Estudante de 14 anos perde 30% da panturrilha após picada de mosquito

03 de maio de 2022, 14:11

Depois de 49 dias internada, a estudante Maria Clara que foi picada por um inseto durante uma atividade escolar em Caieiras (SP), teve alta hospitalar (Foto: Reprodução)

Depois de 49 dias internada, a estudante Maria Clara Oliveira Nogueira, 14, picada por um inseto durante uma atividade escolar em Caieiras (SP), teve alta hospitalar. Ela foi vítima de um mosquito-palha, transmissor da leishmaniose. A garota teve 30% da panturrilha esquerda necrosada e removida.

O caso aconteceu no dia 14 de fevereiro. Segundo a família, Clara precisou ser internada duas semanas depois, já que o ferimento na perna onde ela havia sido picada por um inseto não melhorava e começou a aparentar estar com pus.

Segundo a administradora Fabiana Oliveira Borin, mãe de Clara, o incidente aconteceu durante uma atividade escolar ao ar livre, na horta da Escola Estadual Doutor Mário Toledo de Moraes, no bairro Laranjeiras, em que os alunos precisavam lavar e pintar pneus para confeccionarem bancos. No entanto, no local onde a atividade foi realizada estava com mato alto até a altura do joelho da garota.

A adolescente foi levada para o Hospital de Laranjeiras, onde foram realizadas drenagens e administradas medicações. Ainda assim, após 15 dias, o médico responsável decidiu internar a adolescente e explicou que a garota havia contraído uma bactéria após a picada e que ela seria “resistente”. Ao Ao ser internada, familiares da adolescente teriam sido informados pelos médicos que a menina corria o risco de perder a perna.

“Minha filha gritava de dor e diversas vezes precisou tomar morfina. Não aguentando mais tanta dor ela chegou a pedir para morrer porque não tinha mais forças”, disse Fabiana Borin, administradora e mãe de Clara.

O diagnóstico de que a garota havia sido picada por um mosquito-palha, transmissor da leishmaniose, saiu quase um mês após a data do incidente. Foram necessárias cinco biópsias para chegar ao resultado, identificado por laudo médico como leishmaniose – no caso dela, cutânea e com gangrena.

Durante o período de internação, Clara passou por dois procedimentos cirúrgicos para a retirada de necroses da perna, que poderiam gerar infecção generalizada. A menina chegou a ficar dois dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Foram dias de muito desespero e que eu imaginei que poderia perder a minha filha”.

Agora, após quase dois meses sem frequentar a sala de aula, a mãe teme a volta às aulas da filha, que ainda não tem data para acontecer. “Ela quer voltar para a mesma escola, mas ainda não temos previsão de quando isso vai acontecer porque ela está de atestado médico. Por enquanto, ela precisa fazer repouso e só sai de casa para ir ao pronto-socorro fazer os curativos”.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo lamentou o ocorrido com a estudante e disse que está prestando toda assistência necessária.

“A apuração para identificar as causas do ocorrido está em andamento. A unidade, que fica localizada próximo a uma mata nativa, passa todo início de ano por processos de limpeza de caixa de água, bebedouros, troca de filtros, dedetização e desratização e, por precaução, a unidade realizou uma nova dedetização no dia 23/03”.

Mosquito-palha

A leishmaniose é uma doença causada pelo protozoário leishmania e transmitida pela picada da fêmea do mosquito-palha, podendo atingir pessoas e animais, principalmente os cachorros.

Sua transmissão se dá quando um mosquito-palha fêmea pica um cão infectado e posteriormente pica uma pessoa. Não há transmissão direta entre pessoas e pessoas e nem de um animal para o outro. A doença não é contagiosa.

Existe a leishmaniose tegumentar, que pode causar lesões na pele e nas mucosas, e a leishmaniose visceral, que atinge as vísceras e órgãos internos.

As manifestações da doença variam de sintomas como febre, diarreia, perda de peso e anemia até ocorrências mais graves, como aumento de fígado e baço, e problemas respiratórios.

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