ARTIGOS

Opinião: Que 2020 sirva de lição

30 de dezembro de 2020, 14:54

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima  –  

Entre os pedidos que estão no topo dos desejos da população mundial, o de esquecer o ano de 2020, como se ele não tivesse existido, aparece como um dos principais. As consequências provenientes da contaminação do novo coronavírus e o desenvolvimento da Covid-19, doença causada por esse agente infeccioso, causaram um verdadeiro rebu mundial. Depois de mais de um século da última pandemia (Gripe Espanhola), a humanidade, que há cerca de 11 meses pregava saber de ‘quase tudo’, descobriu que ‘quem sabe menos das coisas sabe muito mais que ela’.

Pois bem, o ano de 2020 não é para ser excomungado e muito menos esquecido, até porque não seria ele o responsável por todo o mal que aconteceu neste intervalo de tempo que o planeta terra completa (ou) mais uma volta em torno do Sol. 2020 é motivo de se comemorar por ter mostrado a fraqueza para os que se achavam fortes, a dor para os insensíveis, a fé para os incrédulos e o amor para os mal-amados. Um momento de reflexão, compaixão e empatia, recheado de interrogações espirituais, propósitos e provações.

Este é (ou foi – depende do dia em que está lendo este texto) o ano que as pessoas providas de sensatez, coerência, ponderação, equilíbrio e discernimento conseguiram entender, e dentro do possível aceitar, de forma que, o que para muitos foi um dano, na verdade foi um momento de compreensão e de lições, principalmente de vida.

Enxergar a realidade é ter a capacidade não só de encará-la, mas de enfrentar, lutar e vencer. Durante uma batalha o guerreiro não tem tempo para saber o motivo do combate, o importante no momento é se defender e se manter vivo, usando todos os recursos que lhes é oferecido. Procurar culpado neste momento não resolverá o problema em que está envolvido ou foi submetido.

As indefinições, as incompreensões, as incertezas, as angústias e todos os medos serão substituídos pela gratidão, compaixão, generosidade, resiliência, esperança e amor a si próprio e ao próximo. Acreditar que o melhor está por vir não é vaticinar, é ter fé no homem e fé na vida.

Antes de pensar em procrastinar o uso de um determinado medicamento por acreditar em conspirações ou em opiniões irresponsáveis daqueles que deveriam usar a coerência e a importância da função que exerce, é bom lembrar que a erradicação de diversas enfermidades se deu por conta do uso de imunizantes específicos, das vacinas. A vacina é a forma mais eficaz de prevenir doenças em todas as fases da vida. Elas defendem o organismo dos vírus e bactérias que provocam doenças e podem até levar o indivíduo à morte.

Milhares de brasileiros tiveram paralisia irreversível ou morreram por conta da poliomielite, até que uma vacina foi desenvolvida e a doença é considerada atualmente erradicada no país. Pense nisso!

Ano Novo, Viva a Vida!

*Jornalista e historiador

 

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Os sotaques que temos em um país que desejamos

16 de dezembro de 2020, 11:07

*Por Gervásio Lima –  

Por maior que o Brasil seja, a língua portuguesa segue a mesma em qualquer região, sofrendo apenas algumas mudanças no som e no ritmo da prosa. O modo de falar se difere de uma região para outra, pois as origens dos sotaques brasileiros estão na colonização do país feita por vários povos em diferentes momentos históricos. No Sul, por exemplo, tem a influência dos alemães, italianos e outros povos vindos do leste europeu.

Existem os sotaques admirados, os considerados engraçados, os execrados e até mesmo os romantizados. O porreta é que é possível identificar o estado de origem de uma pessoa a partir das expressões vocais utilizadas em sua fala. Talvez, os mais fáceis de serem identificados estão o ‘nordestinês’, o ‘gauchês’ e o ‘mineirês’. Não precisa, por exemplo, dizer que é baiano, basta falar em algum momento as palavras ‘oxente ou mainha’; assim como falar ‘aperreado e avexado’, para se saber que se trata de um pernambucano arretado. “Pense num trem bão sô essa miscelânea linguística brasileira”, disse um mineiro que foi de pronto apoiado pelo gaúcho, “Bah, não é que é verdade tchê”?

De todos, o modo de falar na região Nordeste é o mais diversificado. Em cada estado e suas respectivas regiões há variações no sotaque dos nordestinos. De acordo historiadores o popularmente conhecido “sotaque nordestino” se originou da influência portuguesa, juntamente com uma influência francesa depois de alguns anos. A quem diga que é o sotaque mais gostoso de se falar, assim como a sua culinária regada à buchada de bode, mocotó, ensopado de rabada, galinha caipira e o famoso acarajé da Bahia.

‘Barril’ é como os baianos chamam algo muito bom. Porém, barril também pode ser usado para falar de algo muito feio. Já ‘alma sebosa’ é como os pernambucanos chamam alguém ruim, assaltante, aquele que só faz coisas ruins para os outros e o ‘Tabacudo’ é a pessoa besta, que não é muito esperta.

No dialeto sulista as palavras são consideradas incomuns e muitas vezes apenas seus moradores sabem os verdadeiros significados. Por lá, ‘guapecada’ é um tipo de cachorro sem raça definida; cão desobediente, vadio; pessoa que não gosta de trabalhar; pessoa sem-vergonha; quem não cumpre a palavra empenhada. No nordeste seria um ‘vira-lata’, ‘pra nada’, um ‘cara lisa’. O ‘xucro’ na Bahia é o mesmo que ‘um bicho do mato’, enquanto o ‘surungo’ no Rio Grande do Sul é ‘baile de gente simples’, por aqui é conhecido como ‘forrobodó’, ‘arrasta-pé’, ‘risca faca’, ‘brincadeira’ e ‘rala-bucho’.

Que os piás, os buguelos, os carinhas, os guris, os pivetes e demais crianças de todas as regiões brasileiras recebam as bênçãos do Menino Jesus neste Natal. Que as diferenças fiquem apenas nos sotaques, e as ações para o bem, o respeito e a empatia prevaleçam, independente da naturalidade.

Que o coroa da barba de algodão e o chapéu do Saci Pererê envie o presente que os pequenos e os grandes seres humanos aguardam o mais rápido possível, a vacina contra o novo coronavírus.

*Jornalista e historiador.

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07 de dezembro de 2020, 12:31

Foto: Montiez Rodrigues

Há exatamente dois anos que não piso numa igreja. Foi quando escrevi este texto:

Saindo do Bar do Tonho, na Praça Rio Branco,  entrei por um beco onde dei de frente com a Igreja da Conceição toda remodelada, de pintura nova e toda enfeitada para a festa do feriado da Santa que será amanhã. Há décadas que não ponho os pés numa igreja, mas lembrei-me da velha piada do cachorro que entra na igreja só porque vê a porta aberta. Ali, vadio como um cão e fascinado pela arquitetura recauchutada, curioso, adentrei-me além do umbral, e fui por onde os mistérios da fé se espalham pelas paredes e colunas carregadas de ícones.

Achei lindo o altar! Barroco de se mergulhar no tempo de quando o templo foi inaugurado no século XVIII. De dentro, o céu do fim da tarde parecia tão bege quantos os tons claros que se refletiam por toda a Igreja, riscados por colunas de um outro bege beirando a marrom. Sentei-me num banco para apreciar os vitrais e só não me ajoelhei porque me faltou reza. Minha alma silenciosa, pensamentos anulados e, feito um cão que invadiu o portal, fiquei contrito. Sem nada pedir, uma paz baixou sobre mim deixando-me tão pequeno que, saindo de mim mesmo, mal pude enxergar meu estado, meu físico, minha existência, meu nada.

De rabo entre as pernas, saí imaginando que a religião e a fé não estão ao alcance das mentes complexas e furiosas que em tudo vêem manipulação ou teoria da conspiração. A mente quanto mais irracional, mais intensa. A fé, o pensamento científico não a interpenetra, a lógica fria não a descreve. Só o amor, a confiança, a crença num ser superior, estes baluartes da crença, podem dar conforto à alma aflita.

Existe um mundo simples de pessoas simples que não se arvoram a ser Deus, que possuem o amor e a simplicidade de Jesus a pautar suas vidas.
Quisera eu ter a simplicidade da mente de um cachorro que vê apenas o que vê sem se perder pelos meandros do espírito vadio de uma ovelha desgarrada. Jiddu Krisnhamurti escreveu em Viagem Por Um Mar Desconhecido que deveríamos aprender a ver. Ver através do véu das representações cerebrais, sem idéias preconcebidas. Somente levantando o Véu de Isis é que realmente poderemos vê-la em toda sua plenitude. Nossa Senhora!

BENDITA SEJAS, MÃE IMACULADA DA CONCEIÇÃO! EU TE SAÚDO!
🎼🎶🎵
Nossa Senhora, me dê a mão!
Cuida do meu coração!
Da minha vida
Do meu destino…🎵🎶🎼🎼🎶🎵

 

Por Montiez Rodrigues 

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O DIA DE SANTA BÁRBARA

04 de dezembro de 2020, 12:29

Hoje, 4 de dezembro, é o dia dedicado àquela que é considerada pela hagiografia católica(a história dos santos) como protetora contra tempestades com raios e trovões Parece contraditório que uma Santa, que em vida foi uma mulher belíssima, esteja associada há algo tão brutal como raios, trovões e a procela em todo seu furor. Em outras mitologias este poder sempre foi atribuído a entidades masculinas como Zeus(grego), Thor, filho de Odin(nórdico), Seth(egípcio), Raijin(japonês) e Lei Gong(chinês). A exceção fica por conta da bela e poderosa Iansã no candomblé baiano que, como Orixá dos fenômenos climáticos, também é conhecida na umbanda como Oyá.

Bárbara de Nicomédia (280 – 317) d.c. começou sofrer o martírio, provavelmente no Egito ou na Antioquia, por volta de 313d.c. Sua vida foi escrita em diversos idiomas: grego, siríaco, armênio e latim. Conforme a lenda, Santa Bárbara era uma jovem belíssima. Padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulminou seu assassino. Em função disso, Santa Bárbara passou a ser invocada contra tempestades, temporais e tormentas e como protetora contra os raios.
Isso teria se passado no dia 4 de Dezembro de 317, hoje dia dedicado à Santa. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil. Aqui, Santa Bárbara é a Padroeira dos Mineiros.

Que as velas amarelas e vermelhas se acendam por toda a Bahia no dia de hoje em homenagem a Iansã. E que as velas brancas iluminem os altares dos templos anglicanos, ortodoxos e os da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana espalhados pelo mundo.

VIVA SANTA BÁRBARA!

Montiez Rodrigues

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O perigoso subestimo a um vírus que mata

03 de dezembro de 2020, 09:30

*Por Gervásio Lima –  

O mundo todo aguarda com ansiedade a produção e aprovação de uma vacina que consiga prevenir a transmissão do novo Coronavírus e curar os infectados da Covid-19. Cientistas, médicos e autoridades sanitárias correm contra o tempo para frear uma das piores pandemias que a humanidade já enfrentou. Já são mais de 1,5 mi de mortos e mais de 65 milhões de infectados em todo o planeta. No Brasil cerca de 175 mil mortes e 6 milhões e 500 mil infectados. Os números só crescem, mas inacreditavelmente é possível encontrar quem subestime a gravidade da situação.

O sofrimento dos que foram acometidos pela infecção e as conseqüências provocadas pela doença geralmente são compartilhados por familiares, amigos e por pessoas sensíveis à dor alheia. Apenas estes possuem a capacidade racional de perceber que a vida é mais importante, não importa de quem seja. Satirizar um mega problema é reconhecer a incapacidade de agir como um ser humano. Tal comportamento é típico de sujeitos nocivos, de abutres.

Infelizmente o Coronavírus é uma realidade maléfica que não escolhe raça, gênero, religião ou classe social. Todos estão sujeitos a ser a próxima vítima. Não tem reza, oração ou dinheiro que livre da contaminação. Enquanto não for disponibilizado um antídoto, o melhor remédio para evitar a contaminação e a disseminação do vírus é respeitar os protocolos de saúde, seguindo algumas recomendações básicas como evitar aglomerações, manter o distanciamento social, lavar sempre as mãos com água e sabão ou usar o álcool em gel.

Não se pode vacilar. O Coronavírus mata!

Com o fim do processo eleitoral, quando foram eleitos prefeitos e vereadores de todo o país, a quantidade de casos confirmados da Covid-19 cresceu absurdamente em várias cidades, fruto das manifestações políticas irresponsáveis que ocorreram nos quatro cantos. Verdadeiros carnavais fora de época juntaram centenas e milhares de pessoas sem o uso de proteção facial.

A conta está chegando, e em diversos municípios o sistema de saúde já beira o colapso com o aumento do número de internamentos, principalmente nas Unidades de Terapias Intensivas (UTIs). Quem é o culpado por esta situação, o influenciador ou o influenciado? O votado ou o votante? Na verdade o momento não é para acusar e sim se cuidar. Em qualquer ambiente, mantenha o distanciamento social e evite aglomerações. Quando você se cuida, ajuda também todos ao seu redor.

> Se puder, fique em casa.
> Se sair, use máscara.
> Lave sempre as mãos.
> Evite aglomerações.
> Mantenha o distanciamento social

×Jornalista e historiador

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Nem toda pergunta é esclarecida e nem toda resposta convence

20 de novembro de 2020, 09:49

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima –  

Existem momentos na vida que nem toda pergunta será esclarecida e nem toda resposta convencerá. A interrogação não se completa quando não é respondida, assim como não existe resposta sem uma provocação. Na política a interrogação é o político e o eleitor seria a resposta, daí quando um não concordar com o outro o resultado fatalmente será negativo para o primeiro.

Uma pergunta mal elaborada está no mesmo nível de uma resposta ‘mal dada’. Quando as duas partes não necessariamente se completam, em algum momento o indesejável pode acontecer. O correto é valorizar a sensatez e o equilíbrio, com a razão sobressaindo, sempre, à emoção, em qualquer situação.

A eleição que escolheu os prefeitos e vereadores de municípios brasileiros aconteceu em uma das datas consideradas mais importantes para o Brasil, 15 de novembro, no dia em que se comemora a Proclamação da República, um regime inicial marcado pelo autoritarismo, mas que abriu as portas para o regime democrático. Seu significado foi caracterizado pela liberdade de expressão e o direito da população ao voto para decidir quem governaria o país, fatores que antes não eram executados pelo regime monárquico (sendo o imperador o chefe de estado).

Prevalecendo o livre-arbítrio, a democracia novamente saiu vitoriosa, mesmo não agradando a todos. Tristeza para uns, alegria para outros.

A partir de agora a disputa passa a dar lugar à esperança e o desejo de dias cada vez melhores. Neste momento o papel do eleitor será tão importante quanto os mandatos daqueles escolhidos pela maioria. Sai o apoiador político e entra o cidadão, aquele que cuida, que luta e principalmente fiscaliza as ações do Executivo e Legislativo de suas cidades.

A vida continua e importante é viver coletivamente, dividindo o que for positivo e ajudando a combater o que for negativo.

Viva a democracia!

*Jornalista e historiador

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Vá, vote e vença!

11 de novembro de 2020, 15:10

*Por Gervásio Lima –  

Chegou a hora em que todos os brasileiros, sem distinção, estarão tendo o mesmo direito e a mesma responsabilidade na escolha dos representantes para o Executivo e o Legislativo dos seus municípios. Neste domingo, 15 de novembro, milhões de eleitores vão as urnas cumprir um dos mais importantes papéis do cidadão, o voto, considerado um direito universal no Brasil.

O voto é a grande arma do povo para mudar a política. Desperdiçá-la, não votando, piora a situação. Quando o eleitor opta por não votar, independentemente de quem seja ou de qual bandeira empunhe o candidato, estará dando aos outros a oportunidade de tomarem as decisões sem a sua participação.

No momento de votar na urna existe a privacidade para escolher o candidato e o registro do voto será anônimo. Serão poucos segundos que poderão determinar o que acontecerá em 4 anos nos municípios brasileiros. É preciso ter a consciência que o voto é o responsável com o que acontecerá de bom ou ruim para uma população. Por isso se faz necessário eleger políticos de ficha limpa e conduta aceitável.

No jogo democrático, todas as partes possuem seus direitos e seus deveres. Não se pode minimizar a importância da participação do eleitor pois cada voto conta, e muito; por tanto é necessário cumprir este importante compromisso, obedecendo, é claro, as normas de segurança para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Vale salientar que o trabalho do eleitor não acaba depois das eleições. Afinal de contas, as eleições são apenas uma primeira etapa de um longo ciclo, que se repete a cada quatro anos. Após as eleições o eleitor deve assumir de fato o papel de cidadão e acompanhar e fiscalizar o trabalho de seus representantes, especialmente aqueles que ajudou a eleger.

O futuro é construído a partir do presente. A vida é de escolhas, cada pessoa tem o livre-arbítrio de decidir e tentar acertar não tem custo, enquanto procurar o erro gera consequências que podem marcar toda uma vida. É bom sempre lembrar que a qualidade do fruto dependerá de como a árvore foi plantada e tratada.
A seriedade é uma qualidade do bom caráter. Neste domingo (15), não brinque de votar. VÁ, VOTE E VENÇA!

*Jornalista e historiador

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Trágico ou cômico? A escolha é sua

04 de novembro de 2020, 14:38

* Por Gervásio Lima  –  
Seria trágico se não fosse cômico, ou seria cômico se não fosse trágico? Para o momento que vive o mundo, em especial o Brasil, essas celebres frases se encaixam de trás para frente e de frente para trás; tão confusa e bagunçada a vida de boa parte da população. A forma da pronuncia não seria o fato relevante neste instante. Como na matemática, ‘a ordem dos fatores não altera o produto’, ou seja, na soma de dois diferentes números, não importa a ordem em que estejam, o resultado é sempre o mesmo.

Incerteza, atribulação, intolerância, medo e outros sentimentos ruins estão permeando cotidianamente as sociedades. A ansiedade e a angústia convivem lado a lado, provocando apreensões e sofrimentos coletivos. Incitação ao ódio, disputa de poder, perda de direitos, desemprego, fundamentalismo, intolerâncias religiosas, de raça e de gênero, violência desenfreada e a pandemia são os principais temas da atualidade, onde a falta de empatia é uma realidade e já está causando prejuízos nas relações humanas.

O cômico se transformou em sátiro e ao invés de engraçado e fazer rir (expressando alegria) passou a ser maledicente e sarcástico. Piadas de mau gosto, com significados dúbios são contadas irresponsavelmente até mesmo por aqueles que deveriam ser e dar exemplos, mas preferem pregar o conflito embasado em mentiras descabidas.

Como uma espécie de ‘tsunami cívico’, comportamentos indecorosos têm levado o Brasil a um desastre moral nunca visto na história, com perdas de credibilidade, identidade e de protagonismo em diversas áreas. De lugar de destaque no mundo, a ‘nação canarinho’ sucumbe ao fracasso.

Errar sem saber que está errando é inocência, enquanto que saber quer irá cometer um erro é um ato criminoso e desumano. Criar condições para que o semelhante sofra é ir de encontro a todos os princípios sociais e bíblicos, para os cristãos. Viver em comunidade é dividir o espaço de forma igualitária, agindo de forma que todos sejam beneficiados com os mesmos direitos. O individualismo tem tornado as pessoas cada vez mais egoístas e instaurando um inédito desequilíbrio social.

Está aí o tamanho da responsabilidade da escolha consciente daqueles que serão os representantes nas câmaras e prefeituras dos municípios brasileiros. Ao se encontrar com a urna eleitoral, na cabine de votação, é bom lembrar que a soberba é um dos piores defeitos do ser humano. Na Escritura Sagrada “a soberba precede a queda, comanda as intenções do mentiroso e dirige a vida do ladrão”, por tanto é sempre bom atentar para o que está escrito: ‘o orgulho leva à destruição, e o espírito arrogante, à ruína’.


* Jornalista e historiador

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Arrependimento não mata, gera consequências

26 de outubro de 2020, 13:11

*Por Gervásio Lima  –

No próximo dia 15 de novembro todos os brasileiros aptos a votar estarão de volta às urnas depois de um intervalo de pouco mais de 4 anos, quando aconteceu a última eleição para escolha dos representantes do Executivo e Legislativo dos municípios. É uma oportunidade única de fazer valer um dos principais direitos cívicos, o de escolher democraticamente aqueles que irão ser os representantes na esfera municipal. Como telespectadores os eleitores terão a oportunidade de julgar, mesmo que seja no seu íntimo, os candidatos que se apresentaram ou foram apresentados.

As pessoas se arrependem do que fizeram e do que deixou de fazer, ou seja, se arrependem com tudo. Mas, o que seria do arrependimento se ninguém mudasse de atitude? A vida não é só de acertos, não precisa ser inteligente e ter escolaridade para ter coração, alma, caráter e personalidade. Por tanto, arrependa-se e conserte aquilo que deu errado, seja qual foi o erro.

Se tratando de eleição política, a saída para evitar se arrepender talvez seja aprender a fazer escolhas melhores, não se auto enganar e, se possível, analisar antes todas as consequências positivas e negativas do voto. Assim, o risco de se arrepender depois é menor.

No dia da eleição, na cabine eleitoral, a opção do votante não poderá ser refém da estratégia utilizada na campanha do votado. Para não incorrer em erro, é bom saber que a maneira como o eleitor se comporta no presente pode traçar ocorrências negativas no futuro. Apesar de ser uma decisão individual o voto faz parte de uma grande força coletiva, capaz de mudar literalmente uma história. Pense nisto.

A vida é feita de escolhas e assim como em uma competição é submetida a regras que estabelecem quem vence e quem perde. A maneira como se preparou físico e psicologicamente e o comportamento no momento de uma disputa são os responsáveis pelo resultado. As opções tomadas e as estratégias aplicadas traçarão o tamanho da vitória ou da derrota.
Ser campeão não é sinônimo de ‘ser um vencedor’. Ganhar não é uma regra para os que vivem em constante competição. O importante é lutar; vencer é uma consequência e nem sempre uma escolha.

Emoção e razão são sentimentos distintos, apesar de um contemplar o outro e serem lembrados simultaneamente. Quando se trata de comportamento humano os dois precisam inevitavelmente estar juntos, com a razão aparecendo sempre em primeiro plano.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador 

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Chegou a vez dos ‘verdadeiros falsos profetas’

14 de outubro de 2020, 14:38

*Por Gervásio Lima

Transferir responsabilidades como forma de fugir de determinada realidade é um ato covarde, característico do fraco, um comportamento do mau-caratismo que beira à insanidade. Negar uma verdade como forma de escapar do que considera desconfortável é de extremo egoísmo, uma irresponsabilidade.

A busca pelo poder expõe, torna vulnerável, humilha e machuca os que são utilizados como ‘massa de manobra’ para que os intentos dos que se dizem representar, ou serem representantes, geralmente chamadas de ‘classe dominante, sejam concretizados. Este tipo de comportamento é perceptível com mais frequência em ano eleitoral, quando ‘lobos e cordeiros’ disputam o mesmo espaço e com os mesmos direitos, com o agravante de que um pode estar travestido e, se passando pelo outro, pode ocupar um lugar onde nunca poderia ser confiado em estar.

“Fulano é gente boa, prestativo, correto em suas atitudes, trabalhador, capacitado em suas funções…, mas cicrano, apesar de não possuir as mesmas qualidades precisa mais do mandato de vereador pois ainda não tem uma casa para morar”. Este é um trecho verídico de um discurso que demonstra claramente a falta de noção de um eleitor. Um dos momentos mais importante para uma população tem sido tratado como uma futilidade. Votar achando que irá contribuir com a possibilidade de seu candidato use o provável mandato como caminho para a aquisição de um imóvel é um crime moral tanto quanto os métodos espúrios que venham a ser utilizados por um político para se capitalizar. Usar a coerência e a consciência inteligentemente na hora da escolha diminuirá o risco de decepções.

Por mais inocente que seja, o eleitor que precisa ter no mínimo dezesseis anos para exercer o direito do voto possui o discernimento necessário para fazer suas escolhas, quiçá um adulto, principalmente aquele calejado em decepções eleitorais. Alegar que o período para avaliar o perfil de determinado candidato é muito curto não seria a justificativa mais correta a ser aplicada. Das convenções partidárias, onde se conhece oficialmente os interessados em concorrer a uma vaga no Legislativo ou no Executivo, até o dia das eleições o eleitor passa a ter até mais de sessenta dias para avaliar os nomes postos.

Todas as escolhas são individuais e as decisões idem, mas durante uma campanha eleitoral é preciso ficar atento aos ‘verdadeiros falsos profetas’ treinados para persuadir e enganar os desprovidos de atenção e conhecimento. Não custa lembrar que todos são responsáveis pelos seus atos, por tanto, a opção de errar também é individual e ‘intransferível’, ficando além da culpa por um inevitável estrago coletivo, o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento.

*Jornalista e historiador

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