Entre março de 2017 e janeiro de 2018, uma fêmea de onça-parda (Puma concolor) teve seu deslocamento monitorado no norte da Bahia, na região da Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça, que junto ao parque nacional de mesmo nome forma o maior contínuo preservado da Caatinga.
Batizada de Vitória, ela foi o primeiro indivíduo da espécie na região a ser capturado, receber um rádio-colar e ter sua movimentação estudada pelas pesquisadoras do Programa Amigos da Onça, projeto de conservação de felinos no bioma, filiado ao Instituto Pró-Carnívoros.
Todavia, nesse mesmo período, notou-se uma mudança em seu padrão de deslocamento.
Na mesma área onde Vitória costumava viver, dava-se início à construção de um complexo eólico. Fase de muitos ruídos, abertura de estradas, presença humana constante e vai-e-vem de veículos.
Rapidamente, a onça começou a evitar a obra e seu entorno.
“Nesses dez meses ela não cruzou a área dos aerogeradores”, conta Carolina Esteves, pesquisadora do Pró-carnívoros e cofundadora do Amigos da Onça. “E essa maior movimentação da onça, circundando todo o complexo para chegar até um ponto de água, traz um gasto energético muito maior para ela.”
A mesma mudança de comportamento, de manter a distância do empreendimento, foi observada também com onças-pintadas (Panthera onca).
A bióloga explica que, dependendo do bioma onde as onças habitam, suas características físicas são diferentes, tanto as pardas quanto as pintadas.
As da Caatinga possuem um porte menor, bigodes mais duros e pelos das patas mais espessos para pisar no chão quente. E, para sobreviver nesse bioma, o conhecimento sobre onde encontrar água é fundamental.
“Costumamos falar que, se pegarmos uma onça adulta de qualquer outro bioma e soltarmos na Caatinga, provavelmente ela não sobreviverá, ainda mais na época da seca”, diz Carolina.
Quando um filhote de onça nasce, durante um ano e meio a dois anos, a mãe irá ensinar tudo o que ele precisa saber para sobreviver. Na Caatinga, além de como caçar e se proteger, ela também mostrará onde estão os principais pontos de água.
Carolina Esteves, pesquisadora do Pró-carnívoros e cofundadora do Amigos da Onça
O grande problema desse impacto, que parece pouco diante do enorme apelo que as energias renováveis têm, e geralmente só parece recair sobre as aves, é que as onças da Caatinga estão à beira da extinção e elas dependem das matas nativas para sobreviver.
Estima-se que vivam apenas 250 onças-pintadas e 2.500 onças-pardas em todo o bioma, o que inclui o trecho do norte baiano e o sul do Piauí, na região da Serra da Capivara. Desse total, 30 pintadas estão justamente no Boqueirão da Onça.
Onça-pintada monitorada por rádio-colar na região do Boqueirão da Onça. Imagem: Programa Amigos da Onça
A onça-pintada está na lista das espécies “criticamente ameaçadas de extinção” na Caatinga, ou seja, um estágio antes do completo desaparecimento na vida livre.
Já a parda é classificada como “em perigo de extinção” nesse bioma, diferentemente de todos os demais do país, onde sua categoria é “vulnerável”.
Infelizmente, esses números podem ser menores, pois são de um levantamento de 2013. “Pelos relatos que temos de caça, de retirada comprovada de indivíduos, as estimativas atuais não são boas”, diz Carolina.
Avanço das eólicas na Caatinga
Se Vitória já demonstrou alteração em seu deslocamento há seis anos, dá pra imaginar que hoje em dia as onças da mesma região enfrentam uma realidade bem mais difícil.
Atualmente há quatro complexos eólicos em funcionamento na Área de Proteção Ambiental (APA) do Boqueirão da Onça. Um deles com 500 torres. Outros dois estão em expansão.
“E há mais seis empreendimentos eólicos a serem instalados”, afirma Cláudia Bueno de Campos, bióloga especialista na conservação de mamíferos carnívoros silvestres, servidora do ICMBio e cofundadora do Amigos da Onça.
Complexo eólico na Caatinga.Imagem: Ismael A. Silva
Se não bastassem essas plantas de geração eólica, a região também se tornou atrativa para a geração de energia solar. Em 2021, foi erguida a primeira usina sobre uma área de 3 mil hectares de vegetação nativa da Caatinga, que acabou totalmente suprimida.
“A abertura da vegetação ou sua remoção em topos de serra altera o escoamento natural da água da chuva, que alimenta todo o entorno, como nos boqueirões, e ainda afeta nascentes próximas, que podem secar”, revela Cláudia.
Essas nascentes são extremamente importantes para as onças, porque durante as secas se tornam os únicos pontos de água para elas beberem, isto sem falar de sua importância para os moradores locais.
Cláudia Bueno de Campos, bióloga e cofundadora do Amigos da Onça
Conflitos com produtores rurais
Durante décadas houve muita expectativa por especialistas da conservação sobre a criação de uma grande Unidade de Conservação no Boqueirão da Onça. Seria uma maneira de garantir a proteção da fauna nessa região ainda bem preservada da Caatinga.
Depois de anos e idas e vindas, finalmente em 2018 um decreto foi assinado durante o governo do então presidente Michel Temer.
Uma área de 347 mil hectares foi transformada em Parque Nacional, com proteção integral, e, vizinho a ele, outros 505 mil hectares viraram a Área de Proteção Ambiental (APA) do Boqueirão, onde a exploração “sustentável” é permitida por lei.
Enquanto a decisão frustrou ambientalistas, empresas do setor energético comemoraram. A região demonstrava um enorme potencial para seus negócios.
Mapa da área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça (em verde) e do Parque Nacional homônimo (em amarelo). Imagem: Programa Amigos da Onça
A região Nordeste concentra 90% dos empreendimentos eólicos no Brasil e 85% deles estão na Caatinga, a maior parte nos estados do Rio Grande do Norte e na Bahia.
A chegada desses investimentos é vista com ótimos olhos por governos estaduais e municipais, mas localmente exacerba ainda mais um problema antigo: o abate intencional das onças.
“Ao se deparar com os complexos e se locomover muito mais para encontrar recursos como água e alimentos, muitas vezes as onças acabam se aproximando mais de propriedades rurais onde há animais domésticos ou criação de bodes e cabras, comum nessas regiões. Assim, acirram-se os conflitos entre produtores e esses felinos, resultando em mortes”. Paulo Marinho, biólogo doutor em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e especialista na conservação de mamíferos na Caatinga
Para evitar prejuízos com a perda do rebanho, produtores colocam armadilhas para matar os predadores, e tanto as onças-pardas quanto as pintadas, já raríssimas no bioma, perdem a vida.
Além do estudo e monitoramento da população de felinos, o Amigos da Onça tem um programa de “educação para a conservação” com criadores para conscientizá-los sobre a convivência mais harmônica com esses animais e ainda um projeto específico para tentar evitar a retaliação a elas.
Contudo, antes disso, o objetivo é que elas nem consigam atacar os rebanhos. Foram desenvolvidos chiqueiros protegidos, ambientes em que as onças não conseguem entrar, diferentes dos currais tradicionais, totalmente abertos.
A ideia é que, durante o período da noite, caprinos e ovinos sejam recolhidos para esses espaços bem ventilados, o que garante ainda o conforto térmico, resultando numa melhor saúde e qualidade da carne para a futura venda.
O patinho feio dos biomas brasileiros
Até o início deste século, nada se sabia sobre os grandes felinos da Caatinga, embora não houvesse dúvida de que eles sempre existiram por ali – pinturas rupestres são prova de que as onças faziam parte da fauna daquela região.
Contudo, diante da exuberância da Mata Atlântica e da Amazônia, o bioma nordestino sempre foi pouquíssimo valorizado, e, como consequência, pouco estudado. Acreditava-se que a aridez de seu solo em muitas áreas era sinônimo de pouca diversidade de animais e plantas. Um engano enorme.
Foi após um levantamento feito entre 2006 e 2011 pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do ICMBio, que se teve um primeiro diagnóstico da preocupante situação das onças no bioma.
O foco principal era a pintada, mas percebeu-se que a parda também estava ameaçada, e, sem a proteção de uma, a outra não sobreviveria. “Foi possível ver a fragilidade das espécies”, relembra Cláudia.
Na época, ela participou do trabalho e, depois de terminado, viu a necessidade urgente em traçar ações para proteger os felinos. Foi então que nasceu o Amigos da Onça, em 2012.
Onça Vitória, uma das monitoradas na APA Boqueirão da Onça. Imagem: Programa Amigos da Onça
Apesar do esforço árduo das pesquisadoras e seus colaboradores em campo – todos trabalhando de forma voluntária pela conservação desses animais – ao longo da última década o que se viu foi uma perturbadora transformação naquele cenário.
“A abertura de estradas para esses complexos, por exemplo, facilita o acesso de caçadores. Muitos aerogeradores de testes são instalados sem a permissão prévia do órgão licenciador. Ali eles abrem estradas de acesso e colocam uma torre com aparelhos de medição durante um ano aproximadamente. Daí o estrago já foi feito”. Carolina Esteves, pesquisadora do Pró-carnívoros e cofundadora do Amigos da Onça
“Relatos de moradores são de chorar. A cada conversa, mais estradas abertas, a vegetação sendo removida”, diz Carolina, consternada. Para a pesquisadora, um dos agravantes dessa situação continua sendo esse olhar diferenciado para a Caatinga.
“O grande desafio é realmente trazer os olhares da população, das políticas públicas e da mídia para o bioma. Ele é visto como o patinho feio dos biomas. Isso reflete na falta de recursos destinados para a melhoria da convivência do sertanejo com o semiárido”, lamenta.
“Olha quanto tempo demoramos para entender o valor que o bioma tem. A Caatinga ainda não é considerada um patrimônio nacional pela Constituição. Essa percepção de terra rachada precisa mudar”. Carolina Esteves
Enquanto essa percepção permanece ainda no passado, o relógio do desenvolvimento energético anda a passos largos e não espera. E, a cada segundo, as poucas onças que ainda sobrevivem ali ficam mais ameaçadas.
“É importante deixar claro que a proposta da geração de energia é extremamente pertinente e importante, mas o que precisa avançar na mesma velocidade é o entendimento do impacto desses empreendimentos em regiões conservadas”, finaliza Cláudia.
(Por Suzana Camargo)
Notícias da Floresta é uma coluna que traz reportagens sobre sustentabilidade e meio ambiente produzidas pela agência de notícias Mongabay, publicadas semanalmente em Ecoa.
Esta reportagem foi originalmente publicada no site da Mongabay Brasil.
Um grupo armado realizou um ataque em um restaurante no centro de Feira de Santana, localizado a aproximadamente 100 quilômetros de Salvador, resultando na morte de quatro pessoas na tarde desta segunda-feira (14).
Três das vítimas perderam a vida no local, enquanto uma quarta pessoa foi atingida por um disparo na perna. Até o momento, não se sabe qual a razão para o ataque. Nenhuma prisão foi efetuada.
Com base em detalhes obtidos pela TV Subaé, uma filial da TV Bahia situada em Feira de Santana, foi constatado que as vítimas pertencem à comunidade cigana.
No local dos acontecimentos, as autoridades policiais divulgaram que quatro indivíduos usando capuzes e distintivos de polícia adentraram o restaurante e abriram fogo contra o grupo de ciganos, fugindo logo em seguida. Não há informações sobre quem seriam os integrados do grupo.
Seis veículos da Polícia Militar foram deslocados para o local, juntamente com equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A região foi isolada e permanece resguardada. Três corpos ainda se encontram no local da ocorrência, enquanto a quarta vítima fatal faleceu no Hospital Clériston Andrade, a mesma unidade de saúde para onde a mulher atingida na perna foi levada para receber socorro.
A investigação sobre o ataque que resultou nas quatro mortes será conduzida pela Delegacia de Homicídios (DHPP) de Feira de Santana, da Polícia Civil.
O cantor de brega funk Sergio Murilo Gonçalves Filho, conhecido como MC Serginho Porradão, e uma mulher morreram após serem baleados, no domingo (13), em Recife (PE). A informação foi confirmada ao UOL pela assessoria de imprensa da Polícia Civil.
O duplo homicídio foi registrado por meio da equipe de Força Tarefa de Homicídios da Capital, nesta segunda-feira (14).
“As vítimas, um homem de 29 anos e uma mulher, ainda não identificada, deram entrada em uma unidade hospitalar com perfurações de arma de fogo, porém não resistiram”, informou.
Os dois teriam sido encontrados próximo a praça Bola na Rede, no bairro de Guabiraba, de acordo com informações da Polícia Civil. “As investigações seguem até elucidação do crime”, completou.
Segundo o site Metrópoles, testemunhas informaram que o artista tentava separar uma confusão entre um homem e uma mulher, quando foi baleado. Ele estava em uma festa do Dia dos Pais.
A Prefeitura de Caém entregou na noite da última sexta-feira (11), a pavimentação em paralelepípedo da (Chico do Engenho) e de algumas de suas transversais.
O logradouro já batizado de Avenida Chico do Engenho, homenagem a um dos seus primeiros moradores, ganhou não apenas a pavimentação, mas passeios, drenagem e uma nova iluminação e LED, o que deixou o local mais agradável e com a sensação de segurança aumentada.
“Uma noite memorável para quem trafega diariamente por esse local. Para os moradores esta obra é um sonho realizado pois nunca se imaginava que fossemos receber uma obra tão imporante como esta. Ganhamos até passeio”, comemora um morador.
Para o prefeito de Caém, Arnaldo Oliveira (Arnaldinho), a pavimentação traz vários benefícios para a população, pois além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida, melhora também a mobilidade urbana. “A conclusão dessa obra era um sonho de todos os moradores de nossa cidade.
“Este calçamento é uma transformação. Além de deixar a rua mais bonita traz a comodidade de não ter mais lama e nem poeira. Ficamos felizes em cumprir mais um compromisso de nossa gestão. Continuaremos trabalhando para transformar para melhor a vida de nossa população”, disse o prefeito, anunciando que outras ruas serão beneficiadas com pavimentações.
Prestigiaram o ato inaugural, além do prefeito Arnaldinho, o vice-prefeito Silmar Matos, vereadores, secretários municipais, familiares do homenageado e a população em geral.
Agricultores e agricultoras familiares, produtores de morango, de Barra da Estiva e Ibicoara, na Chapada Diamantina, estão em contagem regressiva para a chegada da unidade de beneficiamento de morango, que vai atender produtores da Associação dos Produtores de Morango e Hortifrut da Chapada Diamantina (Aspromh) e mais de 100 famílias filiadas à Cooperativa de Produtores Rurais de Ibicoara e Chapada Diamantina (Coopric). Quando iniciar o funcionamento a agroindústria terá capacidade de armazenamento de 20 toneladas para o morango congelado e de 15 para o resfriado.
A parceria entre a Aspromh e a Coopric foi firmada nesta sexta-feira (11/08), durante visita técnica aos empreendimentos de Barra da Estiva e Ibicoara, de representantes da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvilvimento Rural (SDR), que destinou recursos da ordem de R$ 477.7 mil para a construção da unidade de beneficiamento.
O agricultor familiar e associado da Aspromh, Denevaldo Carvalho Luz, mais conhecido como Barão, ressaltou que esse empreendimento vai fazer a diferença na agregação de valor e comercialização da produção de morangos da região. Ele narrou ainda que o morango salvou a sua vida e a de muitos na região, possibilitando aos produtores sonhar. “A gente vai poder comercializar o morango congelado, pois temos câmera de resfriamento e de congelamento. Assim, a gente vai conseguir agregar valor e armazenar, para depois buscar um mercado que valorize mais”.
O diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, destacou que a experiência de Barão é um belo o exemplo de empreendedor rural. “Barão acreditou numa proposta que veio pra ele e construiu um ambiente muito favorável para que pudéssemos estar aqui hoje. O Estado enxergou essa potencialidade e, através da CAR, fez investimentos, que agora são realidade. A gente está vendo aqui um depoimento belíssimo do que é empreender no ambiente rural da nova agricultura familiar e vendo que daqui pra frente teremos mais ‘Barões’ sendo visualizados”.
A Coopric também foi beneficiada com R$ 60 mil reais em investimentos, por meio do projeto da CAR, Bahia Produtiva, aplicados em um container e em caixas para o armazenamento de morangos. Orlando Feiler, presidente da Coopric, comemorou a parceria firmada com a Aspromh, que vai qualificar ainda mais o trabalho da cooperativa e ampliar a renda dos cooperados. “Vamos fazer um trabalho em conjunto no beneficiamento de morango. Isso vai ser muito importante para os produtores porque vai racionalizar o trabalho e criar um produto de qualidade beneficiando a todos os cooperados”.
Estufas para citrus e café
Outra estrutura visitada foi a das estufas instaladas no povoado de Santo Antônio, próximo à área urbana do Municipio de Ibicoara. No local será implantado um viveiro de mudas que terá a plantação inicial de 15 mil mudas de citrus e 150 mil mudas. A ação é resultado do convênio, que tem recursos da ordem de R$ 194 mil, firmado entre a CAR a Prefeitura de Ibicoara. A iniciativa contará com a parceria da Coopric, que ficará responsável, inicialmente, pela produção de dois mil metros quadrados.
De acordo com o presidente da Coopric, a ideia é ser um viveiro de mudas certificado que deverá beneficiar mais de 1.000 famílias entre cooperados e não cooperados. “A gente quer que seja um uso de qualidade para atender o produtor da região, evitando a vinda de mudas de outros locais que possam trazer doenças e pragas. Essas parcerias vão produzir muitos bons frutos para os cooperados, o município e a região aqui da Chapada Diamantina”.
Turismo Rural
O grupo visitou ainda a estação de Turismo Rural no Sítio e Cafeteria Canjerana, que conta com uma estrutura que inclui produção de morangos, café, cacau e outras culturas, numa área preservada de agrofloresta do município de Ibicoara. No local é possível conhecer espécies de árvores nativas como a Canjerana e apreciar o processo de torra do café, produzido na propriedade, entre outros atrativos.
O prefeito de Caém e presidente do Consórcio de Saúde do Piemonte da Chapada (Consan), Arnaldo Oliveira (Arnaldinho), participou nesta quarta-feira (9), no Centro Administrativo, em Salvador, de uma reunião com governador Jerônimo Rodrigues e a secretária de Saúde do Estado, Roberta Santana, para avaliar o desempenho das policlínicas regionais.
Na ocasião, foram apresentadas sugestões para a melhoria e ampliação da cobertura das unidades de saúde. Proposição de mutirões de exames e cirurgias eletivas, análise da inadimplência dos municípios consorciados e organização o fluxo de participação na rede e regulação do acesso aos serviços foram as principais pautas do encontro que contou com a participação dos 23 presidentes dos Consórcios Públicos Interfederativos de Saúde da Bahia.
Com a recente estadualização do Hospital Regional Vicentina Goulart (HRVG), em Jacobina, na Chapada Diamantina, e a publicação no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (10) da organização social que administrará a unidade, os serviços assistenciais passam a ser geridos pelo Estado a partir de setembro.
A transição da administração, operacionalização e execução das ações e serviços de saúde do hospital, atualmente sob gestão municipal, para a entidade contratada pelo Estado, a Santa Casa de Misericórdia de Oliveira dos Campinhos – Instituto De Saúde Nossa Senhora Da Vitória – INSV, tem início imediato.
Com 68 leitos atualmente, a unidade terá sua capacidade ampliada em cerca de 30%, passando a contar com 86 leitos e reforçando a rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) para toda a região nas especialidades de urgência, clínica médica, saúde mental, cirúrgica, traumato ortopedia, obstetrícia e pediatria.
O hospital também contará com Centro de Parto Normal (CPN) intra-hospitalar destinado à assistência ao trabalho de parto, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido por enfermeiro obstétrico. Classificado como unidade hospitalar de médio porte, o HRVG vai atender a macrorregião Centro Norte, formada por 19 municípios e cerca de 393 mil habitantes. Serão aproximadamente 480 profissionais atuando para dar assistência de qualidade à população atendida.
Com previsão orçamentária de R$ 2 bilhões para 2023 e uma carteira de cerca de 500 mil beneficiários em todo o estado, o Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais – Planserv autoriza, em média, a realização de cerca de 30 mil consultas, exames e procedimentos por dia. Balanço realizado pela gestão do sistema apontou que nos últimos seis meses o plano cobriu mais de 250 mil internações e atendimentos de emergência de saúde. A assistência é um benefício facultativo oferecido pelo Governo da Bahia a seus servidores, que podem incluir ainda dependentes, agregados e pensionistas.
De acordo com a coordenadora-geral do Planserv, Socorro Brito, no último mês, o plano garantiu 12,5 mil internações, que representam a aplicação de R$ 76 milhões na saúde do servidor público do Estado da Bahia e de suas famílias. “Dentre as especialidades mais demandadas, a Oncologia representa um alto custo para o serviço, com a inclusão de novas medicações para atualizar os tratamentos e condutas de pacientes”, explicou.
Demanda alta
A gestora ressalta ainda um aumento específico, em decorrência da pandemia. “Hoje são tratadas muitas doenças respiratórias, consequência de comorbidades relacionadas à Covid-19, que também demandam serviços de cardiologia”, afirmou.
Entre hospitais, clínicas, laboratórios e empresas de atendimento domiciliar, a rede de credenciados do Planserv chega a 1.500 prestadores de serviço, que contribuem para o acolhimento em saúde, qualificado e regionalizado. “Este ano, já credenciamos 40 prestadores de serviço, destes 80% atendem no interior da Bahia. Essa é uma prioridade do Planserv, para que a gente possa acolher mais prestadores no interior, dada a carência de oferta desse serviço”, destaca Socorro Brito.
55 mil internações neste ano
Entre fevereiro e julho de 2023, 55 mil internações e 198 mil atendimentos de emergência foram contabilizados entre os beneficiários do Planserv. No mesmo período, foram autorizados 452 mil exames de imagem, como radiografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassonografia. A eficiência da gestão do Planserv aponta ainda para números como 636 mil consultas ambulatoriais e 5,8 milhões de exames laboratoriais realizados durante estes seis meses. Com gestão da Secretaria da Administração do Estado (Saeb), por intermédio da Coordenação de Assistência à Saúde do Servidor (CAS), o Planserv conta, desde fevereiro de 2023, com a empresa Maida Health no atendimento à necessidade de suporte operacional. O modelo é uma prática que vem sendo adotada pela assistência nos últimos anos, e a empresa foi a vencedora do processo licitatório apresentando uma proposta 15% mais vantajosa do que a segunda colocada. Dentre os principais serviços da nova empresa está a implantação de um software moderno e integrado com ferramentas gerenciais, táticas e operacionais para auxiliar a gestão do Planserv.
Novo aplicativo
Através das ferramentas, como um aplicativo móvel, os beneficiários poderão acompanhar, na palma da mão, o andamento das suas solicitações de autorizações de consultas e exames, além de contar com a consulta à rede credenciada do plano. Quando internados, os beneficiários serão acompanhados por uma equipe especializada do plano, que vai prestar apoio ao paciente e seus familiares. O Planserv permite, como diferencial na comparação com outros planos, a inclusão de netos de titulares na condição de agregados.
Atualmente, a assistência estadual possui cerca de 94 mil netos beneficiários, equivalente a quase 20% dos beneficiários. Muitos foram incluídos no plano em seus primeiros dias de vida.
Planserv em números
Previsão orçamentária de R$ 2 bilhões para 2023 Carteira de cerca de 500 mil beneficiários Cerca de 30 mil consultas, exames e procedimentos por dia Mais de 250 mil internações e atendimentos de emergência nos últimos seis meses 12,5 mil internações no último mês Aplicação de R$ 76 milhões na saúde do servidor público e suas famílias no último mês 1.500 prestadores de serviço na rede de credenciados do Planserv Credenciamento de 40 prestadores de serviço no interior da Bahia em 2023 55 mil internações e 198 mil atendimentos de emergência entre fevereiro e julho de 2023 Autorização de 452 mil exames de imagem entre fevereiro e julho de 2023 636 mil consultas ambulatoriais realizadas durante seis meses 5,8 milhões de exames laboratoriais realizados durante seis meses Cerca de 94 mil netos beneficiários, equivalente a quase 20% dos beneficiários
No próximo dia 14 de agosto de 2023, às 17 horas, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), acontecerá o ato de apresentação da nova diretoria da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), instituição de ensino superior mais antiga do Brasil.
Serão empossados o diretor e vice diretor, professor Antônio Alberto Lopes e professor Eduardo Borges dos Reis, respectivamente.
Apartir de informações passadas para a imprensa, os compromissos da nova direção da FMB para o quadriênio (2023/2027) estão a criação do Centro Internacional de Estudo e Pesquisa da Saúde das Populações Negra e Indígena, melhorias pedagógicas com a antecipação das práticas clínicas na grade curricular, a integração das pós-graduações, ampliação e criação de novos campos de práticas para formação médica, como Urgência e Emergência vinculadas ao Hospital Universitário Professor Edgar Santos e Serviço Modelo de Atenção Primária em Saúde de cunho interdisciplinar e interprofissional.
Fundada em 18 de fevereiro de 1808 a FMB desenvolveu e desenvolve historicamente um papel relevante na ciência, na cultura, na política e na sociedade baiana e brasileira.
Um fato histórico relevante é que o diretor eleito da FMB para o mandato de 2023 a 2027, professor Antônio Alberto Lopes, é o primeiro diretor negro em 215 anos desta instituição.
Veja abaixo os currículos resumidos dos professores Antônio Alberto e Eduardo José:.
O professor Antônio Alberto Lopes é mestre em nefrologia e PhD em ciência epidemiológica pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Na Ufba, além de professor desde 1980, já esteve à frente de cargos como pró-reitor de pesquisa e pós-graduação, coordenador do programa de Medicina e Saúde e chefe do Núcleo de Medicina Baseada em Evidências do Hospital Professor Edgar Santos. Lopes é também membro da Academia Bahiana de Medicina, ocupando a cadeira de número 23 desde 2019.
E o professor Eduardo Borges dos Reis é graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1984), Residência em Medicina do Trabalho pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986); Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1994) e Doutor em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (2004). Ingressou em 1998 como professor na Faculdade de Medicina da UFBA, é Professor Titular desde 2020. Tem seis livros publicados na área de História da Medicina e Saúde Pública. Foi por seis anos diretor Executivo do Fundo Estadual de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Desenvolve pesquisas na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde do Trabalhador, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde do trabalhador, saúde e trabalho, saúde do professor, condições de trabalho e saúde dos operadores de telemarketing. Desenvolve atividades de extensão em bairros populares de Salvador e em ambulatório de Medicina do Trabalho. Também é coordenador da Residência Médica de Medicina do Trabalho. É membro do Instituto de História da Medicina da Bahia desde 2022.
Um jovem de 26 anos, estudante de Psicologia em Foz do Iguaçu, foi preso nesta quarta-feira (9) pelas polícias Civil do Paraná (PC-PR) e Federal (PF), suspeito de abusar sexualmente de mais de 300 crianças.
A assessoria da Policia Civil do Paraná confirmou ao iG que o estudante é suspeito de cometer abusos contra as crianças “e alguns adolescentes”. Na ação, a policia cumpriu mandados de busca e apreensão, onde foi possível localizar 1,7 mil arquivos de pornografia infantil, sendo que mais de 350 foram produzidos pelo homem, enquanto cometia atos de estupro de vulnerável.
Além dos estupros propriamente ditos, a policia informou ao iG que o homem realizava estupros virtuais, por meio de perfis falsos. A investigação, categorizada como “de alta complexidade”, constatou que desde 2016 o homem armazena esse tipo de material. Os arquivos contém provas dos crimes.
A investigação apura se o estudante utilizava os conhecimentos acadêmicos para manipular as vítimas. O jovem foi autuado por “estupro de vulnerável, estupro de vulnerável virtual, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil e aliciamento de criança para a prática de atos libidinosos”.