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Fake news, influência religiosa e isolamento atrapalham avanço da vacinação

24 de janeiro de 2022, 11:11

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A vacinação contra a Covid-19 no Brasil tem avançado de forma desigual pelo país. Enquanto há cidades que já estão aplicando a dose de reforço em adultos e a primeira dose em crianças, outros municípios só conseguiram completar o esquema vacinal de cerca de 20% de sua população. As informações são do jornal O Globo.

Secretários de saúde e especialistas apontam a desinformação, a influência de líderes religiosos contra a vacinação e o difícil acesso a regiões isoladas como alguns dos motivos para a estagnação da imunização em algumas cidades do país.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o norte de Minas Gerais e o sul da Bahia são as áreas de maior concentração de não vacinados, segundo o último levantamento do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz).

Em São Félix do Xingu (PA), por exemplo, a prefeitura chegou a sortear celulares para os jovens se vacinarem e ofereceu prêmios para as equipes de saúde que conseguiram imunizar mais pessoas. Mesmo assim, a cidade, que tem 91 mil habitantes, só imunizou cerca de 20% da população.

“A população não acredita na imunidade da vacinação. Há muita fake news sobre os efeitos colaterais. Todas as ações foram tomadas, não tem o que fazer”, disse ao O Globo o secretário de Saúde Raphael Antônio Souza.

Já em Borba (AM), funcionários da prefeitura dizem que parte dos 35 mil habitantes da cidade que não quer se vacinar é influenciada por líderes religiosos antivacina. “(Líderes) dizem que a vacina não é de Deus, foi uma invenção de laboratório e que já estão sob a proteção divina”, afirmou a secretária de Saúde Ângela Barba.

Além disso, o município precisa lidar ainda com os 44 mil km² de extensão. A visita a uma das comunidades ribeirinhas leva seis dias de viagem e custa quase R$ 30 mil. “É pouco recurso para chegar nesses locais”, contou Ângela.

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Mundo atravessa um “momento crítico” da pandemia de Covid-19, alerta OMS

24 de janeiro de 2022, 08:54

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira que o mundo está atravessando um “momento crítico” da pandemia de Covid-19 e apelou para que os países “trabalhem em conjunto” para “colocar fim a esta fase”.

“A pandemia de Covid-19 está entrando no seu terceiro ano e estamos num momento crítico”, afirmou em coletiva de imprensa.

O responsável frisou ainda que “temos que continuar trabalhando juntos para colocar um fim a esta fase da pandemia”. “Não podemos permitir que se arraste, que oscile entre o pânico e negligência”, reiterou. 

O alerta de Tedros Adhanom Ghebreyesus surge depois de no domingo o diretor da OMS Europa, Hans Kluge, afirmar que a variante Ômicron, que pode infectar 60% dos europeus até março, iniciou uma nova fase da pandemia de covid-19 na Europa que a pode aproximar do seu fim.

“É plausível que a região esteja a chegar ao fim da pandemia”, disse o principal responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, ainda assim pedindo cautela, devido à imprevisibilidade do vírus.

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A angústia de viver ao lado de barragens

24 de janeiro de 2022, 07:27

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Nesta terça-feira, 25, se completam três anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), um dos maiores desastres da mineração no mundo e o maior acidente de trabalho do Brasil em perdas humanas, com 272 vítimas e 6 famílias ainda à espera de desaparecidos. Mas o risco de uma nova tragédia ainda existe.

Morador do distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto (MG), o operário Jeferson Lucas de Godoy, de 29 anos, passa seus dias com a angústia da chegada da “lama invisível”. A expressão é cada vez mais usada por moradores de áreas próximas de barragens de mineração. Da janela da sala, Godoy enxerga com nitidez a Doutor, da mineradora Vale, classificada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em situação de emergência declarada.

“Meu vizinho foi removido, e a casa dele fica a 12 metros da minha. Qual a garantia de que a lama não vai me alcançar se a barragem estourar?” Ele viveu dias de preocupação com as fortes chuvas que atingiram municípios mineiros no fim do ano e neste mês. “Vivo embaixo de uma bomba relógio. E se estourar tenho dois bebês e uma criança para pegar e correr”, lamenta.

O Brasil ainda tem 65 barragens a montante, do mesmo tipo de estrutura que colapsou em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em 2019. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que 46 ficam em Minas. Essas estruturas são consideradas mais perigosas pela técnica de construção. O corpo da barragem é construído com o uso de rejeito por meio de alteamentos sucessivos sobre o próprio rejeito depositado, no sentido contrário ao fluxo de água. Pela legislação, todas devem ser descaracterizadas até 25 de fevereiro. Para especialistas, é pouco provável que isso ocorra.

A obra de desativação da Doutor, por exemplo, começou em fevereiro de 2020. Mas o vertedouro construído para descarregar a água desmoronou em outubro, após um temporal. Nas últimas semanas, as chuvas ampliaram a preocupação dos moradores. A aposentada Ivone Zacarias, nascida e criada no lugarejo, garimpeira desde os 11 anos, decidiu ir pessoalmente ver a situação. “Cada hora um fala um ‘trem’, que a barragem estava trincada, vazando. Confiar na Vale, não estamos. Então, fui ver com os meus próprios olhos”, conta a moradora, que foi seguida por vizinhos. “Nós vimos muita água e, debaixo dela, muita lama. Não tiro o direito das pessoas terem medo, mas do meu ponto de vista é estável.”

Remoção

Desde a tragédia de Brumadinho, as mineradoras iniciaram um processo de remoção de famílias nas zonas de autossalvamento das barragens (ZAS). São áreas que seriam atingidas por uma onda de inundação em até 30 minutos ou que estão a 10 quilômetros de distância. “A empresa Vale vem trabalhando para aumentar a segurança da barragem e contribuir para que a comunidade de Antônio Pereira possa, aos poucos, retomar as condições de vida anteriores. Um dos resultados dessas intervenções foi a redução do nível de emergência da barragem Doutor, em maio de 2021, que passou de nível 2 para nível 1 de emergência, o que atesta o aumento da segurança e estabilidade da estrutura.”

Das 65 barragens a montante ainda existentes no País, 17 ainda não têm o projeto básico/conceitual/executivo para serem descaracterizadas. A lei diz que o prazo poderá ser prorrogado por “inviabilidade técnica”. A ANM acredita que receberá “grande quantidade de pedidos” e destacou uma equipe para avaliá-los. Os empreendedores que não solicitarem extensão podem ser multados.

Crítica

O presidente da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg), Flávio Roscoe, defendeu que o prazo de 25 de fevereiro deste ano não seria realista. Segundo ele, somente os projetos de descomissionamento de barragens grandes podem levar de dois a três anos para serem realizados e aprovados em órgãos ambientais. Roscoe defende que seria mais arriscado realizar intervenções de forma “açodada” nas estruturas. “Desde Brumadinho, ficou claro que o método a montante não é mais confiável, como foi no passado. Mas não concordamos com o prazo de 25 de fevereiro, porque assim não é exequível realizar a descaracterização com segurança”, diz Roscoe. Ele prevê a descaracterização completa de mais 12 barragens até 25 de fevereiro, chegando ao total de 19 estruturas.

Situação atual

A Vale informou que eliminou 7 das 30 barragens a montante da companhia desde 2019. O número corresponde a 25% do previsto. Segundo a empresa, a expectativa é de eliminar 67% das estruturas alteadas a montante até 2025 e 100% delas até 2035. A mineradora mantém em seu balanço provisões de cerca de R$ 10 bilhões para o Programa de Descaracterização de Barragens.

A Gerdau informou que descaracterização da barragem Alemães, em Ouro Preto, foi iniciada e deve ser concluída até o fim do ano. A empresa solicitou postergação de prazo à ANM. A Mosaic Fertilizantes informou que sua única barragem a montante está em processo de descaracterização, mas, por “questões de impossibilidade de prosseguir com as obras”, o prazo final das ações é posterior à legislação.

A Samarco informou que as obras de descaracterização da barragem e cava do Germano, em Mariana, também estão em andamento. No fim de 2021, a empresa protocolou na ANM e na Feam (estadual) pedido de prorrogação do prazo, por se tratar de um “procedimento complexo.” Foram gastos até aqui R$ 663 milhões em descaracterização.

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Homem divulga fotos íntimas de ex-namorada na internet e é preso

21 de janeiro de 2022, 16:22

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Um homem, de 33 anos, foi preso por policiais civis da 88ª DP (Barra do Piraí) por divulgar fotos íntimas da ex-namorada na internet. Ele foi encontrado no bairro Parque Santana, no município no Sul Fluminense, na tarde desta quinta-feira. Ele não teve a identidade revelada.

Segundo a polícia, o homem chantageava a ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento e passou a persegui-la. Ele dizia que caso eles não reatassem o namoro, as fotos íntimas seriam divulgadas na internet. O criminoso enviava mensagens por meio de redes sociais para a mulher fazendo as ameaças, com xingamentos e perseguição.

Como o relacionamento não foi reatado, as fotos foram divulgadas na internet, o que levou a vítima a procurar a delegacia. O homem vai responder por quatro crimes do código, como o de perseguição, e está sujeito a uma pena que ultrapassa 10 anos.

A Polícia Civil alerta para que mulheres vítimas de violência de qualquer natureza (como física, sexual, patrimonial e psicológica) denunciem.

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Homem é encontrado morto em casa cercado por mais de 100 cobras

21 de janeiro de 2022, 16:17

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Um homem, de 49 anos, foi encontrado morto com mais 100 cobras venenosas e não venenosas dentro de casa, na quarta-feira (19), em Maryland, nos Estados Unidos. De acordo com a polícia local, os agentes foram acionados por um vizinho, que estranhou o sumiço de David Riston.

Ainda conforme a polícia, as cobras estavam dentro de tanques em cima de prateleiras. Conforme o Controle Animal do Condado de Charles, todos os animais estavam bem cuidados.

O corpo de David foi levado para Baltimore e deve passar por uma autópsia para identificar a causa da morte. A investigação sobre o caso está em andamento. Segundo a mídia local, é ilegal possuir cobras venenosas em Maryland.

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Enem 2022 acontecerá nos dias 13 e 20 de novembro

21 de janeiro de 2022, 10:40

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As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022 acontecerão nos dias 13 e 20 de novembro. Para a população privada de liberdade, as provas serão realizadas nos dias 13 e 14 de dezembro.

A decisão está em portaria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 21.

As datas também foram adiantadas pelo Ministro da Educação, Milton Ribeiro, em seu Twitter na última quinta-feira, 20. Segundo ele, “a publicação deste cronograma demostra o fortalecimento da governança da autarquia. A atual gestão do Inep busca maior efetividade dos processos de avaliação com transparência e em plena sinergia com MEC”, escreveu em publicação na rede social.

O Enem é usado para a entrada na maioria das universidades federais do País. Universidades estaduais, como a Universidade de São Paulo (USP), também destinam parte das vagas para os concorrentes das provas. O resultado do exame é a forma de se classificar para o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Financiamento Estudantil (Fies), além de ser um caminho para entrar em universidades estrangeiras.

A portaria também divulgou a data do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova que avalia os cursos de ensino superior brasileiros, marcado para o dia 27 de novembro.

Em 2021, o número de inscrições no Enem foi o mais baixo desde 2005. Em relação ao ano anterior, houve uma redução de 41% do total de inscritos.

Estadão

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Com apoio da Prefeitura, produtores rurais de Caém receberão cerca de 300 mil reais do Governo do Estado

21 de janeiro de 2022, 10:33

Foto: Ascom/PMC

Aconteceu na tarde desta quinta-feira (20), na comunidade de Várzea Redonda, a assembleia geral de constituição das comissões gestoras para a criação do Território Rural Mata Branca.

Durante o evento que reuniu mais de quarenta produtores rurais e contou com as presenças de representantes da Prefeitura Municipal de Caém, de técnicos da CAR e da Cofaspi (cooperativa de assistência rural), foi apresentado o Plano de Desenvolvimento e Investimento do Território Rural Mata Branca.

O Território Mata Branca está situado a aproximadamente 40 km da sede do município de Caém e é formado pelas comunidades de Várzea do Boi, Várzea Dantas, Várzea Redonda e Zé da Costa. Na área de produção animal destaca-se a criação de aves, bovinos e suínos, tanto quanto seus produtos e derivados. Já na área da agricultura, as culturas mais exploradas são: feijão, milho, mandioca, abóbora, melancia e andu, seguido por hortaliças, árvores frutíferas e plantas medicinais.

Serão investidos cerca de 300 mil reais nestas comunidades, com recursos advindos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), através do Programa Pró-semiárido do Governo da Bahia e apoio da Prefeitura, em atividades de assistência técnica, capacitação, estruturações físicas e aquisição de equipamentos técnicos e tecnológicos para impulsionamento de quintais agroecológicos e avicultura.

O objetivo do investimento é o de promover formas de organizar e melhorar os sistemas tradicionais de produção, garantindo uma melhor qualidade na produção de aves e ovos nas comunidades que serão beneficiadas.

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A Bahia é porreta

20 de janeiro de 2022, 17:47

Foto: Gervásio Lima

*Por Gervásio Lima

A fama de ‘descansado e sossegado’ do baiano já caiu por terra. A coragem e a luta da população baiana são fatos marcantes e fazem parte do dia a dia daqueles que trabalham arduamente pela sobrevivência. Faça chuva ou faça sol, estão sempre presentes na labuta.

Agora uma coisa não se pode negar, o povo baiano é de nascença muito festeiro. O gingado, o requebrado e a alegria contagiantes estão intrinsecamente ligados à vida e à alma baiana. Com o mesmo vigor do trabalho e da correria cotidiana, sempre que possível o corpo e a mente se entregam e se esbaldam no canto e na dança.

Baianamente falando, o povo baiano além de feliz é retado.

Talvez de todos os brasileiros, os baianos são os que mais têm sofrido com as limitações impostas pela pandemia da Covid. O não poder abraçar, beijar e carinhar como gostariam, angustia, mas não tanto quanto ser tolhido do que mais gostam: dividir e espalhar felicidade do seu jeito único e frenético de ser.

Baiano é uma figura porreta. Amigo, companheiro, parceiro… boa gente. A Bahia vai além do seu sotaque, é um lugar apaixonante, de pessoas acolhedoras e solícitas, sempre à disposição para ajudar. A Bahia é o norte, sul, leste e oeste; é o mar, é o rio, é a mata, a caatinga e o cerrado. A Bahia é o ontem, o hoje e a saudade amanhã.

A baianidade é sinônimo de diversidade, de querer bem e de gostar sem olhar a quem; é viver com intensidade e ter a certeza que poderá realizar o que foi sonhado. Baianidade é alegria, é trabalho, é fé.

Não basta viver na Bahia, é preciso ‘viver a Bahia’, apreciar sem moderação seus atrativos naturais e históricos; conhecer e se deliciar com sua culinária, saboreando do acarajé ao bode assado; da galinha caipira à feijoada, à maniçoba e ao vatapá.

Quero meu umbu, meu caju, minha goiaba e meu araçá, enquanto não chega a laranja, a jaca, o abacaxi, a manga, a uva, o morango e a cajá. Não esquecendo do tamarindo, jenipapo, seriguela, pitanga, acerola, abacate, mamão e o maracujá.

Viva o Senhor do Bonfim, Viva Iemanjá e Oxalá!

*Jornalista e historiador

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Destruição do Cerrado ‘empurra’ mosquito da dengue para as cidades, mostra pesquisa

19 de janeiro de 2022, 10:31

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Um estudo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado na revista científica PLOS, demonstra que o avanço da destruição do Cerrado está diretamente ligado ao aumento do número de casos de dengue na região. O trabalho mostra que, se o ritmo do desmatamento continuar semelhante ao atual, em 2030 toda a área do Cerrado terá um aumento considerável dos casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, de origem africana.

“O aumento dos casos de dengue está relacionado à redução da cobertura vegetal do Cerrado”, afirma o engenheiro florestal Arlindo Ananias Pereira da Silva, da Unesp, principal autor do estudo. “Se não houver política pública específica e regionalizada, algumas regiões vão ter um impacto muito grande.”

O Estado de maior preocupação é Minas Gerais. Dos atuais 2,2 mil casos por 100 mil habitantes, os registros da doença pulariam para 4 mil por 100 mil habitantes. Para impedir que a projeção se concretize, alertam os cientistas, o País terá que controlar o desmatamento e adotar novas políticas ambientais e de saúde pública.

Em 2020, houve em todo o mundo 2,7 milhões de casos de dengue. Desse total, 36,5% foram no Brasil. Mais da metade deles foi registrada no Cerrado. De 2008 a 2019, a dengue matou 6,4 mil pessoas em território brasileiro.

Desmate e monocultura, com mais calor e menos predadores, favorecem o Aedes

O avanço do Aedes aegypti em áreas tropicais é relacionado à urbanização, sobretudo em cidades sem infraestrutura de saneamento básico. A perda do hábitat e a redução de predadores naturais ‘empurra’ o inseto para áreas urbanizadas, espalhando a dengue.

“Quando o mosquito está inserido em ambiente florestal, há meios de controle, com os predadores e também por conta da cobertura vegetal, o microclima”, explica o pesquisador. “Com o desmatamento e a monocultura, você aumenta as temperaturas, amplia a oferta de alimento e reduz os predadores naturais; isso é tudo o que o mosquito quer para se reproduzir.”

O Cerrado ocupava originalmente pouco mais de 20% do território brasileiro. Mas, desde o início dos anos 70, sofre grande pressão do agronegócio, intensificada nos anos posteriores. Desde 2005, segundo o trabalho, a taxa de desmatamento vinha diminuindo. Mas em 2020 houve um aumento de 13,2% em comparação ao ano anterior. Atualmente, o bioma concentra a maior parte da produção agropecuária do País.

Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma que mais sofreu alterações por causa da ocupação humana. É considerado um dos 25 ecossistemas do planeta em alto risco de extinção. Atualmente, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, restam aproximadamente 34% da área original do Cerrado. Cientistas mais pessimistas acham que, até 2030, o ecossistema pode estar totalmente destruído.

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Veja os direitos do trabalhador com sintomas de Covid e gripe

19 de janeiro de 2022, 10:20

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O profissional com sintomas de gripe, resfriado ou Covid-19 tem direito ao afastamento do trabalho, mas, para isso, precisará de um atestado médico prevendo a duração da licença médica ou os dias em casa poderão ser considerados como faltas.

A situação muda um pouco nos casos de coronavírus, quando o teste positivo do trabalhador ou de alguém com quem ele tenha tido contato já é suficiente para que a empresa precise afastá-lo por 14 dias. A medida é prevista pelas portarias 19 e 20, de 2020 -são elas que o governo Jair Bolsonaro quer revisar para reduzir o tempo mínimo de afastamento.

“A portaria fala em 14 dias, mas ele não prevalece sobre o atestado médico. Se você vai ao médico e ele diz que você pode voltar antes ou em três semanas, é esse período que vale”, diz o advogado Luiz Guilherme Migliora, sócio da área trabalhista do Veirano Advogados.

O problema é que a explosão recentes de casos -tanto de Covid quanto da influenza H3N2, que leva a um tipo mais agressivo de gripe- começou a dificultar a realização desses testes. Os do tipo rápido, realizados em farmácia, passaram a ficar disputados e diversas unidades de saúde relatam desabastecimento.

Na rede de atendimento à saúde, seja pública ou suplementar (para quem tem convênio médico), o encaminhamento para o exame depende de o paciente passar pelo pronto atendimento ou pelo ambulatório (onde os atendimentos são agendados), locais que andam lotados e com filas de horas. Até na telemedicina a espera chega a 24 horas.

Em meio a essa explosão de novos casos, a recomendação de médicos e gestores públicos é para que somente aqueles com sintomas mais agudos busquem os serviços de emergência.
Sem ir ao médico e sem um teste que demonstre se ele tem ou não Covid, o trabalhador precisa negociar com a empresa.

É possível utilizar banco de horas e folgas para se manter longe do ambiente de trabalho e, no caso daqueles com sintomas gripais, usar o tempo para descansar.

Por outro lado, a gravidade menor da recente onda de casos tem levado muitos trabalhadores a desenvolverem sintomas leves ou mesmo assintomáticos, que só são descobertos a partir de teste positivo de alguém próximo.

Independentemente de teste, o médico André Ricardo Ribas Freitas, professor de epidemiologia da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic, disse à reportagem que, em caso de sintomas de gripais, o ideal é a adoção de cerca de sete dias de isolamento para reduzir a circulação do vírus.

Quem consegue passar pelo atendimento via telemedicina tem recebido recomendações similares, e mais o monitoramento de febre, com o termômetro caseiro, e de oxigenação, por meio do oxímetro.

O advogado Luiz Guilherme Migliora tem recomendado pragmatismo a empregados e empregadores quanto à possibilidade de o trabalhador seguir na ativa, em home office, quando do diagnóstico positivo.

“Se estou me sentindo bem e me disponho a trabalhar em casa, até posso, mas o empregador não pode exigir”, afirma. “Mas ao equiparar com outras licenças médicas, eu não poderia deixar, como empregador, esse funcionário trabalhar.”
Para Migliora, uma boa prática empresarial seria não exigir o trabalho, mas permiti-lo, mantendo um registro por escrito de que a decisão de manter a atividade partiu do empregado.

Os afastamentos de até 15 dias são bancados pela empresa. Se a licença médica for superior, o trabalhador precisa agendar uma perícia médica no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). É importante que o empregado tenha em mente que, com exceção da Covid-19 comprovada por teste, outros afastamentos só existem formalmente com recomendação médica.

Na base da conversa e do bom senso, quem está com sintomas de menor gravidade e atua em setores que permitem o trabalho remoto pode se afastar apenas da atividade presencial, justamente para evitar a contaminação de outras pessoas.

A rápida dispersão do novo vírus tem colocado empresas e sindicatos em estado de alerta desde a virada do ano. Lojistas de shoppings tentaram reduzir o horário de funcionamento por falta de mão de obra e restaurantes chegaram a fechar as portas por alguns dias, sem equipe para dar conta de salão e cozinha. Centenas de voos foram cancelados por conta da contaminação entre tripulantes.

Na semana passada, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região diz ter registrado 500 casos de Covid entre os trabalhadores do setor. Uma reunião foi marcada para esta terça (18) com a entidade que representa os bancos para discutir medidas de proteção.

A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) diz manter diálogo com os sindicatos sobre todas as etapas de evolução da pandemia. “As agências são fechadas para higienização e os trabalhadores são encaminhados para testes ou afastamento segundo as normas em vigor”, afirma, em nota.

Entre os petroleiros, a FUP (Federação Única dos Petroleiros) registrou, no dia 13 de janeiro, 725 casos confirmados e outros 1.041 suspeitos, a maioria deles no estado do Rio de Janeiro. A situação de surto levou representantes dos trabalhadores a se reunirem com a Petrobras também no dia 13.

Segundo a FUP, a empresa propôs aumentar a escala de trabalho nas unidades onshore (em terra), em regime temporário e emergencial. A mesma medida foi adotada em março de 2020, quando a pandemia teve início. Outra medida adotada será a redução no contingente de funcionários da área administrativa.

Na última semana, a Petrobras iniciou a implantação de medidas recomendadas pela Anvisa, como a testagem de todos os trabalhadores das plataformas sempre que houver caso confirmado. Até então, os testes só aconteciam antes do embarque.

Há alguns dias, a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) também atualizou seu guia de saúde com recomendações às empresas quanto à conduta a ser adotada diante do aumento de casos. Acredita-se que o crescimento nas contaminações esteja ligado à variante ômicron.

Para a entidade, além da vacinação contra a Covid, as indústrias também devem estimular a imunização contra a gripe. No município carioca, uma resolução da autoridade em saúde prevê que o isolamento de pessoas contaminadas seja de sete dias.

Folhapress

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