Pau-Brasil que já estava no sul da Bahia quando Cabral chegou permanece intacto

07 de dezembro de 2020, 22:12

Árvore tem 7,13 metros de diâmetro e quase 40 metros de altura (Foto: Reprodução)

Uma árvore pau-brasil de idade aproximada de 600 anos e proporções inéditas foi encontrada no sul da Bahia, no dia 22. A descoberta aconteceu a partir de expedições feitas pelo botânico Ricardo Cardim e Alex Vicintin – mateiro e empreendedor ambiental no município de Itamarajú.

A região já tinha sido esquadrinhada algumas vezes por Cardim, que desde 2016 pesquisa as árvores gigantes que restaram em toda Mata Atlântica. O trabalho resultou em livro e exposição intitulados Remanescentes da Mata Atlântica. A mostra está em cartaz no Museu da Casa Brasileira em São Paulo. O fotógrafo Cássio Vasconcellos e o botânico Luciano Zandoná também participaram do livro. Desde então, desenvolveram um elo de confiança com os moradores do assentamento Pau-Brasi.

No mês passado, a equipe estava lá e soube, por meio de um guia, da existência de um remanescente da espécie muito maior do que outros que já tinham registrado. O guia também informou que somente um homem da comunidade conhecia como e em qual trecho da floresta a árvore se encontrava. “Explicamos que aquilo era importantíssimo, algo novo para a ciência e que gostaríamos de registrar o que considero patrimônio nacional, bonificando o assentado”, conta Cardim. Trato feito, muitos dias perdidos e encontraram o que buscavam.

Apesar de já ter registrado mais de 150 árvores centenárias nos 12% que sobraram de área da Mata Atlântica original, Cardim levou um susto com o pau-brasil de 7,13 metros de diâmetro – quase três vezes maior do que os já tabulados. Além de ser cheia de “rugas” que revelam a sua idade estimada em 600 anos, ela mede praticamente 40 metros.

O tarimbado botânico acredita que se a árvore tivesse sido encontrada num outro país, como a Alemanha, por exemplo, certamente o governo faria um parque exclusivo para preservá-la, chamando atenção para sua história. “Ela tem um simbolismo enorme, nomeou o nosso País. E sobreviveu a cinco séculos de ferro e fogo da Mata Atlântica”, pondera.

Fonte: Diário do Centro do Mundo 

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