Tese que aponta ACM Neto como elo entre casos Master e Overclean ganha força nas investigações
24 de setembro de 2026, 11:10

O Banco Master e a Operação Overclean nasceram de investigações diferentes e, até agora, não há prova de que façam parte de um único esquema criminoso. Mas documentos, relatórios policiais e registros financeiros revelam um cruzamento concreto entre os dois casos. Três personagens aparecem dos dois lados: ACM Neto, Antônio Rueda e José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”. E o candidato ao governo da Bahia é um dos pontos documentados dessa interseção.
A primeira conexão é financeira. Em 2024, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, declarou ter pago R$ 1.433.460 à MM Limpeza Urbana, empresa de José Marcos de Moura. O valor foi registrado como “rendimentos de capital”. No mesmo conjunto de informações fiscais, aparecem R$ 5,4 milhões pagos entre 2023 e 2025 à A&M Consultoria, administrada por ACM Neto, e R$ 6,4 milhões destinados a escritórios ligados a Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
O segundo ponto de encontro está na proposta de colaboração apresentada por Vorcaro. O ex-controlador do Master afirmou que Neto e Rueda teriam atuado para abrir portas do banco junto a institutos públicos de previdência e outras instituições, em troca de comissões de 10%. Segundo ele, os dois teriam intermediado negócios que levaram bilhões de reais ao Master e mantinham uma espécie de “conta corrente gerencial” de valores a receber. Vorcaro também relatou reuniões com ambos na sede do banco
José Marcos de Moura é um dos principais investigados da operação. A Polícia Federal identificou 232 chamadas de WhatsApp entre ele e ACM Neto em apenas cinco meses, de agosto a dezembro de 2024. Moura é investigado por suspeitas de corrupção, fraude em licitações e desvios de recursos públicos. Os contatos com Neto foram incluídos entre os elementos apresentados pela PF ao STF na investigação.
As conversas recuperadas pela polícia acrescentam outro elemento. Em dezembro de 2024, o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, enviou a Moura uma relação de áreas da administração municipal e escreveu: “Escolhe”. Moura respondeu: “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Àquela altura, a Secretaria de Educação de Belo Horizonte já era comandada por Bruno Barral, que havia ocupado a mesma pasta durante a gestão de ACM Neto em Salvador e posteriormente virou alvo da Overclean.
Assim se forma o cruzamento documental.
No universo Master, aparecem Vorcaro, pagamentos à empresa de Neto, pagamentos a Rueda e recursos destinados também à empresa do Rei do Lixo. No universo Overclean, aparecem novamente Neto, Rueda e Moura: centenas de contatos entre Neto e o empresário e mensagens em que Moura diz que consultaria os dois dirigentes do União Brasil antes de responder sobre espaços na Prefeitura de Belo Horizonte.
A Polícia Federal avançou além da simples constatação dos contatos. Informações reproduzidas da investigação apontam que os investigadores passaram a examinar ACM Neto como possível liderança política dentro da estrutura apurada na Overclean. A PF chegou a pedir busca e apreensão contra ele, e a PGR concordou com a diligência.
O elemento mais significativo dessa sobreposição é José Marcos de Moura. Ele não é apenas um investigado da Overclean que manteve 232 contatos com Neto. Sua empresa também recebeu R$ 1,43 milhão do Banco Master — justamente o banco que pagou milhões à empresa de ACM Neto e cujas relações com o candidato passaram a ser objeto das acusações feitas por Vorcaro. A explicação apresentada para o pagamento à MM Limpeza é que se tratava do resgate de uma aplicação financeira.
O que as evidências permitem demonstrar, portanto, é uma interseção de personagens e relações: ACM Neto mantém vínculos documentados com o Master e aparece simultaneamente nas apurações da Overclean em contatos e articulações envolvendo Moura. Isso permite tratá-lo como elo pessoal documentado entre os dois universos.
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