Qualidade da educação baiana impressiona família africana via rede social (VÍDEO)

18 de julho de 2026, 17:08

Logo no começo da gravação, o jovem anuncia que mostrará “a minha escola”. Em seguida, hesita: “Minha não, porque a escola é do Governo do Estado” (Foto: Reprodução)

Um adolescente de 16 anos liga a câmera e, com a naturalidade de quem apresenta a própria casa, conduz o público pelos corredores da escola onde cursa o segundo ano. No sudeste da África, em Moçambique, país banhado pelo Oceano Índico, Allon e seus familiares acompanham o passeio com admiração: elogiam a estrutura, imaginam a qualidade do ensino e se encantam com o carinho do jovem pelos professores. O cenário é o Colégio Estadual de Tempo Integral Teodoro Sampaio, em Santo Amaro. É uma cena especialmente incômoda para um grupo que está há mais de uma década no poder em Salvador e, em vez de apresentar propostas para a Bahia, repete o manjado mantra das críticas vazias e das reclamações.

A visita começa cedo, às 6h40. O estudante mostra os corredores, sobe as escadas, apresenta os colegas e chega à sala 3, onde funciona o segundo ano C. Ao recordar seu primeiro contato com o colégio, conta que pensou: “Meu Deus, parece que eu estudo em uma faculdade”. Naquela época, não conhecia ninguém. Hoje conversa com todos e resume a relação com os colegas numa frase simples e bonita: “Eu amo a minha turma”. Existem desavenças, admite, mas são “coisas de alunos”, dessas que nascem e se resolvem na convivência de todos os dias.

Sua prosa fica ainda mais emocionante quando ele deixa de falar da estrutura e começa a falar de gente. Tem ótimos professores, uma ótima coordenação e funcionários muito legais. Faz questão de acrescentar que não são atenciosos apenas com ele, mas também com os outros estudantes. É nesse pequeno cuidado que o vídeo encontra sua força: o menino não exibe somente uma escola bonita; ele descreve um lugar onde se sente visto, acolhido e respeitado.

O passeio continua pelo teatro, “que é lindo”, pelas salas com ar-condicionado e pela parte superior do prédio, de onde se avista boa parte da escola. A unidade possui 24 salas de aula, três laboratórios, sala maker, biblioteca, restaurante estudantil, ginásio, piscina semiolímpica e campo de futebol com pista de atletismo. A estrutura impressiona, mas o encanto verdadeiro está na maneira como o estudante se apropria de cada espaço, como se cada corredor já fizesse parte de sua própria história. A nova sede foi entregue em 2024 pelo Governo da Bahia, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.

O Teodoro Sampaio não é uma ilha. A Bahia já reúne mais de 690 escolas de tempo integral e alcançou 140 mil matrículas na modalidade. Isso significa que 34% dos estudantes estaduais permanecem o dia inteiro na escola, proporção superior à média nacional de 26% e que coloca o estado na quarta posição do país. Desde 2023, 101 novas unidades foram entregues, dentro de um ciclo de investimentos superior a R$ 9,7 bilhões. Aos poucos, aquilo que durante tanto tempo pareceu privilégio vai assumindo a forma de política pública.

Os resultados aparecem também no dia a dia. O Ideb do ensino médio estadual avançou de 3,2, em 2019, para 3,5, em 2021, e chegou a 3,7, em 2023. Entre 2022 e 2025, o abandono escolar caiu de 12,9% para 3%; a reprovação recuou de 16,3% para 4,6%; e a distorção idade-série passou de 41,3% para 24%. Na alfabetização, a Bahia saltou de 36% de crianças alfabetizadas, em 2024, para 55%, em 2025. Há uma longa caminhada pela frente, mas os números já não permitem confundir desafio com imobilidade.

É justamente o olhar dos moçambicanos que dá outra dimensão à história. Allon e seus parentes reconhecem nas imagens o cuidado com os estudantes e concluem que uma escola daquela qualidade deve ter também excelentes professores. A reação, publicada no perfil @allon_xinho_africano, transforma uma visita escolar num encontro inesperado entre a Bahia e Moçambique — dois lugares unidos, por alguns minutos, pela admiração à educação.

Logo no começo da gravação, o jovem anuncia que mostrará “a minha escola”. Em seguida, hesita: “Minha não, porque a escola é do Governo do Estado”. Observa novamente o prédio, pensa por um instante e se corrige: “Ah, é minha mesmo”. Poucas frases explicariam tão bem o sentido da educação pública. O governo constrói, equipa e administra; mas a escola, quando acolhe e cria pertencimento, passa a ser de quem aprende, de quem ensina e de todo o povo da Bahia.

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