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Político não é profissão, corretor imobiliário sim

16 de setembro de 2019, 11:59

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima – 

Em qualquer área de atuação o conhecimento identifica a qualidade do profissional, mas apenas saber não caracteriza o sujeito como completo. A teoria é fundamental, é a base e o enriquecer do conhecimento; enquanto a prática, não menos importante, é o complemento essencial e a realidade da concretização.

Não basta querer ser, é preciso ter certeza do que almeja. Convicto de sua escolha, o próximo passo é ‘se jogar’ naquilo que decidiu fazer, sem medo de ser feliz. Contudo, não obstante, no entanto… Faz-se necessário utilizar sempre a responsabilidade e a humildade como parâmetros.

A identificação da vocação não se aplica somente na escolha da profissão que exerce ou venha a exercer. Algumas atividades requerem estudos de um dado conhecimento, como as profissões de médico, engenheiro, biólogo, e assim por diante, enquanto para outros trabalhos não se exige necessariamente a posse de um diploma, nem um simples certificado de escolaridade.

Quando se trata da política, então, sendo ‘profissão um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional’, seria correto afirmar que político não é profissão. Na visão de especialistas na área, é uma função de caráter temporário e seria inadequada uma comparação dos políticos com a classe trabalhadora, pois a função dos políticos é representativa e não prestadora de serviços.

A atuação política pode até não ser formalmente considerada uma profissão, entretanto não faltam pessoas que fazem dela uma carreira, seja apenas para suprir interesses pessoais, seja para atender às “demandas sociais”. Muitos vêm na atividade a possibilidade de ascensão. Difícil, então, abrir mão dos privilégios, prática comum nos rincões do Brasil.

O ‘profissional na política’ não é o mesmo de ‘profissional político’. Um seria “cobra criada” e o outro a própria criatura.

Existem prefeitos e vereadores que vão mais longe. Vez ou outra aparecem notícias escabrosas de práticas abusivas daqueles que foram confiados os votos da população. Por está exercendo um cargo eletivo, temporário, gestores e edis se acham donos das povoações que representam. Se vacilar eles leiloam e vendem os patrimônios públicos de suas cidades. Aí sim, se transformariam em corretores imobiliários, aquele profissional re realiza a intermediação entre o vendedor e o cliente que deseja comprar um imóvel urbano ou rural. Profissão de corretagem.

 

*Jornalista e historiador

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1880, histórias de uma década

26 de julho de 2019, 13:47

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima – 

Foi no século XIX (1801 – 1900), a partir da sua segunda metade, que a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos e sociais. Nesse período se mudou a forma de governo, foi feita a Constituição, se iniciou a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado e as fazendas de café e outras lavouras se modernizaram. As cidades cresceram e nelas as primeiras indústrias se instalaram.

A década de 1880 foi marcada por diversos e importantes fatos históricos no Brasil. Entre os de maior relevância estão a independência do Brasil (1822), abolição da escravatura (1888), a e proclamação da república (1889). Neste espaço de tempo, mas precisamente em 28 de julho de 1880, foi elevada à categoria de cidade por uma Lei Provincial, a “Agrícola Cidade de Santo Antônio de Jacobina”. Um reconhecimento que aconteceu somente 160 anos depois da localidade ser promovida a distrito (1720); 158 anos após ter se tornado município (1722) e 128 anos depois de ser pronunciada como ‘freguesia’ (1752).

A cidade do Ouro, nome carinhoso dado por conta das minas de ouro que atraíram os portugueses e bandeirantes paulistas no início do século XVII, chega aos seus 139 anos de emancipação política com os mesmos problemas de uma localidade que não possui ‘vida própria’. Famosa por suas belezas naturais, culturais e arquitetônicas, Jacobina vem sendo devassada há mais de 250 anos. Sua capacidade de se transformar em um dos principais municípios do Estado da Bahia, do ponto de vista econômico, através da oferta dos mais diversos tipos de serviços, é barrada na incapacidade daqueles que a população ao longo das últimas décadas vem acreditando. Urge a necessidade da discussão e elaboração de um plano de desenvolvimento por toda a sociedade jacobinense. Identificar, de forma coletiva, os gargalos que têm limitado o desempenho e a capacidade de o município avançar se faz necessário.

Possuir atrativos turísticos e não saber usar é como ter a chuteira e a bola e não ter um local para jogar, ter igrejas, festas religiosas e não saber rezar ou orar, ter o ouro e não possuir a jóia e ser hospitaleiro e não receber visitas.

Esperar que as soluções para tornar-se auto-sustentável apareçam apenas com a ajuda externa é uma aposta arriscada. Explorar o potencial que possui com políticas sérias é uma estratégia inteligente e beneficiará todo o conjunto. O bom gestor não é sinônimo de administrador e sim aquele que ousa, encoraja, intenciona e age.

A certeza de dias melhores só existe quando as obrigações são realmente cumpridas e a maior festa de aniversário de uma cidade é a comemoração por este cumprimento.

Coragem e força Jacobina. Feliz aniversário!

*Jornalista e historiador

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Manda quem pode e obedece quem tem juiz

25 de julho de 2019, 14:47

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima  – 

Os diálogos que têm vindo a público envolvendo o então juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, são considerados por juristas e outros especialistas e estudiosos do assunto uma ‘aberração judicial’; o maior escândalo do judiciário brasileiro.

As trocas de mensagens através do aplicativo Telegran, reveladas a partir das reportagens do The Intercept Brasil, uma premiada agência de notícias internacional, extrapolam o que é legal nas funções de cada um dos envolvidos. A ‘vaza jato’, como está sendo chamado o episódio, tem apresentado gravíssimos crimes. 

A prisão de acusados de hackear, invadir e adquirir informações dos celulares das autoridades que fazem parte da mais alta cúpula da Operação Lava Jato (que visa apurar lavagem de dinheiro), seria suficiente para dirimir a gravidade das conversas grampeadas? O que seria mais importante neste momento, prender e condenar quem bisbilhotou ou investigar a veracidade do que o ‘bisbilhoteiro’ tornou público?

Os flagrados precisam ser investigados. Não basta apenas prender quem conseguiu ter acesso ao que foi dito. A população, a mais castigada e principal vítima de todo o imbróglio vivido no país nos últimos anos, merece uma resposta contundente e verdadeira. As instituições representativas e fiscalizadoras não podem se acovardar neste momento de extrema tensão entre acusados e acusadores. É preciso identificar quem são os coringas e quem são os D´Artagnans.

Não parece ser a melhor opção tentar confundir a opinião pública com o abafamento e descaracterização das denúncias. É difícil acreditar que órgãos de imprensa que sempre pregaram a moralidade e que gozam da credibilidade perante a um sem número de leitores e seguidores, como o grupo Folha de São Paulo e a revista Veja, fechassem parceria com a Agência Intercept, com publicações dos diálogos através de mensagens de textos e áudios, sem ter a certeza da veracidade dos fatos expostos.

Muito estranho também encontrar um hacker acusado de invadir celulares de ministros e até presidente da república em sua residência, portando milhares e milhares de reais e imaginando que não seria descoberto. Muita inocência para um super dotado da tecnologia continuar vivendo na capital da laranja do Brasil (Araraquara) depois de supostamente cometer um crime de tamanha proporção. 

Sobre The Intercept Brasil – O The Intercept Brasil é uma premiada agência de notícias dedicada à responsabilização dos poderosos por meio de um jornalismo destemido e combativo. Suas investigações aprofundadas e suas análises implacáveis se concentram em política, corrupção, meio ambiente, segurança pública, tecnologia, mídia e muito mais. O The Intercept dá aos seus jornalistas a liberdade editorial e o suporte legal de que precisam para expor a corrupção e a injustiça onde quer que as encontrem.
 
Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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A verdade saindo do poço

17 de julho de 2019, 17:27

*Por Gervásio Lima  –  

Inúmeros episódios ocorridos no Brasil antes e após as últimas eleições estão deixando o povo brasileiro encucado. Uma ‘aura sombria’ ronda o país num momento de incertezas, impotências e de medo. O brio está cedendo espaço para o esmorecimento e o antes envaidecido agora anda cabisbaixo e desolado, quiçá envergonhado.

Conseguir lidar com as situações inevitáveis da vida é uma grande e importante virtude e demonstração de força, e a população brasileira com sua peculiar resiliência sabe muito bem o que é isto, por viver ainda uma cultura onde o sofrimento é enaltecido e valorizado. Talvez por ter cerca de 90 por cento de seus habitantes declarados cristãos, o Brasil se apega à fé para acreditar que ‘depois da tempestade vem a bonança’.

Uma antiga parábola judaica sobre a verdade e a mentira, intitulada “A Verdade saindo do poço” (La Vérité sortant du puits) e ilustrada pelo artista francês Jean-Léon Gérôme, em 1896, diz que “a mentira vive viajando ao redor do mundo vestida com as roupas da verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade porque percebeu que o mundo não tem nenhum desejo de encontrar a verdade nua. Aos olhos de muita gente é muito mais fácil aceitar a mentira com as roupas da verdade do que a verdade nua e crua”.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Nunca na história da terra dos saudosos João Gilberto e Paulo Henrique Amorim se conheceu tantos lobos em peles de cordeiros. O que até pouco tempo era a ‘verdade absoluta’ se revelou em mais uma fraude, uma mentira (fake), como tantas outras que passaram a fazer parte do cotidiano da Nação Tupiniquim, com o aval de poderes que também em outrora eram respeitados pela ‘verdade’ que pregavam.

A angústia é um sentimento que está relacionado com situações que acontecem nem sempre por vontade própria, é uma manifestação emocional que perturba e incomoda; mas não é perpétua. Ter a humildade de reconhecer os erros e trabalhar para corrigi-los é uma qualidade dos fortes.

Errar é humano…

Como na música ‘Sozinho’, de Peninha, é preciso ‘sonhar acordado, juntar o antes, o agora e o depois’ e se apegar na esperança de o bem vir a vencer o mal e a verdade prevalecer.

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

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Nem tudo na vida passa

05 de julho de 2019, 13:26

Foto: Reprodução

 

*Por Gervásio Lima –  Ao afirmar que tudo na vida passa se joga fora não somente a importância do passado, mas a experiência de viver o presente e o de contemplar e desejar o futuro. Na verdade o momento em si é passageiro e não seria este motivo que o faria tornar-se não necessário. Assim como as boas e más experiências, o aprendizado está interligado nas fases vencidas; sendo este o responsável para a definição da índole.

A viagem tem partida e chegada e não início e fim. As partidas e as chegadas são infinitas, enquanto o início e o fim são finitos. Ao partir em busca dos objetivos em comunhão com o que se espera de um verdadeiro vencedor as linhas de chegadas serão sempre motivos para se comemorar; já iniciar apenas para agradar a si próprio ou a um ‘seleto grupo’, o fim se dará como certo.

Partida não é sinal de despedida e a chegada está longe de ser o final.

É preciso sabedoria para vencer, sempre, as agruras e os desafios que a vida e os viventes venham a oferecer. O bom não é aquele que trata bem, mas o que reconhece todos como semelhantes. As boas ações são reconhecidas como atitudes humanas e não como obrigações. Desejar ou contribuir para o bem é um feitio dos que priorizam o caráter e a verdade acima de tudo.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), no livro ‘A arte de ter razão’, uma argumentação sobre como vencer um debate sem ter razão, trata da dialética erística, técnica argumentativa utilizada para vencer um debate a qualquer custo, ou seja, para que o fim seja alcançado a ética fica de lado e a desonestidade intelectual é utilizada sem pudor.

O filósofo desmascara o que considera de artimanhas os esquemas da argumentação maliciosa e falsa dos sofistas, sábios que atuavam como professores ambulantes de filosofia, ensinando, a um preço estipulado, a arte da política, garantindo o sucesso dos jovens na vida política. Os sofistas não acreditavam na verdade absoluta, para eles o importante era conseguir convencer os outros de suas ideias, mesmo estas não sendo verdadeiras. Eram chamados de ‘trapaceiros da Antiguidade’.

Schopenhauer vaticinou o atual momento vivido no Brasil. Sua dialética expressa exatamente o que os chamados ‘falsos profetas’ e ‘paladinos da moralidade’ (sofistas) estão construindo para desestabilizar o país política e economicamente.

Ao contrário dos antigos mercadores, que elogiavam os produtos que vendiam mesmo sem saberem se eram bons ou não, o Brasil de 2019, desnorteado, não consegue discernir o certo do errado e “se vende” mesmo sabendo da qualidade de suas ‘mercadorias’. O país se comporta como uma ‘barata tonta’, e sem partida não tem a certeza da chegada.

 

*Jornalista e historiador

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O desmonte do ProUni

05 de julho de 2019, 07:19

*Por Josias Gomes – O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi criado durante o governo Lula em 2005, através do Ministério da Educação. Com bolsas de 50% a 100%, teve papel central na inclusão dos alunos de baixa renda no Ensino Superior.

Quando completou uma década de existência, o programa coroava resultados extraordinários. Foram formados em média 430 mil profissionais por ano em todas as áreas do conhecimento, quantia que corresponde quatro vezes o número de formandos nas universidades federais brasileiras.

É importante destacar que 86% dos cursos oferecidos pelo ProUni eram presenciais, tendo 69% de bolsas integrais! O curso feito presencialmente tem inúmeras vantagens e o grau de aprendizado do aluno é muito maior. Sem contar a convivência com professores e alunos, tão importante para as relações interpessoais e no mercado de trabalho.

Depois do Vampiro Temer, o Programa começou a ser desmontado e o Bozo, inimigo número 1 da educação, sentiu o gosto de sangue e aprofunda a sangria. Segundo dados publicados na Folha de São Paulo, em 2015, até 62% das bolsas eram integrais, neste ano o percentual caiu para 45% do total. E o mais preocupante: em 2015, apenas 25% das bolsas integrais eram para cursos EAD (cursos ofertados a distância). Em 2019, o número saltou para 45% e no segundo semestre deste ano, este quadro se agravou e passou a corresponder a 51% das bolsas integrais.


Podemos perceber o esfacelamento do ProUni. Em sua essência, tem o intuito de oferecer educação de qualidade e colocar os estudantes de baixa renda dentro das universidades. Mas o desgoverno quer excluir o povo de dentro das universidades, no máximo, quer transformar a educação em uma fábrica de canudos e está pouco se lixando para a qualidade de ensino e o futuro dos nossos estudantes.

Não desprezamos a educação à distância, muitas pessoas pelo contexto que estão inseridas, encontra nesta modalidade a única forma de concluir um Ensino Superior. Contudo, esta prática deve ser uma exceção, não a regra. A maiorias dos universitários querem ter a oportunidade de viver uma vida acadêmica nos bancos das universidades.

Universidade deve ser PARA TODOS!

Precisamos reverter este quadro de maneira urgente.

Josias Gomes – Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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As aparências enganam

27 de junho de 2019, 17:01

Foto: Reprodução

*Por Gervásio Lima  –  Algumas pessoas ficam ‘cegas’ a julgar apenas pela aparência, pela maneira que se apresenta ou é apresentado um semelhante. A função que exerce, a condição financeira e até o sobrenome (descendência) do julgado não têm sido, e nunca serão, parâmetros para identificar um ‘171’ (aquele que engana para conseguir benefícios próprios). O bandido nem sempre é reconhecido em um primeiro momento, pois muitas vezes as aparências enganam.

A honestidade de alguém não está relacionada a estereótipos do tipo ‘padrão televisivo’ e sim ao seu caráter. Assusta saber que a farsa nunca esteve tão presente e o pior, profissionalizada e em todos os setores da sociedade.

A verdade tem perdido espaço para a mentira e a cólera desenfreadas, patrocinadas propositalmente para criar um ambiente generalizado de hostilidade; mesmo a falsidade com o objetivo de obter vantagens para satisfazer interesses ou sentimentos pessoais e causar danos a outrem sendo crime, independente da posição social de que a comete.

O ‘feérico’ (mundo da fantasia, mágico, deslumbrante e fantástico), se tornou uma realidade perigosa, uma incógnita. Fazendo analogia do momento de turbulência vivido no Brasil atual e uma telessérie: a espera pelas cenas dos próximos capítulos é angustiante, pois o enredo apresentado até o momento remete às catástrofes antes do fim, já que se sabe que os bons mocinhos são na verdade bandidos ‘empoderados’ pelo artista principal.

Tudo que é vaticinado a partir do que é apresentado com certa antecedência inevitavelmente acontecerá. O ódio, a perseguição, a incapacidade, a mentira e até mesmo os espetáculos dignos de apresentações de personagens circenses caracterizam governos que pregam a democracia e a moralidade para uma plateia que segura a vaia para valorizar o ingresso comprado. E com vergonha de criticar o espetáculo tão aguardado espectadores ignoram a realidade deparada e criticam apresentações prestigiadas e vivenciadas por uma maioria no passado.

Acreditar que ‘uma mentira contada diversas vezes se torna realidade’ no momento onde o acesso à informação e a tecnologia predominam através das mais diversas plataformas de comunicação é subestimar a capacidade dos que procuram a verdade. Sustentar mentiras e coincidências escusas repetidamente é uma pratica meliante que em algum momento será desmascarada por quem de direito.

 

Forte é o povo!

*Jornalista e historiador

 

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O forró agora é pop

18 de junho de 2019, 16:10

Foto: Divulgação


*Por Gervásio Lima  – Entra ano, sai ano, e a história se repete. A descaracterização do tradicional forró ‘pé de serra’ e das festividades juninas atinge o mais tradicional dos eventos do nordeste. Quase virando assunto para ‘almanaque de farmácia’’ o forrobodó de raiz tem perdido espaço para a mecanização e sons eletrônicos, se tornando cada vez mais em uma saudosa reminiscência e, o que é pior, com a complacência de figuras que se dizem defensores culturais.
 
Valorizar as tradições é uma maneira de manter vivo os costumes que identificam a história de um povo, é um importante e louvável reconhecimento ao patrimônio imaterial cultural de um lugar. ‘Estelionato cultural’, caso existisse, seria o crime cometido por aqueles que utilizam da fama de outras culturas para enganar seus seguidores. Forró sempre remeteu à sanfona, o zabumba e ao triângulo; aos ritmos e melodias musicais dos saudosos Jaques do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Dominguinhos e dos ainda na ativa, Flávio José, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Adelmário Coelho, Santana Cantador, Targino Gondin e alguns outros que seguem a mesma linha do autêntico forró, gênero musical original.
 
É uma afronta denominar de forró eventos que colocam em suas programações atrações com ritmos esdrúxulos para a festa momesca. São João é quadrilha, casamento na roça, arrasta pé, fogueira, roupa caipira, bandeirola, fogos, canjica, licor, amor, paz e alegria.
 
A tradição está sendo industrializada e enlatada, literalmente. O milho só nos salgadinhos da Elma Chips, a batata só Ruffles e o amendoim virou ‘Paçoquita’. Conforme a letra da música ‘Americanizado’, de Genival Lacerda: “Aqui tudopirou!Tudo tá mudado!Aqui tudo pirou, tudo mudou, tá tudo americanizado”.
 
No Brasil está provado que seguir o modismo não tem sido um bom negócio, é como diz o forrozeiro Flávio José: “…Feito espumas ao vento. Não é coisa de momento, raiva passageira, mania que dá e passa feito brincadeira. O amor deixa marcas que não dá pra apagar. Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão, cabeça doida, coração na mão. Desejo pegando fogo…”.
 
Para corroborar com a inquietação, segue atrações de algumas “festas juninas’ em praça pública de cidades baianas:
 
Conceição do Almeida (Recôncavo) 21 a 24/6
Solange Almeida
Luan Santana
Léo Santana
Harmonia do Samba
Amargosa 19 a 24/6
Marília Mendonça
Aviões do Forró
Dorgival Dantas
Santo Antônio de Jesus – 20 a 24/6
Wesley Safadão
Simone e Simaria

*Jornalista e historiador

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Agricultura Familiar no São João da Bahia!

18 de junho de 2019, 12:01

Foto: Reprodução

São João e agricultura familiar no compasso da alegria e desenvolvimento.

Os nordestinos amam o São João pelas suas raízes tradicionais.
Os festejos têm músicas, comidas, costumes e danças típicas, como forró, quadrilha, fogueira, licor e quentão.

Tudo isso com o abraço amigo e a celebração em família nesta festa típica da região.
Na Bahia, o São João é múltiplo e democrático, agrega todos esses valores.

Para ficar ainda melhor, incluímos a agricultura familiar na festa.
Este contexto somente é possível por causa de ações integradas do Governo do Estado, que envolvem diretamente a SDR e as outras secretarias que apoiam a cultura e os agricultores familiares, atores fundamentais na composição deste brilhante evento.

Acreditamos que uma agricultura familiar forte se constrói através de ações estratégicas com apoio técnico especializado, suporte financeiro, melhoramento genético de sementes, investimento na agroindústria e mentalidade empreendedora para que os agricultores possam ter as condições ideais de mostrar os seus produtos e valores.

No São João da Bahia os agricultores familiares vão expor e comercializar produtos deliciosos, com o selo de qualidade que só quem tem amor pela terra consegue explicar.

O público irá se deparar com saborosos produtos como bolos, licores, pamonhas, canjicas, milho, amendoim, cervejas artesanais e tantas outras maravilhas.
São a cultura e o desenvolvimento rural no compasso perfeito da alegria e progresso.

A Bahia merece.
Viva o São João!

Josias Gomes – Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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Vida que segue

03 de janeiro de 2019, 13:08

*Por Gervásio Lima –

Luzes, fogos de artifícios, guloseimas, bebedeiras, presentes, presenças, visitas, choros, risos… Muitas emoções. Várias foram as experiências vividas pela população mundial nos períodos que antecederam e as datas que se comemoraram o nascimento de Jesus Cristo, 25 de dezembro (Natal) e o Dia da Confraternização Mundial, 1º de janeiro (Ano Novo).

Amadas por muitos e odiadas por uma grande quantidade de pessoas, as chamadas ‘festas de final de ano’ são momentos felizes para quem gosta e tristes para os não adeptos, isso é fato; assim como reconhecer, independente de religião ou crença, que é um excelente momento para reflexão. Por tanto, é inegável que Natal e Ano Novo são dias festivos, de confraternização entre familiares, amigos, colegas de trabalho e até mesmo desconhecidos, uma mistura de religiosidade e profanidade.

Mais um ciclo de 365 dias cumprido. Pelo calendário cristão se inaugura o 2019º ano atribuído à idade de Cristo. Concordando ou não com o sistema cronológico, acaba de ser ‘enterrado o ano velho’, 2018. Daqui para frente tudo pode ser diferente, ou não. Como diz o bordão do jornalista Chico Pinheiro, ‘vida que segue’.

O certo é que 2019 é um ‘novíssimo’ ano e assim como aconteceu nos anos que lhe antecederam muita gente precisa ‘se virar nos trinta’ para conseguir vencê-lo. Para os menos abastados as inseparáveis fé e esperança continuarão caminhando juntas na justa busca de dias melhores, sendo feliz e agradecendo a vida que Deus lhes deu’.

Em um momento onde as incertezas imperam, é preciso mais do que nunca repensar valores e ponderar sobre a vida e tudo que a cerca, com solidariedade, dedicação e gratidão, e lembrar sempre que com humildade é possível refazer os planos, reconsiderar os equívocos para retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz e plena.

Como diz um dos sempre atuais pensamentos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “Os povos só são tão enganados porque procuram sempre um enganador, isto é, um vinho excitante para seus sentidos. Contanto que possam obter esse vinho, contentam-se com o pão de má qualidade. A embriaguez lhes interessa mais que a alimentação — esta é a isca com que sempre se deixam pescar!

“… Um dia me disseram

Que as nuvens não eram de algodão

Um dia me disseram

Que os ventos às vezes erram a direção

Quem ocupa o trono tem culpa

Quem oculta o crime também

Quem duvida da vida tem culpa

Quem evita a dúvida também tem

Somos quem podemos ser

Sonhos que podemos ter”  –  Somos Quem Podemos Ser / Engenheiros do Hawaii


*Jornalista e historiador

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