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ACM Neto e família aparecem em negócios e investigações que envolvem mais de R$ 320 milhões

25 de setembro de 2026, 09:26

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O ex-prefeiro ACM Neto (União Brasil) e integrantes de sua família aparecem ligados a pagamentos, contratos e suspeitas que, reunidos, envolvem mais de R$ 320 milhões. A cifra atravessa o Caso Master, a Operação Overclean e contratos públicos relacionados a empresas e entidades de familiares e parentes do candidato.

A maior cifra vem do Caso Master. Daniel Vorcaro afirmou que ACM Neto e Antônio Rueda teriam direito a 10% sobre aproximadamente R$ 2 bilhões captados para o banco, o equivalente a até R$ 200 milhões. O valor seria destinado aos dois dirigentes do União Brasil.

Dados da Receita Federal mostram que o Banco Master declarou R$ 5,45 milhões em pagamentos à A&M Consultoria, empresa de ACM Neto e Mariana Magalhães.

Na Overclean, a Polícia Federal colocou ACM Neto em posição de liderança política na estrutura investigada e identificou 232 chamadas entre ele e José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”. Uma das fases da operação apura contratos superiores a R$ 80 milhões relacionados à Secretaria de Educação de Belo Horizonte.

A teia alcança também a família. Renata Magalhães, irmã de ACM Neto, aparece como coproprietária de uma aeronave ao lado do próprio José Marcos de Moura. Já Rosário Magalhães, mãe de Neto, presidiu o Parque Social, entidade que recebeu convênio municipal de R$ 5,6 milhões. Outro parente, Flávio Costa Maron, é responsável pela Bença Comunicação, contratada pela Prefeitura de Salvador por R$ 30,9 milhões em 2025.

A família também mantém uma relação antiga com a publicidade municipal. A Bahia Comunicação, ligada a Paulo Vianna, irmão de Rosário Magalhães e tio de ACM Neto, atende a Prefeitura de Salvador desde a administração do próprio Neto.

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Policiais compravam armas e trabalhavam com coletes vencidos nos governos do grupo de ACM Neto

24 de setembro de 2026, 14:09

Foto: Reprodução

As páginas da imprensa baiana registraram um retrato duro da segurança pública na Bahia durante o último governo estadual do grupo político hoje liderado por ACM Neto. Em 16 de novembro de 2005, a manchete de A Tarde era direta: “Policial paga pela arma que usa”. O cenário descrito pelo jornal ia muito além de uma deficiência pontual. Em algumas delegacias de Salvador, equipes de plantão com cerca de cinco policiais dispunham de apenas duas ou três armas. Agentes relatavam que precisavam tirar dinheiro do próprio bolso para comprar armamento e munição para trabalhar e se proteger.

Na página interna, outra manchete resumia a situação: “Policial compra arma para trabalhar”. O próprio Estado admitia, que não fornecia o chamado kit mínimo de segurança. Faltavam armas, munição, coletes e equipamentos de comunicação. A reportagem registrava ainda que 30 policiais haviam sido mortos a tiros naquele ano.

O quadro era reconhecido pelo próprio comando policial. Sob o título “Comando reconhece defasagem, mas minimiza problema”, dirigentes das polícias admitiam carências. Policiais denunciavam coletes vencidos e falta de equipamentos. Em uma das unidades citadas pelo jornal, um grupo de 15 agentes dispunha de apenas cinco coletes e um rádio HT.

Não eram denúncias isoladas. Em janeiro de 2006, o então deputado federal Colbert Martins levou a situação à tribuna da Câmara dos Deputados. Disse que havia delegacias na Bahia onde cinco policiais trabalhavam com duas armas e que existiam coletes à prova de bala vencidos havia tanto tempo que não podiam mais ser usados. A Rádio Câmara registrou ainda denúncias de falta de munição, escassez de combustível para viaturas e condições precárias de trabalho.

Meses antes, em julho de 2005, outro flagrante havia chegado às páginas de A Tarde. A manchete “Polícia usava 60 carros apreendidos” relatava que, em Feira de Santana, veículos furtados e posteriormente recuperados, que deveriam permanecer sob custódia até a devolução aos proprietários ou seguradoras, estavam sendo utilizados por policiais em diligências. O delegado responsável determinou o recolhimento dos automóveis.

Outro recorte daquele período estampava “Segurança pública em descrédito”. A reportagem mostrava módulos policiais de Salvador em condições precárias, alguns desativados ou funcionando de maneira limitada, enquanto moradores recorriam cada vez mais à vigilância privada. O quadro registrado pelo jornal era o de um sistema em que o cidadão buscava proteção particular ao mesmo tempo em que os próprios policiais reclamavam da ausência de estrutura básica para trabalhar.

A precariedade chegou também ao debate nacional. Em maio de 2006, Colbert Martins voltou à Câmara para falar especificamente de Feira de Santana: eram 87 mortes em pouco mais de quatro meses, diante de 160 assassinatos em todo o ano anterior. O deputado apresentou números baixos de elucidação dos crimes e responsabilizou a falta de estrutura para limitar a atuação das polícias.

No fim de 2005, A Tarde ainda estampou na primeira página: “Polícia adverte: não viaje à noite”. A recomendação era da Polícia Rodoviária Federal. A PRF orientava quem viajasse para o interior no Ano-Novo a circular durante o dia e evitar locais isolados devido, entre outros fatores, aos assaltos registrados naquele período. O próprio jornal recebeu depois uma carta de leitor questionando o absurdo de uma realidade em que a orientação policial ao cidadão era restringir seus deslocamentos por medo da criminalidade.

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Tese que aponta ACM Neto como elo entre casos Master e Overclean ganha força nas investigações

24 de setembro de 2026, 11:10

O Banco Master e a Operação Overclean nasceram de investigações diferentes e, até agora, não há prova de que façam parte de um único esquema criminoso. Mas documentos, relatórios policiais e registros financeiros revelam um cruzamento concreto entre os dois casos. Três personagens aparecem dos dois lados: ACM Neto, Antônio Rueda e José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”. E o candidato ao governo da Bahia é um dos pontos documentados dessa interseção.

A primeira conexão é financeira. Em 2024, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, declarou ter pago R$ 1.433.460 à MM Limpeza Urbana, empresa de José Marcos de Moura. O valor foi registrado como “rendimentos de capital”. No mesmo conjunto de informações fiscais, aparecem R$ 5,4 milhões pagos entre 2023 e 2025 à A&M Consultoria, administrada por ACM Neto, e R$ 6,4 milhões destinados a escritórios ligados a Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

O segundo ponto de encontro está na proposta de colaboração apresentada por Vorcaro. O ex-controlador do Master afirmou que Neto e Rueda teriam atuado para abrir portas do banco junto a institutos públicos de previdência e outras instituições, em troca de comissões de 10%. Segundo ele, os dois teriam intermediado negócios que levaram bilhões de reais ao Master e mantinham uma espécie de “conta corrente gerencial” de valores a receber. Vorcaro também relatou reuniões com ambos na sede do banco

José Marcos de Moura é um dos principais investigados da operação. A Polícia Federal identificou 232 chamadas de WhatsApp entre ele e ACM Neto em apenas cinco meses, de agosto a dezembro de 2024. Moura é investigado por suspeitas de corrupção, fraude em licitações e desvios de recursos públicos. Os contatos com Neto foram incluídos entre os elementos apresentados pela PF ao STF na investigação.

As conversas recuperadas pela polícia acrescentam outro elemento. Em dezembro de 2024, o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, enviou a Moura uma relação de áreas da administração municipal e escreveu: “Escolhe”. Moura respondeu: “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Àquela altura, a Secretaria de Educação de Belo Horizonte já era comandada por Bruno Barral, que havia ocupado a mesma pasta durante a gestão de ACM Neto em Salvador e posteriormente virou alvo da Overclean.

Assim se forma o cruzamento documental.

No universo Master, aparecem Vorcaro, pagamentos à empresa de Neto, pagamentos a Rueda e recursos destinados também à empresa do Rei do Lixo. No universo Overclean, aparecem novamente Neto, Rueda e Moura: centenas de contatos entre Neto e o empresário e mensagens em que Moura diz que consultaria os dois dirigentes do União Brasil antes de responder sobre espaços na Prefeitura de Belo Horizonte.

A Polícia Federal avançou além da simples constatação dos contatos. Informações reproduzidas da investigação apontam que os investigadores passaram a examinar ACM Neto como possível liderança política dentro da estrutura apurada na Overclean. A PF chegou a pedir busca e apreensão contra ele, e a PGR concordou com a diligência.

O elemento mais significativo dessa sobreposição é José Marcos de Moura. Ele não é apenas um investigado da Overclean que manteve 232 contatos com Neto. Sua empresa também recebeu R$ 1,43 milhão do Banco Master — justamente o banco que pagou milhões à empresa de ACM Neto e cujas relações com o candidato passaram a ser objeto das acusações feitas por Vorcaro. A explicação apresentada para o pagamento à MM Limpeza é que se tratava do resgate de uma aplicação financeira.

O que as evidências permitem demonstrar, portanto, é uma interseção de personagens e relações: ACM Neto mantém vínculos documentados com o Master e aparece simultaneamente nas apurações da Overclean em contatos e articulações envolvendo Moura. Isso permite tratá-lo como elo pessoal documentado entre os dois universos.

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“A Bahia precisa de Lula”, afirma Rui Costa ao defender estado “de mãos dadas” com o presidente

24 de setembro de 2026, 11:03

Foto: Diego Mascarenhas/ Arquivo Divulgação

Ex-ministro da Casa Civil e governador da Bahia por dois mandatos, o candidato ao Senado Rui Costa (PT) afirmou, na manhã desta quinta-feira (24), que a Bahia precisa continuar “de mãos dadas” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante entrevista à Rádio Regional FM, de Irecê, Rui defendeu a manutenção da parceria entre os governos estadual e federal e destacou os investimentos realizados no estado nos últimos anos.

“Nós não podemos perder a oportunidade da Bahia seguir de mãos dadas com o presidente Lula. A Bahia precisa do Lula e o Lula precisa da Bahia. Nós não podemos perder a oportunidade”, afirmou Rui Costa ao pedir o voto no Time de Lula na Bahia, formado também pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo senador Jaques Wagner, candidatos à reeleição.

Rui assegurou que a continuidade de Lula na presidência vai permitir a ampliação, nos próximos anos, do volume de recursos federais destinados ao estado. “Eu acho que a Bahia tem que aproveitar esta oportunidade e dar as mãos a Lula. Se nós recebemos muito investimento nos últimos quatro anos, o maior da história, nós temos que trabalhar para, nos próximos quatro anos, superar isso e receber ainda mais investimentos do governo federal”, declarou.

Na entrevista, Rui também relacionou a parceria com o governo federal aos investimentos realizados na Bahia e afirmou que acompanhou a liberação de recursos durante sua passagem pela Casa Civil da Presidência. Segundo ele, nos últimos quatro anos, o estado recebeu “o maior volume de investimento da história da Bahia que o Governo Federal já realizou”.

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Prorrogadas até 15 de outubro as inscrições para seleção de entidades territoriais para a 17ª Feira Baiana da Agricultura Familiar

24 de setembro de 2026, 10:21

Foto: André Frutuôso

Estão prorrogadas até 15 de outubro as inscrições para a seleção de entidades territoriais interessadas em representar empreendimentos na 17ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária. A seleção está prevista em edital e contempla entidades que atuam na representação de empreendimentos da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais e economia solidária.

A 17ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária está prevista para ocorrer de 2 a 6 de dezembro de 2026, no Parque Costa Azul, em Salvador.

O resultado preliminar da seleção está previsto para 20 de outubro. Após o período para apresentação e análise de recursos, o resultado final deverá ser divulgado em 5 de novembro, com a identificação das entidades selecionadas.

As informações sobre inscrições, critérios e resultados estão disponíveis nos sites da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).

Seleção

O edital prevê a seleção de uma entidade proponente por Território de Identidade, totalizando até 27 entidades. As entidades selecionadas representarão empreendimentos dos respectivos territórios durante a feira.

Para a escolha da entidade representante de cada território, deverá ser realizada reunião pelo Colegiado Territorial, com a participação de representantes da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Bahia), da Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF) e dos empreendimentos coletivos ou individuais.

Programação técnica

O edital também estabelece prazo para o recebimento de propostas destinadas à composição da programação técnica da 17ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária.

As unidades da SDR, demais secretarias de Governo e instituições parceiras poderão encaminhar propostas para o e-mail febafes@sdr.ba.gov.br, no período de 28 de setembro a 28 de outubro de 2026.

As atividades serão realizadas presencialmente e deverão observar os critérios estabelecidos no edital. O resultado da seleção das propostas está previsto para 10 de novembro de 2026, nos sites da SDR e da CAR.

Ascom SDR/CAR

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Jerônimo desmente ACM Neto sobre campus da Uneb em Ipirá e diz que ex-prefeito desconhece a Bahia (VÍDEO)

23 de setembro de 2026, 16:24

O governador Jerônimo Rodrigues desmentiu, nesta quarta-feira (23), a afirmação feita por ACM Neto durante visita a Ipirá de que o ex-prefeito de Salvador teria participado da implantação de um campus da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) no município. Segundo Jerônimo, o candidato do União Brasil desconhece a realidade do estado e faltou com a verdade ao falar sobre a presença da universidade na região.

“Meu opositor ACM Neto foi para Ipirá. Eu vou ter que mandar um mapa para ele. Ipirá fica na Bacia do Jacuípe”, afirmou Jerônimo, em sabatina em uma emissora de televisão de Salvador. O governador também corrigiu a declaração de que ACM Neto teria sido responsável pela implantação de um campus na cidade. “Ele disse: ‘fomos nós que fizemos uma Uneb’ na cidade. Não existe prédio da Uneb em Ipirá, candidato”, explicou Jerônimo.

A declaração de ACM Neto ocorreu durante uma agenda em Ipirá nesta semana, quando ele afirmou que uma de suas prioridades seria “reabrir” um campus da universidade estadual no município, que teria sido inaugurado, segundo ele, por uma iniciativa enquanto era deputado.

Uneb também desmente ACM Neto

A própria Uneb afirma, em nota, que não houve processo de criação de um campus da universidade em Ipirá. De acordo com a instituição, a criação de um campus depende de decisão do Conselho Universitário (Consu), sua instância máxima deliberativa, e não houve tramitação de processo dessa natureza relacionado ao município.

A universidade afirma que já foram realizadas atividades em Ipirá com cursos e ofertas específicas de programas especiais de formação. Ainda segundo a Uneb, as instalações utilizadas foram cedidas pelo município. Durante a entrevista, Jerônimo firmou o compromisso de trabalhar para criar, junto ao Governo Federal, a Universidade Federal da Bacia do Jacuípe.

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Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos

23 de setembro de 2026, 14:47

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a tarefa de escolher, entre tantos candidatos, aqueles mais aptos a representar os interesses da população, contou com mais um complicador: as notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) reduziram o debate das propostas. 

A Agência Brasil ouviu especialistas que indicaram caminhos que podem ajudar eleitores a escolherem seus candidatos com mais critérios, buscando aqueles mais alinhados a seus interesses e visões de mundo, além de evitar armadilhas como os “puxadores de voto” e propostas genéricas.

Saber quem financia as campanhas, quais são as propostas de cada candidato e de que forma elas vão impactar a realidade prática de cada eleitor são estratégias para um voto responsável. 

1) Eu, o eleitor 

Antes de avaliar as propostas ou o currículo dos candidatos é importante olhar para si mesmo e para sua coletividade. Alguns questionamentos podem guiar essa reflexão:

A qual grupo social e econômico eu pertenço?

Com quais ideologias e visões de mundo eu me identifico?

Quais problemas eu espero que o Poder Público priorize? 

Rio de Janeiro (RJ), 21/09/2026 - João Feres Júnior
Doutor em Ciência Política da IESP UERJ. Foto: João Feres Júnior/Arquivo Pessoal
 João Feres Júnior Doutor em Ciência Política da IESP UERJ. Foto: João Feres Júnior/Arquivo Pessoal – João Feres Júnior/Arquivo Pessoal

Em política, nem sempre os interesses convergem. Um empresário, um trabalhador assalariado e um profissional autônomo não necessariamente avaliam do mesmo jeito uma proposta como, por exemplo, o fim da escala 6×1. 

Homens e mulheres podem ter urgências distintas. Elas, inclusive, são mais da metade (53%) do eleitorado. Ainda assim, na atual legislatura, ocuparam apenas 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados. 

Não existe governo que agrade a todos o tempo todo. Toda decisão política implica escolhas distributivas. Quem governa pensando no bem comum tem que necessariamente administrar conflitos decorrentes de interesses divergentes, avaliando os impactos de suas ações. 

“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, diz o professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Júnior. 

Ele destaca que muitos eleitores não têm clareza quanto aos seus próprios interesses – nem certeza de que, uma vez eleitos, os candidatos os representarão de fato. 

“Claro que há prioridades em relação às representações. Há partidos e candidatos que optam por atender prioritariamente aos mais pobres. Outros fazem políticas que beneficiam principalmente os mais ricos. E muitos eleitores não sabem, de fato, quais são suas prioridades. Principalmente porque, idealmente, o eleitor deve procurar se informar da melhor forma possível, mas, na prática, ele nem sempre tem acesso a informações de qualidade – principalmente quanto às boas práticas políticas, já que a imprensa está mais interessada em cobrir os escândalos”, pondera.  

2) O que faz um político? 

Brasília (DF), 21/09/2026 - Professora Débora
 Messemberg. Foto: UnB/Arquivo/Divulgação

Compreenda as atribuições de cada cargo; o que cada candidato, se eleito, poderá ou não fazer, de acordo com a lei. Passo básico, mas essencial para evitar frustrações e reduzir as chances de cair em falsas promessas — como um candidato a deputado prometendo construir um hospital ou pavimentar ruas, algo que cabe ao Poder Executivo decidir e executar – ou seja, presidente, governadores e prefeitos.  

“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, diz a socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB). 

“Um senador ou um deputado federal têm muito poder para indicar a destinação das verbas públicas, seja porque aprova o Orçamento [da União], seja por meio de emendas [parlamentares]. Só que eles não executam [as políticas públicas]. Saber isso importa. Até porque, os candidatos [ao Poder Legislativo] que prometem fazer obras, construir não sei o que lá, estão dando uma clara demonstração negativa”, pondera Débora. 

A saber, compete: 

Ao Presidente da República: Exercer o Poder Executivo e a direção da administração federal; nomear e exonerar ministros de Estado e ocupantes de outros cargos da administração federal; comandar as Forças Armadas; enviar ao Congresso Nacional, anualmente, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e a proposta de orçamento; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pelo Congresso Nacional, bem como expedir decretos presidenciais que tratem da organização e funcionamento da administração federal; manter relações com Estados estrangeiros; celebrar tratados e convenções internacionais, entre outras coisas. 

Aos Governadores: Nomear e exonerar secretários estaduais; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pela Assembleia Legislativa estadual; decretar e executar a intervenção nos municípios; administrar a segurança pública no estado, inclusive nomeando os dirigentes das polícias Militar e Civil, bem como a rede estadual de ensino; os hospitais regionais e a infraestrutura de rodovias estaduais entre outras atribuições. 

Aos Deputados: O deputado federal atua no Congresso Nacional; o estadual, na Assembleia Legislativa do seu estado e os distritais, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cabe a eles, entre outras coisas, aprovar e modifica leis, fiscalizar o Poder Executivo (federal, estadual ou distrital, conforme o caso) e participar da elaboração do orçamento público (definindo para onde vão os recursos por meio de emendas e votações). 

Aos Senadores: Representar, no Congresso Nacional, a unidade federativa pela qual foi eleito; discutir, votar e aprovar leis federais; sabatinar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), diretores de agências reguladoras e julgar autoridades etc 

3) Ações valem mais que palavras 

Avalie o currículo, o histórico e as propostas do candidato. 

Quem o financia ou o apoia? 

Quais partidos compõem sua coligação e de que setores vêm seus principais apoios (grandes corporações, instituições financeiras, sindicatos, movimentos sociais)? 

As propostas que ele apresenta atacam a raiz dos problemas ou não passam de discursos genéricos? 

Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor da Univ. Fed. do Ceará (UFC)
Foto: Francisco Uribam/Arquivo pessoal
Brasília (DF), 22/09/2026 – Manual do eleitor, Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor da Univ. Fed. do Ceará (UFC) Foto: Francisco Uribam/Arquivo pessoal – Francisco Uribam/Arquivo pessoal

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Uribam Xavier de Holanda, analisar o conteúdo de campanha dos candidatos não é algo simples, pois exige um tempo de que a maioria dos eleitores não dispõem. Ainda assim, é algo da maior relevância. 

“Para a maioria das pessoas, é difícil encontrar tempo para fazer isso. Além do mais, é muito complicado para o cidadão se inteirar de algo tão sofisticado quanto os processos de financiamento de campanha, o uso do fundo partidário e os financiamentos privados – que muitas vezes são camuflados”, alerta Uribam. 

Ele também destaca que quase a totalidade dos candidatos elabora seus discursos e propostas com base em pesquisas eleitorais, raramente esclarecendo quais interesses e grupos realmente defendem. 

Se o candidato já ocupa um cargo político, verificar seu histórico e como ele votou ou atuou em projetos relevantes pode ajudar o eleitor a identificar incoerências, discursos vazios ou falsas promessas. 

“De certa forma, a campanha política é feita para manufaturar a vontade do eleitor, que tem que, a partir de sua condição de vida, pensar quem é que, quando chega ao poder, faz alguma coisa que ele percebe que lhe beneficia. Se eu tenho um filho pequeno e não tenho condições de pagar uma escola particular, quem são os políticos que não só incluem em seus programas a defesa das escolas públicas, mas que, se já tiveram oportunidade, fizeram com que estas chegassem ao meu bairro, à minha cidade?”, destaca Uribam. 

As propostas de governo, bem como a declaração de bens e a prestação de contas, com a relação de todos os doadores de campanha, podem ser consultados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

4) Alinhamento partidário 

Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da Univ. Fed. do Pará (UFPA).
Foto: Naiara Sandi/Arquivo pessoal
Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da UFPA. Foto: Naiara Sandi/Arquivo pessoal

No sistema político brasileiro, ninguém atua de forma isolada. Mesmo que nem todos os partidos tenham uma linha ideológica clara, é de se esperar que seus filiados demonstrem um alinhamento mínimo, uma disciplina partidária. 

“Cada partido tem seu programa, sua posição política e compõe uma bancada”, destaca a cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Para Naiara, isso fica mais perceptível no Poder Legislativo, já que, em muitas votações, vale a chamada orientação de bancada – recomendação dada pelo líder partidário aos parlamentares de seu partido ou bloco parlamentar para que se posicionem ou votem em determinado sentido. 

Ou seja, um candidato pode se apresentar com um discurso e, quando eleito, se alinhar à diretriz partidária, mesmo que contrariamente aos interesses que prometeu defender. 

“Daí a importância de o eleitor conhecer não só as propostas e as trajetórias individuais dos candidatos, mas também as posições que o partido ao qual o candidato é filiado costuma adotar; seu programa e a quais outros partidos ele está associado”, acrescentou a cientista política. 

Para avaliar os partidos com rigor, o eleitor deve procurar observar: 

Como a legenda tem votado; 

As pautas que o partido historicamente apoia; 

Sua consistência ideológica; 

Suas alianças com outros partidos nesta e em outras eleições. 

5) Puxadores de voto 

Em 2010, Francisco Everaldo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, obteve mais de 1,35 milhão de votos, tornando-se o candidato a deputado federal mais votado do Brasil naquele ano. Em sua estreia na política, Tiririca ajudou a eleger outros três candidatos à Câmara dos Deputados, seus correligionários. 

Embora não fosse uma novidade, o fenômeno passou a ser chamado de Efeito Tiririca. Isso é possível porque no chamado sistema proporcional (que, no Brasil, é usado na escolha de deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores, nas eleições municipais) os candidatos são eleitos conforme o chamado quociente eleitoral. O cálculo é ainda mais complicado que o nome. 

Funciona assim: 

O total de votos válidos registrado em seu estado ou no Distrito Federal é dividido pelo número de assentos a que a unidade federativa tem direito. (Exemplo: se houver, em um estado com direito a dez cadeiras na Câmara dos Deputados, um total de 2 milhões de votos válidos, o quociente eleitoral será de 200 mil votos). 

Depois, os votos que todos os candidatos de um mesmo partido ou federação receberam são somados e divididos pelo quociente eleitoral. (Seguindo o exemplo, uma legenda ou federação cujos candidatos totalizarem 800 mil votos terá conquistado quatro assentos, ocupados por seus filiados mais votados e que tenham cumprido a cláusula de barreira individual — ao menos 10% do quociente eleitoral). 

Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Foto: Rodrigo Stumpf/Arquivo pessoal
Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Rodrigo Stumpf/Arquivo pessoal

Ou seja: os chamados “puxadores de voto” carregam consigo, de carona, outros candidatos. “Por isso, muitas vezes, os partidos buscam celebridades, artistas ou atletas de grande visibilidade, capazes de receber grande número de votos, para fortalecer a legenda e auxiliar na eleição de outros candidatos menos votados”, explica o cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Segundo ele, nos últimos anos, mudanças na legislação eleitoral impuseram algumas barreiras à eleição de candidatos pouco votados, como, por exemplo, a exigência de uma votação mínima. Mesmo assim, é preciso estar atento a fim de evitar arrependimentos futuros. 

“É importante o eleitor saber qual a nominata [lista oficial] do partido. E, se for o caso, que não vote [em determinada legenda] motivado por uma única pessoa”, acrescenta González.

“Também é importante lembrar que o número [da candidatura] não identifica só o candidato, mas também seu partido. Com isso é possível saber quem são os demais candidatos deste partido e quem, potencialmente, pode vir a ser eleito com os votos dados a uma celebridade.” 

6 – No dia da votação 

O 1º turno das eleições deste ano acontecerá em 4 de outubro. Em todo o Brasil, cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar ajudarão a eleger os futuros deputados federais, estaduais ou distritais; dois senadores para cada unidade federativa; governadores e o presidente da República. 

No dia da votação, o eleitor pode levar consigo um papel com os nomes e os números dos candidatos ou candidatas de sua preferência e consultá-lo na cabine de votação para evitar esquecimentos. 

Ao contrário da “colinha”, o celular tem que ficar de fora da cabine de votação. Também é proibido votar portando máquina fotográfica, filmadora ou qualquer equipamento que permita ao eleitor registrar seu voto. Se necessário, a pessoa deve deixar o aparelho com os mesários. Em vigor desde 2009, a proibição foi adotada para, segundo o TSE, proteger o sigilo e o livre exercício do direito ao voto.

“Admitir o registro visual do exercício do voto poderia expor parte dos eleitores ao aliciamento por candidatos que não respeitam as regras para as eleições. Esses candidatos estariam diante de uma forma para captação ilícita de votos e, consequentemente, para corrupção, ante a possibilidade de obterem comprovação, por meio de imagens e vídeos, de que determinado eleitor lhe atribuiu o voto”, sustenta o tribunal. 

Qualquer cidadão poderá usar broches, adesivos e camisetas, limitando-se a fazer manifestação de apoio individual e silenciosa, inclusive com bandeiras políticas. Já a manifestação coletiva ou ruidosa é proibida, bem como a abordagem, o aliciamento e qualquer método para tentar influenciar outros eleitores. 

Cada pessoa tem o direito de se ausentar do serviço pelo tempo necessário para votar, sem prejuízo no salário. Pessoas com mais de 80 anos têm preferência sobre os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada à seção eleitoral. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha no momento de votar. 

Agência Brasil

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Jornal Nacional leva caso ACM Neto ao país após STF quebrar sigilos no caso Master (VÍDEO)

23 de setembro de 2026, 11:27

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‎O Jornal Nacional, da Rede Globo, levou ao noticiário nacional mais um capítulo das investigações envolvendo ACM Neto (União Brasil). Desta vez, no caso Banco Master: o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do candidato ao governo da Bahia. As medidas, que estavam sob segredo, vieram a público em documento encaminhado pelo ministro ao presidente do STF, Edson Fachin.
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‎ACM entrou no caso Master depois que investigações identificaram pagamentos do banco e da Reag para sua empresa de consultoria. A situação ganhou outra dimensão com a proposta de delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Vorcaro afirmou que ACM e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, atuavam na captação de recursos de institutos de previdência para o banco em troca de 10% dos valores investidos. Segundo o relato, os negócios teriam criado uma obrigação de até R$ 200 milhões com os dois políticos, embora Vorcaro não tenha informado quanto teria sido efetivamente pago. A proposta de delação foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de informações inéditas e de garantias para ressarcimento dos valores das fraudes.
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‎A revelação da quebra dos sigilos surge quando ACM já enfrenta outra frente de investigação. Na Operação Overclean, a Polícia Federal identificou 232 chamadas de WhatsApp entre ele e José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024. Moura foi indiciado por corrupção, fraude em licitação e desvio de dinheiro.
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‎A investigação aponta ainda diálogos sobre indicações para cargos públicos. Segundo a PF, Moura teria dito que precisava consultar ACM antes de definir indicações para a Prefeitura de Belo Horizonte. Os investigadores sustentaram que ACM apareceria numa posição política superior à de Moura dentro da estrutura investigada. A PF chegou a pedir busca e apreensão contra o ex-prefeito, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, mas o ministro Kassio Nunes Marques negou a medida por considerar insuficientes os elementos apresentados para uma diligência dessa natureza.
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‎Não é a primeira vez que relações políticas e empresariais de ACM chegam ao centro de investigações ou questionamentos públicos. Durante sua administração em Salvador, a Folha de S.Paulo revelou que empresas pertencentes a parentes de integrantes ou aliados de sua gestão receberam centenas de milhões de reais em contratos municipais.

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Caém ganha Base Descentralizada do Samu em dia histórico para a saúde municipal

22 de setembro de 2026, 10:29

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O município de Caém viveu um dia histórico para a administração pública nesta segunda-feira (21). A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, entregou a nova Base Descentralizada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), um serviço essencial para toda a população.

De acordo com o prefeito Arnaldinho Oliveira, a nova estrutura representa mais agilidade, cuidado e segurança nos momentos em que a comunidade mais precisa. “A inauguração da base do Samu fortalece o atendimento de urgência e emergência, ampliando de forma significativa a assistência à nossa população”, destacou o gestor.

O prefeito também enfatizou a importância das parcerias que tornaram o projeto realidade: “Primeiramente, agradeço a Deus por nos permitir viver mais essa conquista. Minha gratidão também ao Governo Federal, ao Governo do Estado e aos nossos deputados, parceiros fundamentais para continuarmos levando melhorias para o nosso povo”.

A chegada do Samu foi amplamente comemorada pelos moradores e pela equipe local de saúde, que agora contam com um reforço crucial para salvar vidas.

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Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

22 de setembro de 2026, 08:31

Foto: Tânia Rêgo

A primavera de 2026 chega ao Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05, com previsão de altas temperaturas e formação rápida de tempestades severas no Brasil.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a influência do El Niño deve acentuar a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já no Sudeste e no Sul do país, a projeção é de que o fenômeno vai agravar o excesso de chuvas.

“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirma o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador.

Nesta primavera, o El Niño tem mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte e 75% de chance de ser o evento mais forte registrado desde 1950, conforme as projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA).

Segundo Mozar Salvador, a influência do fenômeno El Niño na primavera deste ano faz com que a estação ganhe diferentes contornos em relação aos anos anteriores.

“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, conclui.

Temporais e seca

Durante a primavera, o fluxo de umidade vinda da Amazônia fica mais intenso, levando chuvas para o centro-sul da Região Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país.

Na Região Sul, também devem ocorrer Complexos Convectivos de Mesoescala – um aglomerado de tempestades em formato circular.

Segundo o meteorologista do Inmet, esses sistemas fazem com que haja significativa probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul, assim como em parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

“Nessas duas últimas regiões, os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul podem se destacar com maiores volumes de chuvas”, complementa Salvador.

Manaus (AM), 20/11/2023,  Rio Negro, no bairro São Raimundo em Manaus, próximo ao estaleiro Santa Fé, com seu nível muito baixo, sendo a maior seca em 121 anos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rio Negro, no bairro São Raimundo, em Manaus, durante maior seca em 121 anos, em 2023. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Por outro lado, o norte da Região Nordeste, especialmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve receber menos chuvas.

“Nas Regiões Norte e Nordeste, há maior potencial para chuvas mais irregulares, resultando em déficit de chuvas em grande parte dessas regiões. Também há possibilidade de predomínio de déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás”, afirma Salvador.

Equinócio

A primavera do Hemisfério Sul começa quando o planeta alcança o equinócio de setembro ─ dia do ano em que os Hemisférios Norte e Sul recebem a mesma incidência de raios solares, tendo dia e noite com a mesma duração. 

O fenômeno se repete duas vezes por ano: em março e em setembro, marcando o início da primavera ou do outono.

Ao longo dos próximos três meses, os dias passarão a ficar cada vez mais longos no Hemisfério Sul, até que seja atingido o solstício de dezembro, às 18h50 do dia 21, dando início ao verão.

No Hemisfério Norte, ocorre o oposto: o equinócio de setembro inicia o outono, e as noites ficam cada vez mais longas até que o inverno comece em dezembro.

Agência Brasil

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