Bastião, comprou uma câmera em São Paulo e começou a filmar a vida da pacata Itapetim, de 14 mil habitantes, e o que saía da cabeça e da boca de Bastião e de outros poetas desse pedaço de sertão.

https://youtu.be/kPv2CW8DCRQ
 

Como a única rede social que Ferreira conhecia era o Orkut, foi lá que postou um vídeo do poeta Bastião. O registro bombou, mas desagradou o artista, que não queria aparecer.

Ferreira pediu perdão, mas continuou gravando. Conta que queria agora guardar os vídeos para si, fazer um arquivo para poder acessá-los no futuro. Foi quando ouviu falar de “um tal de YouTube”.

“Me falaram que era na internet, que eu abria uma conta, ficava com uma senha como a de banco e, quando quisesse ver, era só entrar lá. Eu não sabia que os vídeos estavam sendo expostos pro resto do mundo”, disse Ferreira à BBC News Brasil.

Alguns dos vídeos começaram a receber milhares de visualizações sem que ninguém se desse conta disso durante cinco anos. Mesmo sem título, descrição, thumbnail e outras configurações que os profissionais aprendem, um mar de gente interessada no sertão e nos poetas iletrados foi chegando, comentando, compartilhando…

“Eu só colocava os números ‘1, 2, 3’ [no título], não sei como descobriram.”

Foi só em 2013 que Jefferson Sousa, de 25 anos, filho de Ferreira, percebeu o que estava acontecendo. Ele acessou o email no novo smartphone do pai e ficou impressionado com o que viu: “Tinha 3 mil emails não lidos, dizendo ‘fulano’ comentou… Foi quando fui olhar o que era e tinha 200 mil visualizações mensais”, conta.

Hoje, o canal de Ferreira, batizado de Bisaco Doido, tem 32 mil inscritos e acumula mais de 14 milhões de visualizações. Um documentário sobre Leonardo Bastião, o poeta que fez mais sucesso no canal, foi produzido e dirigido por Jefferson e ganhou o mundo.

“O poeta analfabeto” já foi exibido em festivais de cinco países, como Rússia, França, Índia e Bósnia, onde ganhou na categoria “melhor roteiro”. No último dia 28 de setembro, o filme foi exibido em praça pública, em Itapetim.

Bastião assistiu em pé, ao lado de Jefferson e Ferreira, e foi tietado pelo público que foi ver a história dele no telão. A prefeitura da cidade reproduziu versos do poeta em alguns prédios públicos.

Documentar a história

Nas gravações, Bastião aparece dizendo que não se considera poeta. Diz que a poesia que faz é fácil e que pega apenas “carona” nas coisas da natureza, feitas por Deus. Assim como ele, há outros poetas declamando ou cantando repente em sítios, bares e praças na região. Uma cultura passada de geração para geração na base da oralidade.

Ferreira afirma que queria dar uma nova dimensão à arte que considera tão importante e representativa da sua região. Hoje conselheiro tutelar, já foi dono de loja de discos de vinil e vendia cópias de filmes e CDs, com a chegada dos computadores. Era como se levasse a cultura para dentro de Itapetim. Agora, leva de lá para fora.

“Aqui tem e tiveram muitos poetas que, com tempo, ficaram sem nenhum registro. A poesia deles só segue adiante quando um decora e sai falando por aí. Eu queria era registrar e ficar guardado, como fotos antigas, que as pessoas olham e reconhecem os traços na geração da nova da família”, explica Ferreira.

Se passa um dia sem postar um vídeo, o dono do Bisaco do Doido diz que, provavelmente, está doente. Quando Ferreira sabe de alguém que está declamando poesia nos sítios, ele vai atrás para filmar: “Eu vou nas brenhas mesmo. Tem poeta que não sabe nem o que é celular, muito menos internet.”

Jefferson, que se formou em jornalismo no Recife, até tentou dar umas dicas para o pai “profissionalizar” o canal. Mas logo percebeu que não fazia sentido. “Queria organizar, mas vi que isso ia mudar quem ele era. Ele conquistou o público do jeito dele, desse modo artesanal, então ia mudar essa originalidade”.

O documentarista diz que o retorno financeiro é pouco, mas já paga o emplacamento anual do carro do pai. O computador segue com mais de 20 gigabytes de arquivos de vídeos não publicados.

Com toda a repercussão do Bisaco, mais pessoas foram procurá-lo, e eventos de cultura popular passaram a ser organizados na região. Alguns artistas famosos do Nordeste e turistas chegam a procurar Bastião no seu sítio.

E a visibilidade do canal reverberou também na esfera pública. De acordo com o secretário de Cultura de Itapetim, Alisson Alves, dos turistas que buscam a cidade, muitos chegam até lá porque viram as atrações e histórias no Bisaco do Doido.

“Todo mundo aqui que teve algum tipo de repercussão passou pelas câmeras dele. Não só Bastião, mas a igreja matriz, as pinturas rupestres”, conta. Alves também destaca a realização de eventos culturais na cidade, impulsionados pelo que os vídeos amadores mostram.

“Fiquei muito surpreso e muito grato com isso tudo, porque é povo de uma cidade tão pequena e escondida que está sendo visto pelo mundo. As redes sociais abriram a porta para que vejam como essa região é rica”, conta Ferreira. O poeta Bastião, entretanto, não costuma ser muito receptivo a visitantes desconhecidos e se recusa a dar entrevistas.

No fim de 2018, após uma proposta de um empresário paraibano e com o impulso da divulgação de Ferreira e Jefferson, foi publicado um livro com mais de 200 versos de Bastião, Minha Herança de Matuto (Grupo Claudino), com uma tiragem de 1000 exemplares. A renda foi toda para o poeta e usada para reconstruir a sua casa, que havia desmoronado.

Quando Jefferson foi gravar o documentário, já em 2019, Bastião já se enxergava mais como artista. Mas não quis falar seus versos – na verdade, preferiu falar da vida e suas tristezas.

“Ele estava mais introspectivo e foi uma relação mais pessoal. Ele ficou muito próximo da minha família, do meu pai, minha mãe, e assim pude entender mais a relação dele com a natureza e o universo dele e como ele enxerga ‘o pingo da água na folha que a abelha bebeu’, que a gente, na correria, nem percebe”, relata.

A poesia e o Pajeú

No Pajeú, há tantos poetas que, reza a lenda, quem bebe da água do rio que batiza a região sai fazendo música e poesia por aí. A área formada por 17 cidades é famosa em Pernambuco por ser berço de diversos artistas de poesia popular como Lourival Batista, o “Louro do Pajeú” ou ainda “o rei do trocadilho”.

Um dos pioneiros em documentar a poesia da região, o professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Nunes, em seu último levantamento, catalogou 270 poetas só em Itapetim.

Apesar de não ter uma explicação exata para o fenômeno, Nunes diz que a mais aceita é que seja uma consequência da história do colonização do Nordeste brasileiro. Esse modelo de poesia cantada, de cancioneiro, no improviso, tem suas raízes nos aedos gregos – os poetas antes da invenção do alfabeto – e na chegada dos mouros à Península Ibérica, onde hoje estão Espanha e Portugal.

“Com a descoberta do Brasil, foi aí que tivemos a chegada desses cantadores no litoral. Com as perseguições, parte desse pessoal entra no território e vai parar na ‘cabeça’ do Pajeú, na Paraíba”, explica Nunes, autor dos livros Itapetim: Cidade das Pedras Soltas (editoras CEHM/Fidem/Condepe) e Itapetim, Ventre Imortal da Poesia (editoras CEHM/Fidem/Condepe/Cepe).

O primeiro cantador de viola de que se tem notícia no Brasil é Agostinho Nunes da Costa, filho de João Nunes da Costa, um judeu que veio da Galícia para o Recife nas primeiras décadas do século 18. Cristão novo, ele foi perseguido e foi morar em João Pessoa e continuou fugindo até parar numa fazenda onde iria começar o núcleo populacional da atual cidade de Teixeira, na Paraíba.

O pesquisador relata até um roteiro geográfico da poesia: de Teixeira, que fica na divisa com Pernambuco, descendo junto ao leito do rio. Resultado: quanto mais distante da “cabeça” do rio Pajeú, menos poetas. Itapetim é o primeiro município nessa rota.

Segundo Ferreira, nas ruas da cidade, não é preciso marcar hora para encontrar uma poeta: “A poesia brota como uma cacimba que brota água”. Numa região onde as pessoas conhecem a história pela poesia não registrada em papel, os vídeos, o livro e o documentário são enxergados como uma forma de sedimentar uma cultura única e extremamente rica.

“A diferença para os poetas letrados é que esses não têm de fato tanto vocabulário e cultura. Mas muitas vezes parece que o poeta letrado é muito mecânico. Quando vem desse povo simples, é de coração, de sentimento”, opina Nobre.

E Ferreira completa: “Quem não é poeta aqui, é doido. E eu sou um doido que documenta tudo isso”.

https://youtu.be/0OJkIrWSnrM

Em um dos vídeos que fizeram sucesso no Bisaco do Doido (acima), Bastião está no seu sítio, com o inseparável chápeu, e faz versos sobre a sua história e a “herança” que recebeu do pai:

Nasci na casa atrasada

Sou filho de Luisinho Bastião

Fiz muitas letras no chão

Mas o lápis era a enxada

E morreu à míngua, sem nada

E minha herança foi assim

Meio quadro de terra ruim

Que ainda hoje eu defendo

E nem abandono nem vendo

O que pai deixou pra mim

(Leonardo Bastião)

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Crônica – Álcool

25 de setembro de 2019, 13:53

Por Marcelo Rodrigues –

Preciso de álcool. Tento às vezes me convencer de que não é necessário,mas preciso.Começo a admitir uma impossibilidade de vida sem ele.O mundo e as pessoas se tornam melhores, depois que bebo.Até o meu corpo,que normalmente sente enjoos, fica mais leve.

Com o álcool, eu me sinto bem, porque me nasce uma boa saudade de coisas que ainda não conheci. De pessoas diferentes e outros países.Nos meus delírios de ébrio,tenho a ousadia de querer viver no México, em Medelim ou na fria Ucrânia. Imagino que esses lugares farão uma revolução na minha alma, pois neles se falam outras línguas e há mulheres como nunca vi.Com o álcool, imagino que ainda vou viver tudo isso.

O mais certo, porém, é que nunca saia da minha pequena cidade e que, depois de alguns anos, me levem para o “Pau Ferro”, o distante e isolado cemitério onde a minha mãe está enterrada, e onde preparei mais um lugar.Talvez escrevam na minha lápide,como uma verdade ou uma ironia: “sonhava em conhecer o mundo.Hoje, porém, vive em Deus e conhece o Universo inteiro.

Por isso o álcool. Ele nos faz suportar a certeza de que jamais cruzaremos o portão do jardim, e que é somente no bar que estão as cidades por conhecer, as pessoas pra conversar, todos os dias, até o fim dos sonhos, até o fim da gente.

Marcelo Rodrigues é colaborador do Notícia Limpa

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Feira de Literatura de Jacobina movimenta a arte e a cultura na cidade

24 de setembro de 2019, 14:27

Foto: Ascom/AJL

A Academia Jacobinense de Letras (AJL) realizou durante os dias 19, 20 e 21 de setembro, a terceira edição da Feira de Literatura de Jacobina (III FLIJA ), que proporcionou a interação com a comunidade, a partir do diálogo da literatura com diversas artes e saberes – ciência, música, teatro, artes visuais, culturas populares e tradicional –, celebrando encontros e valorizando distintas experiências.

Durante os três dias de programação aconteceram várias atividades artísticas e culturais, com destaque para a Mesa Redonda “Fotografia e imprensa no sertão: Olhares e escritas nas pesquisas sobre Jacobina”, apresentada pelo professor/doutor Valter Oliveira, do Núcleo de Estudos de Cultura e Cidade da Universidade do Estado da Bahia, Campus IV (NECC/UNEB); contação de histórias, promovido pelo Grupo de Pesquisa, Linguagem, Estudos Culturais e Formação do Leitor (LEFOR/UNEB Campus IV), que é coordenado pela professora/doutora Denise Dias; as Palestras “Trajetória de Itapeipu pra Salvador com escala em Jacobina”, proferida pelo jacobinense Antônio Luiz Moreira de Oliveira (Cardoso) membro da Academia de Cultura da Bahia e membro da Confraria Artistas e Poetas pela Paz e “Movimento Acadêmico nos Municípios Baianos”, proferida pelo advogado e escritor Benjamin Batista de Macedo Filho, presidente da Academia de Cultura da Bahia (ACB) e da Federação das Academias de Letras e Artes da Bahia (FALA BAHIA).

Como parte da programação, aconteceu também o Papo Literário com escritores jacobinenses, apresentação teatral com as peça “O Auto da Compadecida”, apresentada pelo Grupo Dionísio Artes; apresentação musical com o Grupo de Câmara Arte de Tocar com maestro Jal Nunes e a instrumentista Lua Nunes; Mostra Fotográfica coletiva “Os rios em Jacobina: entre olhares e vivências” com fotógrafos do Projeto de Extensão Aprendendo com os Rios;distribuição do Jornal “A Letra”; Cultura e Dança Cigana, com os Ciganos Sinti Mário Santos e Vera Diorgenes; apresentação do documentário “A História do Teatro – Memórias das Artes Cênicas em Jacobina”, seguida de mesa redonda o cineasta Paulo Mascarenhas, o ator e diretor Jotta Esse e o Sarau Galpão Payayá Homenageando as autoras Conceição Evaristo e Elisa Lucinda e com os lançamentos dos livros “Poesia e Texto Livre” do escritor Leo Resende, “Com amor e rebeldia se faz poesia” do escritor jacobinense Maicon Douglas.

Conforme o presidente da AJL, Ivan Aquino, a III FLIJA alcançou plenamente as expectativas, pois, além participação dos acadêmicos, escritores e artistas locais, contou também com uma excelente participação de público. “A diversidade de eventos culturais enriqueceu bastante a III FLIJA. O evento foi um sucesso superou todas as expectativas”, comemorou Invan..

Com informações da Ascom/AJL.

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Personalidades defendem Fernanda Montenegro após ataques de diretor

24 de setembro de 2019, 06:53

Foto: LEO AVERSA / AGÊNCIA O GLOBO

As ofensas foram proferidas pelo diretor do Centro de Artes da Funarte, Roberto Alvim.

Depois das ofensas à Fernanda Montenegro por parte do dramaturgo e diretor do Centro de Artes da Funarte, Roberto Alvim, uma série de personalidades saiu em defesa da atriz. Alvim havia chamado a atriz de “mentirosa” e afirmado que sentia “desprezo” por ela nas redes sociais.

Apesar de a maioria das mensagens de apoio à Fernanda vir de membros da classe artística, outras foram publicadas por políticos, caso do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e de Ciro Gomes, candidato à Presidência da República pelo PDT nas eleições do ano passado.

Enquanto Covas escreveu no Instagram que Fernanda é “um ícone da cultura nacional e deve ser respeitada e tratada com o valor que merece”, Ciro chamou Alvim de “vagabundo…medíocre, picareta” no Twitter. “Lave a boca para falar de Fernanda Montenegro nossa atriz mundialmente respeitada”, escreveu.

Até mesmo o presidente da Funarte, Miguel Proença, disse estar “completamente chocado” com o posicionamento de Alvim. Em uma entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou ter encaminhado um pedido de desculpas à atriz em nome da instituição, além de ter requisitado uma audiência com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para “tomar previdências”.

Além de Covas e Ciro, atores, diretores e músicos também saíram em defesa de Fernanda, alguns deles usando a hashtag #SomosTodosFernanda e variações.

É o caso das atrizes Drica Moraes e Leona Cavalli, do diretor Miguel Falabella e do sambista Nelson Argento. A Associação dos Produtores de Teatro, a APTR, foi outra que repudiou as declarações do dramaturgo por meio de um posicionamento oficial.

Eles respondem a duas postagens de Alvim no Facebook, publicadas no domingo (22) e nesta segunda (23). Nelas, o diretor critica uma entrevista de Fernanda à revista literária Quatro Cinco Um. Num pôster da edição, a atriz aparece vestida de bruxa diante de uma fogueira de livros –o ensaio fotográfico comemorou o lançamento de uma autobiografia em que ela conta sua trajetória nos palcos este mês.

“Fernanda mente escandalosamente, deturpa a realidade de modo grotesco, ataca o presidente e seus eleitores de modo brutal, e eu sou grosseiro e desrespeitoso, apenas por ter revidado a agressão falaciosa perpetrada por ela?”, escreveu o dramaturgo, apoiador de Jair Bolsonaro, em uma das postagens.

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Artista restaura cor de brasileiros fotografados às vésperas da abolição

23 de setembro de 2019, 10:27

Foto: Marina Amaral

O retrato à direita foi restaurado e colorido pela artista brasileira Marina Amaral e é uma das 22 fotografias que a artista está recuperando para sua série “Escravidão no Brasil”.

“Quando a gente olha para os números e para a escala enorme do que foi a escravidão, fica tudo meio abstrato. Mas quando consegue olhar para as pessoas… Ver cada rosto deixa tudo menos abstrato, cria uma conexão”, disse à BBC News Brasil.

A mineira de 25 anos é artista digital especializada em colorir fotos antigas em preto e branco – ficou conhecida mundialmente por dar cor a fotos das vítimas dos campos de concentração de Auschwitz. Ela diz que sempre teve vontade de criar um projeto sobre história do Brasil, mas tinha dificuldade de encontrar um arquivo que tivesse fotos em alta resolução.

“Até descobrir esses 22 retratos através de uma biblioteca de Berlim”, diz ela à BBC News Brasil. Encontrar fotografias de escravos do século 19 é algo raro. Nas poucas vezes em que eram retratatos, era como parte da propriedade de algum grande senhor de escravos.

Pelas roupas e adereços desta moça retratada, e possível que ela fosse livre

Mesmo sobre o ensaio de Alberto Henschel não há muitas informações. “O que se sabe é que elas chamaram muita atenção na época porque ele tentou retratá-los com um certo nível de dignidade que não era comum”, diz Marina.

Henschel era um fotógrafo profissional alemão que se tornou um dos pioneiros da fotografia no Brasil no século 19 e chegou a retratar a a monarquia brasileira, incluindo o imperador Dom Pedro 2º e sua família. Seus primeiros estúdios foram em Recife e em Salvador. A partir de 1870, ele passou a atuar também no Rio de Janeiro e em São Paulo.

É possível que entre os negros retratados por Henschel também houvesse homens e mulheres livres — sua luta por liberdade era constante e muitos conseguiram conquistar sua própria liberdade antes das leis que foram progressivamente abolindo a escravidão, até o seu fim definitivo com a Lei Aurea, em 1888.

O processo de colorir

Para Marina, colorir as fotos ajuda a trazer o observador para mais perto das pessoas retratadas.

“Aplicar cores a esses fotos permite que as pessoas criem uma empatia maior, humaniza as vítimas. Fotos monocromáticas parecem uma coisa quase irreal, parece que aconteceu há tanto tempo, que não foi de verdade”, afirma.

Este retrato foi o primeiro colorido por Marina Amaral para sua série sobre escravidão no Brasil

“Mas, com cor, ainda mais em um mundo tão cheio de estímulos, é mais fácil de entender, aproxima. Eles passam a ser pessoas como a gente, e não só personagens de livros.”

Marina passa cerca de três a cinco horas colorindo cada foto – caso os originais estejam em bom estado. As que estão mais danificadas e precisam de restauração antes demoram muito mais.

“A segunda foto da série (veja abaixo) demorou entre 10 e 12 horas, porque tive que limpar as partes danificadas.”

Marina explica que o processo de descobrir as cores em fotos antigas é uma mistura de pesquisa histórica com escolhas artísticas.

Para retratar o tom de pele de cada um, ela faz uma interpretação a partir da escala de cinza das fotos originais.

Esta é a segunda foto da série e foi tirada em Recife

“Como não temos muitas informações sobre as pessoas, é uma interpretação mais artística”, diz ela.

“No caso da roupa dos escravos, sei que eles jamais poderiam usar tons muito chamativos. Usavam muito branco e creme. Uso como referência pinturas históricas e desenhos que foram feitos na época”, explica.

“Olhando para as fotos também é possível saber onde as roupas estavam mais desgastadas e sujas.”

Ampliação

“Foi a primeira que eu fiz algo relacionado à história do Brasil que gerou um impacto tão grande”, diz Marina, sobre a reação positiva que os dois primeiros trabalhos da série tiveram nas redes sociais.

Inicialmente, ela ia apenas postar as fotos em sua rede, mas quando viu a reação decidiu fazer algo maior. “Resolvi convidar alguns professores e autores brasileiros parar dar um contexto para as fotos. A idéia principal é apresentar a história do Brasil para os meus seguidores de fora, já que a maior parte do meu público é da Europa e dos Estados Unidos”, diz ela. As legendas são publicadas em inglês e português.

“E também que falem dos impactos desse período nos dias de hoje, porque vivemos as consequências da escravidão todos os dias.”

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Em entrevista polêmica, Milton Nascimento declara que “música brasileira está uma merda”

23 de setembro de 2019, 03:22

Foto: Nathalia Pacheco / Divulgação

Após repercussão, conta oficial do cantor no Instagram amenizou declaração e citou jovens talentos.

O cantor e compositor Milton Nascimento, 76 anos, fez algumas declarações fortes em  entrevista publicada neste domingo (22) no jornal Folha de São Paulo pela colunista Monica Bergamo. Suas críticas foram à qualidade da música atual produzida no país.

— A música brasileira tá uma merda. As letras, então. Meu Deus do céu. Uma porcaria – opinou Milton. Emendando: — Não sei se o pessoal ficou mais burro, se não tem vontade (de cantar) sobre amizade ou algo que seja. Só sabem falar de bebida e a namorada que traiu. Ou do namorado que traiu. Sempre traição.

Milton, todavia, cita à colunista os nomes de Maria Gadu, Tiago Iorc e Criolo como músicos de que gosta na atual geração. A entrevista repercutiu neste domingo em redes sociais, mas sem contestações veementes. Milton Nascimento era o 19º assunto mais debatido no Twitter no Brasil no final de tarde de domingo (22).

Cinco horas depois de publicar uma foto da entrevista em seu perfil oficial no Instagram (@miltonbitucanascimento), a conta do músico fez uma segunda postagem amenizando o título da entrevista e citando outros nomes admiráveis, porém, na sua visão, fora do “mainstream do mercado nacional”. Por isso não foram citados. Diz o texto: 

“Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo.”

Confira o post do músico, em que marca diversos artistas e manda “um salve” a eles:

View this post on Instagram

Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo (foto acima) se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo. Milton tem muitos desses artistas por perto. São seus amigos. E conhece profundamente o que eles têm feito por nossa música. Um salve para Zé Ibarra, Tom Veloso, Amaro Freitas, Dani Black, Silva, Rubel, Tim Bernardes, Djonga, Emicida, Beraderos, Rincón Sapiência, Liniker, Marcia Castro, Luedji Luna, Cicero, Mallu Magalhães, Céu e a tantos outros queridos amigos que estão e vão estar sempre por aqui.

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Prestes a receber um prêmio da União Brasileira dos Compositores, Milton comenta ainda que não anda “com muita vontade de compor” por estar “meio triste com a vida”:

— Não com a minha vida, mas com o geral. Quero acreditar, mas não acredito muito no mundo. Principalmente na burrice, na política. Para compor não tenho tido inspiração, não — disse Milton à colunista.

O músico conta ainda que foi incentivado a não deixar de cantar pelo ex-presidente uruguaio, José Mujica.

— Uma hora ele perguntou para mim: ‘Como está a política no Brasil?’ Eu falei: ‘Tá uma merda. Dá vontade até de parar de tocar’. Ele respondeu: ‘Não. Nunca pare de cantar. Porque a música é a coisa que pode salvar o mundo’ — contou.

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Agenda Cultural

19 de setembro de 2019, 10:36

O Sarau do Galpão homenageia duas mulheres especiais neste mês setembro, a escritora, romancista, poetisa e ensaísta Conceição Evaristo, e Elisa Lucinda, poetisa, jornalista, cantora e atriz. Na noite desta sexta-feira (20), acontecerá o lançamento do livro Poesia e Texto Livre do escritor pernambucano Leo, na Livraria e Café Sertão e apresentação do Projeto Desleitura sem série!

O Galpão Payayá fica localizado no início da rua Edgar Pereira, em Jacobina.

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Morre o cantor português Roberto Leal aos 67 anos

15 de setembro de 2019, 13:30

Foto: Reprodução

O cantor português Roberto Leal morreu na madrugada deste domingo 15, em São Paulo, aos 67 anos. O Hospital Samaritano, onde o cantor estava internado, confirmou a morte nesta manhã. O artista ficou conhecido por sucessos como “Bate o Pé” e “Arrebita“.

Segundo a sua assessoria de imprensa, a causa do falecimento foi insuficiência hepática decorrente de um tratamento de câncer. Leal estava internado no hospital desde terça-feira 10, após ter uma reação alérgica a um medicamento que tomou. O cantor vinha há dois anos tratando da doença.

O velório do artista será aberto ao público e acontece na Casa de Portugal (av. da Liberdade, 602), região central de São Paulo, na segunda-feira (16), das 7h às 14h, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Carreira

António Joaquim Fernandes nasceu em 1951 em Macedo de Cavalheiros, região Norte de Portugal. Cantor e compositor, mudou-se aos 11 anos de idade com a família para São Paulo onde, na década de 1970, adotaria o nome artístico de Roberto Leal.

Suas músicas românticas e fados portugueses encantaram as plateias brasileiras. Estourou com “Arrebita“,  apresentado na Buzina do Chacrinha, em 1978, na TV Tupi (assista abaixo).

Outro sucesso do cantor foi a canção “Bate o Pé“:

Após estrondoso sucesso na década de 1970, Leal se apresentava como embaixador da cultura portuguesa no Brasil.

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