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No sistema eleitoral brasileiro é uma falácia o discurso do candidato a deputado que quer ter direito à representação por nascença

16 de abril de 2026, 21:18

Por Giorlando Lima –

Em cada período eleitoral surge alguém com o discurso de que os cidadãos devem eleger candidatos a deputado estadual ou federal que são nativos de determinado município, porque assim haveria uma representação “genuína” ou mais empenhada.

Há vários argumentos para desmontar esse discurso – que tem como meta uma facilitação da empreitada eleitoral -, a começar de um bem simples: as únicas pessoas originárias do Brasil são os indígenas e as cidades têm cada vez menos pessoas “da gema”. No caso de Vitória da Conquista as famílias ditas tradicionais são uma reduzida minoria, a população é formada em grande maioria por pessoas que vieram de fora desde dois importante eventos: a implantação da BR-116 (Rio-Bahia) e o desenvolvimento da cafeicultura.

Nos últimos 60 anos, principalmente, Vitória da Conquista foi mudando de perfil populacional e ganhando a contribuição de gente que veio de muitas partes. Estão aí os miguelenses e seus herdeiros, os sergipanos e seus descendentes. Os nordestinos descendo pela Rio-Bahia se fixaram, porque aqui já estava ficando bom. Estão pela cidade mineiros que subiram para conhecer e ficaram por fatores diversos, mas especialmente pela saudabilidade conquistense. Paulistas e outros sudestinos e sulistas também vieram, mesmo antes do grande aeroporto, atraídos pelo potencial de desenvolvimento econômico.

Imagine alguém protestar contra uma pouco provável, mas possível e legítima, candidatura do pai da prefeita Sheila Lemos, José Andrade, um dos incontáveis corajosos que saíram de São Miguel das Matas para dar pujança ao comércio conquistense. Ou dizer que, se um dia aceitasse, o médico Clodoaldo Cadete, um cientista respeitado fora e amado dentro de Conquista, não pudesse pleitear ser deputado estadual ou prefeito.

O jornalista que escreve este BLOG não poderia disputar cargo eletivo na cidade onde vive e moureja desde 1984, nem de vereador. Aliás, por falar nos representantes do povo conquistense na Câmara Municipal, entre os 23 eleitos em 2024, pelo menos 17 têm um dos pais ou os dois vindos de outras partes da Bahia e do Brasil, ou ele ou ela mesma nasceu em outra cidade. Na régua dos “nativistas” nem poderiam ser candidatos. Coloquemos na escala do município: se não nasceu no bairro ou na localidade da zona rural, não poderia nem pedir voto lá.

Mas, o argumento preponderante na direção contrária dos defensores dos candidatos da terra em detrimento dos “forasteiros” (esses que não existem mais, a não ser no preconceito) é o sistema eleitoral brasileiro. Nas eleições proporcionais, estas que acontecem este ano junto com as majoritárias de presidente, governador e senador, os candidatos que desejam se eleger precisam de votos onde for possível conseguir. A eleição se dá a partir do voto no partido, pois a primeira conta leva ao quociente eleitoral (QE), que é o número de votos que um partido precisa somar para assegurar uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

O número de votos equivalente ao quociente eleitoral nenhum deputado estadual eleito em 2022, por exemplo, conseguiu. Ivana Bastos, a mais votada do estado, teve 118.417 votos, o QE foi 125.995. A atual presidente da Assembleia Legislativa teve 21.718 votos em Guanambi, sua base eleitoral e 11.390 em Caetité, cidade onde nasceu, totalizando 33.108 votos, 28% do total obtido e somente 26% do quociente eleitoral.

A Bahia tem 417 municípios e apenas 63 deputados estaduais e 39 federais. Se um candidato faz campanha em uma cidade dizendo que a população só deve votar nele porque ele é filho da terra, o que ele dirá nos outros lugares aonde for pedir voto? Se a eleição fosse distrital, a situação poderia favorecer mais os “nativistas”, mas reduziria as opções do eleitor. Nesse sistema, o partido definiria quem concorreria por cada divisão do estado, embora ainda continuasse o sistema democrático que dá a qualquer pessoa que tenha domicílio eleitoral no município – e não necessariamente o cordão umbilical enterrado – o direito de se candidatar e pedir votos, no caso de Vitória da Conquista, a conquistenses e conquistados, como diz a prefeita Sheila Lemos.

Como são 63 cadeiras no parlamentar baiano, o entendimento é de que são 63 representantes do povo da Bahia, não de um ou dois lugares privilegiados por alta densidade de eleitores. Igualmente para o caso da representação federal.

O que um candidato ou candidata precisa apresentar para tornar-se representante de uma comunidade, são suas intenções e compromissos com os lugares onde pede voto. Um político que se lança em Vitória da Conquista a uma vaga na Assembleia Legislativa pode ir pedir voto em Belo Campo ou Maiquinique ou Irecê ou Salvador, mesmo que só tenha ido a esses lugares comer um churrasco com amigos. Não é a certidão de nascimento, ou mesmo o currículo de ações dele ou dela naquela localidade que autorizam a pedir o voto, é a perspectiva que oferece.

Aqui, vale ressaltar: trabalho feito por servidor com mandato eleitoral não gera dívida, ainda que gere reconhecimento. Ao ser eleito, o presidente, o governador, o senador, o deputado federal, o estadual, o prefeito ou o vereador passa ter dívida com o eleitor e com a comunidade – não o contrário, mesmo para os que saem comprando votos.

Quem pretende ter o voto de uma cidade e ganhar o título de seu representante, precisa demonstrar interesse coletivo, pertencimento, capacidade e compromisso. Uma certidão de nascimento não é titulo de exclusividade para nada, muito menos para a política. Estar por perto, demonstrar que estava por perto quando o município e a comunidade precisaram são requisitos. Ter competência, honestidade e vínculo com a verdade, isso é o credenciamento. O resto é balela, beira a falsidade, porque é uma falácia usada para estabelecer uma competição que não existe. Ao invés da busca pela soma é um desafio visando a exclusão.

Pensemos assim: se Vitória da Conquista decidir votar só em quem nasceu na cidade, em quem é da gema, quantos deputados teremos? Um, dois? E esse ou esses ungidos serão mais fortes, sozinhos, do que três ou quatro? E aí, mais que a contradição, reside a falácia.

Veja aqui a publicação original no Blog do Giorlando Lima:

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ABRIL AZUL: Campanha chama atenção sobre complexidade do diagnóstico do Autismo

16 de abril de 2026, 13:49

Foto: Reprodução


Movimento também reforça a importância da inclusão social e do respeito à neurodiversidade

O mês de abril é dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso a serviços especializados e da inclusão.

“O Abril Azul é um convite à reflexão e à informação. A campanha busca combater o preconceito, incentivar o diagnóstico, inclusive em adultos, e promover uma sociedade mais inclusiva para pessoas no espectro autista e suas famílias”, afirma Leidson Teixeira, médico e coordenador do curso de Medicina da Ages, integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de autismo, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. É a primeira vez que o país dispõe de um retrato oficial da condição, o que representa um avanço importante para a formulação de políticas públicas.

Outro recorte do censo aponta que a prevalência é maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Entre os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%).

De acordo com o Censo Escolar 2024, o número de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) na educação básica saltou de 636.202 para 918.877 entre 2023 e 2024. As matrículas revelaram o aumento de 44,4%, nesse período.

Número mais expressivo de casos ou de diagnósticos?

Especialistas destacam que o crescimento dos casos não significa, necessariamente, que o autismo esteja mais frequente, mas sim que há maior conscientização, ampliação dos critérios diagnósticos e melhor acesso aos serviços de saúde. Ainda assim, os números podem estar subestimados, especialmente entre adultos.

Embora a “descoberta” seja mais comum na infância, amplia o grupo de pessoas que chegam à vida adulta sem o reconhecimento dessa condição. Ainda de acordo com o censo do IBGE, fora das faixas etárias mais jovens, a prevalência registrada varia entre 0,8% e 1%, o que pode refletir subnotificação e dificuldade de identificação tardia. Muitos adultos só descobrem estar no espectro após anos lidando com desafios sociais, profissionais e emocionais sem uma explicação clara.

“Hoje sabemos que muitos adultos foram negligenciados no passado, quando o conhecimento sobre o autismo era mais limitado. O avanço dos critérios diagnósticos e o olhar mais atento para sinais sutis têm permitido identificar esses casos, especialmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida”, explica.

Complexidade do diagnóstico
Outro ponto importante é que o diagnóstico em adultos pode ser mais complexo, já que as características podem ser confundidas com outras condições, como ansiedade e depressão. Por isso, o Abril Azul também reforça a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para reconhecer o autismo em todas as fases.

“Muitos adultos passam anos sem diagnóstico porque os sinais são interpretados de outras formas ou acabam sendo mascarados ao longo da vida. Isso torna o processo mais desafiador e exige um olhar mais atento e qualificado dos profissionais”, reforça o coordenador de Medicina da Ages/Inspirali, Leidson Teixeira.

Além desse alerta, a campanha destaca a importância da inclusão social e do respeito à neurodiversidade. Pessoas com autismo têm diferentes níveis de suporte e potencialidades, e políticas públicas devem considerar essa diversidade para garantir acesso à educação, ao trabalho e à qualidade de vida.

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Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027

16 de abril de 2026, 07:24

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

 governo federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para o ano que vem, com aumento nominal de 5,92%. O valor consta do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado nesta quarta-feira (15) ao Congresso Nacional.

O reajuste segue a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para os 12 meses terminados em novembro mais o crescimento da economia em 2025, limitado ao crescimento de gastos de 2,5% acima da inflação, determinado pelo arcabouço fiscal. A estimativa para o INPC também consta do PLDO.

O projeto também apresentou previsões de R$ 1.812 para o salário mínimo em 2028, de R$ 1.913 para 2029 e de R$ 2.020 para 2030. As projeções são preliminares e serão revistas no PLDO dos próximos anos.

Em 2023, o salário mínimo voltou a ser corrigido pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do PIB, soma das riquezas produzidas pelo país, de dois anos antes. Essa fórmula vigorou de 2006 a 2019. Por essa regra, o salário mínimo aumentaria 2,3% acima do INPC.

O pacote de corte de gastos aprovado no fim de 2024, no entanto, limitou o crescimento. Isso porque o salário mínimo entrou nos limites do arcabouço fiscal, que prevê crescimento real (acima da inflação) dos gastos entre 0,6% e 2,5%. Como o crescimento de 2,3% no PIB está abaixo do teto de 2,5%, a expansão da economia em 2025 poderá ser aplicada.

Agência Brasil

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OBRAS PÚBLICAS E O DESAFIO DA ENTREGA: Da captação à governança como caminho para políticas públicas efetivas

16 de abril de 2026, 07:18

Foto: Arquivo Pessoal

*Por Cléa Maria Costa –

A realização de obras públicas no Brasil continua sendo um dos grandes desafios da administração pública contemporânea. Embora o país disponha de programas, instrumentos de financiamento, transferências voluntárias e mecanismos de planejamento capazes de impulsionar investimentos em infraestrutura, saúde, educação, mobilidade e saneamento, a distância entre o recurso captado e a obra efetivamente entregue ainda é expressiva. O problema não se resume à escassez orçamentária: ele está, sobretudo, na incapacidade de transformar oportunidade em resultado.

As obras inacabadas são a face mais visível desse desequilíbrio. Elas representam recursos públicos imobilizados, equipamentos sem funcionalidade, deterioração precoce do patrimônio e frustração da política pública que motivou o investimento. Quando uma creche não é concluída, não se perde apenas uma edificação; perde-se a possibilidade de ampliar vagas, apoiar famílias e fortalecer a educação infantil. Quando uma unidade de saúde permanece paralisada, não se trata apenas de concreto exposto ao tempo, mas de um serviço essencial que deixou de chegar à população. O impacto, portanto, é econômico, técnico, institucional e social.

Diante desse cenário, torna-se indispensável defender uma abordagem mais madura para a gestão de obras públicas: uma abordagem que não comece na licitação nem termine na inauguração, mas que compreenda todo o ciclo do investimento público, desde a identificação da oportunidade de captação, passando pelo enquadramento técnico, elaboração de projetos, estruturação da contratação, execução governada, fiscalização qualificada e prestação de contas contínua. É nessa lógica que a gestão de obras públicas se consolida como solução concreta para garantir que o investimento se converta, de fato, em política pública entregue.

O maior problema das obras públicas no Brasil é a fragmentação. Em muitos contextos, a captação de recursos ocorre sem a devida maturidade técnica do projeto; a demanda não é corretamente enquadrada na linha de financiamento; os estudos preliminares são insuficientes; o orçamento nasce pressionado; a contratação é conduzida sem critérios que assegurem a real capacidade de execução; e a fiscalização, por sua vez, atua mais como resposta ao problema do que como instrumento preventivo de governança. O resultado é conhecido: aditivos em excesso, reprogramações, perda de prazo, pendências documentais, paralisações e, em casos mais graves, abandono da obra. Em outras palavras, a deficiência não está apenas na execução física, mas na ausência de um processo integrado de gestão.

Quando esse ciclo é reorganizado com método, a lógica muda completamente. A obra deixa de ser tratada como evento isolado e passa a ser conduzida como processo técnico estruturado. Isso significa iniciar pelo diagnóstico institucional da demanda, identificar a linha de captação adequada, desenvolver projetos consistentes, consolidar documentação de submissão, responder diligências com qualidade, formalizar corretamente o instrumento, executar com governança e prestar contas de forma contínua. Esse modelo gera dois efeitos decisivos: economia e agilidade. Economia, porque reduz retrabalho, falhas de compatibilização, desperdícios e correções tardias. Agilidade, porque aumenta a previsibilidade do ciclo, reduz entraves procedimentais e fortalece a capacidade do município de sair da oportunidade para a entrega com mais segurança. Quando associada a práticas contemporâneas de gestão e a ferramentas como o BIM, essa metodologia ainda amplia a transparência, a rastreabilidade e a qualidade técnica do empreendimento.

Obras públicas de qualidade são muito mais do que entregas físicas. Elas são a materialização concreta da presença do Estado na vida das pessoas. Uma escola concluída amplia oportunidades. Uma unidade de saúde em funcionamento salva tempo, reduz sofrimento e melhora indicadores sociais. Uma infraestrutura urbana bem executada valoriza territórios, dinamiza a economia e fortalece a dignidade da população. Por isso, discutir obras públicas é discutir, em essência, a capacidade do poder público de entregar cidadania.

A boa engenharia, nesse contexto, não pode ser dissociada da boa gestão. A eficiência na gestão das obras públicas é o que permite que o recurso captado percorra, com integridade, todas as etapas necessárias até se converter em benefício real para a sociedade. Planejamento, governança, controle técnico, fiscalização qualificada e prestação de contas não são acessórios burocráticos: são elementos estruturantes da entrega pública. Se o Brasil deseja reduzir o passivo das obras inacabadas e elevar o padrão de qualidade de seus investimentos, precisa consolidar uma cultura de gestão de obras públicas orientada por resultado, responsabilidade e continuidade.

Em síntese, obras públicas bem geridas produzem mais do que edificações; produzem confiança institucional, eficiência administrativa e políticas públicas efetivamente entregues à população. E é exatamente essa a direção que deve orientar a engenharia pública comprometida com o futuro do povo brasileiro.

*Engenheira Civil e Sanitarista, com mais de 40 anos de experiência profissional, atuando nas áreas de engenharia, gestão pública, planejamento técnico, captação de recursos, convênios, fiscalização, governança e gestão de obras públicas. Ao longo de sua trajetória, consolidou atuação voltada à estruturação de empreendimentos públicos, ao acompanhamento técnico de obras, à prestação de contas e ao fortalecimento institucional de municípios, com foco na eficiência, qualidade e entrega efetiva de políticas públicas. Possui especializações voltadas à sua atuação técnica e institucional, com experiência prática na articulação entre planejamento, execução, controle e inovação aplicada à engenharia pública. Também tem participação relevante em entidades de classe e espaços de representação profissional, com destaque para sua atuação no CREA e na ABENC-BA, contribuindo para o fortalecimento da engenharia, da valorização profissional e do debate técnico sobre obras públicas, infraestrutura e desenvolvimento institucional. Sua trajetória profissional é marcada pelo compromisso com uma engenharia pública orientada por responsabilidade, qualidade, governança e resultado social, defendendo que obras públicas bem geridas são instrumentos concretos de transformação da vida da população.

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Bahia lidera bloco de investimentos em aeroportos regionais

15 de abril de 2026, 16:47

Foto: Reprodução

Os aeroportos de Paulo Afonso, com R$ 106,2 milhões, e Lençóis, com R$ 80,2 milhões, concentram os dois maiores aportes entre os 12 terminais incorporados à concessão da GRU Airport.

A Bahia ficou com a maior fatia dos recursos da nova etapa de ampliação da concessão da GRU Airport, formalizada pelo Ministério de Portos e Aeroportos com a inclusão de 12 aeroportos regionais do Nordeste, da Amazônia Legal e do Centro-Oeste no contrato da operadora. A medida prevê R$ 731,6 milhões em investimentos, sendo cerca de R$ 630 milhões voltados à modernização da infraestrutura dos terminais. Com a mudança, a concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos passa a administrar unidades na Bahia, no Ceará, no Maranhão, em Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Tocantins.

No novo bloco, os maiores volumes de recursos ficaram com os dois aeroportos baianos. Paulo Afonso lidera a lista, com R$ 106,2 milhões, enquanto Lençóis, porta de entrada da Chapada Diamantina, receberá R$ 80,2 milhões. Os dois terminais puxam a frente de investimentos aberta pelo Programa AmpliAR e colocam a Bahia no centro da expansão da aviação regional prevista nessa rodada.

Nos aeroportos baianos, os recursos serão aplicados na modernização da infraestrutura, com intervenções em pistas, pátios e terminais de passageiros. Em Paulo Afonso e Lençóis, as melhorias previstas têm como objetivo elevar os padrões de segurança, aumentar a eficiência operacional e qualificar os serviços prestados aos usuários.

Depois da Bahia, os demais investimentos no Nordeste serão distribuídos entre Barreirinhas, no Maranhão, com R$ 58,1 milhões; São Raimundo Nonato, no Piauí, com R$ 55,5 milhões; Canoa Quebrada, no Ceará, com R$ 43,1 milhões; Serra Talhada, em Pernambuco, com R$ 40,5 milhões; Garanhuns, também em Pernambuco, com R$ 22,1 milhões; e Araripina, igualmente em Pernambuco, com R$ 19,6 milhões.

Nos outros estados contemplados, os aportes previstos serão destinados a Vilhena, em Rondônia, com R$ 74,6 milhões; Araguaína, no Tocantins, com R$ 55,5 milhões; Cacoal, também em Rondônia, com R$ 49,8 milhões; e Porto Alegre do Norte, em Mato Grosso, com R$ 25,3 milhões.

Os 12 aeroportos foram arrematados no leilão da primeira rodada do Programa AmpliAR, realizado em novembro do ano passado. Segundo o ministério, a iniciativa busca fortalecer a aviação regional, ampliar a conectividade aérea e impulsionar o desenvolvimento econômico em áreas estratégicas do país. A expectativa do governo é ampliar rotas, facilitar o acesso a destinos turísticos e melhorar o escoamento da produção regional, incorporando aeroportos de menor porte a contratos já existentes para garantir escala, eficiência operacional e novos aportes privados.

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Lula envia ao Congresso projeto de lei pelo fim da escala 6×1

15 de abril de 2026, 07:53

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, na noite desta terça-feira (14), o projeto de lei que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais.

A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial. 

Segundo o texto, a proposta é reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial.

A escala passaria a ser de cinco dias trabalhados para dois dias de descanso.

O presidente Lula, em postagem nas redes sociais, salientou que a proposta seguiu com “urgência constitucional, o que faz com que o Legislativo tenha 45 dias para a deliberação da matéria. 

“A proposta devolve tempo aos trabalhadores e trabalhadoras: tempo para ver os filhos crescerem, para o lazer, para o descanso e para o convívio familiar. Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”, escreveu o presidente. 

De acordo com Lula, o envio da proposta tem relação com a dignidade das famílias brasileiras, “de quem constrói o Brasil todos os dias”. O presidente ressaltou que a jornada menor não prevê qualquer redução no salário. 

Conforme o governo, a proposta abrange também trabalhadores domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

Ainda de acordo com o Executivo, a proposta tem aplicação geral.

“O limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados”, informa.

Veja o que prevê o projeto de lei: 

Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas

Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado

Novo padrão: consolidação do modelo 5×2 e redução das horas trabalhadas

Salário protegido: vedada qualquer redução salarial

Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.

Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados

Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana

* Com informações da Presidência da República

Agência Brasil

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Mirangaba avança na Alfabetização e supera meta do MEC

15 de abril de 2026, 07:34

Mais uma demonstração do compromisso da gestão de Mirangaba com o futuro das crianças, a rede municipal de ensino celebra um marco histórico na educação básica: a superação da meta de alfabetização estabelecida pelo Ministério da Educação, atingindo a marca de 55% de crianças alfabetizadas.

Os dados do Indicador Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação (MEC), apontam que o município não apenas atingiu, como ultrapassou o índice projetado para 2025, evidenciando uma trajetória de evolução consistente e qualificada.

Para o prefeito Dirceu Mendes, esse resultado não é apenas um número, mas a prova concreta do trabalho sério e planejado da Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Educação e que o avanço é reflexo direto de uma série de ações estratégicas focadas no aprendizado na idade certa,

“Ver nossas crianças lendo e escrevendo com fluência no tempo esperado é a nossa maior recompensa. Esse resultado reflete o esforço conjunto de professores, gestores escolares e toda a comunidade educacional. Superar a meta do MEC demonstra que estamos assegurando o direito de aprender com qualidade”, afirmou o prefeito.

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A Guerra das Jornadas: como o fim da 6×1 expõe o abismo entre projetos de Brasil

14 de abril de 2026, 13:57

Foto: Reprodução IA

Por Edson Júnior Matos dos Anjos

O ano de 2026 recolocou no centro do debate nacional uma pauta histórica da classe trabalhadora: a redução da jornada de trabalho. A proposta que visa pôr fim à escala 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — saiu das redes sociais e ganhou força no Congresso. Mais do que uma mudança técnica, trata-se de um confronto direto entre dois projetos de país.

De um lado, o campo progressista, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retoma a ideia de trabalhar menos para viver melhor. Do outro, setores da extrema direita, representados por figuras como o senador Flávio Bolsonaro, atuam para frear ou esvaziar a proposta, alinhando-se a interesses econômicos resistentes a mudanças nas relações de trabalho.

A redução da jornada é uma dívida histórica. Desde a Constituição de 1988, trabalhadores buscam mais equilíbrio entre vida e trabalho — algo ainda mais urgente diante do avanço de doenças como ansiedade, depressão e burnout. A escala 6×1, na prática, limita a vida ao cansaço e à sobrevivência. O argumento de prejuízo econômico não se sustenta integralmente: experiências internacionais indicam que trabalhadores descansados tendem a ser mais produtivos.

Ainda assim, a resistência no Congresso é intensa e articulada. Setores empresariais conservadores exercem forte lobby para barrar ou retardar a proposta, enquanto difundem um verdadeiro terrorismo econômico — previsões de desemprego e colapso amplificadas por setores da mídia tradicional.

Nesse cenário, ganha força a narrativa da “liberdade de escolha”, defendida pela extrema direita. Sob esse discurso, transfere-se ao trabalhador a decisão de aceitar jornadas exaustivas, ignorando que, em contextos de desigualdade, essa escolha é condicionada pela necessidade — e não pela liberdade real.

Também há tentativas de esvaziamento da proposta, com adiamentos, transições longas e modelos que flexibilizam direitos. É a manutenção da estrutura atual sob aparência de mudança. Por isso, a pressão popular sobre o Congresso é decisiva. Direitos trabalhistas nunca foram concessões espontâneas, mas resultado de mobilização social.

O que está em jogo é concreto: mais tempo com a família, mais saúde, mais dignidade e até a possibilidade de geração de empregos pela redistribuição das horas de trabalho — impactando principalmente os mais pobres. Mais do que economia, trata-se de uma escolha política e moral: queremos uma sociedade que normalize o esgotamento ou que valorize a vida além do trabalho?

Como educador e alguém comprometido com as causas sociais, é impossível ignorar o peso dessa decisão. A discussão sobre o fim da escala 6×1 revela o abismo entre quem defende a dignidade do trabalhador e quem ainda o trata como peça de engrenagem. No fim, a pergunta permanece: até quando o descanso digno será tratado como privilégio, e não como direito?

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Deputado recomenda silêncio a ACM Neto quando o assunto for agricultura familiar

14 de abril de 2026, 13:42

Foto: Reprodução

O deputado estadual Osni Cardoso (PT), ex-secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia, diz que ACM Neto perdeu uma boa oportunidade de ficar calado, quando se meteu a falar de agricultura familiar em entrevista à rádio Baiana FM, nesta terça-feira (14).

“Na pretensão de demonstrar que entende de questões do interior e assim atacar o governador Jerônimo Rodrigues, o ex-prefeito de Salvador revelou total ignorância da situação da agricultura familiar na Bahia”, afirma o parlamentar petista.

A Bahia, lembra Osni, é líder nacional com o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar: 593.411 propriedades — 77,8% do total rural estadual — e mais de 2 milhões de pessoas diretamente envolvidas na produção.

Ao garoto criado em playground que anseia governar a Bahia e não sabe distinguir um pato de um ganso, segundo o aliado João Roma, o deputado petista diz que o governador Jerônimo Rodrigues, engenheiro agrônomo, fez do campo um dos eixos centrais de sua gestão.

“Ao assumir em 2023, Jerônimo transformou esse setor em política de Estado integrada, conectando produção de alimentos, segurança alimentar, geração de emprego e inclusão socioprodutiva de povos tradicionais, quilombolas e indígenas”.

Para deixar informado o pré-candidato da oposição ao governo sobre a realidade da agricultura familiar no estado, Osni Cardoso destaca que a gestão Jerônimo construiu uma política de crédito sem precedentes.

“O volume contratado via Pronaf na Bahia saiu de R$ 1,9 bilhão na safra 2022/2023 para R$ 4,8 bilhões na safra 2024/2025 (+60%), atingindo R$ 4,3 bilhões no Plano Safra 2025/2026 — o maior da história do estado. O acumulado na gestão chegou a R$ 12 bilhões, com 420 mil contratos firmados”.

O deputado petista acrescenta que a decisão de destinar 100% dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) à aquisição direta da agricultura familiar — quando a lei federal exige apenas 30% — criou mercado institucional garantido para as cooperativas, movimentando R$ 50,2 milhões em compras diretas para a rede estadual de ensino.

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Lula critica ameaças de Trump ao mundo e defende papa Leão XIV

14 de abril de 2026, 13:37

Foto: Paulo Pinto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (14), que a guerra dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, contra o Irã é inconsequente e que o presidente estadunidense não precisa ameaçar o mundo. Lula também foi solidário ao papa Leão XIV, que trocou críticas com Trump esta semana.

Para o presidente Lula, Trump faz jogo de narrativas na tentativa de agradar à população e tentar passar a ideia de os Estados Unidos serem “país onipotente, daquele povo superior”. O brasileiro afirmou que admira os Estados Unidos como maior economia do mundo, mas que isso é resultado da capacidade de trabalho do povo do país norte-americano.

“Isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm. Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, disse Lula.

“Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente”, acrescentou o presidente ao destacar as consequências do conflito na economia, sobretudo nos preços dos combustíveis.

No domingo (12), ao comentar as críticas do papa sobre as ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, Trump afirmou que Leão XIV é “terrível em política externa” e pediu que ele deixe de agradar a esquerda radical. O papa respondeu que não tem medo do presidente estadunidense e que acredita na mensagem de paz do Evangelho.

“Estive com ele [papa Leão XIV] e saí muito bem-impressionado. [Quero] ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse Lula em entrevista aos veículos Brasil247, Revista Fórum e DCM.

Ramagem

Durante a entrevista, Lula ainda lembrou da recente parceria entre Brasil e Estados Unidos visando ao combate ao tráfico internacional de armas e drogas e comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo serviço de imigração e alfândega do país norte-americano, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement).

“O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso por uma multazinha [de trânsito], mas não. Ele foi preso, ele já estava condenado a 16 anos nesse país [Brasil], ele foi um golpista que está condenado. Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, disse Lula.

A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que a prisão de Ramagem decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”. O ex-deputado e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido na cidade de Orlando, no estado da Flórida.

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito. Proibido de deixar o país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem constava na lista de foragidos procurados da Interpol.

Agência Brasil

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