Estado da Bahia consolida rede pública de atendimento oncológico em todas as regiões do estado
15 de julho de 2026, 12:47

(Foto: Divulgação)
A geografia deixou de ser uma barreira para o acesso ao tratamento oncológico na Bahia. Com unidades públicas distribuídas por todas as regiões do estado, o sistema estadual garante cobertura territorial da assistência especializada, levando o cuidado para além de Salvador e aproximando diagnóstico e tratamento da população do interior. A dimensão desse trabalho ganha relevo em julho, mês que reúne o Dia do Oncologista, no dia 9; o Dia do Cirurgião Oncológico, no dia 17; e o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, no dia 27.
A organização estadual reúne o Centro Estadual de Oncologia (Cican), na capital, e 11 hospitais próprios habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A distribuição dos serviços forma um cinturão de atendimento que alcança os principais polos regionais da Bahia e permite que cada um deles receba pacientes de dezenas de municípios do entorno.
Além de Salvador, onde estão o Cican e o Hospital da Mulher, a assistência chega a Feira de Santana, com o Hospital Estadual da Criança; Alagoinhas, com o Hospital Estadual do Litoral Norte; Juazeiro, com o Hospital Regional de Juazeiro; Irecê, com o Hospital Regional Dr. Mário Dourado Sobrinho; Barreiras, com o Hospital do Oeste; Caetité, com o Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão; Vitória da Conquista, com o Hospital Geral de Vitória da Conquista; Jequié, com o Hospital Geral Prado Valadares; Porto Seguro, com o Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães; e Teixeira de Freitas, com o Hospital Estadual Costa das Baleias.
Mais do que uma relação de hospitais, esse mapa traduz uma política de regionalização. A presença desses equipamentos em cidades estratégicas permite organizar a assistência por territórios, encurtar distâncias e reduzir a concentração do atendimento na capital. Isso tem peso especial no tratamento do câncer, que pode exigir consultas sucessivas, exames, cirurgias, quimioterapia e acompanhamento prolongado.
Em Salvador, o Cican atua como centro estadual de referência. Oferece atendimento em ginecologia, mastologia, oncologia clínica, urologia, dermatologia, proctologia, anestesiologia, terapia da dor e cirurgia geral. Mantém ainda hospital-dia, tratamento quimioterápico, exames para detecção precoce, procedimentos diagnósticos e terapêuticos, cirurgias de pequeno e médio porte e acompanhamento multiprofissional.
O alcance territorial da assistência se torna ainda mais relevante diante do avanço da doença no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. O câncer já se aproxima das doenças cardiovasculares entre as principais causas de adoecimento e morte, num cenário influenciado pelo envelhecimento da população, pelas desigualdades regionais e pelos desafios de garantir prevenção, diagnóstico precoce e tratamento no tempo adequado.
Entre os homens, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata responde por 30,5% dos casos estimados no Brasil. Em seguida aparecem os tumores de cólon e reto, com 10,3%; pulmão, 7,3%; estômago, 5,4%; e cavidade oral, 4,8%. Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, com 30%; cólon e reto, 10,5%; colo do útero, 7,4%; pulmão, 6,4%; e tireoide, 5,1%.
Na Bahia, a maior taxa bruta de incidência estimada entre os homens é a do câncer de próstata: 90,43 casos por 100 mil habitantes. Depois aparecem os cânceres de cólon e reto, com 13,99, e de estômago, com 11,78. Entre as mulheres, o câncer de mama lidera, com 58,54 casos por 100 mil, seguido pelos tumores do colo do útero, com 17,88, e de cólon e reto, com 15,12.
Os números ajudam a dimensionar o desafio, mas também revelam por que a localização dos serviços importa. Em um estado com 417 municípios e grandes distâncias territoriais, oferecer assistência oncológica em todas as regiões significa incorporar o endereço do paciente à própria estratégia de cuidado. A regionalização não elimina os deslocamentos, mas evita que a capital seja a única porta possível para quem enfrenta a doença.
Publicidade
VÍDEOS