Mulher perde R$ 160 mil no Jogo do Tigrinho e revela: ‘Pior que droga, é desesperador’

11 de julho de 2024, 10:01

A jovem fez empréstimos no banco para tentar recuperar o dinheiro que eventualmente perdia

Uma jovem de 23 anos acumula uma dívida de R$ 110 mil em decorrência de empréstimos feitos no banco para jogar o  Fortune Tiger, conhecido como “Jogo do Tigrinho”. Ela também perdeu R$ 50 mil das suas economias pessoais.

Vitória Damaceno Bittencourt é comerciante em Maringá (PR). Ela começou a fazer apostas em maio de 2023, com a intenção de melhorar seu estilo de vida e sua renda.

Quando começou a apostar, ela trabalhava como motorista de aplicativo em uma jornada de 10 horas a 12 horas por dia, ganhando apenas R$ 150 diários. Foi então que um jogo para ganhar dinheiro fácil e rápido pareceu uma boa opção.

Nas duas primeiras semanas, Vitória apostava entre R$ 30 e R$ 50, mas ela logo aumentou para R$ 100, R$ 150 e R$ 200. “Ao aumentar o valor para R$ 100, ganhei R$ 800 em um dia. Pensei que conseguiria ganhar ainda mais”, disse a mulher ao UOL.

O jogo do Tigrinho se tornou um vício para Vitória. Em três meses, a jovem começou a fazer apostas de R$ 500, R$ 800, R$ 1.000 e R$ 2.000. Por conta disso, ela também fez empréstimos no banco para tentar recuperar o dinheiro que eventualmente perdia.

“Os empréstimos foram feitos nesses quatro meses em que joguei. Eu perdia R$ 4.000 e fazia um empréstimo no mesmo valor. Era assim que eu fazia. Consegui ganhar R$ 20 mil ao todo, mas perdi tudo nos jogos. O jogo permite saques de no máximo R$ 3.000 por dia, e o restante do valor que você ganha fica travado, para uso dentro do aplicativo. O jogo faz com que você perca esse valor travado e use o que ganhou e sacou para continuar jogando”, disse Damaceno ao UOL.

Após quatro meses de apostas sem conseguir manter um saldo para continuar, Vitória decidiu retirar R$ 11 mil de uma conta que compartilha com seu marido, com quem tem um relacionamento estável há uma década. Esse dinheiro estava planejado para ser usado como entrada na compra de uma casa.

“O meu marido sabia que eu jogava, mas ele também achava que eu sabia o que estava fazendo. Ele não sabia que eu tinha pegado dinheiro na nossa poupança para jogar”, disse a mulher.

Para evitar que ele notasse qualquer movimentação na conta conjunta, a jovem fez um empréstimo de R$ 20 mil. Com o dinheiro disponível, ela o utilizou para apostar e, em um único dia, entre 17h e meia-noite, percebeu que havia perdido tudo.

“Eu perdi todas as nossas economias. Foi desesperador ver que eu tinha feito isso com as nossas vidas. Faz meses que isso aconteceu, mas só agora eu me sinto confortável para admitir o erro e falar mais abertamente sobre isso”, disse a mulher.

Sem mais possibilidades de obter crédito para novos empréstimos, ela optou por revelar a verdade ao marido. Juntos, começaram a reconstruir a situação financeira do casal. No entanto, Vitória, inicialmente, não admitiu que estava com um vício em jogos.

“O vício quase acabou com a minha vida e com o meu casamento, porque tomou conta de mim e eu não queria fazer mais nada além de jogar. Eu nunca tive nenhum outro vício, mas acho que é pior que droga. Estava literalmente arriscando tudo pelo jogo, pelo desespero de não ter como apostar mais. Só via números, não conseguia raciocinar e pensar na questão do dinheiro. Apenas pensava em valores. E de fato todo mundo começa a jogar porque quer, mas não se sai quando quer”, disse Vitória.

Após o marido tirar o acesso dela ao banco e ao dinheiro, Vitória voltou a trabalhar como motorista de aplicativo, casualmente como promotora de eventos e também como comerciante de uma loja de roupas infantis.

“Procure ajuda, apoio de um familiar, isso é fundamental. As pessoas estão precisando de ajuda, não de julgamentos. O jogo não muda a vida de ninguém, somente a dos influenciadores, que estão ficando cada vez mais ricos”, disse Vitória ao UOL.

UOL