Será preciso ficar em casa para evitar 2ª onda de COVID-19, alerta fundador da Anvisa

14 de novembro de 2020, 09:28

Para o professor da USP, se a população brasileira não quiser morrer na porta dos hospitais, é preciso reduzir a quantidade de pessoas na rua (Foto: Reprodução)

Em meio a uma segunda onda de casos de COVID-19 na Europa, a plataforma Info Tracker da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), informou que houve um salto de 50% nos casos suspeitos de coronavírus na capital paulista entre agosto e novembro.

A plataforma, que monitora o avanço da pandemia, levanta a suposição sobre uma segunda onda da doença. No entanto, até que ponto se pode pensar em um segundo surto de COVID-19 no Brasil?

Na opinião de Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, há vários sinais de que estaríamos vivendo uma segunda onda, que ele prefere classificar como recrudescimento da primeira, pois não acredita que esta tenha acabado.

“Nós estamos vivendo um aumento de casos e do número de mortes. Isso está acontecendo no Brasil todo. Os estados que foram menos afetados, neste momento, têm um número maior de casos. Já os estados do Norte que tiveram muitos casos estão sendo menos afetados. Há crescimento de casos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, e no interior paulista. É preciso ter cuidado e atenção para esse recrudescimento – ou até mesmo uma segunda onda – que está ocorrendo no país”, avalia o especialista.

O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, disse nesta sexta-feira (13), durante uma conversa com seus apoiadores no Palácio da Alvorada, que o que vem sendo chamado de segunda onda é uma “conversinha”, e que, caso ela realmente aconteça, deverá ser enfrentada para a economia não “quebrar de vez”.

“Vocês vejam o que era antes, como eram os ministérios, como tudo era aparelhado no Brasil, e como estão funcionando apesar dessa pandemia aí, que nos fez gastar mais de R$ 700 bilhões. E agora tem conversinha de segunda onda. Tem que enfrentar se tiver, porque se quebrar de vez a economia, seremos um país de miseráveis”, disse o presidente.

Já o ministro da Economia Paulo Guedes, assinalou que, caso aconteça uma segunda onda, o governo voltará a prover assistência, mas não nos mesmos valores que foram liberados neste ano.

“Em vez de 8% do PIB, provavelmente desta vez metade disso porque sabemos que podemos filtrar agora os excessos aqui e ali. E certamente usaríamos valores menores”, afirmou o ministro durante um fórum virtual promovido pela Bloomberg, segundo o jornal Extra.

Para o doutor Gonzalo Vecina, o que está sendo chamado de possível segunda onda no Brasil é evidente e foi provocado, em grande parte, pelo relaxamento das medidas de restrição. Na opinião do professor da USP, caso não haja uma mudança de comportamento, acontecerá aquilo que já vimos no começo da pandemia: o colapso da rede hospitalar, a falta de leitos de UTI e a necessidade da realização da escolha de quem ocupará o leito. 

“Infelizmente, um número importante dos leitos que foram construídos, já foram desativados. 65% dos leitos foram desativados. Os hospitais estão ficando cheios novamente, vamos ver como a pandemia vai se comportar e qual é a capacidade dos estados do país para recolocar os leitos à disposição da sociedade. Esta é uma primeira providência”, opina.

Além disso, o fundador da Anvisa considera que os governos terão que voltar a pensar em adotar  medidas restritivas para evitar o colapso do sistema de saúde.

“Ninguém quer [novas restrições], a população está cansada, mas as equipes de saúde estão ‘pedindo água’. Enquanto vivíamos uma queda do número de transmissões, as equipes continuaram trabalhando intensamente. A população relaxou, as autoridades reabriram restaurantes, bares, espaços públicos, etc., mas as equipes de saúde continuaram sob estresse nos hospitais e estão próximas do limite. Não existe outra solução, para reduzir o número de casos é preciso reduzir os encontros, ou seja, ficar em casa”, sentencia o especialista.

De acordo com o jornal O Globo, nove capitais registram neste momento aumento dos casos de coronavírus. Os dados foram apurados em um levantamento do sistema InfoGripe, assinado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com base em registros do Ministério da Saúde.

Segundo o levantamento, as cidades mais afetadas são João Pessoa (PB) e Maceió (AL), que registraram aumento de 95% dos casos. Em seguida, com 75%, aparecem Belém (PA), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Natal (RN), Salvador (BA), São Luiz (MA) e Florianópolis (SC). 

Para o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, os dados da Fiocruz confirmam que estamos vendo esse aumento no número de casos em todo o país, que pode ser atribuído ao relaxamento, à possibilidade de as pessoas se encontrarem com o vírus, que está espalhado no ambiente.

“É preciso cuidado, temos que dar um passo atrás e tomar muito cuidado para não lotarmos os hospitais”, recomenda.

Para o professor da USP, se a população brasileira não quiser morrer na porta dos hospitais, é preciso reduzir a quantidade de pessoas na rua, fechar restaurantes, bares, espaços públicos, etc. Além disso, é necessário usar máscara e instalar barreiras físicas nos lugares onde as pessoas continuarão trabalhando e haverá relacionamento com o público. Se isso não for feito, ressalta o médico, será muito difícil lidar com a pandemia.

“É preciso esperar um pouco mais para retornar com as atividades, a vacina está chegando, porém, temos que chegar a janeiro e fevereiro, quando teremos condições de começar uma vacinação, pelo menos entre os profissionais de saúde e pessoas do grupo de risco”, propõe o ex-diretor da Anvisa.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Fonte Sputinik 

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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