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Marca de remédio à base de maconha é vetada por contrariar ‘bons costumes’

21 de agosto de 2019, 06:15

Foto: Reprodução

Órgão usa lei que proíbe registro com expressão contrária a princípios morais; Anvisa deve regulamentar plantio para fins medicinais – 

RIO – O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) tem negado pedidos de patente e de registro de marcas de produtos medicinais derivados da Cannabis sativa – nome científico da maconha. O órgão, vinculado ao Ministério da Economia, alega considerar esses itens “contrário(s) à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde pública”.

Algumas empresas tentam se antecipar à nova regulamentação sobre produtos medicinais derivados da maconha, em debate atualmente na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para o presidente da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual, o advogado Luiz Edgard Montaury Pimenta, “uma marca ou patente não pode ser registrada à luz de princípios morais”. O Inpi, diz ele, interpreta equivocadamente a lei para rejeitar requerimentos.

Presidente para América Latina da Fluent Cannabis Care – empresa americana que produz medicamentos à base de cannabis -, Mario Grieco conta esperar há dois anos pelo registro da marca no Inpi. Várias outras marcas, segundo ele, também foram indeferidas. “O que realmente surpreende é que estão se apegando a alguns pontos absurdos para rejeitarem marcas que tenham a palavra ‘cannabis’ ou ‘hemp’ no nome”, afirma. “Muitas dessas empresas já estão registradas nos Estados Unidos e na Europa. Vão mudar de nome para vir para o Brasil, por moral e bons costumes?”

A Anvisa encerrou nesta segunda-feira, 19, duas consultas públicas abertas sobre requisitos para registro e monitoramento de medicamentos à base de cannabis e para o cultivo da planta para fins medicinais. A expectativa da Anvisa é de que a agência consolide as sugestões e aprove, até novembro, a regulamentação.

O tema divide integrantes do governo federal. O presidente da Anvisa, William Dib, defende liberar o plantio para uso medicinal e científico. Já o ministro da Cidadania, Osmar Terra, é opositor da proposta, que ele classificou em entrevista como “um primeiro passo para legalizar a maconha” no País, e chegou a falar em fechamento da Anvisa.

A regra deve ampliar o acesso aos remédios e à planta para fins medicinais. O plantio de cannabis é proibido no País. A Lei 11.343/2006 previa a aprovação do cultivo para fins medicinais e científicos, o que não foi regulamentado. Os remédios à base de cannabis contêm porcentual muito baixo de THC, substância responsável por causar os efeitos alucinógenos.

A droga tem se mostrado eficaz no tratamento de distúrbios e doenças, como epilepsia, Parkinson, autismo, dor crônica e ansiedade. O mercado potencial para esses medicamentos é estimado em mais de três milhões de usuários.

A nova regulamentação, de acordo com os defensores da proposta, facilitaria o acesso, baratearia o custo e evitaria questionamentos nos tribunais. A Justiça vem dando autorização especial para o plantio com fins medicinais.

Inpi

Em nota, o Inpi confirma que pedidos de registro de marca que contenham as palavras “maconha”, “cannabis”, “hemp” e “cânhamo” ou imagens relacionadas podem ser enquadrados na Lei de Propriedade Industrial (9279/96).

O dispositivo não permite registro como marca de “expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes”. O órgão, porém, diz “constantemente” atualizar os procedimentos de análise e afirma levar em conta normativos de outros órgãos, como a autorização da Anvisa para importar produtos medicinais à base de canabidiol.

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Estudo vê elo entre poluição e depressão e esquizofrenia

21 de agosto de 2019, 06:01

Foto: Reprodução

A poluição ambiental entope os pulmões e encurta vidas, mas também está ligada a um risco maior de doenças mentais, disseram pesquisadores nesta terça-feira, em um estudo baseado em dados de milhões de pacientes dos Estados Unidos e da Dinamarca.

Pessoas expostas a um ar de qualidade ruim nos dois países ficaram mais sujeitas a ser diagnosticadas com bipolaridade ou depressão, mostrou o estudo, embora críticos tenham dito que ele foi falho e que é preciso pesquisar mais para tirar conclusões firmes.

“Existem alguns gatilhos conhecidos (de doenças mentais), mas a poluição é uma nova direção”, disse o líder do estudo, Andrey Rzhetsky, da Universidade de Chicago, à Thomson Reuters Foundation.

“Pesquisas com cães e roedores mostram que a poluição ambiental pode entrar no cérebro e causar inflamação, o que resulta em sintomas semelhantes à depressão. É muito possível que a mesma coisa aconteça em humanos”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a poluição ambiental mata 7 milhões de pessoas por ano – o equivalente a 13 mortes por minuto e mais do que o total combinado de guerras, assassinatos, tuberculose, HIV, Aids e malária.

Ela pode encurtar em 20 meses, na média, a expectativa de vida de crianças nascidas na atualidade, segundo a pesquisa publicada pela organização norte-americana sem fins lucrativos Instituto dos Efeitos da Saúde no início deste ano.

 

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Defesa de CR7 admite ter pago para encerrar caso de estupro

21 de agosto de 2019, 05:42

Foto: MARCO BERTORELLO / AFP

Advogados afirmaram que acordo financeiro foi feito no valor de US$ 375 mil para manter o ocorrido em sigilo. Em 2009, Kathryn Mayorga acusou o português de violência sexual – 

A defesa do craque Cristiano Ronaldo admitiu, nesta terça-feira, ter pago US$375 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) para encerrar o caso de estupro do qual o atacante português foi acusado por Kathryn Mayorga, em 2009, em um hotel em Las Vegas.

Um documento revelado pela emissora CNN confirma que os advogados do atacante da Juventus (ITA) repassaram o valor para a mulher manter confidencialidade sobre a acusação.

Os advogados de CR7 apresentaram uma ação de acusação de extorsão contra Mayorda, que será incluída no processo, por violar o acordo feito em 2009. Além disso, a defesa afirmou que ela teria apresentado provas suficientes de capacidade mental ao aceitar os termos do acordo.

Em 2018, Kathryn Mayorda chegou a entrar com um processo para invalidar o acordo feito com a defesa do atacante. Ela argumentou que estaria em “frágil estado emocional” na época e que a defesa do astro português teria se aproveitado disso, obrigando-a a assinar o termo. A Polícia de Las Vegas chegou a reabrir o processo, mas logo foi fechado em julho de 2018.

O jogador se manifestou sobre o caso pelas redes sociais em outubro do ano passado. Cristiano Ronaldo negou as acusações feitas e afirmou que o crime sexual é “abominável e que vai contra tudo o que sou e o que acredito”.

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Em seis meses, Rio de Janeiro registrou 48 roubos em ônibus por dia

20 de agosto de 2019, 12:34

Foto: Reprodução/TV Globo

Média de um assalto em coletivo a cada trinta minutos no estado – 

Nos seis primeiros meses de 2019, o Rio de Janeiro registrou média de 48 roubos em ônibus por dia. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que o número de ocorrências do tipo cresceu 14,3% em relação ao primeiro semestre de 2018.

Em todo o estado, de janeiro a junho deste ano, foram registrados 8.761 assaltos em ônibus – média de dois casos a cada hora. Na manhã desta terça-feira, 20, um homem rendeu um ônibus na Ponte Rio-Niterói. O sequestro terminou após três horas, quando um sniper atirou no sequestrador, que morreu no local. Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, todos os 37 reféns foram liberados sem ferimentos.

A capital fluminense registrou o maior número de casos: 5.627, cerca de 65% do total de episódios no estado. São Gonçalo, cidade da região metropolitana de onde saiu o ônibus sequestrado nesta terça-feira, vive uma explosão de casos de assaltos em coletivos: 647, quase 20% a mais que os 541 no mesmo período no ano passado.

Os números da segurança no Rio no mês de julho de 2019 seriam divulgados hoje pelas secretarias de Polícia Militar e Polícia Civil, mas a divulgação foi cancelada em virtude do sequestro.

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Há cerca de 10 bilhões de planetas semelhantes à Terra na Via Láctea, diz estudo

20 de agosto de 2019, 09:41

Foto: NASA

Astrônomos têm encontrado alguns planetas que parecem ter água e temperatura superficial ideal para abrigar formas de vida, como é o caso dos mundos que orbitam as estrelas GJ 357 e os planetas da estreia Teegarden. Acontece que podem existir muito mais planetas parecidos com a Terra por aí, e aqui mesmo na nossa galáxia. Pesquisadores da Penn State University usaram dados do telescópio Kepler, da NASA, para estimar o número de planetas semelhantes à Terra na Via Láctea e a conclusão é que há um monte deles.

Publicado esta semana no The Astronomical Journal, o estudo sugere que há um planeta quente e aquoso orbitando uma em cada quatro estrelas semelhantes ao Sol. Isso significa que pode haver até 10 bilhões de mundos semelhantes à Terra em nossa galáxia. Se você estiver se perguntando o que significa “semelhante à Terra”, a equipe definiu que se trata de um planeta que tem de três quartos a um e meio o tamanho da Terra, e quando ele orbita sua estrela a cada 237 a 500 dias.

Essa é uma informação muito animadora para a busca por vida alienígena, já que espera-se encontrá-la em lugares com temperatura semelhante à nossa e água em forma líquida. Também é uma descoberta importante porque ajuda os astrônomos a saberem onde procurar, o que poupará tempo e recursos. “Receberemos muito mais retorno do investimento se soubermos quando e onde procurar”, disse Eric Ford, professor de astrofísica e co-autor do novo estudo.

“O Kepler descobriu planetas com uma ampla variedade de tamanhos, composições e órbitas”, disse Ford. “Entretanto, simplesmente contar exoplanetas de um determinado tamanho orbital ou distância é enganoso, já que é muito mais difícil encontrar pequenos planetas longe de suas estrelas do que encontrar grandes planetas perto de suas estrelas”.

Para estimar quantos planetas o Kepler poderia ter perdido, os pesquisadores simularam em computador hipotéticos universos de estrelas e planetas, baseados em uma combinação do catálogo de Kepler, além do catélogo da pesquisa das estrelas de nossa galáxia da nave Gaia, da Agência Espacial Européia.

A simulação deu aos cientistas uma noção de quantos exoplanetas em cada universo hipotético o Kepler teria detectado e quais tipos. Eles puderam então comparar esses dados com o que o telescópio Kepler real detectou em nosso universo, e assim estimar a quantidade de planetas do tamanho da Terra orbitam nas zonas habitáveis de suas estrelas.

“Ao comparar os resultados com os planetas catalogados pelo Kepler, caracterizamos a taxa de planetas por estrela e a forma com que isso depende do tamanho do planeta e da distância orbital”, disse Danley Hsu, um estudante de pós-graduação da Penn State e co-autor do trabalho. “Nossa nova abordagem permitiu que a equipe levasse em conta vários efeitos que não foram incluídos em estudos anteriores”.

O próximo passo na busca por vida alienígena é estudar planetas potencialmente habitáveis. “Os cientistas estão particularmente interessados ​​em procurar biomarcadores – moléculas indicativas de vida – nas atmosferas dos planetas aproximadamente do tamanho da Terra”, disse Ford.

Fonte: Canaltech

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Sonda indiana entra na órbita da Lua

20 de agosto de 2019, 08:01

Foto: AFP

A nave espacial indiana Chandrayaan-2 entrou na órbita lunar nesta terça-feira, executando uma das manobras mais difíceis de sua histórica missão à Lua.

Depois de quatro semanas de viagem, a nave completou a inserção na órbita lunar como previsto, informou um comunicado da agência espacial indiana (ISRO, na sigla em inglês).

A Inserção Orbital Lunar (LOI, na sigla em inglês) “foi completada com êxito às 9H00 (0H30 de Brasília) como previsto, usando o sistema de propulsão a bordo. A duração da manobra foi de 1738 segundos”, afirmou a ISRO.

A Índia pretende ser a quarta nação, após Rússia, Estados Unidos e China, a levar uma nave espacial à Lua.

Se o restante da missão transcorrer de acordo com o planejado, a sonda indiana fará a alunissagem no polo sul do satélite no dia 7 de setembro.

A inserção desta terça-feira foi uma das operações mais complicadas da missão, porque se tivesse se aproximado da Lua a grande velocidade, a sonda se perderia no espaço.

E em caso de velocidade abaixo da necessária, a gravidade da Lua teria atraído a sonda, o que provocaria uma colisão.

A Chandrayaan-2 (“Carro lunar” em hindi) decolou do centro de lançamento de Sriharikota, sudeste da Índia, em 22 de julho.

 

A agência espacial indiana afirmou que a missão ajudará os cientistas a ampliar a compreensão sobre a origem e a evolução da Lua com estudos topográficos detalhados, análises mineralógicas e uma série de experimentos.

Nova Délhi destinou 140 milhões de dólares para a missão, um valor muito inferior ao utilizado pelas outras grandes agências espaciais para missões deste tipo.

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Com escuridão atípica, dia vira noite em São Paulo

20 de agosto de 2019, 07:51

Foto: Alex Silva / Estadão

Segundo meteorologista, cenário foi provocado por nuvem muito baixa e profunda; internautas tentam “provar” que é de tarde – 

Três da noite? O relógio ainda marcava 15 horas nesta segunda-feira, 15, em São Paulo quando o céu escureceu, o que causou a impressão de que a tarde tivesse virado noite na cidade.

De acordo com Helena Turon Balbino, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), trata-se de uma nuvem muito baixa e profunda – por isso ela é tão escura – que se formou a partir de ventos bastante úmidos vindos de sudeste e sul. “É mais ou menos como quando estamos em um avião, descendo e entramos no meio de uma nuvem”, diz.

Nas redes sociais, especulou-se que a escuridão poderia ser resultado das queimadas da Amazônia ou da Bolívia, que chegou a provocar uma nuvem de fumaça de 30 km, mas tanto a especialista quanto o pesquisador Alberto Setzer, do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), descartaram essa hipótese. Segundo Setzer, um pouco de fumaça sempre chega ajqui, mas não a ponto de causar essa escuridão.

No Twitter, internautas de São Paulo brincaram com a mudança repentina do céu. Um dos assuntos mais comentados da rede social era a expressão “São 16h“, em que os usuários publicavam fotos para tentar “provar” que o dia virou noite.

Além do céu encoberto e da escuridão atípica para o horário, a capital paulista enfrenta frio e chuva fraca. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, o tempo fechado e chuvoso vai continuar nas próximas horas. “Por conta do tempo fechado, úmido e da entrada do ar de origem polar, a temperatura apresentou gradual declínio desde as primeiras horas da madrugada quando foi observada a máxima de 17,4°C”, informou o órgão, em nota.

As estações meteorológicas automáticas do CGE registraram 16ºC em Perus, na zona norte, e 13ºC no extremo da zona sul. A umidade relativa do ar nessas regiões é, respectivamente, de 85% e 100%.

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Justiça deve rejeitar pedidos de mineração em terras indígenas no AM

20 de agosto de 2019, 07:33

A Agência Nacional de Mineração (ANM) deverá indeferir  todos os requerimentos de pesquisa mineral ou lavra que atinjam territórios indígenas no Estado do Amazonas . A determinação da Justiça Federal atende a um pedido de liminar apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

O pedido do MP é para que a agência mantenha suspensos os pedidos de acesso à mineração em terras indígenas no Estado. Isso evitaria que, hipoteticamente, esses pedidos sejam atendidos em um momento em que a mineração nestas áreas seja autorizada em lei. 

Na decisão liminar, informou o MPF, “a Justiça reconheceu a ilegalidade praticada pela ANM em manter os processos administrativos em espera e concedeu um prazo de 45 dias para que a agência cumpra a determinação”. A Justiça determinou também a proibição de sobrestamento de novos requerimentos incidentes sobre as terras indígenas, inclusive os de permissão de lavra garimpeira. O sobrestamento é a suspensão temporária de um processo até que uma outra questão que o afete seja definida e a análise do processo seja retomada

No início de agosto, a ANM indeferiu mais de 50 processos que estavam sobrestados há anos, alguns desde 1984, por incidirem em terras indígenas do Médio Rio Negro, em municípios como Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus) e São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros da capital).

Levantamento feito pela organização WWF-Brasil, com informações da própria ANM, apontam que há 4.073 requerimentos de títulos minerários em trâmite incidentes sobre terras indígenas na Amazônia Legal. Desses, 3.114 encontravam-se bloqueados até a definição do marco regulatório sobre mineração em terras indígenas.

Por lei, é proibida a mineração em terra indígena. O artigo 231 da Constituição Federal prevê que a pesquisa e a lavra de recursos minerais nessas áreas “só podem ser efetivadas com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei”. Isso significa que não cabe ao presidente Jair Bolsonaro liberar ou não esse tipo de exploração.

Criação de gado

Na semana passada, uma ação realizada no Mato Grosso pelo Ibama e Funai autuou duas propriedades rurais com áreas que invadiam os limites da terra indígena Pequizal do Naruvotu, localizada no município de Canarana, em Mato Grosso.

Segundo informações dos órgãos, foram embargados 6.310 hectares de terra, uma área regularmente desmatada para a criação de gado impedindo a regeneração de vegetação nativa da Amazônia.

Uma das propriedades mantinha um rebanho de aproximadamente 4 mil bovinos dentro da terra indígena, causando dano ambiental a uma área de 2.181 hectares. Na outra, cerca de 1.400 hectares de vegetação secundária foram transformados em alimento para cerca de 990 cabeças de gado. As multas aplicadas aos dois casos somam R$ 17,9 milhões.

A exploração de terras indígenas para produção também é proibida por lei. Se os índios querem produzir em suas terras, podem fazê-lo em áreas definidas, mas não podem arrendar essas áreas a terceiros. As infrações foram comunicadas por ofício ao Ministério Público Federal, que vai apurar as responsabilidades em âmbito criminal. O Ibama não divulgou a identidade dos produtores que invadiram as terras.

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Absolvida a mulher que deu à luz um bebê morto e foi acusada de abortar em El Salvador

20 de agosto de 2019, 07:16

Foto: ÓSCAR RIVERA (AFP)

Evelyn Hernández foi vítima de estupro recorrente e não sabia que estava grávida; ela passou quase três anos na prisão – 

Um juiz do Tribunal de Sentença de Cojutepeque (centro de El Salvador) absolveu nesta segunda-feira a Evelyn Hernández, a mulher de 21 anos que foi condenada a 30 anos de prisão pelo delito de homicídio agravado depois de sofrer um parto extrahospitalario no que morreu o feto. A gravidez de Hernández foi frutode  uma violação continuada que nunca denunciou já que estava ameaçada pelo agressor.

“Graças a Deus fez-se justiça”, disse Hernández depois de sair dos tribunais e ser recebida com uma ovação por dezenas de pessoas que se reuniram a esperar a sentença. “Agradeço-lhe a todos os países que estiveram pendentes. Agradeço-lhe a minha mãe por acompanhar-me sempre, porque sei que este tempo foi duro, que tinha que ver como me acusavam de algo do que sou inocente”. A mulher também mencionou, muito comovida, às salvadoreñas que foram condenadas pela justiça de seu país. “Há outras muitas que estão adentro e espero que se faça justiça para que cedo saiam”.

A jovem deu a luz o 6 de abril de 2016 em uma comunidade rural da província central de Cuscatlán. Sentiu dores abdominais e foi à letrina de sua casa, onde sofreu uma hemorragia e se desmaiou. sofria abusos sexuais durante meses, mas nunca denunciou a seu violador porque a tinha ameaçado com matar a sua mãe. Também não sabia que estava encinta, pelo que seu defesa alega que ela tinha uma gravidez asintomático. Sua mãe levou-a a um hospital local, onde os médicos determinaram que a mulher abortava. Então começou seu calvário, detenção e julgamento mediante, que concluiu com a sentença desta segunda-feira.

Um magistrado condenou a Hernández em 2017 a três décadas de prisão, mas corte-a Suprema do país centroamericano anulou a sentença no ano passado e ordenou que se realizasse um novo julgamento. Apesar dessa falha esteve em prisão durante 33 meses, até que um tribunal local decretou em fevereiro sua saída do penal da capital, San Salvador. A autópsia praticada ao corpo de 32 semanas de gestação estabeleceu que faleceu por causa de uma “pneumonia aspirativa”. Os juristas de Hernández alegaram que nasceu morrido. Elizabeth Deras, uma das advogadas defensoras, disse que “a Promotoria não tinha respaldos para sustentar sua acusação”. A instituição pedia 40 anos de prisão, mas o juiz determinou nesta segunda-feira que Hernández fique definitivamente em liberdade.

A sentença manteve em vilo ao país centroamericano, onde Hernández se tinha convertido no símbolo da luta de organizações de mulheres que exigem uma reforma das severas leis contra o aborto vigentes desde 1998, que fixam condenações de até 40 anos de cárcere. Nestas mais de duas décadas, 16 mulheres salvadoreñas foram encarceradas acusadas pelas autoridades por delitos relacionados ao aborto. “Esta é uma vitória rotunda para os direitos das mulheres em El Salvador. Reafirma que nenhuma mulher deve ser acusada injustamente de homicídio pelo simples fato de sofrer uma emergência obstétrica”, disse Erika Guevara Rosas, diretora para as Américas de Anistia Internacional.

 

“América Latina será livre e feminista”

As organizações feministas reagiram com júbilo à publicação da falha, já que esperam que a resolução de liberdade para Hernández possa sentar um precedente que ajude a mudar a legislação atual em um país com um sistema judicial que Morena Herrea —ativista deste movimento e exguerrillera do EMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional)— cataloga de “fundamentalista”. Em El Salvador, sublinha, trata-se com saña às mulheres que optam por abortar: “Não compreendem que muitas vezes sofremos emergências obstétricas; sua única resposta é a criminalización”.

Nesta segunda-feira, dezenas de mulheres tinham-se transladado aos tribunais de Cidade Delgado para seguir a sentença. O ambiente era feriado, pese ao temor de que se produzisse uma falha no sentido contrário. O grupo portava cartazes com lendas que exigiam liberdade para Hernández e vestia t-shirts alusivas às mulheres encarceradas. “Abaixo o patriarcado. Vai cair-se, vai cair-se”, cantavam. “América Latina será livre e feminista”. Pese à incerteza, a jovem mostrava-se tranquila, acolhida pela equipe jurídica que a acompanhou ao longo do processo.

A maioria de mulheres condenadas ou submetidas a julgamento no enquadramento das leis salvadoreñas contra o aborto são pobres e analfabetas, segundo as associações de defesa dos direitos da mulher no país centroamericano. Muitas vítimas de violência sexual não têm, além disso, acesso a serviços sanitários e sofrem em primeira pessoa a violência de quadrilhas que tem desangrado El Salvador. Quando estas mulheres têm complicações em suas gravidezes, sofrem partos extrahospitalarios ou abortos espontâneos têm medo de ir a um centro médico: é o pessoal de saúde que avisa à policial, que as pára e as responde ao sistema judicial. Organizações feministas salvadoreños contabilizam 49 condenações contra mulheres entre 2000 e 2014 e as autoridades denunciaram a 250 ao todo.

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Remédio para cólica menstrual tem efeito para tratar esquistossomose

19 de agosto de 2019, 13:52

Foto: Reprodução

Pesquisadores descobriram que o ácido mefenâmico pode ser eficiente para o tratamento da esquistossomose – 

Um medicamento amplamente utilizado para cólicas menstruais, o ácido mefenâmico, cujo nome comercial é Ponstan, pode ser eficiente para o tratamento da esquistossomose. A descoberta é de pesquisadores da Universidade de Guarulhos, que estudam reposicionamento de fármacos, ou seja, novos usos para medicamentos já existentes. Após passar por testes em laboratório e experimentos com animais, faltam testes clínicos em humanos para que o anti-inflamatório possa ser receitado também para combater a verminose.

O estudo mostrou que o Ponstan reduziu em mais de 80% a carga parasitária em camundongos infectados com o verme Schistosoma mansoni. Segundo os pesquisadores, esse percentual ultrapassa o “padrão ouro” estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para novos medicamentos. Atualmente, só existe um medicamento para o tratamento da esquistossomose, o praziquantel. A eficácia do ácido mefenâmico pode ser até maior do que o antiparasitário disponível, pois ele atuou também na fase larval do parasita.

A esquistossomose atinge mais de 240 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS. O professor Josué de Moraes, da Universidade Guarulhos, destaca que esta é uma doença negligenciada e, embora afete uma parcela significativa de pessoas, carece de estudos, vacinas e tratamentos mais avançados. “Estamos falando de doenças da pobreza. A indústria farmacêutica, quando olha para esse público, não vai querer desenvolver um novo medicamento”, disse o autor do estudo.

Segundo Moraes, a produção de um novo medicamento envolve pelo menos R$ 1,5 bilhão e dez anos de pesquisa e, como a doença atinge principalmente os mais pobres, não há interesse da indústria farmacêutica. “A vantagem do reposicionamento [de fármaco] é que se trata de algo que já existe, que já foi aprovado, já está disponível nas drogarias. E se a gente consegue descobrir que esse medicamento tem uma aplicação diferente daquela que era utilizada, vou eliminar essa etapa de tempo e custo”, explicou o professor.

O estudo de reposicionamento de fármaco desenvolvido na Universidade de Guarulhos começou com a análise de 73 não esteroidais comercializados no Brasil e em outros países. O ácido mefenâmico foi o que apresentou resultados mais promissores como antiparasitário. A descoberta, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista EbioMedicine, do grupo Lancet.

A transmissão da esquistossomose está ligada a locais sem saneamento básico adequado e pelo contato de água com caramujos infectados pelos vermes causadores da doença. Os vermes Schistosoma mansoni se alojam nas veias do mesentério e no fígado do paciente. O indivíduo infectado não apresenta sintomas nas primeiras duas semanas, mas o quadro pode evoluir e causar problemas crônicos de saúde e morte.

Moraes aponta que, uma vez iniciados os testes clínicos em humanos, caso comprovada a eficácia do Ponstan para esquistossomose, em menos um ano as bulas podem ser alteradas e o tratamento recomendado. “É pegar uma região onde você tem pessoas com a doença e fazer o tratamento e monitorar o processo de cura. A única etapa que falta agora é esta. Todos os estudos que são necessários para desenvolver medicamento já foi feito”, disse.

Com informações da Agência Brasil

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