Fazer álcool em gel é ineficaz e perigoso, dizem especialistas

21 de março de 2020, 20:11

Nos vídeos na internet, não há consenso acerca das proporções ou sobre qual tipo de álcool pode ser utilizado (Foto: Reprodução)

Dois ingredientes, um custo muito menor e o mesmo resultado. Essa é a promessa de vídeos e tutoriais da internet sobre o álcool em gel caseiro que, na propaganda, seria tão eficaz quanto o industrial como método de prevenção ao coronavírus.Segundo a ferramenta de métricas online Google Trends, a busca por “como fazer álcool em gel” cresceu mais de 50.000% na última quinta-feira (19). Na terça (17), a atriz Maitê Proença publicou um vídeo nas suas redes sociais ensinando a fazer o produto. O vídeo havia tido mais de 70 mil visualizações até a publicação desta reportagem.

Contudo especialistas ouvidos pela Folha alertam para o fato de que o álcool em gel feito em casa pode não só ser inútil para assepsia como também pode ser prejudicial à saúde e causar acidentes graves.

Nos vídeos na internet, não há consenso acerca das proporções ou sobre qual tipo de álcool pode ser utilizado. Maitê Proença, por exemplo, diz que se pode usar qualquer um que se tenha em casa. “Lógico que, quanto maior o percentual [de concentração], mais ele te protege.”

A maioria escolhe uma porção de gel de cabelo transparente para quatro de álcool líquido 70% concentrado, o chamado álcool 70.

Criticada por dar a receita caseira a atriz defendeu a fabricação em um segundo vídeo. A reportagem procurou sua assessoria de imprensa, mas não obteve resposta.

A professora Suzan Pantaroto de Vasconcellos, do departamento de ciências farmacêuticas da Unifesp, explica que, além de o produto para cabelos carregar diversos ingredientes que não servem para higienização e que podem danificar a pele, a manipulação caseira dos ingredientes pode causar contaminação, além de não ter como garantir a concentração correta do produto final.

“O álcool 70 não tem essa concentração por nada; é a concentração em que o álcool entra na célula microbiana, a bactéria ou vírus, é como ele adentra na parede celular para ser efetivo como antisséptico. Com concentração superior, ele não consegue quebrar barreira da célula. Se estiver abaixo, não é mais antisséptico, só desinfetante”, explica.

A mistura com o gel de cabelo pode também gerar reações químicas e subprodutos prejudiciais à pele, afirma a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Primavera Borelli.O produto industrial, explica ela, usa um neutralizante de PH. Segundo a professora, reações químicas entre o álcool e o polímero podem gerar diferentes PHs. “E usa-se um polímero puro, não tem outras substâncias. Adicionalmente se coloca uma substância que evita o ressecamento da pele”, explica. Há, ainda, o risco de acidentes.

Manusear substâncias inflamáveis em casa não é seguro; seu armazenamento em locais de trabalho chega a gerar adicional de periculosidade aos trabalhadores da empresa envolvida, como diz um parecer do Tribunal Superior do Trabalho.

Hoje, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite somente a compradores especializados a comercialização de álcool líquido em grande concentração.

Diante da emergência do coronavírus, contudo, a Câmara dos Deputados aprovou, na última terça (17), um projeto que libera a venda do álcool 70 em grandes embalagens, suspendendo a norma da agência pelo prazo de 90 dias. O projeto foi encaminhado ao Senado.

Pelos riscos de manuseio, alerta o professor Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, o público em geral não deve manipular o álcool 70 em versão líquida.

“Para o consumidor final, hoje é vendido álcool 46% líquido e álcool 70% em gel. Isso por conta dos acidentes domésticos que ocorriam com álcool concentrado e pelos riscos de manipulação por um público não preparado”, comenta, explicando que o álcool em altas concentrações não só é inflamável como também solta um vapor que pode pegar fogo.

A procura pela receita caseira pode ser entendida como um reflexo da falta do produto industrial nas prateleiras de mercados e farmácias.

Em resposta a esse quadro, a própria Anvisa, nesta sexta (20), flexibilizou as regras de venda e produção do álcool em gel pelos próximos 180 dias. A resolução dá permissão, por exemplo, para que empresas de medicamentos, desinfetantes e cosméticos, devidamente regularizadas, possam vender.

Segundo o advogado Eduardo Vital Chaves, especialista em direito cível e do consumidor e sócio do escritório Rayes & Fagundes, a medida, válida por seis meses, é oportuna pois libera a produção de álcool em gel para farmácias de manipulação, que têm expertise para lidar com tais materiais e estão espalhadas em todo o Brasil, o que deve facilitar o acesso ao produto e sua oferta.

“A venda de solução caseira segue proibida por lei. Quando você não tem procedência garantida, você põe em risco a saúde dos consumidores. Em momento de urgência, ninguém vai pensar duas vezes antes de comprar álcool caseiro, então tem um risco à vida e segurança, potencializado por um momento de crise e emergência”, analisa.

Em diferentes pontos do país, já houve apreensões do produto caseiro. Também houve estabelecimentos interditados pelo Procon por prática abusiva, como uma farmácia em São Leopoldo (RS), que vendia álcool em gel a R$ 300. Em São Paulo, um comerciante comprou um estoque de frascos de bolsa para vender a preço justo.

Finalmente, é consenso entre os especialistas ouvidos pela Folha que, na falta de álcool em gel, é melhor usar o álcool 70 líquido sozinho, apesar do risco de acidentes, do que a solução caseira, já que esta pode causar de irritações a inflamações na pele.

Mesmo assim, o melhor método de prevenção à contaminação por coronavírus continua sendo a tradicional lavagem com água e sabão, por ao menos 20 segundos.

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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