Fumar aumenta o risco de infecção e forma grave de coronavírus, diz estudo

27 de maio de 2020, 11:53

Dois estudos publicados recentemente mostraram que fumar não só aumenta o risco de infecção pelo novo coronavírus como a probabilidade de desenvolver sintomas mais graves da doença (Foto: Reprodução)

Dois estudos publicados recentemente mostraram que fumar não só aumenta o risco de infecção pelo novo coronavírus como a probabilidade de desenvolver sintomas mais graves da doença. Um estudo feito por pesquisadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, com 2,4 milhões de pessoas mostrou que os fumantes tinham uma probabilidade maior de apresentar sintomas compatíveis com Covid-19, incluindo sintomas pouco comuns como diarreia, perda de apetite e delírio, e de ir ao hospital.

Os pesquisadores analisaram dados de usuários do aplicativo COVID Symptom Study, que solicita às pessoas relatos regulares sobre sua saúde e se apresentam sintomas do coronavírus, com o objetivo de dar um panorama mais claro do surto no Reino Unido. Entre os usuários, 11% eram fumantes.

Os resultados mostraram que os fumantes tinham um risco 14% maior de desenvolver sintomas compatíveis com diagnóstico de Covid-19, como tosse persistente e febre. Eles também apresentavam uma probabilidade 50% maior de sofrer outros sintomas, como diarreia, perda de apetite e delírio e um risco duas vezes mais alto de precisar comparecer ao hospital.

“Nossos resultados fornecem evidências convincentes de uma associação entre o tabagismo e o risco de Covid-19, incluindo a carga de sintomas e o risco de comparecer ao hospital”, escreveram os autores. O estudo ainda está em fase de pré-publicação e precisa ser revisado por pares.

Os resultados em humanos mostraram que o pulmão das pessoas que fumavam mais expressaram os níveis mais altos de ECA2. Essa associação permaneceu mesmo após serem considerados considerados fatores como idade, sexo, etnia e índice de massa corporal (IMC) dos participantes. Por outro lado, parar de fumar reverteu esse aumento. Por exemplo, as pessoas não fumavam há um ano apresentavam uma redução de cerca de 40% na expressão da ECA2 no pulmão, em comparação com aqueles que ainda fumavam.

De acordo com os pesquisadores, o aumento desses receptores está associado ao aumento das células caliciformes em fumantes. Estas células pulmonares secretam muco e ajudam a proteger as vias aéreas dos efeitos irritantes da fumaça. Por outro lado, ter mais células caliciformes significa ter mais receptores ECA2 e, consequentemente, aumenta a vulnerabilidade a infecções graves por SARS-CoV-2. Os resultados deste estudo já foram revisados e ele está prestes a ser publicado na revista científica Developmental Cell.

Polêmica

A associação entre o tabagismo e o risco de infecção por coronavírus é uma polêmica desde o início da pandemia, quando estudos sugeriram que fumar poderia, de alguma forma, desempenhar um efeito protetor contra a doença. Por exemplo, um estudo publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases descobriu que pessoas que fumam e têm sintomas de gripe ou infecção respiratória eram menos propensas do que as pessoas que não fumam a testar positivo para SARS-CoV-2 na atenção primária.

Outro estudo, que não foi submetido à revisão por pares, afirma que há poucos fumantes entre os pacientes hospitalizados com a infecção na China. Com base nisso, os autores especulam se a nicotina presente nos cigarros protegeria os fumantes. Um estudo na França chegou à mesma conclusão.

A hipótese ganhou tanto destaque que pesquisadores franceses decidiram conduzir um estudo clínico para avaliar os possíveis efeitos protetores da nicotina contra a Covid-19 por meio do uso de adesivos da substância e não do cigarro, claro. A explicação é que a nicotina poderia reduzir a expressão da ECA2 e dificultar a entrada do vírus nas células.

No entanto, diversas evidências apontam contra essas alegações. Por exemplo, não é novidade que fumantes correm maior risco de pegar outros vírus respiratórios porque além de tocar mais a boca, a fumaça danifica as vias aéreas e os pulmões. Além disso, especialistas alegam que a menor incidência de fumantes com Covid-19 é porque essas pessoas tendem a ficar mais graves e precisar e atendimento no UTI – alguns estudos avaliaram apenas pacientes internados em enfermaria – e porque nem todos os médicos fizeram essa pergunta aos pacientes e não existe esse dado no registro.

“O estudo é falho e extremamente enviesado. Os pesquisadores não incluíram pacientes em terapia intensiva. Sabemos, por estudos publicados anteriormente, que fumantes têm maior risco de um pior desfecho da Covid-19 e, portanto, há maior probabilidade de encontrar essas pessoas em UTI”, comentou o pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, em referência ao estudo francês que sugeriu que fumantes correm um risco menor de desenvolver sintomas e formas graves de Covid-19.

Para Jason Sheltzer, pesquisador à frente do estudo do Laboratório Cold Spring Harbor, em Nova York, a grande repercussão associada à alegação de que o fumo protege contra a Covid-19 está associado ao fato dessa associação ser “contra-intuitiva”. Ainda segundo o pesquisador, é muito provável que ela esteja errada. “Uma abundância de dados – incluindo metanálises de alta qualidade – demonstram que os fumantes tendem a ter casos mais graves de Covid-19 do que os não fumantes”, disse ao site especializado Medical News Today.

Outro fator que contraria a associação protetiva do tabagismo à Covid-19 é que fumar é um dos fatores associados ao desenvolvimento de problemas de saúde como hipertensão, diabetes e doenças pulmonares, que são os principais fatores de risco para complicações por infecção por coronavírus. “Além disso, hoje se discute muito o papel da inflamação na infecção por coronavírus e o tabagismo causa inflamação crônica nos pulmões, nas artérias e no corpo em geral. Então eu não vejo logica em um estudo desse.”, ressalta o pneumologista Elie Fiss. Portanto, a recomendação de saúde segue a mesma: o tabagismo é fortemente contraindicado.

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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