Já é uma tradição, todos os anos o Antônio comemora os festejos de Pedro.
Em uma confraternização junina que reúne familiares e amigos ao som do autêntico forró pé de serra, recheado de uma extensa variedade de comidas típicas, o casal Antônio Carlos Oliveira e Zezé, promoveu na tarde deste sábado (1°}, mais uma edição do ‘Arraiá do Coruja’, em sua residência, em Caém.
Comandada pelo grupo de forró de Fernandinho Sanfoneiro, a festa serviu como um ‘esquente’ para o segundo dia do São Pedro da cidade.
Na noite desta sexta-feira (30),, foi aberto oficialmente o “Arraiá do Papagaio”, tradicional São Pedro da cidade de Caém. O primeiro dia do que já é considerado um dos maiores eventos juninos da Bahia, milhares de pessoas de toda região curtiram as apresentações do grupo de forró Trio Jacobina, da banda Limão com Mel, Forró dos Plays e do cantor Davi Lucas.
Promovido pela Prefeitura Municipal, com apoio do Governo do Estado, através da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur), o São Pedro de Caém 2023 já é considerado um sucesso, com destaque para a ornamentação da festa, alusiva ao seu tema: ‘Uma viagem a Caém’, com trilho, túnel, estação e até mesmo um trem, produzidos com madeiras.
Organização e segurança, foram outros pontos positivos do evento que segue neste sábado com as apresentações das bandas Moleca 100 Vergonha e Brega e Vinho e dos cantores Letícia Carvalho e a sensação do momento, Luan Estilizado.
O prefeito de Caém, Arnaldo Oliveira (Arnaldinho), participou na manhã desta quarta-feira (14), na sede do Ministério Público Estadual, em Salvador, da apresentação do ‘Painel da Transparência’, sobre investimentos juninos na Bahia.
Durante o evento foi apresentada as funcionalidades da ferramenta que reúne informações acerca dos investimentos juninos feitos pelos municípios baianos. Na ocasião, os 173 municípios que enviaram ao Ministério Público estadual a planilha de investimentos relativos às festas juninas de 2022 e 2023 receberam o ‘Selo da Transparência’.
O encontro contou com a presença do coordenador e do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Proteção à Moralidade Administrativa (Caopam) do MP, respectivamente promotores de Justiça Frank Ferrari e Rita Tourinho.
O município de Caém recebeu o ‘Selo Transparência – Festejos Juninos 2023, por colaborar voluntariamente na disponibilização de informações sobre gastos públicos com os festejos juninos.
Ao ver o pai ser assassinado durante um conflito agrário, Virgulino Ferreira da Silva deixou de existir para dar lugar ao famoso e temido Lampião, considerado o “rei do cangaço” brasileiro na década de 1930.
Ele ganhou o apelido devido à facilidade que tinha em manejar o rifle que, de tanto atirar, parecia um candeeiro aceso nas escuras noites da caatinga. Foi assim que ele se tornou um fenômeno, sobretudo, histórico e político, de um anti-herói ou bandido que nem mesmo a história sabe dizer – e que depende da perspectiva de quem conta. “Não sou cangaceiro por vontade minha, mas pela maldade dos outros”, dizia ele.
O que ninguém pode negar, no entanto, é que sua luta o tornou um dos mais emblemáticos personagens da história brasileira. Nem por isso ele deixou de ser perseguido. Tão famosas quanto seu histórico, foram suas artimanhas para fugir das autoridades. A sagacidade dele foi tanta que Lampião mandou fazer suas sandálias sob medida para fugir da polícia.
O símbolo agreste
Aos 21 anos, um pouco antes de sua vida virar de cabeça para baixo, Lampião era alfabetizado – algo muito incomum para a região sertaneja e pobre onde morava – e sonhava em dar uma vida melhor a sua família. Assim que seu pai morreu, em 1919, durante um confronto com a polícia, tudo isso desapareceu.
Jurando vingá-lo, ele se juntou aos dois irmãos e integrou o grupo do cangaceiro Sinhô Pereira. Três anos depois, Lampião já se tornava o líder do bando em Pernambuco e assassinava o informante que entregou seu pai à polícia. O cangaceiro também realizou o maior assalto da história do cangaço contra a Baronesa de Água Branca, em Alagoas. Ali começavam seus anos de fuga.
Lampião foi perseguido por toda a polícia do Nordeste ao longo de 20 anos, desafiando não só as autoridades locais, como o poder central do Brasil. Ele sequestrava coronéis, assassinava seus inimigos e desafiantes com crueldade, na mesma proporção que distribuía doces para crianças e remédios aos necessitados. Lampião também se fez presente em casamentos, festas comemorativas e até batizados, dançando xaxado e cantando repentes com seu bando.
Além de suas habilidades, o homem ficou conhecido por criar um dress code que acabou se tornando um símbolo cultural por todo o sertão. Ele percebeu que a roupa seria motivo de orgulho dos seus comparsas e imporia respeito por onde passasse.
Seu apurado e extravagante senso estético incluía símbolos como a cruz de malta (associada aos cavaleiros de Malta), a estrela de Davi (que oferecia proteção mística) e a flor-de-lis (usada nos escudos da realeza francesa). Eles foram alinhados com lenços, broches, anéis, cartucheiras e coletes. Tudo isso o conferiu um ar de realeza.
História sendo feita
Mas nem tudo era apenas sobre estilo. Lampião também pensou em seu conforto e facilidade para conseguir se safar da polícia quando encomendou uma sandália com o artesão Raimundo Seleiro.
Por meio de um mandante, o homem disse que queria uma sandália diferente, com solado quadrado e sem marca da curva da sola do pé para não indicar qual era a frente do calçado. Desse modo, deixaria uma pegada quadrada na poeira, impedindo que a polícia soubesse sua direção. Ele chegou até a fazer um desenho de como queria suas sandálias.
Seleiro fez exatamente como o cliente pediu. Dias depois quando o capanga veio buscar a encomenda, ele ficou sabendo que era para Lampião. De acordo com seu filho, Espedito Velozo de Carvalho, o pai disse para que levasse a sandália sem precisar pagar.
O filho Espedito foi responsável por carregar a marca de Lampião e o legado que as sandálias se tornaram para a família, fazendo delas o item de moda mais revolucionário da história nacional.
O secretário permanente do Ministério da Defesa da Finlândia, general Esa Pulkkinen, disse que, após a adesão do país nórdico à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, passou a ser “totalmente imprevisível”, deixando em aberto o risco de uma guerra nuclear .
“Quando Putin começou a falar, no fim de 2021, sobre a proteção dos interesses de segurança da Rússia, especialmente a expansão da Otan, é claro que ele mirava a Ucrânia, mas a interpretação na Finlândia foi de que qualquer país estaria sujeito a ações”, disse ele, em entrevista à Folha de S. Paulo nessa segunda-feira (10).
De acordo com ele, a adesão à aliança militar foi consumada na semana passada, dobrando a ligação por terra da Rússia com seus rivais, “surpreendentemente rápida”. “Até abril de 2022, mais ou menos, não tínhamos certeza de que seria assim”, afirmou o secretário.
O finlandês disse que, embora já tenha se preocupado mais com a possibilidade de uma guerra nuclear , ela continua sendo um risco. Ele ainda afirmou que, no cenário atual, nem a Rússia nem a Ucrânia teria condições de vencer o conflito, iniciado em fevereiro de 2021 e que já passa de um ano de duração.
“Me preocupa muito [uma eventual Terceira Guerra Mundial, nuclear]. Já me preocupei mais, menos, mas a questão é um risco aberto”, disse o secretário, que é número 2 da pasta, ao jornal. “O problema é que ninguém sabe qual é a real linha vermelha de Putin. Será a Crimeia [território anexado pela Rússia em 2014]? Mas a Ucrânia não tem condições de tomar a Crimeia. Nem um, nem o outro tem condições de ganhar militarmente hoje.”
O general disse que, nas próximas semanas, haverá tentativas de ofensivas russas, mas não prevê resultados ou defende negociações.
Sobre a entrada na Otan , o secretário disse que a Finlândia tem muito a oferecer às outras 30 nações que fazem parte da aliança.
Apesar de ter apenas 20 mil militares, 280 mil podem ser mobilizados imediatamente.
“A Otan virou uma força expedicionária. Nós nunca abandonamos nossa defesa nacional, e temos hoje a mais poderosa artilharia da Europa, mais do que países maiores e mais ricos, como a Alemanha”, afirmou. Atualmente, a Finlândia tem 682 peças de artilharia e lançadores de foguetes. Berlim, por exemplo, soma 245 dessa armas.
Ele ainda citou a visita do presidente da França, Emmanuel Macron, ao líder chinês Xi Jinping — maior aliado de Putin —, como uma complexidade.
“Todos têm suas questões, húngaros, turcos [países que dificultaram a entrada finlandesa na Otan e ainda barram a da Suécia]. Mas com a China é complicado, até mesmo para a Finlândia, há as questões de comércio”, afirmou.
Kremlin prometeu retaliações
O Kremlin prometeu responder à adesão do país à aliança militar , dizendo que a decisão representa um “ataque à segurança” da Rússia.
“É um novo agravamento da situação. A ampliação da Otan é um ataque à nossa segurança e aos nossos interesses nacionais”, disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov. “Isso nos obriga a tomar contra-medidas. Vamos acompanhar cuidadosamente o que está acontecendo na Finlândia, como isso nos ameaça. Com base nisso, medidas serão tomadas. Nosso Exército informará quando chegar a hora.”
Com a adesão do país nórdico, a Otan duplica a extensão das fronteiras que os membros partilham com a Rússia, o que desagrada Moscou. A aliança é considerada pela Rússia uma das principais ameaças à segurança do país — a vontade da Ucrânia de aderir à organização foi um dos pontos levantados pelo presidente Vladimir Putin para “justificar” a invasão ao país e o início da guerra.
“A Finlândia nunca foi anti-Rússia e não tivemos nenhuma disputa”, afirmou Peskov. “Sua adesão à Otan afetará a natureza das relações entre Moscou e Helsinque, já que a aliança é uma organização hostil e hostil em relação à Rússia.”
Thais Medeiros de Oliveira, de 25, que foi internada em estado grave após cheirar pimenta , teve uma nova infecção , segundo relato da mãe, Adriana Medeiros, nas redes sociais. Segundo ela, os detalhes serão informados ao longo desta semana.
A jovem está sendo tratada no Hospital de Dermatologia Sanitária (HDS), em Goiânia. “Estamos aqui, ela está sendo bem cuidada, porém teve uma infecção nova”, disse Adriana.
Relembre o caso
No dia 17 de fevereiro, Thais já estava sentindo os sintomas da asma, mas resolveu viajar para a casa do namorado em Anápolis (GO). Naquele dia, ela e a família de Matheus estavam todos na cozinha, quando a mãe do namorado destampou um frasco de pimenta e todos inalaram a especiaria.
Segundo as testemunhas, a jovem não chegou a encostar no recipiente para sentir o aroma que desencadeou uma reação alérgica imediata.
“Ela tentando puxar o ar, mas o ar não ia. Era uma agonia ”, disse o namorado em relato ao Fantástico em março.
Segundo a Dra. Albertina Varandas Capelo, Coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), especiarias como a pimenta, podem desencadear sintomas cutâneos, gastrointestinais e respiratórios, como coceira no corpo, urticas, placas vermelhas, coceira na boca, dor abdominal, diarreia, náuseas, espirros, coriza, tosse e chiado no peito.
Após cheirar a pimenta, a jovem não conseguiu respirar corretamente. A baixa circulação de oxigênio para o cérebro e coração provocou uma parada cardiorrespiratória.
“Ela sofreu uma lesão irreversível. O cérebro ainda pode ter alguma recuperação, mas a gente acredita que voltar às atividades habituais dela, as atividades normais, isso, infelizmente, não”, explica Rubens Dias, médico da UTI em que Thaís estava internada.
Recuperação
Há poucos dias, a mãe de Thais publicou nas redes sociais um pouco da recuperação da filha .
“A Thais já consegue manter a coluna firme enquanto está sentada. Hoje deixamos ela assim por um tempo e assim vamos evoluindo cada dia mais, até nossa menina estar 100%. É uma longa caminhada, mas estamos dispostos para cada passo com ela”, escreveu a Adriana.
Jacobinenses e visitantes cumprem a tradição de subir os 365 degraus da escadaria da Serra do Cruzeiro, nesta Sexta-feira da Paixão (7).
Mais uma vez, um dos principais pontos turísticos da cidade não tem a atenção merecida. Vendas de bebidas alcoólicas e ausência de serviços públicos municipais são alguns dos problemas percebidos por quem visita a serra.
Local e momento que deveriam ser aproveitados para se ‘vender’ o turismo do município não têm sido explorados.
Mas mesmo com as ausências famílias mantém a tradição da ‘subida ao Cruzeiro de Jacobina’.
A Águas do Rio me cobra como taxa de esgoto, o mesmo valor aplicado na conta de água. Desejo saber se essa taxa é legal. Roberto Duarte, São Gonçalo. As tarifas de água e esgotamento sanitário suprem os custos de funcionamento e garantem a disponibilidade dos serviços, que são distintos. De acordo com a legislação vigente, elas são progressivas e diferenciadas segundo as categorias de usuários (Residencial, Comercial, Industrial, Pública, Pública Estadual e Social) e, também, diferenciadas por faixas de consumo. Assim, quem consome mais, paga mais.
Em relação à cobrança, a tarifa de esgoto é igual à tarifa da água, sendo determinada com base no consumo de água utilizado, explica a advogada Soraya Goodman.
“Em geral a tarifa de esgoto custa ao consumidor 80% da de água, porcentagem recomendada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, como coeficiente de retorno, pois 20% são perdidos na rega de jardins, evaporação, consumo de alimentos, entre outros. O volume de esgoto de cada residência deveria, entretanto, ser aferido com um relógio, assim como é feito com o consumo de água. O consumidor deve pagar pelo que efetivamente consome”, pontua a advogada.
Se é ilegal a cobrança de tarifa de água realizada por estimativa de consumo quando inexistir hidrômetro no local, conforme a jurisprudência do STJ, uma vez que enseja enriquecimento ilícito da concessionária, devendo ser cobrada tarifa mínima, o mesmo entendimento deveria ocorrer com a tarifa de esgoto isoladamente. “Em caso de dúvida em relação a cobrança ou ao consumo medido, você pode recorrer e pedir uma avaliação para a empresa prestadora do serviço. Atualmente, segundo entendimento do Superior Tribunal Federal, a cobrança de tarifa de esgotamento sanitário pode ser feita mesmo compreendendo apenas a coleta e transporte, sem tratamento dos dejetos sanitários,” esclarece Soraya Goodman.
Em relação a cobrança aos condomínios com um único hidrômetro, o entendimento da jurisprudência é que deve se dar pelo consumo real aferido e não multiplicado pelo número de unidades. Este entendimento, porém, pode sofrer mudanças, pois a Corte Superior está revendo seu posicionamento firmado no Tema 414 do STJ, salienta o advogado Átila Nunes do serviço www.reclamaradianta.com.br.
O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou a ocorrência de superfaturamento na compra de pílulas do medicamento Viagra pelas Forças Armadas , feita entre 2020 e 2021, e ordenou a devolução de R$ 27,8 mil aos cofres públicas.
A compra do medicamento foi realizada pelo Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Ao todo, foram comprados mais de 35 mil comprimidos de Viagra, remédio para o tratamento de disfunção erétil em homens e também para hipertensão arterial pulmonar.
De acordo com o processo, um dos oito pregões feitos pela Marinha adquiriu cada comprimido de citrato de sildenafila, princípio ativo do medicamento, por R$ 3,65, embora o valor médio no painel de preços do governo federal para o período fosse de R$ 1,81. A Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas do TCU calculou que o edital da Marinha resultou em prejuízo de R$ 27.820,80 aos cofres públicos.
O caso da compra de Viagra pelas Forças Armadas ganhou repercussão em abril do ano passado, quando foi revelada pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), responsável por abrir a representação no TCU, junto com o senador Jorge Kajuru (PSB-GO).
O caso foi relatado no TCU pelo ministro Weder de Oliveira. Pela decisão do TCU, que foi publicada ontem (29), o Hospital Naval Marcílio Dias tem 90 dias para devolver o valor.
“Pense num absurdo, na Bahia tem precedentes”. Esta célebre frase, cunhada por Otávio Mangabeira, que governou o Estado da Bahia de abril de 1947 a janeiro de 1951, foi dita em razão do mesmo espantar-se muitas vezes com o que via acontecer por estas bandas.
A citação desta frase não é por mero acaso, mas sim em razão de um real absurdo que está acontecendo com o estudante negro David Santos Libarino, que foi impedido de prosseguir no curso de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) após cursar três semestres na referida instituição. Aprovado em Medicina no Sisu de 2021.1, o estudante teve a continuidade do curso indeferida pela “banca de heteroidentificação racial”, no processo de aferição dos candidatos, realizado somente em outubro de 2022, quando esgotadas todas as possibilidades de David fazer uma outra opção com a nota obtida, inclusive a de apelar para uma outra faculdade.
A irresignação com a decisão de indeferimento pela Banca de Heteroidentificação Racial ocorre em diversos setores da sociedade organizada de Vitória da Conquista, como o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Comissão de Igualdade Racial da OAB-Ba, Agentes de Pastorais Negros e Negras do Brasil (APNs), dentre outros. Para todas as lideranças desses movimentos, as irregularidades da banca de aferição são totalmente inadmissíveis e injustificáveis, sobretudo porque após o indeferimento foi realizado um teste genético de ancestralidade “MyHeritage” em David Santos (veja no final do texto), onde constatou-se que o mesmo possui 40,2% de afrodescendência. Para todos os envolvidos na luta pela tentativa de reversão do resultado da banca de aferição é urgente que a reitoria da UFBA se manifeste, “o que lamentavelmente não aconteceu até o presente momento”, informam.
Avós maternos de David (foto anexada ao recurso administrativo apresentado a UFBA)
O pior, segundo a avaliação da advogada Maria Aparecida Carvalho, da Comissão de Igualdade Racial da OAB-Ba, é que a banca de aferição da UFBA/Vitória da Conquista “não deu qualquer justificativa e ou motivação para o indeferimento de David Santos”. Nos documentos apresentados pela UFBA na Ação 106996-92.2022.4.01.3307, ajuizada por David Santos na Justiça Federal, a instituição de ensino informa que “Na UFBA, a verificação como um procedimento de heteroidentificação, utiliza o ‘Método Oju Oxê’ (Olhos da e para a Justiça), desenvolvido pela professora do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Marcilene Garcia de Souza, doutora em sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde desenvolveu pesquisa sobre cotas raciais em concursos públicos. O método utiliza a seleção visual de características do fenótipo, mediante uma observação que leva em conta a presença de traços negroides, como cor da pele, formatos do rosto, nariz e lábios, textura dos cabelos etc”. Ou seja, método de avaliação absolutamente subjetivo.
Advogada Maria Aparecida, da Comissão de Igualdade Social da OAB-Ba
O Recurso Administrativo apresentado por David junto à própria Instituição também foi indeferido e não lhe restou outra alternativa senão acionar a Justiça Federal, com pedido de antecipação de tutela para reingresso no curso antes da decisão final, mas um Juiz de 1º grau negou a tutela antecipada, justificando que “os elementos constantes dos autos não são suficientes para infirmar a conclusão impugnada, notadamente porque o acolhimento da pretensão da parte autora requer a superação da presunção de legitimidade de ato administrativo, que somente pode ocorrer mediante prova robusta em sentido contrário”. Ou seja, o recorrente (David|) terá que aguardar a sentença, que só acontecerá após a instrução do processo, com manifestação da UFBA e depoimento das partes envolvidas.
No recurso o autor (David) argumenta, em síntese, que “a etapa de Heteroidentificação complementar a qual foi submetido ocorreu em 10 de outubro de 2022, portanto no fim do 3º semestre, quase 2 anos depois de iniciado o curso, consequentemente sendo extemporânea aos processos de pré-matrícula ou matrícula”. E, ainda, que “a etapa ocorreu pelo método “COMPARATIVO”, onde a “COR” e os “TRAÇOS FENÓTIPOS” dos alunos participantes eram comparados com aqueles já deferidos ou indeferidos”, e que no dia foram tiradas fotos do Autor pela própria banca examinadora”.
Os pais de David no dia do matrimônio
Enquanto não se decide o imbróglio administrativo e jurídico, David Santos e parentes, especialmente Márcia de Jesus Santos, sua mãe, padecem com a possibilidade da interrupção da realização de um sonho de uma família reconhecidamente humilde e lutadora. Para se ter uma ideia, para entrar com a ação na Justiça Federal David foi obrigado a rifar a própria bicicleta que usava para ir para a faculdade. Sem qualquer condição de arcar com os honorários do advogado, teve que recorrer a ajuda de amigos, em especial do professor Alcides Fagundes, que criou uma rifa virtual para ajudar na complementação do valor cobrado pelo advogado.
Professor Alcides Fagundes
Uma das lideranças do movimento, o professor Alcides reclama da insensibilidade de uma instituição de educação “que não se coloca no lugar desses meninos recém- saídos de uma pandemia. Com a manutenção do indeferimento ela (a Instituição) estará causando danos ao patrimônio, pois a vaga vai ficar vazia, sem ninguém para ocupar. É enorme o prejuízo desse rapaz. Com a ocupação da vaga durante três semestres, ele perdeu o direito de lançar sua nota no segundo Sisu; não pôde fazer o segundo Enem, e também não pôde fazer nenhum dos outros vestibulares. Se soubesse antecipadamente que seria indeferido, com a nota obtida ele passaria tranquilamente em outras faculdades, então foram-lhe ceifadas todas as possibilidades de buscar outra alternativa. Como educador, sei da importante de fazermos as pessoas lutarem por seus direitos, inclusive porque é a partir daí que conquistaremos mais direitos”, conclui.
David e seus avós paternos e seus pais
Desesperada com a possibilidade de o filho perder a vaga conquistada com muita luta e dedicação, Márcia de Jesus Santos, ex-faxineira e mãe solo (o pai de David o abandonou quando ele tinha apenas dois anos) desabafa: “Eu realmente estou indignada. Depois de muito sacrifício, somos de família pobre, meu filho conseguiu realizar o sonho de entrar na faculdade de Medicina, pois desde criança ele dizia que queria ser médico. E agora, dois anos depois, a Banca diz que ele não é mais pardo, que ele é branco. Meu pai é negro, minha mãe é negra, minha família é toda negra. Eu sou parda e o meu filho ainda é mais moreno que eu. É uma injustiça tremenda o que ele está passando, porque a gente nunca teve condições e estão roubando um direito que é dele, é dele mesmo. Isso me deixa indignada, nossa família toda está sofrendo, esse problema está envolvendo a cidade toda. Então é uma injustiça tremenda o que estão fazendo com ele”,
A APNs – Agentes de Pastorais Negros e Negras do Brasil encaminhou ofício ao diretor da Universidade Federal da Bahia/Campus Anísio Teixeira solicitando “que fossem consideradas as alegações sobre o fato inequívoco e extemporâneo de convocação do estudante para a Banca de Heteroidentificaçao”, argumentando que “no que pese todo o pioneirismo dessa egrégia Instituição de Ensino (IES) na adoção de politicas afirmativas destinando reserva de vagas para estudantes negros, pardos e indígenas, observa-se que o estudante não foi submetido ao processo na data e horário definidos pelo edital, mas de maneira extemporânea, no final do 3º semestre, quase dois anos depois de iniciado o curso de Medicina”.
Heberson Sonkha
Segundo o militante negro Herberson Sonkha, do Movimento de Luta nos Bairros e um dos maiores apoiadores da causa de David, “em qualquer sociedade contemporânea, sobretudo aquelas organizadas por constituições de orientação federalista estadunidense, de tradição anglo-saxônica ou austro-germânica, as formas de racismos não foram superadas. Desse modo, para as constituições liberais (como a nossa), os racismos estão cada vez mais recrudescidos. Espera-se do Estado, que os Direitos Humanos cumpram essa tarefa de erradicar os racismos nas democracias contemporâneas”.
Teste genético de ancestralidade “MyHeritage” de David Santos