Alckmin relaciona alta nas vendas de alimentos ao fim das bets; Abras aponta avanço de até 6,5%

28 de outubro de 2026, 14:35

(Foto: Reprodução)

Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados registra crescimento nas compras de itens essenciais após a Medida Provisória que proibiu as apostas de quota fixa no país. Relação direta, porém, ainda exige estudos mais amplos.

Uma parte da renda que antes era direcionada às apostas on-line pode estar voltando ao orçamento das famílias e à mesa dos brasileiros. Essa é a avaliação do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, diante dos dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) sobre o aumento do consumo de alimentos básicos após a proibição das bets no país.

Segundo a entidade, o varejo alimentar registrou crescimento de 6,5% em todo o Brasil na semana de 5 a 11 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, a alta foi de 6,3%.

O levantamento aponta aumento especialmente na procura por itens essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. Para Alckmin, o movimento reforça a preocupação de que as apostas vinham comprometendo uma parcela importante da renda das famílias, que agora pode ser destinada à alimentação e a outras despesas do dia a dia.

A proibição das apostas de quota fixa foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. A norma vedou a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das bets no território nacional. Os sites e aplicativos foram bloqueados a partir de 6 de outubro.

Na primeira semana analisada pela Abras, o maior avanço nas vendas foi registrado nas regiões Sul e no bloco formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambos com 10,6%. O Nordeste teve crescimento de 6,5%. Na segunda semana, o Sul continuou na liderança, com alta de 9%.

A associação também relaciona o cenário a uma redução nas transações via Pix após a proibição das apostas. A interpretação é que, com menos recursos destinados ao jogo, parte do dinheiro voltou a circular no comércio e nas compras essenciais.

O resultado, no entanto, deve ser lido com cautela. Os dados divulgados pela Abras mostram uma coincidência entre o fim das bets e o aumento do consumo, mas ainda não isolam quanto dessa alta decorre exclusivamente da proibição. O período também coincidiu com a devolução, pelos bancos, de saldos remanescentes nas contas de apostas, prevista pelo governo entre 9 e 14 de outubro.

Mesmo com essa ressalva, o levantamento reforça o debate sobre o impacto das apostas on-line no orçamento doméstico. A avaliação defendida por Alckmin e pelo setor supermercadista é que a restrição às bets pode contribuir para que a renda das famílias volte a priorizar alimentação, contas básicas e consumo no comércio local.

Cara e Coroa/https://caraecoroa.com.br/alckmin-relaciona-alta-nas-vendas-de-alimentos-ao-fim-das-bets-abras-aponta-avanco-de-ate-65/

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