Revolução na educação: Jerônimo planejou e executou mudanças a partir de base criada por Wagner e Rui
28 de setembro de 2026, 12:16

Jerônimo Rodrigues chegou ao governo da Bahia, em janeiro de 2023, em uma situação muito diferente daquela encontrada por Jaques Wagner 16 anos antes. Recebeu uma política educacional estruturada, com capacidade de investimento e programas consolidados. Mas havia uma diferença fundamental: Jerônimo não era apenas herdeiro dessa construção. Como secretário da Educação de Rui Costa, entre 2019 e 2022, havia participado diretamente do planejamento da etapa que começaria a executar como governador.
Wagner começou pela reorganização das bases. Em 2007, uma das primeiras medidas foi acelerar a recomposição do quadro: 2.257 professores concursados foram nomeados apenas entre janeiro e julho, contra 471 durante todo o ano anterior. A contratação temporária passou por seleção pública, foi criado o Topa, para enfrentar o analfabetismo, e a educação profissional tornou-se política de governo. A rede profissionalizante partia de apenas 4.016 vagas e ganhou um plano específico de expansão e interiorização.
Rui Costa recebeu essa base e deu novo impulso ao processo. Em 2015, lançou o Educar para Transformar, articulando Estado, municípios, escolas, famílias, educação básica e formação profissional. Mas a mudança que ajuda a explicar a atual configuração da rede ganhou força no segundo mandato de Rui, já com Jerônimo no comando da Secretaria da Educação.
Foi nessa fase que começou a ser desenhada em grande escala a escola estadual que hoje se espalha pela Bahia: ensino em tempo integral, laboratórios, bibliotecas, restaurante estudantil, teatro e equipamentos esportivos. Em 2021, Rui anunciou R$ 1 bilhão para reestruturar mais de 300 escolas e prepará-las para o tempo integral. Em junho de 2022, quando Jerônimo havia comandado a pasta até março daquele ano, o programa já reunia mais de R$ 3,5 bilhões e alcançava 600 unidades — 200 novas escolas e 400 em modernização.
Também durante a passagem de Jerônimo pela Educação foram implementadas políticas destinadas a manter os estudantes na escola. Na pandemia surgiu o Vale-Alimentação Estudantil, que chegou aos alunos dos 417 municípios. Em 2021 foi criado o Bolsa Presença, com transferência de renda vinculada à permanência escolar e posteriormente transformado em política permanente.
Ao assumir o governo, Jerônimo passou a comandar a execução de parte da política que havia ajudado a estruturar. Entre 2023 e 2025, o Estado contabilizou R$ 20,7 bilhões destinados à educação básica, dos quais R$ 9,7 bilhões em infraestrutura. Até dezembro de 2025 haviam sido inauguradas 98 novas escolas e entregues 116 reformas com ampliação. Em abril de 2026, a Secretaria da Educação informava que o número de novas escolas de tempo integral entregues desde 2023 havia chegado a 106.
A expansão física ocorreu ao mesmo tempo em que os indicadores de aprendizagem avançaram. No ensino médio da rede estadual, o Ideb passou de 3,2 em 2019, primeiro ano de Jerônimo como secretário, para 3,5 em 2021, 3,7 em 2023 e 3,8 em 2025. Segundo o Inep, o resultado de 2025 é o maior da série histórica da rede estadual; no conjunto da Bahia, as três etapas avaliadas da educação básica também atingiram seus melhores resultados históricos.
O programa registrado para 2027-2030 propõe uma etapa ainda mais ampla: universalizar o ensino de tempo integral em todas as escolas estaduais, continuar a requalificação da rede física, expandir a educação profissional, tornar permanente a política de recomposição das aprendizagens, fortalecer o Bolsa Presença e aprofundar a cooperação com os municípios na alfabetização. Para o ensino superior, prevê novos campi das universidades estaduais e articulação com a União para ampliar universidades e institutos federais no interior.
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