Ghee ou manteiga: qual é a mais saudável?

29 de outubro de 2019, 08:40

A resposta não é assim tão simples. Saiba o que deve ter em conta antes de optar pela ghee - o alimento do momento (Foto: Reprodução)

Aresposta não é assim tão simples. Saiba o que deve ter em conta antes de optar pela ghee – o alimento do momento. Mas afinal, o que é a ghee? É uma forma de manteiga clarificada (fervida em banho-maria, formando uma espuma, retirada várias vezes até só sobrar o óleo dourado, sem água e resíduos sólidos do leite), usada na culinária indiana há séculos. E, mais recentemente, tornou-se sobretudo no mundo ocidental numa opção mais saudável de gordura do que a ‘comum’ manteiga.

Qual é o problema da ‘velha e boa’ manteiga?

Uma colher de chá de manteiga contém 20% da dose diária de gordura saturada.

Todavia, já se vai o tempo em que a maioria dos cientistas acreditavam que fontes integrais de gordura encontradas em laticínios encurtariam a vida das pessoas, se consumidas em excesso. Apesar de muitos acadêmicos continuarem a procurar por uma associação entre a gordura saturada e doenças cardíacas – tendências como o “bulletproof coffe (café com óleo de coco e especiarias) começam a alterar discursos previamente estabelecidos.

“A gordura saturada costumava ser o inimigo número um da saúde pública”, explica David Ludwig, à revista norte-americana Women’s Health, professor de nutrição na Harvard T. H. Chan School of Public Health (EUA). “Apesar de não ser vilã ela não é exatamente uma comida saudável. É neutra.”

Então, sim, é aconselhável consumir manteiga com moderação, mas não já necessidade de tirá-la do cardápio por completo.

Aqui estão as propriedades da manteiga (uma colher de chá):

Calorias: 36;

Proteína: 0.04 g;

Gordura: 4.1 g;

Gordura saturada: 2.5 g;

Hidratos de carbono: 0 g;

Fibras: 0 g;

Açúcar: 0 g;

Sódio: 1 mg;

Vitamina A: 125 IU.

E a ghee?

Tal como a manteiga, 100% das calorias da ghee advêm da gordura. O alimento é feito de 99 a 99.5% de puro óleo da manteiga, já que a maior parte do laticínio que existia naturalmente foi removido.

Mesmo assim, não pode ser considerada vegan, já que ainda pode conter traços de caseína e lactose, que podem afetar as pessoas sensíveis – com intolerância a laticínios ou lactose, segundo Ludwig.

Relativamente aos nutrientes, a ghee oferece vitaminas A e E (assim como a manteiga), e ainda contém ácido linoleico conjugado, que ajuda a proteger contra o câncer colorretal e de mama. E também conta com butirato, um ácido gordo que auxilia na digestão.

Mas, assim como com a manteiga, a ghee possui um alto nível de gordura saturada – e é comumente associada ao aumento de casos de doenças coronárias na Índia, como publicou um estudo no internacional Journal of Research in Ayurveda.

Aqui estão as propriedades nutricionais da ghee (uma colher de chá):

Calorias: 45;

Proteína: 0 g;

Gordura: 5 g;

Gordura saturada: 3 g;

Hidratos de carbono: 0 g;

Fibras: 0 g;

Açúcar: 0 g;

Sódio: 0 mg;

Vitamina A: 200 IU.

Qual é mais saudável?

Fato, a ghee não é uma opção mais saudável do que a manteiga, diz Ludwig. Não há realmente uma diferença substancial em calorias e gorduras.

A única categoria onde a ghee reina é no fogão. Se gosta de cozinhar com o fogo forte, é possível que prefira optar por ghee já que não queimará tão rapidamente, afirma o professor, acrescentando que a manteiga pode queimar a 177°C, mas a ghee aguenta temperaturas de até 252°C.

Concluindo, a escolha depende muito do estilo de vida de cada um. Por exemplo, se é intolerante à lactose, a ghee pode ser uma escolha melhor, já que a parte sólida do leite é removida durante o processo. Se sofre de alguma alergia alimentar, nem a ghee nem a manteiga são seguras para consumo.

Mas Ludwig não sugere escolher qualquer uma delas regularmente. “Eu escolheria óleo de abacate ou azeite para cozinhar, e talvez um pouco de manteiga ou ghee para dar sabor”.

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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