CULTURA

Presidente da Ancine é acusado de estelionato e falsidade ideológica

05 de novembro de 2019, 13:34

Foto: Pedro França / Agência Senado

O diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, foi denunciado pelo Ministério Público Federal, nesta segunda-feira (4), por crimes crimes de falsidade ideológica, estelionato, uso de documento falso e crime contra ordem tributária. O órgão ainda requer que ele pague R$ 569 mil por dano moral coletivo.

No dia 30 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que afastava Castro da Anine. Ele já estava sendo denunciado pelo MPF por denunciação caluniosa, prevaricação, violação de sigilo funcional e associação criminosa. 

No dia 25 de outubro, contudo, ele conseguiu liminar junto ao Tribunal Regional Federal da Segunda Região, para retornar às suas funções na agência reguladora.

A nova acusação diz que Castro constituiu uma empresa do ramo audiovisual com laranjas. Ele teria criado a empresa Supro Limited em 1999, nas Ilhas Virgens Britânicas, por intermédio do escritório Zuñiga y Associados, localizado no Panamá, para que a empresa não ficasse em seu nome.

“Em seguida à constituição da offshore, o denunciado constituiu outra empresa, denominada Supro do Brasil Ltda, cuja sociedade constava como sócia a empresa Supro Limited e o próprio Christian”, continua o documento.

Em 2008 e 2009, Castro teria feito falsa declaração à Junta Comercial de São Paulo omitindo que era o sócio-administrador da Supro Limited, para manter a empresa em funcionamento, com CNPJ válido. Ele ainda teria apresentado uma ata de uma falsa assembleia na qual os funcionários do escritório Zuñiga y Asociados, fingindo serem diretores da Supro Limited, “dariam para Christian uma procuração com total poderes”.

Ainda de acordo com o MPF,  Castro fez uma alteração contratual na Supro do Brasil Ltda para que não mais constasse como parte da sociedade. Em 2017 ele estava sendo cogitado para o cargo de diretor da Ancine e “queria evitar que seu nome fosse rejeitado para o cargo por suas ligações com empresas offshore”. Em seu lugar, entrou sua mulher, Marta Zimpeck.

Christian de Castro teria dado declaração falsa à Receita Federal do Brasil, omitindo que detinha participação societária e era o sócio-administrador da Supro Limited e da Supro do Brasil.

A denúncia lista ainda que ele prestou declaração falsa à Comissão de Ética da Presidência da República, “ao preencher e assinar, em 27 de janeiro de 2018, DCI (Declaração Confidencial de Informações) omitindo que era sócio” das empresas.

Castro nega as acusações. “A defesa de Christian de Castro Oliveira informa que todos os fatos serão esclarecidos perante a Justiça, não procedendo a acusação formulada pelo MPF”, disse o advogado Tiago Lins e Silva. 

Com informações da Folhapress

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Biografia de Raul Seixas levanta polêmica com Paulo Coelho

24 de outubro de 2019, 07:54

Foto: Reprodução

Quando conheceu Raul Seixas, Paulo Coelho via com desconfiança o aspirante a roqueiro interessado em ETs. Juntos, eles desenvolveram o interesse pela magia, criaram uma sociedade famosa e compuseram músicas até hoje eternas no rock brasileiro.

Também enfrentaram a ditadura. Uma história dos dois com a polícia política, aliás, estava oculta até agora – a de que Raul pode ter entregado Coelho aos militares.

A sugestão aparece no livro “Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida”, do jornalista Jotabê Medeiros, com lançamento previsto para o próximo dia 1º. O caso, segundo a obra, aconteceu em maio de 1974, quando Raul e Coelho desfrutavam do sucesso de “Krig-ha, Bandolo!”, disco lançado no ano anterior e que já tinha mais de 100 mil cópias vendidas.

Paulo Coelho não quis participar da reportagem e elucidar o episódio. “Não sou o tipo de pessoa que gosta de ficar olhando para chagas que já cicatrizaram”, diz por email.

Segundo Medeiros, Raul havia sido chamado para dar um depoimento no Dops, o Departamento de Ordem Política e Social da ditadura militar, e ligou para o amigo para acompanhá-lo e ajudá-lo a dar os esclarecimentos sobre as músicas que haviam feito em parceria. Paulo Coelho não sabia, mas essa não era primeira vez naqueles dias que Raul ia ao prédio.

“Comparei as datas e vi que, entre o primeiro depoimento de Raul ao Dops e o segundo depoimento, no qual ele levou Paulo Coelho, demorou pouquíssimo tempo”, diz Medeiros.

De acordo com o que o jornalista conta no livro, Raul entrou na sede do órgão, ficou lá por meia hora e retornou tentando dar algum recado cifrado ao amigo, que o esperava. Coelho não entendeu e foi chamado para o interrogatório, que incluiu perguntas sobre o livreto que acompanha o disco “Krig-ha, Bandolo!” e a Sociedade Alternativa cantada por Raul.

A polícia foi até o apartamento do escritor e prendeu sua namorada, Adalgisa Rios. No dia seguinte, quando liberado, Coelho pegou um táxi com Raul, mas foi capturado novamente e levado para um lugar desconhecido, onde sofreu torturas por duas semanas. “Raul evitou Paulo durante um ano depois do acontecido”, conta Medeiros. “Paulo não tinha convicção das coisas, não pensava nisso, estava amedrontado, como talvez esteja até hoje.”

A relação entre os fatos vem a partir de um documento obtido pelo jornalista no Arquivo Público do Rio de Janeiro. “Acredito que, na maioria das vezes, as pessoas foram atrás da questão da censura às letras e não prestaram atenção aos motivos das audiências.”

Fernando Morais, autor de “O Mago”, biografia de Paulo Coelho, também teve acesso ao mesmo documento. “Vi pela primeira vez alguns dias atrás”, diz. “O que me chamou a atenção foi saber que o temido e superinformado Doi-Codi [Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna] imaginava que o Paulo fosse militante do PCBR [Partido Comunista Brasileiro”Revolucionário], sendo que ele nunca foi filiado a nenhum grupo armado que lutava contra a ditadura. É possível que ele nem sequer soubesse o que era o PCBR.”

O próprio Paulo Coelho teve acesso ao documento recentemente, por meio de Medeiros. Mas mesmo os papéis oficiais não são conclusivos. O texto diz que, “por intermédio do referido cantor”, no caso, Raul, seria possível chegar até Paulo e Adalgisa.

Morais acredita que alguém delatou os artistas à polícia, mas não tem certeza de que o informante foi Raul.

“Entre a data da produção do documento e a prisão de Paulo e Gisa, decorrem 36 dias”, diz. “Por que o Doi-Codi, com todo o poder de que dispunha, levaria tanto tempo para localizar e prender um ‘militante do PCBR’ e ‘uma militante do PC do B’ [Partido Comunista do Brasil] – duas organizações armadas – que não estavam na clandestinidade, tinham endereço certo, trabalhavam e frequentavam a universidade normalmente?”

Medeiros, por sua vez, crê que Coelho “não tem a menor dúvida, hoje, após ver o documento, de que Raul o entregou”.

A relação de Raul Seixas e Paulo Coelho começou a azedar a partir daquele ano. Depois de um tempo sem se falar, voltaram a colaborar no período que foi o auge da carreira do cantor. Nos anos seguintes, Raul lançou “Gita” (1975), “Novo Aeon” (1976) e “Há 10 Mil Anos Atrás” (1978), alguns de seus discos mais importantes.

As colaborações entre os dois foram rareando, e Paulo começou a trabalhar com diferentes cantores, como Rita Lee. Mas o que os afastou de vez foi a entrada de ambos para a seita do sacerdote Marcelo Motta, inspirada nas ideias do ocultista britânico Aleister Crowley. Juntos, compuseram, por exemplo, a muito conhecida “Tente Outra Vez”.

“O conflito começou quando Paulo abandonou a seita à qual aderiram juntos”, diz Medeiros. “Paulo crê que Raul mergulhou fundo demais naquele ideário e passaram a se estranhar. Paulo não tinha mais paciência para os jogos de doutrinação da seita. Raul, como era mais hábil e maleável, adequava-se a ela.” 

O último encontro deles, após um pedido feito pelo produtor e amigo Roberto Menescal a Paulo Coelho, teria acontecido num hotel na divisa de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Coelho não queria encontrar Raul em São Paulo, e Raul não queria ir ao Rio. A ideia é que eles fariam novas músicas juntos, mas depois de cinco dias esperando o cantor – que estava trancado dentro de um quarto do hotel –, Coelho acabou desistindo da ideia.

“Convivi cerca de quatro anos com Paulo Coelho para escrever sua biografia”, diz Fernando Morais. “Em nenhum momento percebi que ele alimentasse a mais remota suspeita de que Raul tenha sido o responsável por sua prisão.”

Para Jotabê Medeiros, Paulo Coelho tentou falar do caso em diversas ocasiões. “No filme sobre a vida dele, ele se ressente de Raul não tê-lo procurado no tempo em que ficou cativo e mesmo depois de ser solto.”

O jornalista também cita um artigo do escritor sobre o abuso que sofreu na ditadura, publicado neste ano pelo jornal The Washington Post. Ele lembra um trecho em que Coelho diz que “procura o cantor”, falando de quando foi liberado pela polícia.

No ano em que se completam três décadas da morte de Raul Seixas, a obra de Medeiros é uma entre muitas que se propõem a celebrar a memória do roqueiro. O livro “Raul Seixas: Por Trás das Canções”, do jornalista Carlos Minuano, acaba de ser lançado, e se concentra mais nas histórias das músicas do baiano.

Ainda que o legado de Raulzito seja inquestionável, a relação tão celebrada dele com Paulo Coelho ganha novas nuances. O escritor diz que as chagas já foram cicatrizadas, sinal de que pode já ter perdoado o antigo parceiro. De certa forma, as revelações também deixam dúvida sobre os caminhos que a dupla poderia ter seguido, caso a relação com a ditadura tivesse sido outra.

“Paulo e Raul produziram algumas das canções mais poderosas, do ponto de vista da ressonância cultural, do nosso tempo”, afirma Medeiros. “Separados, somente Raul mantinha a fleuma. Paulo não tinha a credibilidade do cantor, a voz, a autoridade. Foi ganhando outro tipo de autoridade ao longo da vida. Juntos, eram uma força da natureza.” (Folhapress)

 

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Jacobina: Um clube de e para ‘artistas’

17 de outubro de 2019, 09:55

Foto: Notícia Limpa

*Por Gervásio Lima –

Fundado em 1933, por um grupo de ‘artistas’, como eram chamados os profissionais liberais como os alfaiates, sapateiros, pedreiros, carpinteiros e outros, a agremiação Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, tinha como objetivo não somente servir como um local para a realização de festas e bailes de micareta, mas de ser um local de inclusão para os associados e suas famílias. Em seu primeiro estatuto e, acredita-se, que tenha sido o único, entre outras atribuições, funcionaria integralmente no local uma escola de ensino primário e uma biblioteca com acesso para toda a comunidade.

Os considerados ‘excluídos’ da época não podiam frequentar os dois clubes existentes naquele momento na cidade que eram o Clube 2 de Janeiro, fundado em 1878 e a Sociedade Filarmônica Aurora Jacobinense, fundada em 1879. Apenas os integrantes das famílias mais abastadas e as elites econômicas tinham acesso a esses espaços. Daí se deu a necessidade de se fundar um clube organizado por trabalhadores, uma espécie de ‘sociedade popular recreativa dançante’.

Estatuto – O artigo 1º do Estatuto da União dos Artistas Jacobinenses, aprovado em 1933, diz: “Sob a denominação de Sociedade União dos Artistas Jacobinenses, com sede nesta cidade de Jacobina do Estado da Bahia, fica constituída pelos presentes estatutos, por tempo indeterminado, uma Sociedade Operária, cuja finalidade é socorrer aos seus associados que por moléstia ou outras circunstâncias, se acharem impossibilitados de promover os meios de melhorar a sua situação”.

Após passar um período inativo, o octogenário e histórico Clube dos Artistas, local onde no passado se realizavam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social, passa a abrigar atualmente a sede de uma associação de lojistas.

Semelhança histórica – Em um dos trechos do livro “A invenção do cotidiano na metrópole”, a professora doutora em História da Unicamp/SP, Luzia Margareth Rago, fala da vida social e do lazer na cidade de São Paulo entre os anos de 1900 e 1950: “A vida boêmia passava a exercer enorme fascínio como lugar da evasão, do diletantismo, dos prazeres, da possibilidade de escapar à normatividade da vida cotidiana que progressivamente se instaurava. Vida boêmia, espaço da imaginação e da criatividade, pensavam os intelectuais; espaço da promiscuidade e do desregramento, denunciavam os médicos”.

Não muito diferente, conforme diversos depoimentos de remanescentes, a visão que a sociedade jacobinense tinha sobre os ‘clubes’ da cidade, seu papel social e seus frequentadores era praticamente a mesma. A vida boêmia era bastante concorrida. Jacobina naquele momento era um dos principais municípios da Bahia, com uma economia pujante. Além da agropecuária e garimpagem, era um grande entreposto de diversos produtos fornecidos para inúmeras cidades através da rede ferroviária. Na própria estação do trem, desativada em 1976, havia um bar, o Bar da Leste, que funcionava anexo ao prédio, onde regularmente acontecia música ao vivo. Quem partia ou quem chegava de viagem era recepcionado com ‘festa’.

Saudade – Um dos frequentadores ‘Dos Artistas’, como o clube era chamado, Cosme Pereira Nascimento, o ‘Cosminho da Dires’, relembra das inesquecíveis micaretas e dos bate-papos nos inícios das noites entre amigos. “Peço que não deixem este clube morrer, mudar de nome. Esta história de 1933 não pode se acabar, ninguém é dono desse salão, ele pertence a todos os cidadãos jacobinense”, apela Cosminho.

O Clube dos Artistas fica localizado entre as ruas da Conceição e São Salvador, ao lado da Igreja da Conceição.

*Jornalista e historiador

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CONVITE: Garotas do Calendário – GAMMA

16 de outubro de 2019, 18:32

Neste Outubro Rosa, o Projeto Garotas do Calendário – GAMMA, tem o prazer em convidá-lo (a), para o lançamento do Calendário 2020 e da Exposição, a realizar-se dia 18 de outubro de 2019, às 19h no Shopping Da Bahia, 2º Piso, Em Salvador.

A exposição ficará em cartaz de 18 a 31 de Outubro.

O Calendário estará a venda no balcão ao lado da exposição e toda a renda será revertida para o Hospital Aristides Maltez.

Venha fazer parte desta ação de apoio a luta e prevenção contra o câncer de mama.

Fotografias: Wilson Militão

Contamos com a sua Valiosa Presença.

Garotas do Calendário – GAMMA

Horário de vendas: Conforme horário de funcionamento do Shopping.

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Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

09 de outubro de 2019, 09:28

Foto: JEFFERSON SOUSA/ARQUIVO PESSOAL

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:

“A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre”

Só que Bastião, de 74 anos, não sabe ler nem escrever. Palavras, rimas e métricas brotam na cabeça, no improviso. Mas décadas de composição da poesia popular repentista – inspirada pela caatinga, pelos problemas de alcoolismo, pelo sexo, pelo solo castigado, pela seca, pelos bichos – nunca ganharam qualquer registro.

Pelo menos, era assim até 2008. Foi nessa época que o comerciante Bernardo Ferreira, de 57 anos, nascido no sítio vizinho ao de Bastião, comprou uma câmera em São Paulo e começou a filmar a vida da pacata Itapetim, de 14 mil habitantes, e o que saía da cabeça e da boca de Bastião e de outros poetas desse pedaço de sertão.

https://youtu.be/kPv2CW8DCRQ
 

Como a única rede social que Ferreira conhecia era o Orkut, foi lá que postou um vídeo do poeta Bastião. O registro bombou, mas desagradou o artista, que não queria aparecer.

Ferreira pediu perdão, mas continuou gravando. Conta que queria agora guardar os vídeos para si, fazer um arquivo para poder acessá-los no futuro. Foi quando ouviu falar de “um tal de YouTube”.

“Me falaram que era na internet, que eu abria uma conta, ficava com uma senha como a de banco e, quando quisesse ver, era só entrar lá. Eu não sabia que os vídeos estavam sendo expostos pro resto do mundo”, disse Ferreira à BBC News Brasil.

Alguns dos vídeos começaram a receber milhares de visualizações sem que ninguém se desse conta disso durante cinco anos. Mesmo sem título, descrição, thumbnail e outras configurações que os profissionais aprendem, um mar de gente interessada no sertão e nos poetas iletrados foi chegando, comentando, compartilhando…

“Eu só colocava os números ‘1, 2, 3’ [no título], não sei como descobriram.”

Foi só em 2013 que Jefferson Sousa, de 25 anos, filho de Ferreira, percebeu o que estava acontecendo. Ele acessou o email no novo smartphone do pai e ficou impressionado com o que viu: “Tinha 3 mil emails não lidos, dizendo ‘fulano’ comentou… Foi quando fui olhar o que era e tinha 200 mil visualizações mensais”, conta.

Hoje, o canal de Ferreira, batizado de Bisaco Doido, tem 32 mil inscritos e acumula mais de 14 milhões de visualizações. Um documentário sobre Leonardo Bastião, o poeta que fez mais sucesso no canal, foi produzido e dirigido por Jefferson e ganhou o mundo.

“O poeta analfabeto” já foi exibido em festivais de cinco países, como Rússia, França, Índia e Bósnia, onde ganhou na categoria “melhor roteiro”. No último dia 28 de setembro, o filme foi exibido em praça pública, em Itapetim.

Bastião assistiu em pé, ao lado de Jefferson e Ferreira, e foi tietado pelo público que foi ver a história dele no telão. A prefeitura da cidade reproduziu versos do poeta em alguns prédios públicos.

Documentar a história

Nas gravações, Bastião aparece dizendo que não se considera poeta. Diz que a poesia que faz é fácil e que pega apenas “carona” nas coisas da natureza, feitas por Deus. Assim como ele, há outros poetas declamando ou cantando repente em sítios, bares e praças na região. Uma cultura passada de geração para geração na base da oralidade.

Ferreira afirma que queria dar uma nova dimensão à arte que considera tão importante e representativa da sua região. Hoje conselheiro tutelar, já foi dono de loja de discos de vinil e vendia cópias de filmes e CDs, com a chegada dos computadores. Era como se levasse a cultura para dentro de Itapetim. Agora, leva de lá para fora.

“Aqui tem e tiveram muitos poetas que, com tempo, ficaram sem nenhum registro. A poesia deles só segue adiante quando um decora e sai falando por aí. Eu queria era registrar e ficar guardado, como fotos antigas, que as pessoas olham e reconhecem os traços na geração da nova da família”, explica Ferreira.

Se passa um dia sem postar um vídeo, o dono do Bisaco do Doido diz que, provavelmente, está doente. Quando Ferreira sabe de alguém que está declamando poesia nos sítios, ele vai atrás para filmar: “Eu vou nas brenhas mesmo. Tem poeta que não sabe nem o que é celular, muito menos internet.”

Jefferson, que se formou em jornalismo no Recife, até tentou dar umas dicas para o pai “profissionalizar” o canal. Mas logo percebeu que não fazia sentido. “Queria organizar, mas vi que isso ia mudar quem ele era. Ele conquistou o público do jeito dele, desse modo artesanal, então ia mudar essa originalidade”.

O documentarista diz que o retorno financeiro é pouco, mas já paga o emplacamento anual do carro do pai. O computador segue com mais de 20 gigabytes de arquivos de vídeos não publicados.

Com toda a repercussão do Bisaco, mais pessoas foram procurá-lo, e eventos de cultura popular passaram a ser organizados na região. Alguns artistas famosos do Nordeste e turistas chegam a procurar Bastião no seu sítio.

E a visibilidade do canal reverberou também na esfera pública. De acordo com o secretário de Cultura de Itapetim, Alisson Alves, dos turistas que buscam a cidade, muitos chegam até lá porque viram as atrações e histórias no Bisaco do Doido.

“Todo mundo aqui que teve algum tipo de repercussão passou pelas câmeras dele. Não só Bastião, mas a igreja matriz, as pinturas rupestres”, conta. Alves também destaca a realização de eventos culturais na cidade, impulsionados pelo que os vídeos amadores mostram.

“Fiquei muito surpreso e muito grato com isso tudo, porque é povo de uma cidade tão pequena e escondida que está sendo visto pelo mundo. As redes sociais abriram a porta para que vejam como essa região é rica”, conta Ferreira. O poeta Bastião, entretanto, não costuma ser muito receptivo a visitantes desconhecidos e se recusa a dar entrevistas.

No fim de 2018, após uma proposta de um empresário paraibano e com o impulso da divulgação de Ferreira e Jefferson, foi publicado um livro com mais de 200 versos de Bastião, Minha Herança de Matuto (Grupo Claudino), com uma tiragem de 1000 exemplares. A renda foi toda para o poeta e usada para reconstruir a sua casa, que havia desmoronado.

Quando Jefferson foi gravar o documentário, já em 2019, Bastião já se enxergava mais como artista. Mas não quis falar seus versos – na verdade, preferiu falar da vida e suas tristezas.

“Ele estava mais introspectivo e foi uma relação mais pessoal. Ele ficou muito próximo da minha família, do meu pai, minha mãe, e assim pude entender mais a relação dele com a natureza e o universo dele e como ele enxerga ‘o pingo da água na folha que a abelha bebeu’, que a gente, na correria, nem percebe”, relata.

A poesia e o Pajeú

No Pajeú, há tantos poetas que, reza a lenda, quem bebe da água do rio que batiza a região sai fazendo música e poesia por aí. A área formada por 17 cidades é famosa em Pernambuco por ser berço de diversos artistas de poesia popular como Lourival Batista, o “Louro do Pajeú” ou ainda “o rei do trocadilho”.

Um dos pioneiros em documentar a poesia da região, o professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Nunes, em seu último levantamento, catalogou 270 poetas só em Itapetim.

Apesar de não ter uma explicação exata para o fenômeno, Nunes diz que a mais aceita é que seja uma consequência da história do colonização do Nordeste brasileiro. Esse modelo de poesia cantada, de cancioneiro, no improviso, tem suas raízes nos aedos gregos – os poetas antes da invenção do alfabeto – e na chegada dos mouros à Península Ibérica, onde hoje estão Espanha e Portugal.

“Com a descoberta do Brasil, foi aí que tivemos a chegada desses cantadores no litoral. Com as perseguições, parte desse pessoal entra no território e vai parar na ‘cabeça’ do Pajeú, na Paraíba”, explica Nunes, autor dos livros Itapetim: Cidade das Pedras Soltas (editoras CEHM/Fidem/Condepe) e Itapetim, Ventre Imortal da Poesia (editoras CEHM/Fidem/Condepe/Cepe).

O primeiro cantador de viola de que se tem notícia no Brasil é Agostinho Nunes da Costa, filho de João Nunes da Costa, um judeu que veio da Galícia para o Recife nas primeiras décadas do século 18. Cristão novo, ele foi perseguido e foi morar em João Pessoa e continuou fugindo até parar numa fazenda onde iria começar o núcleo populacional da atual cidade de Teixeira, na Paraíba.

O pesquisador relata até um roteiro geográfico da poesia: de Teixeira, que fica na divisa com Pernambuco, descendo junto ao leito do rio. Resultado: quanto mais distante da “cabeça” do rio Pajeú, menos poetas. Itapetim é o primeiro município nessa rota.

Segundo Ferreira, nas ruas da cidade, não é preciso marcar hora para encontrar uma poeta: “A poesia brota como uma cacimba que brota água”. Numa região onde as pessoas conhecem a história pela poesia não registrada em papel, os vídeos, o livro e o documentário são enxergados como uma forma de sedimentar uma cultura única e extremamente rica.

“A diferença para os poetas letrados é que esses não têm de fato tanto vocabulário e cultura. Mas muitas vezes parece que o poeta letrado é muito mecânico. Quando vem desse povo simples, é de coração, de sentimento”, opina Nobre.

E Ferreira completa: “Quem não é poeta aqui, é doido. E eu sou um doido que documenta tudo isso”.

https://youtu.be/0OJkIrWSnrM

Em um dos vídeos que fizeram sucesso no Bisaco do Doido (acima), Bastião está no seu sítio, com o inseparável chápeu, e faz versos sobre a sua história e a “herança” que recebeu do pai:

Nasci na casa atrasada

Sou filho de Luisinho Bastião

Fiz muitas letras no chão

Mas o lápis era a enxada

E morreu à míngua, sem nada

E minha herança foi assim

Meio quadro de terra ruim

Que ainda hoje eu defendo

E nem abandono nem vendo

O que pai deixou pra mim

(Leonardo Bastião)

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Crônica – Álcool

25 de setembro de 2019, 13:53

Por Marcelo Rodrigues –

Preciso de álcool. Tento às vezes me convencer de que não é necessário,mas preciso.Começo a admitir uma impossibilidade de vida sem ele.O mundo e as pessoas se tornam melhores, depois que bebo.Até o meu corpo,que normalmente sente enjoos, fica mais leve.

Com o álcool, eu me sinto bem, porque me nasce uma boa saudade de coisas que ainda não conheci. De pessoas diferentes e outros países.Nos meus delírios de ébrio,tenho a ousadia de querer viver no México, em Medelim ou na fria Ucrânia. Imagino que esses lugares farão uma revolução na minha alma, pois neles se falam outras línguas e há mulheres como nunca vi.Com o álcool, imagino que ainda vou viver tudo isso.

O mais certo, porém, é que nunca saia da minha pequena cidade e que, depois de alguns anos, me levem para o “Pau Ferro”, o distante e isolado cemitério onde a minha mãe está enterrada, e onde preparei mais um lugar.Talvez escrevam na minha lápide,como uma verdade ou uma ironia: “sonhava em conhecer o mundo.Hoje, porém, vive em Deus e conhece o Universo inteiro.

Por isso o álcool. Ele nos faz suportar a certeza de que jamais cruzaremos o portão do jardim, e que é somente no bar que estão as cidades por conhecer, as pessoas pra conversar, todos os dias, até o fim dos sonhos, até o fim da gente.

Marcelo Rodrigues é colaborador do Notícia Limpa

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Feira de Literatura de Jacobina movimenta a arte e a cultura na cidade

24 de setembro de 2019, 14:27

Foto: Ascom/AJL

A Academia Jacobinense de Letras (AJL) realizou durante os dias 19, 20 e 21 de setembro, a terceira edição da Feira de Literatura de Jacobina (III FLIJA ), que proporcionou a interação com a comunidade, a partir do diálogo da literatura com diversas artes e saberes – ciência, música, teatro, artes visuais, culturas populares e tradicional –, celebrando encontros e valorizando distintas experiências.

Durante os três dias de programação aconteceram várias atividades artísticas e culturais, com destaque para a Mesa Redonda “Fotografia e imprensa no sertão: Olhares e escritas nas pesquisas sobre Jacobina”, apresentada pelo professor/doutor Valter Oliveira, do Núcleo de Estudos de Cultura e Cidade da Universidade do Estado da Bahia, Campus IV (NECC/UNEB); contação de histórias, promovido pelo Grupo de Pesquisa, Linguagem, Estudos Culturais e Formação do Leitor (LEFOR/UNEB Campus IV), que é coordenado pela professora/doutora Denise Dias; as Palestras “Trajetória de Itapeipu pra Salvador com escala em Jacobina”, proferida pelo jacobinense Antônio Luiz Moreira de Oliveira (Cardoso) membro da Academia de Cultura da Bahia e membro da Confraria Artistas e Poetas pela Paz e “Movimento Acadêmico nos Municípios Baianos”, proferida pelo advogado e escritor Benjamin Batista de Macedo Filho, presidente da Academia de Cultura da Bahia (ACB) e da Federação das Academias de Letras e Artes da Bahia (FALA BAHIA).

Como parte da programação, aconteceu também o Papo Literário com escritores jacobinenses, apresentação teatral com as peça “O Auto da Compadecida”, apresentada pelo Grupo Dionísio Artes; apresentação musical com o Grupo de Câmara Arte de Tocar com maestro Jal Nunes e a instrumentista Lua Nunes; Mostra Fotográfica coletiva “Os rios em Jacobina: entre olhares e vivências” com fotógrafos do Projeto de Extensão Aprendendo com os Rios;distribuição do Jornal “A Letra”; Cultura e Dança Cigana, com os Ciganos Sinti Mário Santos e Vera Diorgenes; apresentação do documentário “A História do Teatro – Memórias das Artes Cênicas em Jacobina”, seguida de mesa redonda o cineasta Paulo Mascarenhas, o ator e diretor Jotta Esse e o Sarau Galpão Payayá Homenageando as autoras Conceição Evaristo e Elisa Lucinda e com os lançamentos dos livros “Poesia e Texto Livre” do escritor Leo Resende, “Com amor e rebeldia se faz poesia” do escritor jacobinense Maicon Douglas.

Conforme o presidente da AJL, Ivan Aquino, a III FLIJA alcançou plenamente as expectativas, pois, além participação dos acadêmicos, escritores e artistas locais, contou também com uma excelente participação de público. “A diversidade de eventos culturais enriqueceu bastante a III FLIJA. O evento foi um sucesso superou todas as expectativas”, comemorou Invan..

Com informações da Ascom/AJL.

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Personalidades defendem Fernanda Montenegro após ataques de diretor

24 de setembro de 2019, 06:53

Foto: LEO AVERSA / AGÊNCIA O GLOBO

As ofensas foram proferidas pelo diretor do Centro de Artes da Funarte, Roberto Alvim.

Depois das ofensas à Fernanda Montenegro por parte do dramaturgo e diretor do Centro de Artes da Funarte, Roberto Alvim, uma série de personalidades saiu em defesa da atriz. Alvim havia chamado a atriz de “mentirosa” e afirmado que sentia “desprezo” por ela nas redes sociais.

Apesar de a maioria das mensagens de apoio à Fernanda vir de membros da classe artística, outras foram publicadas por políticos, caso do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e de Ciro Gomes, candidato à Presidência da República pelo PDT nas eleições do ano passado.

Enquanto Covas escreveu no Instagram que Fernanda é “um ícone da cultura nacional e deve ser respeitada e tratada com o valor que merece”, Ciro chamou Alvim de “vagabundo…medíocre, picareta” no Twitter. “Lave a boca para falar de Fernanda Montenegro nossa atriz mundialmente respeitada”, escreveu.

Até mesmo o presidente da Funarte, Miguel Proença, disse estar “completamente chocado” com o posicionamento de Alvim. Em uma entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou ter encaminhado um pedido de desculpas à atriz em nome da instituição, além de ter requisitado uma audiência com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para “tomar previdências”.

Além de Covas e Ciro, atores, diretores e músicos também saíram em defesa de Fernanda, alguns deles usando a hashtag #SomosTodosFernanda e variações.

É o caso das atrizes Drica Moraes e Leona Cavalli, do diretor Miguel Falabella e do sambista Nelson Argento. A Associação dos Produtores de Teatro, a APTR, foi outra que repudiou as declarações do dramaturgo por meio de um posicionamento oficial.

Eles respondem a duas postagens de Alvim no Facebook, publicadas no domingo (22) e nesta segunda (23). Nelas, o diretor critica uma entrevista de Fernanda à revista literária Quatro Cinco Um. Num pôster da edição, a atriz aparece vestida de bruxa diante de uma fogueira de livros –o ensaio fotográfico comemorou o lançamento de uma autobiografia em que ela conta sua trajetória nos palcos este mês.

“Fernanda mente escandalosamente, deturpa a realidade de modo grotesco, ataca o presidente e seus eleitores de modo brutal, e eu sou grosseiro e desrespeitoso, apenas por ter revidado a agressão falaciosa perpetrada por ela?”, escreveu o dramaturgo, apoiador de Jair Bolsonaro, em uma das postagens.

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Artista restaura cor de brasileiros fotografados às vésperas da abolição

23 de setembro de 2019, 10:27

Foto: Marina Amaral

O retrato à direita foi restaurado e colorido pela artista brasileira Marina Amaral e é uma das 22 fotografias que a artista está recuperando para sua série “Escravidão no Brasil”.

“Quando a gente olha para os números e para a escala enorme do que foi a escravidão, fica tudo meio abstrato. Mas quando consegue olhar para as pessoas… Ver cada rosto deixa tudo menos abstrato, cria uma conexão”, disse à BBC News Brasil.

A mineira de 25 anos é artista digital especializada em colorir fotos antigas em preto e branco – ficou conhecida mundialmente por dar cor a fotos das vítimas dos campos de concentração de Auschwitz. Ela diz que sempre teve vontade de criar um projeto sobre história do Brasil, mas tinha dificuldade de encontrar um arquivo que tivesse fotos em alta resolução.

“Até descobrir esses 22 retratos através de uma biblioteca de Berlim”, diz ela à BBC News Brasil. Encontrar fotografias de escravos do século 19 é algo raro. Nas poucas vezes em que eram retratatos, era como parte da propriedade de algum grande senhor de escravos.

Pelas roupas e adereços desta moça retratada, e possível que ela fosse livre

Mesmo sobre o ensaio de Alberto Henschel não há muitas informações. “O que se sabe é que elas chamaram muita atenção na época porque ele tentou retratá-los com um certo nível de dignidade que não era comum”, diz Marina.

Henschel era um fotógrafo profissional alemão que se tornou um dos pioneiros da fotografia no Brasil no século 19 e chegou a retratar a a monarquia brasileira, incluindo o imperador Dom Pedro 2º e sua família. Seus primeiros estúdios foram em Recife e em Salvador. A partir de 1870, ele passou a atuar também no Rio de Janeiro e em São Paulo.

É possível que entre os negros retratados por Henschel também houvesse homens e mulheres livres — sua luta por liberdade era constante e muitos conseguiram conquistar sua própria liberdade antes das leis que foram progressivamente abolindo a escravidão, até o seu fim definitivo com a Lei Aurea, em 1888.

O processo de colorir

Para Marina, colorir as fotos ajuda a trazer o observador para mais perto das pessoas retratadas.

“Aplicar cores a esses fotos permite que as pessoas criem uma empatia maior, humaniza as vítimas. Fotos monocromáticas parecem uma coisa quase irreal, parece que aconteceu há tanto tempo, que não foi de verdade”, afirma.

Este retrato foi o primeiro colorido por Marina Amaral para sua série sobre escravidão no Brasil

“Mas, com cor, ainda mais em um mundo tão cheio de estímulos, é mais fácil de entender, aproxima. Eles passam a ser pessoas como a gente, e não só personagens de livros.”

Marina passa cerca de três a cinco horas colorindo cada foto – caso os originais estejam em bom estado. As que estão mais danificadas e precisam de restauração antes demoram muito mais.

“A segunda foto da série (veja abaixo) demorou entre 10 e 12 horas, porque tive que limpar as partes danificadas.”

Marina explica que o processo de descobrir as cores em fotos antigas é uma mistura de pesquisa histórica com escolhas artísticas.

Para retratar o tom de pele de cada um, ela faz uma interpretação a partir da escala de cinza das fotos originais.

Esta é a segunda foto da série e foi tirada em Recife

“Como não temos muitas informações sobre as pessoas, é uma interpretação mais artística”, diz ela.

“No caso da roupa dos escravos, sei que eles jamais poderiam usar tons muito chamativos. Usavam muito branco e creme. Uso como referência pinturas históricas e desenhos que foram feitos na época”, explica.

“Olhando para as fotos também é possível saber onde as roupas estavam mais desgastadas e sujas.”

Ampliação

“Foi a primeira que eu fiz algo relacionado à história do Brasil que gerou um impacto tão grande”, diz Marina, sobre a reação positiva que os dois primeiros trabalhos da série tiveram nas redes sociais.

Inicialmente, ela ia apenas postar as fotos em sua rede, mas quando viu a reação decidiu fazer algo maior. “Resolvi convidar alguns professores e autores brasileiros parar dar um contexto para as fotos. A idéia principal é apresentar a história do Brasil para os meus seguidores de fora, já que a maior parte do meu público é da Europa e dos Estados Unidos”, diz ela. As legendas são publicadas em inglês e português.

“E também que falem dos impactos desse período nos dias de hoje, porque vivemos as consequências da escravidão todos os dias.”

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Em entrevista polêmica, Milton Nascimento declara que “música brasileira está uma merda”

23 de setembro de 2019, 03:22

Foto: Nathalia Pacheco / Divulgação

Após repercussão, conta oficial do cantor no Instagram amenizou declaração e citou jovens talentos.

O cantor e compositor Milton Nascimento, 76 anos, fez algumas declarações fortes em  entrevista publicada neste domingo (22) no jornal Folha de São Paulo pela colunista Monica Bergamo. Suas críticas foram à qualidade da música atual produzida no país.

— A música brasileira tá uma merda. As letras, então. Meu Deus do céu. Uma porcaria – opinou Milton. Emendando: — Não sei se o pessoal ficou mais burro, se não tem vontade (de cantar) sobre amizade ou algo que seja. Só sabem falar de bebida e a namorada que traiu. Ou do namorado que traiu. Sempre traição.

Milton, todavia, cita à colunista os nomes de Maria Gadu, Tiago Iorc e Criolo como músicos de que gosta na atual geração. A entrevista repercutiu neste domingo em redes sociais, mas sem contestações veementes. Milton Nascimento era o 19º assunto mais debatido no Twitter no Brasil no final de tarde de domingo (22).

Cinco horas depois de publicar uma foto da entrevista em seu perfil oficial no Instagram (@miltonbitucanascimento), a conta do músico fez uma segunda postagem amenizando o título da entrevista e citando outros nomes admiráveis, porém, na sua visão, fora do “mainstream do mercado nacional”. Por isso não foram citados. Diz o texto: 

“Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo.”

Confira o post do músico, em que marca diversos artistas e manda “um salve” a eles:

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Fora do contexto, o título de uma reportagem pode levar o leitor a conclusões equivocadas. A frase escolhida para a manchete da entrevista que Milton Nascimento deu à jornalista Monica Bergamo (foto acima) se refere exclusivamente à música feita no mainstream do mercado nacional, consumida pela massa. E só a ela. Justamente por isso, os únicos citados por ele como contra-exemplo foram Maria Gadú e Tiago Iorc, dois dos raros artistas talentosos que transitam nesse universo industrial. Bituca jamais se referiu à nova geração brasileira que, à parte do mainstream musical, tem construído a melhor música desse novo tempo. Milton tem muitos desses artistas por perto. São seus amigos. E conhece profundamente o que eles têm feito por nossa música. Um salve para Zé Ibarra, Tom Veloso, Amaro Freitas, Dani Black, Silva, Rubel, Tim Bernardes, Djonga, Emicida, Beraderos, Rincón Sapiência, Liniker, Marcia Castro, Luedji Luna, Cicero, Mallu Magalhães, Céu e a tantos outros queridos amigos que estão e vão estar sempre por aqui.

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Prestes a receber um prêmio da União Brasileira dos Compositores, Milton comenta ainda que não anda “com muita vontade de compor” por estar “meio triste com a vida”:

— Não com a minha vida, mas com o geral. Quero acreditar, mas não acredito muito no mundo. Principalmente na burrice, na política. Para compor não tenho tido inspiração, não — disse Milton à colunista.

O músico conta ainda que foi incentivado a não deixar de cantar pelo ex-presidente uruguaio, José Mujica.

— Uma hora ele perguntou para mim: ‘Como está a política no Brasil?’ Eu falei: ‘Tá uma merda. Dá vontade até de parar de tocar’. Ele respondeu: ‘Não. Nunca pare de cantar. Porque a música é a coisa que pode salvar o mundo’ — contou.

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Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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