Jerônimo quer aproximar universidades de hospitais para formar médicos e especialistas no interior da Bahia
29 de outubro de 2026, 08:52

Governador afirma que vai reunir instituições estaduais, federais e privadas para discutir cursos de Medicina e outras áreas da saúde; objetivo é alinhar a expansão da rede hospitalar à disponibilidade de profissionais qualificados (Foto: Reprodução)
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que pretende reunir universidades estaduais, federais e particulares para discutir caminhos de ampliação da formação de profissionais de saúde no estado. A articulação deverá incluir a possibilidade de novos cursos ou expansão de vagas em Medicina, Enfermagem, Psicologia e outras áreas ligadas à assistência.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Boa Noite, Bahia, da Bahia FM, na quarta-feira (28). Segundo o governador, a entrega de hospitais, equipamentos modernos e novos serviços especializados precisa ser acompanhada de uma política capaz de formar e qualificar profissionais nas próprias regiões onde a rede está sendo ampliada.
“Eu preciso levar alguém de fora para poder atuar como profissional de saúde”, afirmou Jerônimo, ao defender a conversa com as instituições de ensino superior. A intenção, segundo ele, é identificar as necessidades de cada território e aproximar universidades, hospitais e serviços públicos de saúde.
Estrutura hospitalar exige equipe especializada
O debate surge em meio à expansão da rede estadual. Em entrevistas recentes, o governador tem citado a entrega de 15 hospitais durante a gestão e a previsão de novas unidades em municípios como Serrinha, Valença, Paulo Afonso e Itapetinga. O desafio, agora, é garantir equipes médicas e multiprofissionais suficientes para manter os serviços em funcionamento e ampliar a resolutividade do SUS no interior.
Em Teixeira de Freitas, Jerônimo mencionou a oferta de tratamento oncológico como exemplo de serviço que reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para Salvador. O Hospital Estadual Costa das Baleias é referência para 21 municípios do Extremo Sul e dispõe de 216 leitos, dos quais 30 são de UTI adulto e pediátrica, além de estrutura cirúrgica, diagnóstico por imagem e serviços oncológicos.
Para a região, a aproximação entre a rede hospitalar e as instituições de ensino pode abrir espaço para estágios, campos de prática, programas de residência e outras modalidades de formação em serviço. O governo, porém, ainda não detalhou quais cursos, campi, vagas ou programas de especialização poderão ser contemplados.
Formação perto de onde a população precisa
A proposta parte de uma lógica de regionalização: hospitais de alta e média complexidade precisam estar conectados à formação de profissionais para que especialistas não fiquem concentrados apenas em Salvador e grandes centros. A ideia é formar médicos e demais trabalhadores da saúde mais próximos das regiões em que eles serão necessários.
Um modelo já adotado pelo Estado foi a criação do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana. A unidade reúne atividades de ensino, pesquisa e residência médica, em parceria com instituições de ensino superior.
O que ainda precisa ser definido
A reunião anunciada pelo governador representa o início de uma discussão, e não a criação imediata de novos cursos. A Constituição Federal assegura autonomia didático-científica às universidades, enquanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que a criação e expansão de cursos passam pelas decisões acadêmicas e pelos procedimentos do respectivo sistema de ensino.
Se a articulação avançar, o principal resultado esperado será transformar hospitais regionais também em polos de formação e qualificação profissional — uma estratégia capaz de fortalecer o atendimento, reduzir vazios assistenciais e ampliar o acesso da população baiana a serviços especializados de saúde.
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