Leite em dobro

01 de fevereiro de 2018, 13:20

Em dois anos, produtor de Goiás sai do vermelho e registra lucro de 133% com manejo ajustado e gestão profissional

Assistência técnica foi essencial para a melhora dos índices da propriedade

“Ex-tirador de leite”, como se autodefine, o pecuarista Eduardo Condinho Filgueiras costuma resumir em uma frase a atual situação de sua propriedade leiteira: “Agora, é possível saber onde estamos e para onde podemos seguir”. A declaração pode parecer simples, mas, para Eduardo, é resultado de dois anos de investimentos e muito trabalho, sobretudo na área de gestão da fazenda, propriedade que ele herdou do pai, também produtor de leite.

“Meu pai, Francisco Filgueiras Junior, estava na atividade há mais de 40 anos. Depois de alguns anos, passou a ter a ajuda do meu irmão, Daniel Condinho Filgueiras, que veio a falecer em 2003. Após a morte dele, assumi a fazenda ao lado do meu pai e, juntos, sempre tentamos melhorar a produtividade. Depois da morte do meu pai, assumi a fazenda integralmente junto com meu filho Lucas Vilela Filgueiras, buscando ainda mais tecnologias para aumentar a produção”, lembra o produtor.

A parceria com a Cooperativa para a Inovação e Desenvolvimento da Atividade Leiteira (Cooperideal), conta o produtor, teve início em maio de 2015. “Fui tirador de leite por muitos anos e, quando herdei a Canaã, busquei assessoria técnica. No início, era um produtor com uma produtividade muito baixa e sem nenhuma gestão financeira”, lembra Eduardo. “Tinha visto os ótimos trabalhos da Cooperideal na região e procurei o técnico responsável. Posso dizer que, ao melhorar os índices de produção da propriedade, me considero, atualmente, um produtor de leite”, diz o pecuarista.

Deficiências – O projeto da Canaã com a cooperativa começou com a identificação das deficiências da propriedade. A partir daí, produtor e técnico juntaram esforços para tentar resolver os problemas. São dois anos de trabalho, discussões, estudos e muito planejamento” diz Eduardo.

O zootecnista André Carrijo Rodrigues é o “parceiro técnico” da Canaã. “A propriedade, na parte da produção de leite, deixava a desejar. Na época da seca o produtor trabalhava certo, fazendo divisões de lotes de acordo com as exigências como produção de leite, estado reprodutivo e assim por diante, mas, chegando nas águas, época de pastagem de maior abundância, as vacas viviam misturadas, andando muito longe… Ou seja, gastavam muita energia para deslocamentos e o resultado era menos eficiência na produção”, conta Rodrigues. O zootecnista atua em parceria com o programa Senar Mais do Sistema Senar/Faeg, do qual a Cooperideal é parceira. Na primeira visita, lembra Rodrigues, a produção de leite era de 1.407 litros/dia.

Eduardo afirma que o investimento em um melhor gerenciamento da fazenda foi e ainda é fundamental para a melhoria dos índices zootécnicos e econômicos da Canaã, mas não é item isolado. “A evolução na propriedade foi na parte de nutrição, pastagem, recria, reprodução e administrativa”, explica. “No momento, estamos com a produção de cerca de 2.000 litros/dia, mas já tivemos picos de 2.500 litros/dia e devemos atingir no mês de junho a marca de 2.800 litros/dia”, diz o produtor.

“Essas tecnologias, aliadas ao índice de 85% de vacas em lactação, com dietas bem ajustadas e um rigoroso controle zootécnico e econômico, fazem com que a fazenda obtenha ótimos resultados, sem muitas oscilações durante o decorrer do ano na sua produção”, avalia Rodrigues. O zootecnista destaca que, em uma propriedade leiteira, o que gera renda é o leite, portanto, quanto mais vacas estiverem produzindo, melhor será a produtividade. “Além da produção, que é de extrema importância, tem a questão da matéria-prima, que, no caso do leite, é o pasto ou o volumoso de qualidade oferecido ao rebanho.” Ele diz, ainda, que uma dieta bem ajustada considera a ingestão total do animal em um período de 24 horas, incluindo água limpa. A partir desse controle, o produtor tem condições de atender a determinadas exigências de nutrientes para crescimento, manutenção, reprodução e/ou produção.

A Canaã, segundo Eduardo, é a prova de que uma nutrição balanceada – aliada a uma pastagem de boa qualidade e adequada ao rebanho – dá bons resultados. A primeira etapa, conta, foi realizar uma análise de solo para detectar as necessidades de adubação e correção do solo. Com a forrageira bem manejada, Eduardo conseguiu reduzir custos com alimento concentrado. “Um capim adequado, solo corrigido e bem adubado, a colheita na hora certa, com boa quantidade de proteína… Tudo isso significa diminuição do custo de produção, pelo menos na parte de nutrição, e mais receita por litro de leite”.
Com a área de pastagem devidamente “identificada”, o proprietário da Canaã dividiu o pasto em áreas menores e “mobilizou” todos os funcionários para as mudanças na fazenda. “Eu, juntamente com os funcionários, aprendi a manejar o capim. Por ser uma área menor, fica mais fácil para todos os envolvidos na atividade pegar o jeito. Em 5,5 hectares de braquiarão, Eduardo colocou as melhores vacas de um grupo de 100 animais em produção.

Trato na seca – O segundo passo, de acordo com o produtor, foi melhorar o que ele chama de “trato para a seca”. “Como a fazenda tem bastante água, foi sugerido pelo técnico fazer uma irrigação de pastagem para tentar baratear mais o custo com alimentação na seca”, relata Eduardo. Com a medida, ele conseguiu diminuir o número de vacas para tratar no cocho. “Houve economia, já que o capim é mais barato do qualquer outro alimento.” O zootecnista André Rodrigues destaca outra mudança importante na Canaã. “Conseguimos fazer uma ‘correção alimentar’ para a recria, e as novilhas começaram a entrar em reprodução mais cedo; em vez de parir com 3 a 4 anos, agora a parição ocorre entre os 24 e os 27 meses. Com a antecipação nesta categoria, houve um aumento no número de vacas em lactação. Isso, aliado ao aumento da oferta de forragem, resulta em uma evolução a cada dia que passa”, diz o técnico.

Além dos 5,5 hectares de braquiarão, Eduardo instalou 6 hectares de mombaça (no sistema de plantio direto irrigado) e mais 2,5 hectares de jiggs também irrigado, plantado por meio de mudas, o que, segundo o produtor, resulta em maior produção de massa foliar. Ainda no período de seca, o proprietário da Canaã conta que subdivide sua “pista de trato” em 8 áreas para facilitar o ajuste da dieta do rebanho. Em março deste ano, foram plantados também 2 hectares de cana-de-açúcar para complementar os 11 hectares já existentes, de maneira a suprir a alimentação das novilhas que vão parir, além do consumo dos lotes em recria. A escolha das forragens foi feita de acordo com a produção de cada uma. “E, para o ano que vem, já estamos preparando mais uns 5 hectares de capim zuri, da variedade Panicum maximum, para receberem as novilhas que vão parir”, conta o zootecnista.

“A maior mudança na gestão da fazenda foi estabelecer metas e cumpri-las com base nos embasamentos técnicos. Agora, traçamos metas para ter uma boa produtividade e uma excelente rentabilidade. Para o momento atual, a produção de leite está boa, mas podemos melhorar os índices, com a continuidade do trabalho de gestão e planejamento da propriedade”, avalia Eduardo. Para o produtor, ter em mãos informações precisas da propriedade – o que só é possível com uma boa gestão, o famoso “manter os custos de produção na ponta do lápis”, favorece a tomada de decisões acertadas. “Mas isso tudo não seria possível sem a ajuda e colaboração de todos os funcionários da propriedade e dos técnicos”, faz questão de destacar o dono da Canaã.

*Matéria originalmente publicada na edição 85 da revista Mundo do Leite. 

Fonte: Portal DBO

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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