Cigarro eletrônico aumenta dependência da nicotina

31 de maio de 2021, 22:07

Pesquisadores analisaram 22 estudos de diferentes países sobre o tema, totalizando 97.659 participantes (Foto: Reprodução)

Estudo feito por pesquisadores da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) aponta para os riscos à saúde pelo uso de cigarros eletrônicos. O artigo foi aceito para publicação na revista Ciência & Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e divulgado hoje (31), quando se comemora o Dia Mundial sem Tabaco. Os pesquisadores analisaram 22 estudos de diferentes países sobre o tema, totalizando 97.659 participantes. Sobre o uso do cigarro convencional, nos últimos 30 dias foram analisados nove estudos com 33.741 indivíduos. Todas as pesquisas foram publicadas entre 2016 e 2020, informou o Inca, por meio de sua assessoria de imprensa. A coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, médica epidemiologista Liz Almeida, disse à Agência Brasil que em um primeiro momento os cigarros eletrônicos foram criados para ajudar os fumantes a deixar de fumar. “Que eles seriam menos tóxicos que o cigarro comum, teriam menos riscos. Com o tempo, a gente foi vendo que ele não era tão bonzinho assim. Tem riscos porque tem substâncias que também são cancerígenas.” Liz Almeida ressaltou que os cigarros eletrônicos foram pensados como substitutos dos cigarros comuns para aquelas pessoas que não conseguem parar de fumar de jeito nenhum. Essa foi a ideia inicial. “Só que com o passar do tempo não foi isso que se viu. A indústria passou a investir de forma muito tensa em fazer novos usuários. A maior adesão que esse produto teve em todo o mundo foram os jovens que nunca tinham fumado. Nos Estados Unidos isso foi uma epidemia”. O problema é que o cigarro eletrônico contém nicotina, que é uma substância que desenvolve dependência. “Uma vez que você passa a ficar dependente da nicotina, você pega qualquer produto do tabaco que estiver ao seu alcance”, disse a médica do Inca. Muitas pessoas que nunca haviam fumado antes começaram a fumar cigarro eletrônico e, de repente, passaram a experimentar e usar o cigarro comum. Segundo Liz, muita gente passou a usar o cigarro eletrônico em ambiente fechado e o cigarro tradicional em ambiente externo. Para a médica, isso ocorreu porque muitos desses aparelhos têm um formato super discreto, como o de um pendrive e outros têm formatos de material escolar, o que não era percebido pelos pais. A ideia inicial de ajudar fumantes a parar de fumar  com o uso de produto que oferecesse menor risco foi ficando para segundo plano. Então, o que ganhou volume foi o cigarro eletrônico, mais consumido na faixa etária menor, de maior poder aquisitivo e do sexo masculino. Depois, as meninas também começaram a utilizar, disse a médica. A revisão sistemática feita pelo Inca, no final do processo, mostrou que o uso de cigarro eletrônico aumenta em três vezes e meia mais o risco de experimentação de cigarro convencional e mais de quatro vezes o risco de uso do cigarro. “Nossos resultados mostram que o cigarro eletrônico aumenta a chance de iniciação do uso do cigarro convencional entre aqueles que nunca fumaram, contribuindo para a desaceleração da queda no número de fumantes no Brasil”. Todos os estudos foram unânimes em mostrar essa associação. “Para nós, isso é um tremendo alerta, pois o desastre que aconteceu nos Estados Unidos: um bando de meninos que nunca botaram cigarro na boca começando a usar porque é descolado, carrega com USB, tem sabor, ou seja, tem tudo para fazer o indivíduo passar a ser dependente da nicotina. O Brasil conseguiu um feito fantástico que foi derrubar a incidência de casos de câncer no país, graças ao trabalho hercúleo para diminuir o número de fumantes no país”, afirmou a médica. Para a médica, tratar uma dependência severa é difícil e o custo disso para o país também é alto. “O que esse conjunto de estudos revelou foi que os meninos que começaram a usar cigarros eletrônicos tiveram uma maior experimentação do cigarro comum em três vezes e meia e mais de quatro vezes passaram a uso regular. Esse alerta é que o Inca está fazendo, no sentido de não aumentar o número de fumantes no Brasil”, disse a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca. Segundo a médica, o tabaco provoca câncer de pulmão de 16 tipos, que estão associados a infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença coronariana grave. “São muitas doenças para a gente se arriscar. A proposta deles é vender na praça”, afirmou a epidemiologista, referindo-se à indústria do tabaco. Segundo Liz Almeida, existe uma pressão imensa hoje da indústria do tabaco para liberação da comercialização do cigarro eletrônico, principalmente em ambientes fechados. O estudo do Inca mostra o risco da iniciação do fumo comum a partir do cigarro eletrônico. A médica epidemiologista lembrou que, devido à pandemia do novo coronavírus, em função do estresse do isolamento social, as pessoas passaram a fumar mais em casa e a beber mais, a não fazer atividade física, aumentando em muito os fatores de risco para doenças crônicas. Outro alerta do Inca é no sentido de as pessoas fazerem um esforço concentrado para pararem de fumar, porque estão fumando em casa e expondo a família aos riscos da fumaça. De acordo com ela, existe tratamento na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e muita gente pode deixar de fumar seguindo dicas do Inca. O instituto fez oito mini vídeos baseados na história de pessoas fumantes que estão em tratamento e que podem ser vistos na página do Inca na internet. Para os não fumantes, o risco também é bem grande. Em criança, há morte súbita. Outra coisa são doenças respiratórias em crianças também, por conta do tabagismo dentro de casa. E, nos adultos, há maior risco dos não fumantes desenvolverem câncer de pulmão, terem acidente vascular cerebral (AVC) e doença coronariana (infarto).  Em celebração ao Dia Mundial sem Tabaco, a campanha do Inca tem como tema este ano “Comprometa-se a parar de fumar”. O câncer de pulmão tem como principais fatores de risco o tabagismo ativo e passivo. No Brasil, estimam-se 17.760 novos casos de câncer pulmonar em homens e 12.440 em mulheres, para este ano. Em comparação aos não fumantes, é estimado um risco 23 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão para homens fumantes e 13 vezes mais em mulheres. O Dia Mundial sem Tabaco foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com objetivo de abordar as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. No Brasil, o Inca é o Centro Colaborador da OMS para controle do tabaco e o órgão responsável pela divulgação e comemoração da data.

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Vítima de estupro por pai de santo procurou terreiro para tentar contato espiritual com a avó

30 de maio de 2021, 16:17

X., vítima de Pai Mário, depôs na polícia (Foto: Reprodução)

Uma jovem, hoje com 25 anos, procurou o Centro Espírita Ilê Adora Oboluae Ajubero, em Senador Vasconcelos, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, em 2019. Ela queria contato espiritual com a avó, que a criou junto com a sua mãe e havia morrido um ano antes. No local, ela foi recebida pelo pai de santo Mário Luiz da Silva, conhecido como Pai Mário, 53. Após uma festa religiosa, meses depois, a jovem afirma que Pai Mário tentou acariciá-la a força e tentado sexo sem consentimento. Com medo, ela decidiu que nunca mais voltaria para o terreiro. Ela não foi a única que deixou de frequentar o templo por esse motivo: o líder espiritual é acusado de ter feito outras vítimas de estupro e estupro de vulnerável. As mulheres, que têm entre 18 e 40 anos, disseram na delegacia que Pai Mario se utilizava das festas e dos banhos de piscina para abusar das frequentadoras do centro. Ele usava como desculpa a ideia de que realizava uma limpeza nas vítimas e que os espíritos não viam os toques que realizava como sendo de cunho sexual. O pai de santo está preso temporariamente desde domingo (23).  Fonte: Istoé

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Criança de 7 anos aprende inglês sozinho e agora quer estudar russo e árabe

29 de maio de 2021, 20:15

(Foto: Reprodução)

Com apenas 7 anos, Bryan Medeiros, morador do Rio Grande do Norte, aprendeu sozinho a falar inglês fluentemente. O interesse pelo idioma começou porque a criança joga videogame on-line com pessoas de fora do país. Segundo apurou o G1, a fluência pegou a fotógrafa Helane Medeiros de surpresa, já que ela não sabe falar inglês. Ela encontrou um vídeo do menino no celular e pediu a ajuda de um amigo para confirmar se a pronúncia estava correta e descobriu, que, na verdade, o filho é fluente no idioma. “Eu só entrei em chats (de jogos) em inglês e queria saber o que eles estavam dizendo. Alguns anos depois eu sou um cara do inglês mesmo”, explicou Bryan ao G1. E essa não foi a primeira vez que Bryan surpreendeu sua mãe. Antes de completar 4 anos, o menino já escrevia e lia sem frequentar a escola. “Todo o mérito é dele. Por mais que eu incentive, ele quem se empenha e se dedica a tudo que se propõe em aprender”, disse a mãe. E o menino não quer parar por aí: quer aprender outras línguas e já sabe o caminho. “Eu já sei poucas palavras em espanhol. Quero aprender agora a falar russo e árabe para conversar com outros jogadores on-line”.

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Mulher usa nota falsa de R$ 100 para comprar doces de menino em semáforo

29 de maio de 2021, 14:21

A imagem foi registrada depois que o garoto foi a um supermercado na região para fazer compras e a nota falsa foi identifica pelos funcionários do local (Foto: Reprodução)

Um jovem de 13 anos perdeu as trufas que vendia ao trocá-las por uma nota falsa de R$ 100, informa o G1. Segundo a reportagem, o fato ocorreu no último fim de semana em Jundiaí (SP). Mas o garoto só percebeu que havia recebido uma nota falsa nesta quarta-feira (27), quando tentou repor sua mercadoria. Em entrevista ao G1, a mãe do menino contou que o filho de 13 anos costuma comprar doces para revender e ter uma renda extra própria. No entanto, ela se assustou ao vê-lo em uma foto segurando uma cédula nas redes sociais. A imagem foi registrada depois que o garoto foi a um supermercado na região para fazer compras e a nota falsa foi identifica pelos funcionários do local. “Tenho certeza que meu filho não quis passar nota falsa para ninguém. Ele já pegou algumas outras vezes e rasgamos quando percebemos que tinha algo errado. Também não posso afirmar que a motorista tenha feito isso de maldade, porque ela também pode não ter percebido”, disse a mãe ao G1.

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Mulher de 77 anos que assinou termo rejeitando vacina morre de covid

28 de maio de 2021, 22:07

O caso foi divulgado em uma publicação no Facebook, preservando dados pessoais da paciente (Foto: Reprodução)

Uma mulher de 77 anos, que assinou um termo de recusa para a vacina contra a Covid-19, morreu em decorrência da doença, no último domingo (23), em Esperança do Sul, na região noroeste do Rio Grande do Sul. O caso foi divulgado em uma publicação da prefeitura no Facebook, preservando dados pessoais da paciente. A prefeitura diz que, como a vacina é opcional, o termo é assinado por todas as pessoas que decidem não tomar o imunizante.https://d-229170082055558345.ampproject.net/2105150310000/frame.html "Sabe-se que hoje as vacinas existentes não protegem 100% a pessoa imunizada de se contaminar, porém previnem que a doença evolua para os casos mais graves, que exigem internações e podem levar ao óbito", diz a publicação. De acordo com a prefeitura, menos de 50 pessoas assinaram termos de recusa da vacina no município, que tem 2.885 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasile iro de Geografia e Estatística). O documento diz que a pessoa se recusa a receber a vacina recomendada pelo Ministério da Saúde e que se responsabiliza por quaisquer eventos decorrentes dessa ação. "Nós fizemos buscas das pessoas com a idade ou com comorbidades nas residências para que possam se vacinar. O termo nos ajuda no controle e nos assegura também de, futuramente, a pessoa dizer que não foi comunicada da vacina na sua idade ou no seu grupo", explica o secretário municipal de Saúde, Ademir Villers da Cruz. A Secretaria Estadual de Saúde diz não existe uma orientação do governo para o preenchimento de termos de recusa e que a decisão sobre o registro cabe a cada município. "Alguns preferem ter o documento como segurança de que a dose foi oferecida para aquela pessoa e houve a recusa", disse a pasta em nota. Outros municípios da região também adotaram a medida. Em Tiradentes do Sul, com 5.616 habitantes estimados pelo IBGE, o secretário de Saúde, Maurício Beier, diz que são poucas as pessoas que têm recusado o imunizante. Assim como no município vizinho, caso a pessoa que assinou o termo mude de ideia depois, ela pode ser vacinada. "A pessoa pode decidir se quer fazer ou não, se está em sã consciência, ela tem essa alternativa, por isso, a gente fez esse termo. Poucas pessoas têm recusado", diz ele. Das 5,2 milhões de pessoas estimadas como parte grupo prioritário no RS, 58,5% receberam a primeira dose até esta sexta e 27,9%, a segunda. O estado aplicou 80% das doses distribuídas. O estudo epidemiológico conduzido pelo governo junto à UFPel (Universidade Federal de Pelotas) indicou no fim de abril, um ano depois do início da pandemia, que 1 em cada 5,5 gaúchos tem anticorpos para o coronavírus, cerca de 2 milhões dos 11,3 milhões de habitantes. O governo gaúcho diz que não é possível afirmar as razões pelas quais cerca de 40% do grupo prioritário não foi imunizado, já que cada município e região do estado têm suas especificidades. A recusa da vacina pode estar entre elas, junto a atraso de registros, grupos que ainda não começaram a imunização em suas cidades ou armazenamento para segunda dose. "O que eu penso, não estou falando por pacientes, muita informação desencontrada por formadores de opinião, como alguns políticos, não temos um alinhamento nacional, aí as comunidades mais distantes ou carentes de informação acabam tirando conclusão do que escutam nas mídias de algumas lideranças", avalia o secretário de Esperança do Sul. No site da prefeitura, uma publicação do dia 30 de abril lembrava o aniversário de um ano desde o primeiro caso registrado no município. Nesta semana, porém, um mês depois, já são 29 casos ativos, segundo boletim divulgado na quinta-feira, e um total de nove mortes. O Rio Grande do Sul vive tendência de crescimento de casos confirmados e internações devido à Covid-19. Segundo o painel do estado, com ocupação de leitos de UTIs SUS em 82,7%, nesta sexta-feira, mais de 18 mil casos estão em acompanhamento. Uma publicação na manhã desta sexta no Facebook da prefeitura de Esperança do Sul alerta a população sobre a situação e diz que as consultas no posto de saúde são apenas para casos suspeitos de infecção pelo coronavírus. "Esta medida se faz necessária devido ao grande número de pessoas contaminadas ou com suspeita da doença", diz o texto.

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Vereador Martins apresenta PL que visa melhorias para os trabalhadores do sisal

28 de maio de 2021, 15:15

O vereador jacobinense Martins Santos é o autor do Projeto de Lei que visa garantir direitos aos trabalhadores da cultura do sisal (Foto: Reprodução)

Foi apresentado na Câmara de Vereadores de Jacobina no último dia 25, o Projeto de Lei que dispõe sobre a criação do Cadastro Municipal de Trabalhadores da Cultura do Sisal no município de Jacobina. O cadastro tem como finalidade, além de assistir as famílias vulneráveis, servir de base para regulamentar o recebimento de benefícios dos programas públicos desenvolvidos pela Prefeitura de Jacobina, bem como, subsidiar políticas públicas compartilhadas entre União, Estado e Município de forma a garantir melhores condições de trabalho e sobrevivência desses atores que estão na base da cadeia produtiva sisaleira. De acordo o vereador Martins dos Santos (PT), autor do Projeto de Lei do Cadastro Municipal de trabalhadores da cultura do sisal, o seu principal objetivo é o de possibilitar a organização e um raio-X do perfil social dos trabalhadores e de tornar digno o trabalho, com melhorias nas condições oferecidas pelos empregadores. “Este cadastro diagnóstico dará base quantitativa do contingente de trabalhadores e trabalhadoras em situações de vulnerabilidade, mas, sobretudo, qualitativamente guiará ações de políticas públicas que vão desde a assistência as famílias em condições sociais adversas, imbuirá o município de Jacobina a desenvolver políticas públicas de fomento a produção de forma qualificada e valorizará os direitos dos trabalhadores em todas as dimensões”, ressaltou Martins, completando que “é preciso que o poder público municipal reconheça essas pessoas humanas que lidam no difícil trabalho em campos de produção de sisal, cenário que historicamente gera riqueza de poucos e a exploração de muitos num contexto social de mão de obra que evidencia a exploração na conhecida relação capital/trabalho”. O edil destaca ainda que o Projeto de Lei prevê  a construção de políticas públicas de valorização da produção, aquisição de equipamentos, construção de batedeiras comunitárias, aproveitamento total dos subprodutos, fornecimentos de equipamentos de proteção individual (EPIs) e reconhecimento previdenciário. “Só podemos alcançar esse patamar quando o nosso município tiver clareza do seu dever de cuidar na melhoria das condições e sobrevivência digna desses que são parcela importante do desenvolvimento de nossa agricultura. As ações de organização e investimentos valorizará a cadeia produtiva do sisal e principalmente as centenas de famílias que sobrevivem da cultura sisaleira no interior do nosso município”, concluiu. Como trabalhador da cultura do sisal, entende-se toda pessoa que trabalhe na atividade laboral em campos de plantação de sisal e extração da fibra de sisal, e seus subprodutos como cortador de palha; desfibrador  (puxador); resineiro (bagaceiro) e botador (cambiteiro).

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Pesquisa: Humanos podem viver até 150 anos

28 de maio de 2021, 13:49

Viver para sempre parece não ser uma opção (Foto: Reprodução)

Um novo estudo, com o objetivo de entender qual a idade máxima a que uma pessoa pode chegar naturalmente, revelou que o ser humano pode chegar entre os 120 e os 150 anos. A pesquisa foi publicada no último dia 25 na revista científica Nature Communications. Os cientistas levaram em consideração um cenário em que o indivíduo não morreria em decorrência de câncer, doença cardiovascular ou de algum tipo de acidente. Mesmo com essas garantias, a capacidade do organismo de manter o equilíbrio estrutural e metabólico é desgastada com o tempo, prejudicando a longevidade. Ao longo da investigação, os pesquisadores constataram que, conforme a idade avança, a habilidade do corpo de restaurar a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue decai com o passar do tempo. Além disso, quanto mais velha a pessoa, maior o tempo que ela leva para se recuperar de danos físicos. Assim, embora muito especulativo, o estudo indica que a ideia de viver para sempre -- que atrai a humanidade desde seus princípios -- pode ficar para sempre no universo dos sonhos. Afinal, mesmo desviando de males comuns e de acidentes fatais, existe um limite físico e aparentemente insuperável para o corpo humano. Veja.com

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Ainda popular, medição de temperatura é inútil e atrasada contra a covid-19

28 de maio de 2021, 09:41

Pessoas fazem fila para medição de temperatura em shopping em São Paulo (Foto: Reprodução)

"Posso medir a temperatura?" Junto ao álcool gel, o pedido já se tornou parte do ritual para ingressar nos estabelecimentos comerciais no Brasil. A ação, estimulada pela grande maioria dos estados, no entanto, não tem eficácia no combate à transmissão do novo coronavírus e ainda pode gerar falsa sensação de proteção. Médicos ouvidos pelo UOL explicam que medida é atrasada: não só a febre não é mais considerada um sintoma inicial da covid-19 como nem metade dos doentes chegam a apresentar o sintoma. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a OMS (Organização Mundial da Saúde) também não recomendam a medida. É inútil por dois motivos: já sabemos que pelo menos metade das pessoas com covid não tem febre -- mas ainda transmite -- e, se a pessoa for mal-intencionada, ela toma um antitérmico e vai passear." Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp (Universidade de Campinas) Ricardo Goullart, 32, fica na recepção de uma academia em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, nos períodos da manhã e da tarde. Além de checar se o aluno reservou horário no aplicativo para controlar a capacidade máxima no local, ele aponta o termômetro digital para cada um deles antes de girar a catraca. "Assim que reabrimos, no ano passado, as pessoas estranharam. Agora, todo mundo já cumprimenta colocando o pulso para medir", conta Goullart, que diz ter presenciado poucas ocasiões em que o aluno apresentou temperatura corporal acima de 37°C. "Voltou para casa." A prática se tornou comum em estabelecimentos pela cidade e pelo país. Pelo menos 23 estados e o Distrito Federal fazem a recomendação de aferição de temperatura entre as ações de combate à pandemia em seus projetos de flexibilização econômica. A medida, por sua vez, é rechaçada por especialistas. A essa altura da pandemia, não vejo mais motivo para continuar [com a medição]. No início, quando a gente não sabia direito, até concordava, mas é um teatro, porque você está fingindo que tem algum controle e não tem." Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo "As pessoas não reclamam e até gostam — a maioria só não deixa na cabeça, pede para ser no pulso. Acho que se sentem seguras", conta a recepcionista de um shopping na Avenida Paulista, região central de São Paulo, encarregada da aferição. "Às vezes aparece alguém acima [da temperatura] e fala que estava há muito tempo no sol. A gente pede para esperar e só libera se estiver verde [abaixo do estado febril]. Se não, não entra." A preocupação do público com a ação fica evidente na entrada de dois shoppings na capital paulista — um na região central e outro na zona oeste — em que os medidores são digitais, por vídeo, sem controle humano. Em ambos, os visitantes param em fila, à frente da câmera, e esperavam ser liberados pela máquina. A reportagem não acompanhou nenhum episódio em que o cliente registrou temperatura acima do indicado para saber se a recomendação seria respeitada ou não. A medida não só é ineficaz e inócua, como perigosa. Passa uma falsa sensação de segurança. Serve de subterfúgio para dizer que 'fazemos controle', 'temos protocolo' e, com isso, não se cobra o essencial: distanciamento, renovação de ar, controle do número de pessoas e, sobretudo, uso correto da máscara." Evaldo Stanislau, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Anvisa e OMS não recomendam Ao UOL, a Anvisa e a OMS afirmaram que a medida não pode ser considerada uma ação de combate à pandemia. O implemento de medidas térmicas, seja em pontos de entrada (portos, aeroportos e fronteiras), seja nas cidades/municípios é uma medida inócua, em especial se considerarmos a situação epidemiológica atual e a sobrecarga dos sistemas locais de saúde." Anvisa Os scanners térmicos são eficazes na detecção de pessoas com febre (ou seja, com temperatura corporal acima do normal). Porém, não detectam se a pessoa está infectada com covid-19. Existem muitas causas para a febre." OMS por meio da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), seu braço no continente Ainda assim, a medida segue estimulada em praticamente todo o território nacional. A Secretaria de Saúde de São Paulo foi a única a responder entre as procuradas pela reportagem. "A pasta incentiva todas as iniciativas de combate à pandemia, como a aferição de temperatura na entrada de estabelecimentos. É fundamental que a população respeite as medidas de distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos, fique em casa e siga as recomendações do Centro de Contingência", disse a secretaria paulista.

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É ou não é, ou, ou ou…

27 de maio de 2021, 15:34

*Por Gervásio Lima - A mobilização para a chegada de benefícios se dá através da discussão política, mas para que isso aconteça, os políticos, sejam eles do Legislativo - que fiscalizam, propõem e indicam ações - ou do Executivo, que executam as sugestões, precisam ser provocados. É fato que a política é parte importante para o rumo que a população almeja, mas o comportamento de determinados representantes assusta pela falta de experiência em gestão pública e relacionamento humano. Neste ano de 2021 iniciaram-se os mandatos de quatro anos de prefeitos e vereadores em todos os municípios brasileiros. Já se passaram praticamente cinco meses das novas gestões, período considerado muito curto para grandes realizações concretas, mas tempo suficiente para apresentações de propostas reais na garantia dois direitos e anseios dos municípes. Quando se foge da verdade política, omitindo as fraquezas e até mesmo os crimes cometidos pelos que foram eleitos para representar a sociedade, comete-se um grande e às vezes irreparável erro. É preciso apresentar, portanto, de qualquer forma, as falhas daqueles que representam a população na esfera municipal, estadual e federal O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, em razão de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser, sempre ressaltou que todo poder vem do povo. Em sua concepção, 'para se manter no poder o soberano tem que acima de tudo estar em consonância com os anseios populares, porque o poder existe se os subordinados assim desejarem'. E assim aconteceu com inúmeros candidatos que concorreram à reeleição nas últimas eleições municipais. Quem não trabalhOU, enganOU e não agradOU, o povo retirOU. O que subestimou a importância das urnas, a força do voto e principalmente a importância do eleitor, literalmente se ferrOU. A partir do momento em que se conhece o comportamento de determinados políticos, o senso seletivo do eleitor se emancipa e as escolhas na hora do voto podem acontecer com mais coerência e qualidade. Para os novos administradores que acreditam que o poder é para sempre, vale lembrar que os mandatos têm prazo de validade e que muitas vezes acontece a atencipação deste prazo. Aos que ainda não conseguiram acertar, continuem tentando, pois dias melhores ainda estão por vir. *Jornalista e historiador

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Pandemia vai se intensificar no Brasil nas próximas semanas, alerta Fiocruz

27 de maio de 2021, 15:03

Segundo boletim do Observatório Covid-19, taxas de ocupação de leitos de UTI para a doença no SUS aumentaram ou continuaram em níveis elevados em quase todo o Brasil (Foto: Reprodução)

A incidência de novos casos monitorada pelo Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta para um novo recrudescimento da pandemia nas próximas semanas, de acordo com boletim divulgado hoje (27). Segundo os pesquisadores, na semana encerrada em 22 de maio, houve aumento da taxa que mede a quantidade de novas infecções, o que se soma a altos patamares de testes positivos para o diagnóstico da doença e pode se refletir em crescimento dos óbitos em até duas semanas. Na semana analisada, a mortalidade causada pela covid-19 se estabilizou em torno de 1,9 mil vítimas diárias. O patamar representa uma redução em relação ao mês de abril, mas é quase duas vezes maior que o primeiro pico da pandemia em 2020. A previsão do boletim é que o aumento de casos observado tende a ser acompanhado por mais mortes e casos graves. "Mantida essa tendência, se prevê um aumento na próxima semana para valores em torno de 2,2 mil óbitos por dia (2 mil a 2,4 mil, considerando a margem de erro do modelo)". Para evitar que a doença faça mais vítimas, a Fiocruz recomenda às autoridades a manutenção de restrições de eventos de massa e atividades que promovam a interação e infecção de grupos suscetíveis, a intensificação de ações de vigilância em saúde e outras ações, como o reforço de estratégias de testagem, a vigilância genética das cepas e o controle de voos internacionais. "Simultaneamente são necessárias medidas de preparação do sistema de saúde, desde a sincronização com a atenção primária em saúde, até a organização da média e alta complexidade, incluindo a oferta de leitos clínicos e unidades de tratamento intensivo (UTIs) Covid-19 e garantia da oferta de insumos". Leitos de UTI O cenário de alerta também se apresenta na análise da ocupação dos leitos de UTI, já que os pesquisadores identificaram que a tendência de queda no número de internados desde o segundo pico da pandemia foi interrompida. O boletim chama atenção para a situação preocupante da Região Nordeste, onde Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe mantém taxas de ocupação perto de 100%. Alagoas também voltou à zona de alerta crítico, na qual também está a Bahia, ambos com mais de 80% de ocupação. Já Maranhão e Paraíba tiveram altas consideradas expressivas e chegaram a cerca de 75% dos leitos para pacientes graves ocupados. Paraná (96%) e Santa Catarina (95%) também apresentam percentuais perto de 100% na ocupação, enquanto o Rio Grande do Sul (79%), em tendência de crescimento, se aproxima da zona de alerta crítico. Todo o Centro-Oeste também está na zona de alerta crítico, acima de 80% de ocupação, sendo o Distrito Federal (96%) e o Mato Grosso do Sul (99%) as unidades da região que apresentam os piores quadros. No Sudeste, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro têm 80% ou mais de ocupação, enquanto o Espírito Santo se aproxima desse patamar, com 79% de ocupação. Na Região Norte, Roraima e Tocantins apresentaram melhora na ocupação dos leitos, porém este último continua na zona de alerta crítico. Amazonas e Acre são os únicos estados do país fora da zona de alerta, com ocupação abaixo de 60%. Já o Pará e o Amapá tiveram piora e continuam na zona de alerta intermediário. Entre as capitais, 20 apresentam ocupação de UTIs acima de 80%: São Luís (95%), Teresina (estimado em torno de 95%), Fortaleza (92%), Natal (96%), Maceió (91%), Aracaju (99%), Rio de Janeiro (93%), Curitiba (96%), Campo Grande (97%), Brasília (96%), Porto Velho (81%), Boa Vista (83%), Palmas (87%), Recife (84%), Salvador (80%), Belo Horizonte (80%), Vitória (80%), Florianópolis (81%), Cuiabá (83%) e Goiânia (87%). O boletim analisa que tem se mostrado insuficiente e pouco sustentável a opção frequentemente escolhida por gestores "de somente reagir à expansão da pandemia e relaxar medidas frente a sinais de melhora dos indicadores". "É fundamental acelerar a velocidade de vacinação da população, em curto prazo, complementando a capacidade de produção pela Fiocruz e pelo Instituto Butantan com aquisição de mais vacinas. Estima-se que sem a vacinação de pelo menos 70% da população, não se terá o controle da pandemia no país. Enquanto esse objetivo não for atingido, urge que se mantenham medidas rígidas de controle da pandemia e se persiga a queda sustentada de casos, tendo como visão a sua erradicação". Edição: Valéria Aguiar/Agência Brasil

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Defesa do voto impresso é teoria da conspiração e negacionismo, diz vice-procurador

27 de maio de 2021, 14:34

O sistema da urna fica disponível para consulta pública por seis meses (Foto: Reprodução)

A defesa do voto impresso para as eleições presidenciais de 2022 é "teoria da conspiração aliada a negacionismo da tecnologia e da ciência que é a urna eletrônica". Essa é a opinião de Renato Brill de Góes, vice-procurador geral eleitoral, que é quem representa o Ministério Público junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Para Góes, a PEC 135/2019 sobre o tema, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), tem como objetivo "manipular e insuflar determinados segmentos da população e criar um estado de confusão mental sobre a realidade dos fatos". E ele alerta para riscos à democracia: "Se houver ou não voto impresso, vai haver algum tipo de questionamento, e nós precisamos estar todos alertas. O problema não é a urna eletrônica, e sim os atores políticos querendo de antemão dizer o que vai acontecer no futuro, são concorrentes da mãe Diná". O presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendem a aprovação da PEC. Bolsonaro, inclusive, já afirmou várias vezes que, sem registro impresso do voto, haverá fraude na eleição do ano que vem. Para Góes, se o objetivo da PEC é aumentar a transparência eleitoral, ela deveria responsabilizar os candidatos que acusam supostas fraudes eleitorais sem nenhuma prova. "Deveria estar previsto na legislação que, caso um candidato denuncie fraude sem apresentar indícios, e não sejam encontradas fraudes, ele tenha seu mandato ou candidatura cassados. Isso ajudaria a impedir que o voto impresso seja usado para outros fins. Na prática, não se trata do voto impresso diretamente, mas da impressão em papel de um comprovante do voto dado na urna eletrônica, que seria mantida normalmente nas eleições. Independentemente do mérito, sua implementação dificilmente seria possível até outubro de 2022, dada a complexidade da tarefa. Além disso, o fato de a proposta ter sido feita em forma de emenda à Constituição torna ainda mais difícil o processo para sua aprovação, visto que ela precisaria ser aprovada em dois turnos tanto na Câmara como no Senado, com três quintos dos votos em cada uma das Casas do Congresso. PERGUNTA - A discussão sobre implementação de voto com comprovante impresso é válida? Temos vulnerabilidades nas urnas eletrônicas? RENATO BRILL DE GÓES - Não se justifica, na atual conjuntura, o Congresso estar discutindo essa PEC 135/2019 para adoção do voto auditável e impresso. A justificativa da PEC é dar maior publicidade, transparência e confiabilidade ao processo eleitoral. Isso tudo já temos hoje. Nós temos publicidade, nós temos transparência e total confiabilidade no processo eleitoral de votação e apuração através do modelo das urnas eletrônicas brasileiras. O presidente Jair Bolsonaro vem dizendo que, a não ser que haja voto impresso em 2022, a votação não será confiável. Logo após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, por apoiadores do ex-presidente Donald Trump que questionaram o resultado da eleição, Bolsonaro afirmou: "Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos." Ele e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) defendem a PEC. RBG - É uma premissa estranha e absurda. Como você pode prever o futuro, falar que vai haver fraude se não houver voto impresso? É teoria da conspiração aliada a negacionismo da tecnologia e da ciência que é a urna eletrônica, comprovadamente segura, confiável e eficiente. Isso é o que mais me preocupa nessa questão da PEC. Ela parte de um pressuposto que é muito perigoso. Na verdade, esse voto impresso não vai ter o condão de neutralizar o ânimo desses grupos políticos que têm apontado fragilidades no sistema eleitoral brasileiro. Ao contrário. O voto impresso servirá para tumultuar o processo de apuração e totalização dos votos pelos candidatos que estiverem em desvantagem na disputa, o que será um grande atentado ao regime de Direito e ao Estado democrático. A PEC do voto impresso vai subsidiar a disseminação de notícias falsas, com vistas a manipular e insuflar determinados segmentos da população e criar um estado de confusão mental sobre a realidade dos fatos. Esse talvez seja o grande mote dessa PEC -e não efetivamente buscar um avanço de transparência e confiabilidade. Como eu disse, isso já existe hoje. Inclusive eu estava lendo a justificativa da autora da PEC, e, em 32 anos de Ministério Público, nunca vi uma justificativa de projeto de emenda constitucional que tivesse tantas colocações subjetivas e ofensivas a ministros do Supremo. Isso já demonstra que essa PEC está vindo em um momento muito estranho, com a finalidade não muito clara. Essa questão é muito séria, e o país precisa ter consciência sobre o que está acontecendo. Nos Estados Unidos, em 2020, o ex-presidente Trump e o partido Republicano entraram com ações judiciais em diversos estados contestando os resultados e afirmando que teria havido fraudes. Os juízes, alguns deles indicados por Trump, não acolheram as ações ou emitiram decisões negando a existência de fraudes. O senhor acha que algo parecido poderia ocorrer no Brasil no ano que vem? RBG - O problema é justamente esse. Qual é o interesse de substituir a tecnologia, a máquina, o software, a criptografia, onde não existe interferência humana em nenhum momento do processo, qual é o interesse em substituir tudo isso por uma judicialização do resultado das eleições? Na prática, os candidatos vão levar os resultados para a Justiça Eleitoral, no caso das presidenciais para o TSE. Vão judicializar a validade ou não de resultados de determinadas seções, urnas, estados... O resultado das eleições passaria a depender de uma decisão judicial, gerando uma imensa insegurança jurídica. Que evolução é essa? Caso a PEC seja aprovada na Câmara e no Senado, o Ministério Público Eleitoral pode fazer alguma coisa? RBG - Caso aprovada essa PEC, partidos políticos e o procurador-geral da República podem entrar no Supremo. É possível. O Supremo já decidiu sobre duas ADIs [ações diretas de inconstitucionalidade, em 2018 e 2020] contra o voto impresso. Então, caso haja a aprovação e promulgação dessa PEC, ela pode ter questionada sua constitucionalidade no Supremo e, em última instância, o Supremo decidirá mais uma vez sobre o voto impresso. Nesse caso, os defensores do voto impresso vão criticar o Supremo, dizer que está interferindo mais uma vez, decidindo sobre tema eleitoral... RBG - Vai ser muito difícil que o Supremo mude de rumo. A mesma redação da PEC estava na última lei que foi apreciada pelo Supremo na ADI 5889, pelo relator Gilmar Mendes [em 2020, que considerou inconstitucional artigo da mini reforma eleitoral de 2015 que previa registro de voto impresso, dizendo que possibilita violar sigilo do voto]. É a mesma redação da lei de 2015, só que com status de PEC, então o resultado deve ser o mesmo. Existe uma percepção de que, se o voto impresso não for aprovado, será usado para contestar o resultado da eleição de 2022. Como o Ministério Público Eleitoral está se preparando para isso? O presidente Bolsonaro e vários de seus aliados já disseram que, caso não haja comprovante impresso, a eleição será fraudada. RBG - Uma coisa é você dizer que a eleição vai ser fraudada, outra coisa é apresentar indícios e provas. Falar podem falar o que quiserem. Mas vivemos em um estado democrático de direito, em que há o devido processo legal, normas a serem seguidas. Se você faz uma imputação dessa, para provocar o sistema Judiciário, é necessário apresentar minimamente indícios razoáveis da existência dessa fraude. O TSE vai analisar este ano resoluções que vão vigorar na eleição de 2022. Uma sugestão interessante, até para se precaver, seria o TSE criar uma comissão de ministros da corte voltada ao processo de votação, apuração e totalização de votos, como existem três ministros do TSE responsáveis pela fiscalização da propaganda eleitoral. Um órgão próprio para receber esses questionamentos, um mecanismo a mais. Foi discutida também a possibilidade de o TSE ampliar o número de urnas usadas na votação paralela, como mais uma garantia da segurança da votação... RBG - Olha, primeiro essa PEC tem que ser aprovada, depois, o Supremo tem que julgar que ela não é inconstitucional, o que dificilmente vai acontecer. Mas, mesmo se julgasse constitucional, não seria factível implementar essa PEC nas eleições de 2022 por um motivo muito simples: não vai haver tempo hábil para o TSE fazer uma licitação desse porte. São mais de 6.000 impressoras que precisam ser desenvolvidas. A empresa vencedora terá que criar do zero essas impressoras, que vão precisar ter um software para conversarem com a urna -que, aliás, é mais uma possibilidade de hackeamento. Vamos precisar de orçamento, de cerca de R$ 2 bilhões, da licitação, do software, e aí começar, no TSE, os testes, o treinamento das pessoas, para só depois implementar... Mas daria para implementar um projeto piloto, com alguns milhares de urnas, não? RBG - Sim, o máximo que poderia acontecer é implantar uma amostragem, como já foi feito, em 2012, em algumas seções do Distrito Federal e de Sergipe, e foi um fracasso absoluto. Mas, por princípio, não seria bom o eleitor ter um comprovante a mais de seu voto, poder ver em um registro impresso que seu voto foi registrado corretamente? RBG - Sim, mas esse local onde ficam os comprovantes tem que ser como um cofre hermético, não pode ter interferência humana. O eleitor vai só enxergar -ninguém vai poder tocar nesse papel, que cai automaticamente dentro dessa impressora, que precisa ser como um cofre indevassável. Agora, já que alguns gostam de teoria da conspiração, vamos supor que o eleitor, de má fé, interesse político, diga que o comprovante está errado. Ele chama o presidente da seção e diz que o comprovante não corresponde ao voto dele. Como vão responder a isso? Isso vai dar margem de ação aos grupos que apontam a fragilidade atual, isso pode ocorrer nos estados onde esses grupos têm menos votos, ou seções eleitorais onde eles têm menos apoio. O partido se aproveita disso para contestar resultado e isso pode se multiplicar em seções. Essa PEC vai trazer um problema para o regime democrático atual. Em 25 anos da urna, não se comprovou nenhuma falha até hoje. Na sua opinião, qual é o objetivo dos grupos que estão propondo ou defendendo esta PEC? RBG - Pelas declarações dadas publicamente, meu receio é que essa PEC do voto impresso, em vez de apaziguar os grupos políticos, como eles já adiantaram que vai ter a fraude, eles querem o voto impresso justamente para, no caso de margem apertada, potencial derrota, de qualquer partido político, vão usar o voto impresso para pedir recontagem de voto. Ou seja, vai, no final, transmudar a votação eletrônica brasileira na votação que tínhamos na República Velha, com cédulas, e aí podem sumir votos, podem aparecer votos... Mas é muito pequena a chance de isso passar. Se não houver a aprovação, eles dirão que há fraude. RBG - Dizer eles podem dizer, mas precisam comprovar. Aliás, se a preocupação do Congresso ao propor a PEC é a transparência, acho que ela deveria ter um artigo para cobrar a responsabilidade dos candidatos. Deveria estar previsto na legislação que, caso um candidato denuncie fraude sem apresentar indícios, e não sejam encontradas fraudes, ele tenha seu mandato ou candidatura cassados. Isso ajudaria a impedir que o voto impresso seja usado para outros fins. O fato de eles insuflarem isso, passarem essa desinformação sobre supostas fraudes, vai criar confusão mental em uma parcela da população que vai ser insuflada a fazer manifestações, que vai atentar contra o próprio regime democrático. Se houver ou não voto impresso, vai haver algum tipo de questionamento, e nós precisamos estar todos alertas. O problema não é a urna eletrônica, e sim os atores políticos querendo de antemão dizer o que vai acontecer no futuro, são concorrentes da mãe Diná. Renato Brill de Góes Tem 55 anos, é vice-procurador-geral eleitoral e está no Ministério Público há 32 anos. Formado em Direito pela PUC de Goiás, foi Procurador Regional Eleitoral do DF de 2009 a 2012. Foi promovido a Subprocurador-Geral da República em 2016. ALGUNS DISPOSITIVOS DE SEGURANÇA DA URNA Uso de criptografia Código certifica que o sistema da urna é o gerado pelo TSE e não foi modificado Somente o sistema do TSE pode funcionar na urna O sistema da urna fica disponível para consulta pública por seis meses Em Testes Públicos de Segurança, especialistas tentam hackear o equipamento e apresentam as falhas encontradas para o TSE corrigir Urnas selecionadas por sorteio são retiradas do local de votação e participam de uma simulação da votação, para fins de validação Sistema biométrico ajuda a confirmar identidade do eleitor "Log", espécie de caixa-preta, registra tudo o que acontece na urna Impressão da zerésima e boletim de urna Processo não é conectado à internet Lacres são colocados na urna para impedir que dispositivos externos (como um pendrive) sejam inseridos Fonte: Folhapress

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Butantan reafirma “alta eficiência da Coronavac” em idosos e nega necessidade de 3ª dose

26 de maio de 2021, 22:30

A CoronaVac, vacina chinesa desenvolvida pela Sinovac atingiu uma taxa de eficácia de 91,25% nos testes de terceira fase realizados na Turquia (Foto: Reprodução)

 diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, reafirmou nesta quarta-feira (26) a eficiência da Coronavac - vacina desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac - em idosos e negou a necessidade de uma terceira aplicação para reforçar a imunização. ”Não existe necessidade de se preocupar com uma terceira dose”, afirmou Dimas, em vídeo publicado nas redes sociais do instituto.  “Com relação a esses comentários que têm surgido dizendo que a vacina tem uma eficiência menor em pessoas idosas, eu digo a vocês que todos os estudos que o Butantan tem feito, e são muitos, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo, no município Serrana, no estado do Ceará e também no Chile, mostram que essa vacina tem uma alta eficiência, ou seja, ela é capaz de proteger contra os sintomas da doença, contra as internações e contra os óbitos. Em todas as faixas etárias acima dos 18 anos, inclusive nos idosos”, completou. Por fim, o presidente do instituto aproveitou para tranquilizar a população. “Portanto, fiquem tranquilos, a vacina é eficiente e neste momento não existe necessidade de se preocupar com uma terceira dose, como foi propalado recentemente. Isso não corresponde aos fatos”, concluiu Dimas Covas.

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