Mineração baiana ganha destaque com foco na sustentabilidade
14 de setembro de 2026, 14:02

(Foto: Divulgação)
A mineração da Bahia ganhou visibilidade internacional na China em um momento de expansão da atividade e de aumento da procura mundial por minerais estratégicos. O potencial geológico do estado foi apresentado no 2º Fórum Brasil-China de Investimento em Mineração, realizado em Pequim, com destaque para novas oportunidades de negócios, pesquisa mineral e projetos associados à transição energética.
Terceiro maior produtor mineral do país, atrás apenas de Pará e Minas Gerais, o estado reúne uma das maiores diversidades minerais do Brasil. Das 93 substâncias minerais produzidas nacionalmente, 47 estão presentes na produção baiana, e mais de 200 municípios têm atividade ligada ao setor.
A estratégia do governo estadual é fazer esse crescimento avançar acompanhado de exigências ambientais mais rigorosas. O governador Jerônimo Rodrigues apoia a expansão da mineração como atividade capaz de gerar investimentos, empregos e desenvolvimento regional, mas mantém como prioridade uma exploração que reduza impactos ambientais e incorpore novas tecnologias ao processo produtivo.
Na prática, isso significa ampliar o reúso da água utilizada no beneficiamento dos minerais, tratar os efluentes antes do descarte ou de sua volta ao processo industrial e reduzir a necessidade de novas captações. Em regiões de menor disponibilidade hídrica, esse tipo de solução ganha ainda mais importância.
Outro ponto é o destino dos resíduos da mineração. Parte dos materiais que antes seguiria diretamente para descarte pode ser avaliada para reutilização, reciclagem, recuperação de componentes ou reaproveitamento como matéria-prima em outros processos. A lógica é reduzir o volume destinado a aterros e diminuir a retirada de novos recursos naturais.
A sustentabilidade também passa pela prevenção de acidentes. Planos de emergência, monitoramento das estruturas, treinamento de equipes e protocolos de resposta a vazamentos, incêndios, rompimentos e transporte de produtos perigosos passaram a integrar a gestão das operações minerais. O trabalho preventivo inclui ainda o acompanhamento da qualidade do solo, das águas superficiais e subterrâneas e das emissões geradas pela atividade.
Há ainda atenção crescente aos passivos ambientais. Áreas contaminadas, drenagem ácida, presença de metais no solo e impactos acumulados ao longo da exploração precisam ser identificados antes que se transformem em problemas ambientais de maior dimensão. Monitoramento permanente, recuperação de áreas degradadas e projetos de remediação fazem parte dessa nova etapa da mineração.
A Bahia ocupa posição especialmente importante no mercado que se forma em torno dos minerais críticos. Cerca de 38% das áreas brasileiras com autorização para pesquisa de terras raras estão no estado. Esses minerais são essenciais à fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias ligadas à transição para uma economia de baixo carbono.
Essa combinação aproxima duas áreas nas quais a Bahia já tem forte presença: mineração e energia limpa. O estado é destaque nacional em geração eólica e solar e possui minerais necessários justamente para tecnologias utilizadas nessa transição. O desafio é fazer com que a expansão da produção venha acompanhada de pesquisa, processamento, inovação tecnológica e maior valor agregado dentro do próprio estado.
As perspectivas de investimento dão dimensão desse movimento. A previsão é de mais de R$ 56 bilhões em investimentos em mineração e logística até 2030, envolvendo pesquisa mineral, novos projetos produtivos e infraestrutura.
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