Pai de Dinho do Mamonas Assassinas bate-papo com o jornalista Gervásio Lima, fala da trajetória da banda e dos 30 anos da morte do filho

25 de junho de 2026, 14:21

Hildebrando Leite e Gervásio Lima (Foto: Enzo Vieira)

Enquanto participava da festa de São João de Irecê, o jornalista Gervásio Lima teve a satisfação de conhecer e bater um papo com Hildebrando Alves Leite, o pai de um dos mais, se não for o mais, conhecido e famoso filho da cidade, o saudoso Dinho do Mamonas Assassinas, morto há 30 anos de acidente aéreo.

O acidente do grupo Mamonas Assassinas ocorreu no dia 2 de março de1996. O jatinho em que a banda viajava colidiu contra a Serra da Cantareira, na região norte da cidade de São Paulo, vitimando todos os cinco integrantes do grupo (Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli), além de tripulantes e funcionários.

Do dia do acidente, até hoje, todo brasileiro, que nasceu em meados da década de 90, conheceu a irreverente Mamonas Assassinas, uma banda que tinha fãs de crianças, a adolescentes e adultos, pelo carisma e os figurinos que usavam nas apresentações.

O bate-papo aconteceu na última segunda-feira (22), em São Grabriel, cidade localizada a 10 km de Irecê. Fui apresentado ao pai do lendário Dinho, que se encontrava na residência de parentes, pelo ex-prefeito de Irecê e ex-deputado estadual, Zé das Virgens. Figura solícita e simples Hildebrando falou das suas origens e principalmente do seu filho prodígio.

Ao falar sobre o acidente, Hidelbrando demonstrou tristeza, mas disse que já conseguiu superar a ausência do seu filho. “Você tem que aprender a ser obediente com as coisas que não é do seu alcance, tudo que vem de Deus você não tem que compreender, mas entender, mas é difícil até hoje”, disse, citando a saudade que sentiu ao assistir apresentação da banda ‘Mamonas o Legado’, que aconteceu em Irecê na terça-feira (23). “Ver a alegria das crianças, dos seus pais e avós ao ouvir as músicas do Mamonas conforta a gente, mas a saudade acompanha no dia a dia, isso nunca muda”, completou.

Além do impacto da tragédia e o legado deixado pelo grupo, o pai do autor de ‘Pelados em Santos’ contou também sobre o acervo que possui, de roupas, adereços e outros itens usados pelo grupo e principalmente pelo seu filho. “O acervo fica em Guarulhos, tudo que o Dinho usou em shows e o que ele usou antes de show, nós temos guardado, inclusive a Brasília Amarela”.

Hildebrando falou ainda da alegria em visitar a região onde ele e Dinho nasceram, “eu nasci aqui, eu sou daqui, o Dinho nasceu também e foi embora para São Paulo, foi criado lá, mas eu não, fui nascido e criado aqui. Quando fui embora eu já tinha 19 anos e o Dinho era bem novinho, mas continuou visitando a região até no mês do acidente, quando tinha 24 anos”.

Perguntado sobre se tivesse como voltar ao tempo, qual o conselho que daria, nem só para seu filho Dinho, mas para todos os jovens que viveram naquela época e os que vivem nos dias atuais, ele lembrou do início da trajetória do líder dos Mamonas para responder:

“O Dinho sempre falava que havia sido renegado em vários ambientes sobre a alegação que não tinha público, ele sempre dizia que o impossível não existe e que a pessoa tem que acreditar no sonho. E tudo que ele fazia para a juventude era para que a juventude não se envolvesse com droga, né? Então, ele sempre explicava, até o nome é feio, droga, quer dizer, não é uma coisa que presta. Então, o conselho que eu dou é que se você tem um sonho, não desiste. Vá em frente, porque foi assim que ele venceu, é assim que todos que tiverem a perseverança vai vencer, isso serve para qualquer área, no comércio, como artista; pode ser o que for, não pode desistir. Você tem que ter fé e acreditar em você mesmo. Como minha avó dizia, quem tem vontade, já tem a metade; então você tem que correr atrás da outra metade”.

Sobre quem seria o ‘chuchuzinho’ de uma das músicas mais famosa da banda, Hildebrando disse que era uma homenagem para Mirela então namorada de Dinho, mas que a relação havia acabado após a mesma se recusar a ir ao seu encontro quando chegava de viagem no aeroporto. “Ao terminar o namoro Dinho se engraçou pela Valéria, mas em pouco tempo se desengraçou, porque é assim, ele estava entre os cinco homens mais bonitos do mundo na época, segundo uma revista. Então a Mirella perdeu para a Valéria. Eu sempre disse, a culpada foi ela, porque tem aquele ditado Cavalo selado não passa duas vezes. A Valéria até hoje me chama de pai, me pede a benção e está sempre com a gente”, relatou.

Jacobina – Hildebrando tem passagens por Jacobina, onde morou 1957. Segundo ele, o seu pai construiu o campo do Leader Esporte Clube. O Rio do Ouro e o antigo local que funcionava a feira livre, no centro da cidade estão em sua memória.

Publicidade

VÍDEOS