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Bahia: Caém firma convênio com o Governo do Estado para a implantação do CrediBahia
20 de julho de 2021, 09:56

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Com o objetivo de oferecer crédito para microempreendedores e ajudar a promover o desenvolvimento, a Prefeitura de Caém firmou convênio com o Governo da Bahia para implantar o Programa de Microcrédito (CrediBahia) no município. O documento foi assinado pelo prefeito Arnaldo Oliveira (Arnaldinho), no último dia 13.
A assinatura do Termo de Adesão aconteceu na Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), com a presença do chefe da pasta, o secretário Davidson de Magalhães Santos Conforme o prefeito Arnaldinho, diante da repentina mudança na prática do comércio, provocada pela pandemia da covid-19, pequenos comerciantes têm buscado alternativas de sobrevivência a partir da comercialização dos seus produtos dentro da própria comunidade e a oferta de uma linha de crédito irá contribuir substancialmente na melhora da economia pessoal e consequentemente da cidade. “Esta é mais uma grande conquista para o nosso município, principalmente para os microempreendedores. A chegada no CrediBahia servirá de incentivo e contribuirá com o desenvolvimento da cidade. Fomentar crescimento para o pequeno empreendedor é dar uma chance de crescimento a quem está na mesma comunidade, fortalecendo a economia local e principalmente das famílias”, comemorou Arnaldinho.
CrediBahia – O programa de Microcrédito do estado é uma iniciativa do Governo da Bahia, através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte – Setre e da Agência de Fomento do Estado da Bahia S.A – DESENBAHIA, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae e as prefeituras municipais. É um instrumento de desenvolvimento territorial, que visa ampliar a geração de emprego e renda, a partir do apoio ao trabalho desenvolvido pelos empreendedores individuais, grupos de produção, associações produtivas e cooperativas de produção que não têm acesso às vias de crédito usuais.
20 de julho: Dia do Amigo e Internacional da Amizade
20 de julho de 2021, 09:23

Esta data foi primeiramente adotada em Buenos Aires, na Argentina. Desde 1999, ela é comemorada de forma oficial neste país, onde é uma das celebrações mais festejadas.
O argentino Enrique Ernesto Febbraro (1924-2008) é o responsável pela criação do Dia do Amigo e Internacional da Amizade. A ideia surgiu com a chegada do homem à Lua, pois este fato significava que juntos, os povos poderiam conseguir superar desafios quase impossíveis. Para o criador da data, esse evento representava um símbolo de união entre todos os seres humanos.
Através das campanhas de divulgação realizadas por Febbraro, aos poucos, o Dia do Amigo e Internacional da Amizade, passou a ser comemorado em outras partes do mundo, e hoje quase todos os países festejam esta data.
Em junho, Amazônia perdeu o equivalente a quase três vezes a área de Fortaleza
20 de julho de 2021, 08:59

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A Amazônia perdeu uma área de 926 quilômetros quadrados ou o equivalente a quase três vezes a cidade de Fortaleza apenas em junho deste ano, segundo dados de desmatamento reunidos pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No acumulado dos últimos 11 meses, foram 8.381 quilômetros quadrados. O governo Jair Bolsonaro tem sido alvo de críticas no Brasil e no exterior por causa da alta do desmate e dos incêndios na floresta.
O acumulado dos últimos 11 meses representa um crescimento de 51% no desmatamento da Amazônia, quando comparado com os dados entre agosto de 2019 e junho do ano passado (5.553 quilômetros quadrados). “As áreas desmatadas em março, abril e maio foram as maiores dos últimos 10 anos para cada mês. E, se analisarmos apenas o acumulado em 2021, o desmatamento também é o pior da última década”, comenta Antônio Fonseca, pesquisador do Imazom, em nota oficial.
O monitoramento do instituto é feito por meio de imagens coletadas por satélite e radar, e aponta para a predominância de desmatamento no Pará e no Amazonas, os dois Estados que lideram o ranking de junho deste ano, responsáveis por 69% (568 quilômetros quadrados) de toda a área devastada ao longo do último mês.
O boletim da Imazom ainda destaca que a situação crítica no Pará “não é nenhuma novidade” e aponta que mais da metade do desmatamento no Estado está concentrada em quatro municípios: Altamira, São Félix do Xingu, Novo Progresso e Itaituba. “Uma parcela do desmatamento que ocorre nesses municípios está situada em áreas sem destinação de uso, o que caracteriza o processo de ocupação da terra através de ações de grilagem para regularização futura”, aponta Fonseca.
O instituto também destaca o agravamento da situação no sul do Amazonas, onde o desmatamento da floresta tem crescido paralelamente ao de áreas protegidas, unidades de conservação e terras indígenas. No Estado, os municípios de Lábrea, Apuí, Boca do Acre e Novo Aripuanã são responsáveis por 143 quilômetros quadrados do total destruído em junho.
Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre o aumento do desmatamento na Amazônia.
Multas ambientais nos Estados da Amazônia despencam 93%
Conforme o Estadão mostrou nesta segunda-feira, 19, os entraves à fiscalização ambiental da Amazônia na gestão Bolsonaro alcançam não só quem monitora infrações no campo, como aqueles que estão nos gabinetes de órgãos federais, julgando esses processos. Em 2019 e 2020, a média de processos com multas pagas por crimes que envolvem a vegetação nos Estados da Amazônia Legal despencou 93% na comparação com a média dos quatro anos anteriores. A centralização de decisões e a burocratização de processos ajudam a explicar o mau desempenho.
O dado faz parte de levantamento do Centro de Sensoriamento Remoto e do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da Universidade Federal de Minas (UFMG). Segundo o estudo, a média anual era de 688 processos com multas pagas entre 2014 e 2018 no Ibama, autarquia ligada ao ministério. Em 2019 e 2020, sob o comando do ex-ministro Ricardo Salles, os balanços foram 74 e 13 multas pagas (média de 44).
Igreja Universal orientou pastores a pedirem auxílio emergencial, dizem religiosos
20 de julho de 2021, 08:48

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Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus são alvos de uma investigação interna na instituição por terem recebido o auxílio emergencial do governo de forma supostamente irregular. A reportagem do portal UOL teve acesso aos nomes de pelo menos 69 religiosos que tiveram acesso ao benefício.
Religiosos dizem ter sido orientados pela direção da igreja a pedir o benefício e comunicar à instituição para que o valor fosse descontado em seus salários. Os pastores da Universal – como em muitas outras denominações religiosas – não são registrados em carteira e não têm contrato de trabalho.
Se não declararem renda, o governo não tem como saber de seus vencimentos. Fornecer informações falsas para receber o auxílio configura a prática de crimes de falsidade ideológica e estelionato.
Um áudio que circula nas redes sociais, atribuído ao bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo (é casado com a filha do líder da igreja, Cristiane) e hoje o segundo nome na hierarquia da instituição, aponta que a cúpula igreja sabia das ações irregulares.
“Mais cinco pessoas saíram da obra…(…) Pessoas vão sair, distorcendo tudo, ao contrário do que ouviram. Pessoas como essas, graças a Deus, a igreja está limpando. A igreja está tomando as providências necessárias judiciais, inclusive em casos em que há indícios de crime contra a igreja, contra o povo da igreja. Estaremos denunciando, fazendo a denúncia-crime”, anunciou Cardoso, na gravação atribuída a ele.
A reportagem também teve acesso a uma lista de pastores de Brasília “aptos” – segundo os líderes da igreja – a receberem o auxílio, pois se enquadrariam nos requisitos exigidos pelo governo.
Num grupo de WhatsApp, coordenadores de regiões informavam os nomes de pastores que já haviam sido aprovados para receber o benefício.
Bahia: Ações de preservação do bioma Caatinga recebem investimentos de mais de R$ 2 milhões do Governo do Estado
19 de julho de 2021, 17:25

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A preservação do bioma Caatinga é uma das prioridades do Governo do Estado. Por meio do projeto Pró-Semiárido, estão sendo investidos mais de R$2 milhões em ações junto a comunidades tradicionais de fundo de pasto de 13 municípios do semiárido baiano. A ideia é implementar atividades e tecnologias que assegurem o uso racional da água, da biomassa e da energia gerada a partir da lenha de mata nativa e, com isso, além de preservar a Caatinga, assegurar que as famílias agricultoras acessem renda sem prejudicar o meio ambiente.
“Estamos introduzindo ações para que as famílias possam gerar renda além da pecuária, utilizando a Caatinga em pé como é o caso da apicultura e da meliponicultora. Então, este trabalho de recaatingamento é muito interessante e nos remete à preservação e recuperação de um bioma muito importante e de uma riqueza muito grande”, explica o subcoordenador do Capital Produtivo e de Mercados do Pró-Semiárido, Carlos Henrique Ramos.
Além das atividades de formação dos agricultores sobre o uso da Caatinga, estão sendo separadas e cercadas 20 áreas de 50 hectares cada, para recuperação da mata nativa e introdução de mudas de espécies em extinção. Outra ação importante está relacionada ao conjunto de tecnologias que estão sendo implantadas nas comunidades rurais. A ação é executada em parceria com o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa).
Carlos Henrique ressalta que o Pró-Semiárido tem o compromisso de atuar nas mudanças climáticas, tornar mais resilientes os agroecossistemas com o trabalho do recaatingamento, no sentido de incorporar tecnologias que possam ajudar na energia, por exemplo, como biodigestores, fogões ecológicos, placas de energia solar. Ele destaca também a atuação com a gestão da água, a exemplo do sistema de reuso de água cinza e de resíduos totais. “Além disso, nós temos também a introdução de viveiros para que possamos reproduzir mudas para enriquecimento das propriedades e agroecossitemas com plantas nativas, no sentido também da geração de renda futura”, afirma.
Dentro do recaatingamento, está prevista a construção de, pelo menos, 270 fogões ecológicos. Destes, seis já foram instalados no município de Remanso e estão fazendo a diferença na vida das famílias, como salienta a agricultora Finelina Sousa Pereira, moradora da comunidade Lagoa do Garrote: “a minha vida mudou muito, está ótimo. Com a construção do fogão não tem fumaça e diminuí a quantidade de lenha”.
O técnico do Irpaa, Alan Duque, que faz o acompanhamento das famílias, com a construção do fogão, destaca a importância da iniciativa: “A construção desta tecnologia, tão importante, possibilita a melhoria na qualidade de vida das famílias do território, além de ser uma ação de preservação do meio ambiente.
O fogão vem como uma tecnologia para melhorar a qualidade de vida, principalmente das mulheres que estão lidando com o fogão no dia a dia. Além disso, há o relato das próprias famílias sobre o uso de pouca lenha. Então, há um impacto na Caatinga, não só pela diminuição da retirada de lenha, mas também da emissão de gases”, explica o técnico em desenvolvimento produtivo e mercados do Pró-Semiárido, Emanoel Amarante.
Uma outra tecnologia que já está implantada em algumas comunidades e tem assegurado que as famílias tenham condição de manter seus quintais e fazer a melhor gestão da água é a bioágua – um sistema de reúso de águas cinzas (águas utilizadas nas pias da cozinha e banheiro e do chuveiro). A agricultora Soliane Missarele Castro Silva, da comunidade Deodato, município de Casa Nova, conta como a tecnologia mudou a vida da sua família. “O bioágua foi muito importante, pois aqui não tem muita água e eu estou tendo um grande reaproveitamento. Com o bioágua eu irrigo as minhas fruteiras, mandioca e as palmas. E o que mudou com isso é porque a gente não está mais comprando as frutas cheias de agrotóxico e eu retiro diretamente da minha horta tudo diretamente pra casa por isso eu estou tendo um grande reaproveito”.
Ascom SDR/CAR
Igrejas silenciam vítimas de violência doméstica, dizem evangélicas
18 de julho de 2021, 17:06

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“Ei, mulher! O que está acontecendo?? Esse tempo de dor vai passar… Você não está sozinha. A violência e a opressão não vão te paralisar. Deus está cuidando de você!”
Assim que disparou a mensagem em suas redes sociais, a cantora gospel Quesia Freitas, 36, começou a colher histórias de evangélicas que, como ela, foram alvo de violência doméstica, crime que afeta mulheres de todas as idades, religiões e classes.
Há, contudo, particularidades na experiência cristã que, muitas vezes, viram fonte de silenciamento.
Primeiro, há machismo embutido no discurso de alguns pastores que pregam a submissão feminina, baseados em versículos bíblicos como este do Novo Testamento: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher”
.
Mulheres de fé também relatam mais dificuldade de quebrar o ciclo de agressões por aprenderem em suas igrejas que uma oração bem feita é melhor do que um boletim de ocorrência registrado.
O caso de Quesia extrapolou as paredes do templo quando, em novembro de 2020, viralizaram imagens do então marido a arrastando num shopping carioca. Reincidente, ele tinha por hábito dar tapas nela, puxar seu cabelo e até ameaçá-la de morte, segundo a cantora.
A brutalidade pública começou num dia de folga para os dois, ela conta à Folha. “Fomos tomar café da tarde e não tinha o achocolatado que ele queria. Ali ele já se estressou bastante. Depois fomos ao cinema, e ele continuava alterado. Meio irritado. Aí, comprei os ingressos para surpreendê-lo, e ele se irritou mais.”
Quesia diz que lhe perguntou o que estava acontecendo. “Do nada ele gritou: ‘Vamos embora agora!'”, reproduz sobre o homem com quem casara um ano antes. “Foi como um amor à primeira vista, mas ele já demonstrava ser uma pessoa estressada. Implicou com meu trabalho, minha família, meus amigos.”
Até na Agape Church, sua igreja, o marido a proibiu de ir sozinha, afirma. “Pra ele, todo mundo estava dando em cima de mim.”
O que Quesia passou só veio à tona porque seu irmão, o também cantor gospel Juninho Black, denunciou o cunhado na internet. “Resolvi trazer a publico o caso agora depois de perdoar varias vezes. […] Familia, nao quero que minha irma caia nas estatisticas de feminicidio.”
Haveria uma complacência maior em ambientes cristãos com episódios como o de Quesia? Dois lançamentos literários sustentam que sim e veem a mesma Bíblia que prega o amor ser usada por pastores para abafar a violência contra as irmãs de fé.
Dados com esse foco são escassos. A pesquisadora Valéria Vilhena, para sua tese de mestrado, levantou que quase 40% das atendidas na Casa Sofia, projeto social da Igreja Católica que acolhe vítimas de violência doméstica, se declaravam evangélicas.
“Os discursos teológicos predominantes reforçam a necessidade de a mulher se submeter ao marido, uma submissão que implica, em geral, certa subalternidade”, diz Marília de Camargo César, autora de “O Grito de Eva – A Violência Doméstica em Lares Cristãos” (Thomas Nelson).
Segundo César, o capítulo 5 da carta de Paulo aos Efésios -na qual ele ensina que, como cristãos, devemos nos submeter uns aos outros- é deturpado para justificar a frouxidão de líderes religiosos no tema. “Todo cristão deve ter uma atitude de disposição para servir o outro. É um chamado para todos, homens, mulheres, filhos, pais, servos, patrões. Todos. Só que as igrejas pregam Efésios 5 apenas na parte que fala ‘mulheres, sejam submissas a seus maridos’. O resto fica de fora.”
Seu livro traz relatos como o da professora Regina, 45: “Durante 30 anos eu aprendi isso. Está no livro de Efésios -eles nunca ensinavam o texto inteiro, só esta parte [da subjugação feminina]. É a frase mais cruel da Bíblia”.
Regina tinha 16 anos e nenhum namoro prévio quando conheceu o homem que viraria um marido que “queria ser o senhor da casa, controlar tudo, mandar na minha roupa, nos meus horários, saber com quem estava falando, onde eu tinha ido”. Uma história similar à de Quesia e à de tantas outras mulheres.
“Uma vez chegou do trabalho e colocou a mão em cima da TV para ver se estava quente. ‘Ficou na televisão o dia todo?’ Chamava-me de burra, de idiota”, ela contou à autora. Piorava na cama. “Fica sem falar comigo o dia inteiro, mas à noite chega com aquela mão pesada. E vai fazendo o que quer, como quer. Sem carinho, sem abraço. E me invade rispidamente, dolorosamente. Você quer gritar, mas não grita.”
Um clipe de Cassiane, cantora de alto quilate no segmento, virou amostra da evangélica que, nas palavras de César, “têm somente em Deus a esperança de escape de uma realidade de agressões físicas e psicológicas”.
Em “A Voz”, uma mulher ora de joelhos pelo marido alcoólatra, que bate nela e furta seu dinheiro para gastar na jogatina. Embalada pela letra sobre um Deus que “faz demônios saírem”, a sofredora sai de casa sem deixar de pedir a Deus pela conversão do marido, que por fim vem.
O vídeo repercutiu mal, e Cassiane acabou produzindo nova versão em que a protagonista liga para o 180 (número para denunciar violência contra a mulher).
A tradutora Silvia, 67, já viu esse filme antes. Casou em 1978 com outro evangélico. “Eu não percebia, ou não queria perceber, o quão machista ele era. Coisas do tipo: batom vermelho é muito chamativo, jeans de cintura baixa… Nada disso ‘ficava bem’ para uma moça crente”, diz à reportagem.
Ele passou a ser agressivo também com os dois filhos que tiveram. “Quando eu interferia para que não batesse nas crianças, ele me batia”, conta Silvia (seu nome foi trocado a pedido dela).
Mesmo cientes dos abusos, o pastor e os outros membros da igreja silenciaram. “Para o pessoal da igreja isso era normal. Acontecia com muitas jovens. E não havia lugar para este tipo de reclamações, que pareciam irrelevantes.”
A escalada de violência culminou no dia em que “ele chegou transtornado em casa, me bateu e começou a dizer que ia me matar, como que drogado”. Silvia pegou os filhos e foi embora de vez.
Ouviu recriminações do entorno religioso. “Se seu marido a trata mal é porque ela está errando em alguns coisa e não estava sendo uma esposa cristã”, escutou. “Mais de uma ‘irmã’ da igreja chegou a me perguntar o que de tão sério eu havia feito para ele tentar me matar.”
Para a tradutora, quando a cultura religiosa (que ela prefere nem classificar como cristã) “se omite em relação à opressão do patriarcado, ela favorece, sim, a violência doméstica”.
Em “A Bastarda de Deus” (Editora Noir), Júlio Chiavenato afirma que estão na Bíblia todos os preconceitos contemporâneos contra a mulher, a começar por Adão e Eva. Em Gênesis, após o casal comer o fruto proibido, Deus castiga a mulher para a eternidade: “Com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”.
O autor reproduz passagens bíblicas para recompor uma visão tirânica sobre as mulheres. “A ideia de que a ‘filha mulher’ é para casar é tão antiga quantos as velhas escrituras hebraicas”, diz. Vide este trecho de Eclesiástico: “Casa a tua filha e terás concluído uma grande tarefa”.
O desprezo pela figura feminina era tamanho que personagens bíblicos ofereciam filhas virgens para salvar homens, aponta Chiavenato.
É o que Ló faz quando uma turba bate à sua porta pedindo que entregue dois anjos que vieram lhe pedir abrigo: “Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”. Ao que um dos protagonistas do Antigo Testamento propõe: “Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem”.
Quesia, a cantora agredida no shopping, escolhe o Deus do amor para guiar sua vida. Com o irmão, idealizou o projeto Superei, “da qual sou apenas porta-voz de mulheres que trazem suas histórias”.
A artista diz que ajuda a conectar essas mulheres com quem pode ajudá-las, como empresários que dão oportunidades para elas terem autonomia financeira. Ela mesma, especialista em megahair, já deu cursos de graça para outras aprenderem o ofício.
Folhapress
Com avanço da vacinação, turismo inicia retomada no Nordeste
18 de julho de 2021, 16:57

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A chuva fina que persistiu por toda a semana enfim cessou na tarde de quinta-feira (15). Mas o frio de 25ºC –glacial para padrões baianos– se une ao vento que vem do mar, gerando a sensação de uma temperatura mais baixa.
Ainda assim, a praia do Porto da Barra, a mais cobiçada da costa de Salvador, está apinhada de gente na areia. No calçadão, mãe e filha caminhavam com braços pintados com símbolos da banda Timbalada.
Dois irmãos de Juiz de Fora (MG) contavam, em frente ao Farol da Barra, os dias para o fim de semana, quando esticariam a viagem para a praia de Boipeba. A poucos metros, um casal de Brasília se espremia em frente à tela do celular para tirar uma foto no pôr do sol.
Depois de um ano perdido em 2020, o turismo nos estados da região Nordeste começa a respirar e dar os primeiros sinais de retomada em meio ao avanço da vacinação contra a Covid-19 e a consequente diminuição do número de casos e óbitos em decorrência da doença.
Dados da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) apontam para um incremento na ocupação de leitos nos últimos meses. Em junho, a média foi de 43% em Fortaleza, 42% no Recife, 41% em Natal e 36% em Salvador.
Os números ainda são tímidos, mas estão sendo vistos pelo setor como um alento diante do cenário do mesmo período do ano passado, quando a maioria dos hotéis da região estava de portas fechadas.
A expectativa é de um cenário um pouco melhor em julho, mês marcado pelas férias escolares. A projeção da Abih para este mês é uma ocupação de 51% em Natal e de até 55% em Fortaleza.
“Com o andamento da vacinação, a gente entra novamente em um caminho de crescimento”, afirma o presidente da associação no Ceará, Regis Medeiros.
Ele ressalta a recuperação lenta, mas consistente. “É mês a mês. Já temos sinais de um julho com ocupação bem melhor do que julho do ano passado. Teremos um agosto parecido com julho e um setembro com números crescentes.”
A retomada não é restrita ao Nordeste: de acordo com o IBGE, o índice de volume de atividades turísticas no Brasil apresentou expansão de 102% em maio, comparado ao mesmo mês em 2020.
Houve crescimento nas 12 unidades da Federação onde a pesquisa é realizada, com destaque para Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
O avanço gradual é impulsionado pelo turismo de lazer, conforme explica Luciano Lopes, da Abih na Bahia. Não à toa destinos como Porto Seguro e Praia do Forte estão entre os mais procurados no estado.
“Uma das primeiras demandas após o isolamento é o lazer. Por isso, há uma procura maior por resorts e os destinos de praia, principalmente entre as pessoas que já foram vacinadas”, afirma Lopes.
Foi o caso da professora Bruna Silva, 27, e do enfermeiro Diangeles Chagas, 33, que vieram de Brasília para passar cinco dias entre Salvador e Praia do Forte.
Ele já havia tomado as duas doses da vacina contra Covid, ela tomou a primeira. Por isso, dizem ter se sentido seguros para fazer uma viagem a lazer nas férias depois de um longo período de isolamento.
“Finalmente nos sentimos seguros para viajar e está sendo tranquilo. Seguimos tomando os cuidados necessários”, afirma Chagas.
O movimento de turistas também cresceu em Pernambuco, onde os hotéis das praias de Porto de Galinhas e dos Carneiros já vislumbram os 70% de ocupação.
“Estamos com taxa de ocupação acima de 70% em julho e ainda não estamos nem na metade do mês”, afirma Danilo Oliveira Lima, vice-presidente da Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Praia dos Carneiros.
Ele destaca que os finais de semana estão lotados até dezembro, considerando o período de sexta a domingo. O desafio é vender diárias para os dias de semana.
Em Pipa, principal destino turístico do Rio Grande do Norte, a divulgação de festas privadas de fim de ano já foi iniciada. Por lá, as atividades turísticas também estão voltando aos poucos.
A empresária Ludmila Abreu, dona de um dos maiores receptivos de passeios turísticos de Pipa, precisou demitir metade dos funcionários no ano passado. Agora, voltou a contratar: “O volume vem surpreendendo”, avalia.
Ela ainda não recuperou o que perdeu no período sem atividades, mas aproveitou o tempo para rever processos, fechar contratos terceirizados e avaliar quais serviços valia a pena manter.
Em Maragogi, um dos locais mais procurados do litoral nordestino, em Alagoas, as piscinas naturais costumam ser um bom termômetro para medir a intensidade da atividade turística no local.
Aos poucos, mesmo com o período chuvoso, o movimento dos catamarãs, que levam turistas para paisagens paradisíacas no meio do mar, tem aumentado. Assim como nos hotéis da região, as tarifas ainda são mais baixas do que os valores normais.
Leonardo Silva, que ganha a vida levando de buggy turistas para conhecer as paisagens mais bonitas das praias alagoa- nas, diz que precisou trabalhar com vendas de roupas em 2020. “Agora, voltei. Ainda não é como gostaríamos, mas, se a vacina funcionar mesmo, vou ter que colocar mais gente para trabalhar para mim”, brinca.
Luciano Lopes, da Abih-BA, é cauteloso sobre a velocidade da retomada. Em sua avaliação, o setor de turismo só atingirá os índices de antes da pandemia no segundo semestre de 2022. E destaca que apenas o avanço da vacinação irá impulsionar o fluxo de turistas.
O retorno a um patamar pré-pandemia dependerá também da retomada do turismo de negócios e dos grandes eventos festivos.
O turismo de negócios, que costuma ser um alento para hotéis nos meses de baixa estação, ainda está praticamente parado: convenções e seminários presenciais estão suspensos, e parte das empresas ainda está em home office.
No entanto, algumas capitais, como Recife e Fortaleza, já se preparam para receber as chamadas feiras de negócios. De 20 a 31 de julho, a capital pernambucana vai sediar uma feira de franquias com público reduzido.
“O momento é muito desafiador. A gente organizou uma campanha para veicular no segundo semestre destacando a questão do turismo seguro”, diz a secretária de Turismo do Recife, Cacau de Paula.
Os eventos festivos, contudo, ainda estão suspensos em várias capitais. Mas prefeituras e governos estaduais já começam a se preparar para uma retomada gradual nos próximos meses.
Em Salvador, a prefeitura prevê a retomada de evento festivos com público reduzido a partir de agosto. Um primeiro evento-teste foi marcado para 29 de julho, com público de 500 pessoas.
A realização de Réveillon e o Carnaval, entretanto, ainda é uma incógnita. “Países que tinham declarado a extinção da máscara precisaram voltar atrás. Então, prefiro aguardar para anunciar uma posição mais segura. É cedo para falar de Carnaval e de Réveillon”, disse o governador da Bahia, Rui Costa (PT).
Bahia: SEC reúne gestores dos NTE e aborda protocolos para o ensino híbrido na rede estadual
17 de julho de 2021, 13:45

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A Secretaria da Educação do Estado (SEC) promoveu, neste sabado (17), um encontro com gestores dos 27 Núcleos Territóriais de Educação (NTE), no auditório do Instituto Anísio Teixeira (IAT). O objetivo foi discutir a segunda fase do ano letivo continuum 2020/21 na rede estadual de ensino, que será iniciada no próximo dia 26 de julho. A atividade envolveu uma ampla pauta, a exemplo do pedagógico e a observância e cumprimento dos protocolos de segurança.
O secretário da Educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, falou sobre as expectativas. “Esta agenda nossa é para alinharmos as diretrizes desta nova fase do ano letivo continuum. Está chegando a hora de nos encontrarmos na escola, oferecendo todas as condições para que tudo ocorra com segurança e em um ambiente de acolhimento e zelo com toda a nossa comunidade escolar. E quando falamos deste momento, o nosso olhar também é para todas as redes de Educação e para fortalecer ainda mais o regime de colaboração com os municípios nesta missão grandiosa”, afirmou.
A subsecretária da Saúde do Estado, Tereza Paim, fez uma apresentação sobre a situação epidemiológica da Covid-19 na Bahia. Ela apresentou indicadores, como os números de óbitos, de ocupação de UTI, de casos ativos e da vacinação, que são rigorosamente analisados para respaldar a tomada de decisão, como o das aulas semipresenciais. “Para além da vacina, observamos que temos novos casos, mas não temos o aumento da mortalidade. A gente está em uma onda de decréscimo de pessoas testadas positivo para a Covid-19 e o número de taxa de ocupação de leitos, que chegou a mais de 90.
Tereza Paim também falou sobre o trabalho desenvolvido na Atenção Básica de Saúde, em parceria com as prefeituras e as secretarias municipais de Saúde. Ela também destacou o papel da escola e reiterou sobre os cuidados protocololares estabelecidos para o ensino semipresencial. “Eu não conheço ninguém que diga que a escola não fez falta para a família. Todos nós tivemos efeitos com esta pandemia e vocês têm um manual bem elaborado, em parceria com a SESAB e SEC, que deve ser observado e seguido. O mais importante é o uso da máscara, distanciamento e uso de álcool em gel. E a Saúde e a Educação estão juntos neste trabalho”.
O diretor do NTE de Vitória da Conquista, Ricardo Costa, falou sobre a importância deste encontro. “Esta atividade nos possibilita ter ações mais alinhadas, unir forças e esclarecer dúvidas que possam existir nas nossas escolas. Ao retornar aos Núcleos, continuaremos nosso plantão permanente com as escolas e a agenda de organização para que tudo ocorra bem nesta nossa fase de aulas semipresenciais”, afirmou.
Sobre o ensino híbrido – Com o ensino híbrido, as turmas conciliarão os chamados Tempo Escola e Tempo Casa (continuando com as Atividades Curriculares Complementares). As turmas deverão ser divididas em duas. Desta forma, a cada dia, apenas metade das turmas comparecerá à escola, considerando que a semana letiva passa a ter seis dias, incluindo os sábados, alternando-se a sequência semanalmente.
Caém: Prefeito Arnaldinho discute elaboração do PPA com secretários e equipe técnica
17 de julho de 2021, 11:21

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Secretários, controladoria interna e equipe contábil de Caém se reuniram com o prefeito Arnaldo Oliveira (Arnaldinho) para discutir a elaboração do Plano Plurianual (PPA) para o quadriênio 2022/2026.
Durante o encontro que aconteceu na manhã desta sexta-feira (16), na Escolas Reunidas Otávio Mangabeira, foram externadas, além das ações que irão compor o planejamento para os próximos quatro anos, a definição do cronograma de trabalho para a confecção do documento que deverá está pronto no dia 30 de agosto deste ano.
O prefeito Arnaldinho ressaltou a importância do debate, segundo ele, o PPA é um dos principais momentos de uma administração pública. “Precisamos discutir com muita inteligência, ouvir nossa equipe e a população para que possamos criar um planejamento estratégico que venha atender as necessidades de todos os moradores”, afirmou.
PPA – O PPA é um plano de médio prazo e uma ferramenta de planejamento que estabelece diretrizes, objetivos e metas a serem seguidas pelo Governo para o período de quatro anos. A Prefeitura elabora o PPA junto com a comunidade para atender da melhor forma possível as necessidades da população. Além de declarar as escolhas do governo e da sociedade, o PPA deve indicar como serão executadas essas políticas públicas e os objetivos de cada ação, visando desenvolver melhorias em todas as áreas de atuação da Prefeitura, como educação, saúde, turismo, cultura, infraestrutura, meio ambiente, assistência social, entre outras.
Ex-doméstica escravizada por 38 anos ganha apartamento de patrão como indenização
16 de julho de 2021, 21:16

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A doméstica Madalena Gordiano diz que nunca esteve tão feliz. Ela, que se tornou símbolo da luta contra o trabalho escravo no Brasil, fechou há três dias um acordo com a família que a manteve por 38 anos em condições análogas à escravidão em sua residência, em Patos de Minas, região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais.
Pelo acerto, Madalena já recebeu um apartamento, avaliado entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, e um carro, no valor de R$ 70 mil, bens que pertenciam à família que é ré num processo aberto pelo Ministério Público do Trabalho no ano passado. O acordo prevê mais R$ 20 mil para pagamento de impostos dos bens em questão.
Assim como Madalena, seus advogados, voluntários da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), consideraram o acordo satisfatório – apesar de terem reivindicado R$ 2,2 milhões.
Madalena, no entanto, disse ao Estadão que não vai ficar com os bens. Ela pretende vendê-los para construir ou comprar uma casa, ainda não sabe bem. A vítima pretende seguir morando em Uberaba, onde atualmente mora com uma assistente social. “Vou vender o apartamento. Não vou morar lá não, porque tenho muita recordação ruim. Mas vou ter de entrar, olhar. Agora é meu, né?
As lembranças ela ainda não consegue apagar. “Eles me maltratavam muito, não me deixavam fazer nada. Eu queria ir na missa e não podia, ou tinha de voltar depressa. Me davam muita bronca”, lembra.
Esse sofrimento, porém, ficou para trás. Quando atendeu ao telefonema da reportagem, primeiro disse que não poderia falar porque estava indo para a academia. Mas logo começou a contar como tem sido a nova vida e a relação ainda recente com a liberdade. “Fui para a praia, entrei no mar, fizeram uma festinha de aniversário para mim, pequena, por causa da pandemia. Estou de cabelo novo”, contou ela, rindo. “Estou feliz demais”.
Também está muito contente por ter voltado a estudar, está aprendendo Português e Matemática, e falou sobre o futuro. Trabalhar de doméstica, nunca mais. “Eu quero é estudar, virar enfermeira, ajudar a atender as pessoas”, sonha. E passear. Depois de conhecer o mar de Paraty, o próximo destino será a cidade maravilhosa. “O Rio é muito lindo, quero ir lá.”
Sobre a família que a mantinha como escrava, ela diz que nunca mais se encontrou com eles. “Nem quero. De vez em quando eles aparecem em audiência, custaram a fazer o acordo, o advogado deles não aceitava nada. Ele também não”, disse, referindo-se ao professor Dalton Cesar Milagres Rigueira, que está sendo processado junto com a mulher, Valdirene Rigueira. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Rigueira.
Madalena Gordiano foi resgatada pelo MPT e Polícia Federal em Patos de Minas em 27 de novembro de 2020. A doméstica morava na casa dos patrões, não tinha registro em carteira, nem salário mínimo garantido ou descanso semanal remunerado.
“Não foi um acordo fácil. As audiências foram muito longas. Reivindicamos tudo o que ela tinha direito, que somava esses R$ 2 milhões, mas o acordo foi muito bem-vindo, ela queria resolver isso”, conta a advogada Márcia Leonora Santos Régis Orlandini, professora de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da UFU e coordenadora da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da universidade.
“Todos os advogados que atuaram no caso são voluntários. Foi um esforço muito grande. Por mais que se tenha indignação, foi muito rápido o acordo, foram sete meses”, afirma Márcia Orlandini. Segundo ela, o MPT fez uma devassa no patrimônio da família e não foram encontrados outros bens além dos citados no acordo.
A advogada também disse que um acordo foi fechado com cinco bancos onde os acusados fizeram empréstimos consignados em nome de Madalena, no valor estimado de R$ 50 mil. Todos os empréstimos serão cancelados.
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