ABERRAÇÃO RELIGIOSA – Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço
18 de setembro de 2026, 15:43

Aberração, segundo o dicionário de Michaelis, entre outras definições, é “um desvio aberrante ou perverso de qualquer conduta, norma ou padrão estabelecidos; extravio de espírito, ideias, de juízo, extravagância de conceito”. Pois bem, o que observamos atualmente, em termos de conduta religiosa, é uma das mais absurdas e incompreensíveis aberrações. A profanação do sagrado e espiritual, de acordo com os princípios cristãos, tornou-se regra e não exceção. Muitos dos que deveriam pregar o amor, a paz e a igualdade, armam-se com o escudo do ódio, com a armadura da intolerância e com a espada da vingança.
Hipócritas, apregoaria Jesus, correndo o risco de ser apedrejado por esses que se autointitulam mensageiros do cristianismo e autênticos cristãos, reivindicando para si o respeito e toda autoridade espiritual.
Na verdade, são autênticos aproveitadores da ignorância dos incautos, como bem observou o apóstolo Paulo: “porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos…” (Romanos 16: 18-19).
Vivendo no luxo e muitas vezes em total luxúria, um dos sete pecados capitais, segundo a tradição cristã, esses falsos moralistas e aproveitadores da ingenuidade de muitos cristãos sinceros e fiéis, utilizam-nos como massa de manobra em benefício (enriquecimento) próprios, já que nem eles praticam o que pregam.
E o pior e mais intrigante é que os verdadeiros líderes, que não se utilizam de tais artifícios, nada fazem para frear o ímpeto perverso desses exploradores da fé. Algumas dessas lideranças, muitas vezes reproduzem as mesmas sandices para os seus fiéis, induzindo-os a praticarem os mesmos erros. Atentam contra a própria concepção cristã, que vem se tornando desacreditada por conta da prática nefasta desses oportunistas, conhecidos como falsos profetas.
Em resumo, o próprio Cristo – cuja mensagem central era focada na igualdade, na fraternidade e no amor -, não sobreviveria a tamanha hipocrisia e insensatez.
Seria novamente crucificado por muitos dos que se intitulam fiéis e autênticos defensores do cristianismo. É uma lógica muito simples e cruel.
Zuca Assunção
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