Suspeitas contra ACM Neto escalam e Wagner alerta: “é a ponta do iceberg”
13 de março de 2026, 16:57

(Foto: Divulgação)
O avanço de denúncias e revelações em torno de ACM Neto já deixou de ser um problema restrito à política baiana e passou a atingir também a direção nacional do União Brasil. Foi nesse ambiente que o senador Jaques Wagner afirmou, nesta sexta-feira (13), em Camaçari, que novas informações sobre a relação do ex-prefeito de Salvador com o Banco Master ainda podem vir à tona. Segundo o líder do governo no Senado, o que apareceu até aqui seria apenas “a ponta do iceberg” e haveria “mais coisa a caminho”, ainda sob sigilo.
A fala de Wagner ocorre depois de a imprensa ampliar a repercussão do caso envolvendo pagamentos do Banco Master e da gestora Reag à A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto. Dados do Coaf, revelados pelo jornal O Globo e reproduzidos por outros veículos, apontam repasses de R$ 3,77 milhões à empresa do ex-prefeito.
O episódio ganhou novo peso político com a revelação de que a Prefeitura de Salvador concedeu exclusividade ao Banco Master para oferecer operações de “crédito no cartão rotativo” a servidores públicos municipais por meio de decreto editado em 2021, já no primeiro mandato do prefeito Bruno Reis. Aliado direto de ACM Neto, Bruno foi seu vice-prefeito até 2020 e é tratado como herdeiro político do grupo. A coincidência entre a relação institucional com o banco e os pagamentos à consultoria de Neto ampliou os questionamentos sobre o caso.
A pressão sobre o ex-prefeito se soma a outras frentes recentes de desgaste. Uma delas envolve a Fundação Índigo, braço de formação política do União Brasil, presidida por ACM Neto. Reportagens publicadas nesta semana mostram que o balanço de 2025 registrou R$ 5,9 milhões em gastos com “serviços prestados por terceiros”, o que levou integrantes do conselho fiscal a cobrarem explicações e detalhamento de despesas. ([Bahia Notícias][3])
O problema tem alcance maior porque ACM Neto ocupa hoje a vice-presidência nacional do União Brasil, partido presidido por Antonio Rueda. Assim, o desgaste não fica concentrado apenas na pré-candidatura do ex-prefeito ao governo da Bahia em 2026: ele também pressiona a cúpula da legenda, que passa a conviver com questionamentos sobre sua estrutura partidária, sua fundação e a conduta de seus principais dirigentes. As reportagens sobre a Fundação Índigo, inclusive, associam a crise diretamente ao comando de Rueda.
Nesse cenário, o caso Master deixa de ser um episódio isolado. Ele se encaixa num ambiente mais amplo de desgaste político e financeiro que já inclui o noticiário sobre a Fundação Índigo e a circulação do nome de ACM Neto no entorno de outras apurações sensíveis, como a Overclean, ainda que sem indicação, nas reportagens localizadas, de que ele seja alvo formal dessas investigações. O efeito prático é claro: a pré-campanha de Neto entra em terreno mais instável, sob pressão crescente e com potencial de contaminar também a direção nacional do União Brasil.
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