Por que os EUA votam sempre numa terça-feira de novembro?

02 de novembro de 2020, 17:43

(Foto: Reprodução)

No século 19, a agenda dos americanos era cheia, de modo que havia dificuldade para definir qual o melhor dia para escolher o novo presidente. A lei que define a terça-feira como o dia da votação nos EUA, assinada em 1845, foi feita para se encaixar na rotina da época.

Na quarta, era a vez de ir às compras, em feiras e mercados, o que também envolvia pequenas viagens. E o sábado ficou de fora por ser o dia sagrado dos judeus.

A lei também determina que a votação ocorra na terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro, de modo a evitar coincidência com a festa de Todos os Santos, em 1º de novembro.E novembro foi escolhido por ser um período entre o final das colheitas e antes do inverno no hemisfério norte, cujas tempestades rigorosas dificultam as viagens.

Nos anos 1840, ir à urna era um evento, para o qual as pessoas colocavam suas melhores roupas e muitas vezes levavam a família, embora apenas os homens brancos pudessem votar.

Mantida desde então, a opção pela terça-feira gera criticas. A principal delas é que a data é atualmente um dia cheio de atividades, o que exige que os eleitores encontrem tempo para ir à sessão eleitoral em meio à rotina de trabalho ou de aulas. O dia da votação não é um feriado no país.

Com as dificuldades de acesso, muita gente não vai. Na segunda metade do século 19, o comparecimento gravitava em torno de 70% a 80% dos adultos aptos a votar. Desde 1968, esse número fica quase sempre abaixo de 60%. O voto nos EUA não é obrigatório.

A decisão pela mudança de data cabe ao Congresso. A Constituição americana não define a data nem as condições para a realização das eleições. Assim, antes da lei de 1845, cada estado escolhia um período diferente para a escolha presidencial, o que gerava confusão.

Algumas iniciativas foram criadas nos últimos anos para tentar mudar o dia de votar, sem sucesso. O principal argumento é o de que realizar a votação aos fins de semana ou em um feriado levaria mais gente à urna, aumentando a participação popular.

Já os defensores da terça dizem que se trata de uma tradição centenária e que seria mais difícil recrutar trabalhadores para atuar nas seções aos fins de semana.

Neste ano, a pandemia de coronavírus tem ajudado a modificar esse cenário. Com o medo de contágio e de aglomerações no dia 3 de novembro, houve campanhas para estimular a participação pelo correio, e mais estados passaram a permitir votação antecipada. Neste ano, 45 dos 50 estados americanos adotaram o modelo, segundo levantamento do site Business Insider.

Nessas regiões, as seções ficam abertas por dias ou semanas antes do dia oficial do pleito. Lá, os eleitores depositam as cédulas que receberam pelo correio ou obtêm uma na hora, a depender do estado.

Assim, em vez de escolher apenas um dia da semana, os americanos podem acabar expandindo de vez o modelo de votação em várias datas possíveis, opção mais condizente com uma época de rotinas cheias, porém mais flexíveis. Até a publicação desta reportagem, 94 milhões de pessoas já haviam participado do pleito antes da data oficial, um recorde, de acordo com dados compilados pelo US Elections Project.

No Ocidente, o domingo é o dia mais comum para escolher um novo governo. A data é a preferida na América Latina e na Europa. Já o sábado tem poucos adeptos, como Austrália e Nova Zelândia.

A votação em dias de semana é mais frequente em locais que um dia foram colônias do Reino Unido –que vota numa quinta-feira. Canadá e Guiana preferem as segundas. A África do Sul, as quartas-feiras.

A Irlanda costuma eleger políticos em sextas-feiras. Na Índia, onde há cerca de 900 milhões de pessoas aptas a votar, a votação é feita em várias datas, em etapas espalhadas entre dias úteis e fins de semana.

Fonte: Folhapress 

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