Branco, pardo, branco: a autodeclaração com validade eleitoral

31 de julho de 2026, 07:00

(Foto: Reprodução)

As novas declarações de cor e raça apresentadas por Angelo Coronel e ACM Neto à Justiça Eleitoral revelaram uma curiosa coreografia na oposição baiana. Coronel, candidato à reeleição para o Senado, declarou-se pardo em 2026. ACM Neto, novamente candidato ao Governo da Bahia, voltou a se identificar como branco.

Em nota publicada em O Globo, o jornalista e colunista Lauro Jardim lembrou que, “oito anos atrás, ele preencheu o campo de cor/raça como branca”, em referência a Coronel. O senador também havia se declarado branco em 2014, quando concorreu a deputado estadual. Sobre o ex-prefeito de Salvador, Jardim encerrou de forma direta: “Agora, Neto voltou a ser branco.”

Neto havia trocado sua autodeclaração de branco para pardo na campanha de 2022, quando disputou o governo estadual. Quatro anos depois, fez o caminho de volta. Coronel seguiu na direção contrária. Um passou de branco a pardo; o outro, de pardo a branco. Pelo visto, na oposição baiana, até a identidade racial acompanha o calendário eleitoral.

A autodeclaração é um direito individual. Mudanças sucessivas feitas justamente no registro das candidaturas, porém, exigem explicações públicas, sobretudo num país em que a identidade racial possui profundo significado histórico, social e político. No formulário do TSE, ao menos, a chapa já começou a campanha apresentando mudanças.

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