Escolas inglesas deixam de exigir uso de máscara, e casos de Covid disparam

10 de outubro de 2021, 11:28

Em duas semanas, número de estudantes afastados por causa da doença cresceu 78% (Foto: Reprodução)

A Inglaterra fez uma aposta de alto risco quando, em setembro, mandou milhões de estudantes de volta à escola sem a exigência de vacinação ou de uso de máscara, ao mesmo tempo em que o coronavírus continuava a propagar-se na população.

Na terça-feira (5) o Departamento de Educação divulgou seu boletim mais recente sobre o funcionamento do plano: 186 mil estudantes faltaram à escola em 30 de setembro com casos suspeitos ou confirmados de Covid. É um número 78% superior ao de 16 de setembro, além de ser o mais alto desde que a pandemia começou.

No entanto, a julgar pelo que dizem muitos pais, o risco maior teria sido obrigar os estudantes a continuar usando máscaras, ou, pior ainda, mantê-los em casa.

“É importante para as crianças”, comentou Morgane Kargadouris, que buscava sua filha recentemente na escola primária Notting Hill, na zona noroeste de Londres, onde nenhum dos alunos usa máscara. “Uma parte grande do que elas aprendem é por meio de expressões e do contato que têm com outras pessoas.”

Opiniões desse tipo não são incomuns em um país que abandonou as regras de distanciamento social e fez de uma campanha intensiva de vacinação e um retorno rápido à normalidade os dois alicerces principais de sua resposta à pandemia. Mas chamam a atenção em uma discussão que vem sendo diferente em várias partes do mundo, com pais se esforçando para contrabalançar os riscos de uma doença potencialmente fatal com os custos de manter seus filhos em casa ou deixá-los frequentar salas de aula em que máscaras e outras medidas de proteção são obrigatórias.

Defensores da abordagem mais liberal seguida na Inglaterra dizem que ela permitiu que a grande maioria dos estudantes voltasse a ter uma experiência escolar normal. Já os críticos avisam que as crianças estão sendo expostas a riscos inaceitáveis. Com os casos de Covid aumentando mais rapidamente nas pessoas de 10 a 19 anos de idade, o instinto inglês de simplesmente “fazer o que tem que ser feito sem alarde” está sendo posto à prova.

Para os pais mais céticos, o abandono das máscaras e outras medidas, que até o final da primavera passada eram exigidas obrigatoriamente nas escolas secundárias, tem sido inquietante, apesar de poucas escolas terem sofrido o tipo de surto de Covid que atinge uma classe inteira. Recentemente, alguns país chegaram a lançar uma campanha nas redes sociais para fazer seus filhos faltarem à aula por um dia em protesto contra a falta de proteções.

“Passamos de um extremo, a criação de um clima de medo, para nada”, comentou Alex Matthew, cuja filha estuda na escola primária Colville, em Londres.

O governo insiste que os números da Covid justificam sua abordagem de não exigir máscaras ou outras medidas. Mesmo com o grande número de faltas de alunos por conta da Covid, 90% dos 8,4 milhões de alunos de escolas públicas estão em sala de aula, e as escolas estão funcionando quase normalmente. A maioria das faltas se deve a motivos outros, não à Covid. E não está claro quantos dos casos de Covid incluídos nas cifras de 30 de setembro também fizeram parte dos casos notificados em 16 de setembro.

O número diário de casos de Covid no Reino Unido está vários milhares mais baixo do que quando as escolas reabriram, no início de setembro. Esse fato sugere que, graças à ampla distribuição de vacinas entre a população adulta, a reabertura das escolas não impulsionou um novo surto importante. E a Inglaterra não é o único dos países que, em número crescente, procuram conviver com a pandemia.

Críticos dessa política, entretanto, a comparam a uma espécie de “festa de catapora” em nível nacional. Para eles, um número pequeno de crianças infectadas sofrerá os efeitos prolongados da Covid longa. Embora a porcentagem de crianças que acaba hospitalizada é baixa, ainda chega a mais de 9.000 desde que a pandemia começou —e algumas dessas crianças morrem.

Além disso, as tendências animadoras ressaltadas pelo governo obscurecem alguns indícios preocupantes. As infecções vêm aumentando rapidamente entre crianças e adolescentes em idade escolar, a maioria das quais ainda não está protegida, isso porque a Inglaterra se atrasou em relação a outros países em relação à vacinação de menores de 16 anos. De acordo com epidemiologistas, cerca de 1% das pessoas na faixa dos 10 aos 19 anos estão sendo infectadas a cada semana.

“A situação é tensa porque os professores e a direção das escolas estão tendo que lidar com muitos problemas ao mesmo tempo”, disse Geoff Barton, secretário-geral da Associação de Líderes de Escolas e Faculdades, que representa administradores escolares. “Se você deixar milhões de crianças voltarem às aulas presenciais, verá um aumento dos casos.”

Uma razão por que o Reino Unido pode assumir esses riscos, dizem cientistas, é que quase todos os adultos com mais de 65 anos —a faixa de alto risco da população— já estão plenamente vacinados, com menos risco de serem infectados. Em regiões dos Estados Unidos onde o índice de vacinação é muito mais baixo, as consequências provavelmente seriam piores.

Além disso, o governo sugere que os funcionários e alunos de escolas secundárias na Inglaterra façam testes rápidos de antígeno duas vezes por semana, na maioria dos casos em casa, o que possibilita a identificação de alguns casos assintomáticos. Na Inglaterra, os testes são gratuitos e fáceis de obter. Alguns testes são aplicados nas próprias escolas.

Mas a abordagem ao uso de máscaras na Inglaterra forma um contraste marcante com os Estados Unidos. Na América, as máscaras são exigidas na maioria das escolas, mas também são objeto de divergências políticas acirradas entre forças pró ou contra máscaras e entre autoridades estaduais e federais.

Três quartos dos 200 maiores distritos escolares dos EUA exigem o uso de máscara; a informação é do Burbio, serviço de dados que monitora os fechamentos de escolas. E dois estudos publicados recentemente pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) demonstraram que as máscaras protegem os alunos nas escolas contra o coronavírus, mesmo quando as taxas de infecção são altas na comunidade e a variante delta, mais contagiosa, está circulando.

Na Inglaterra, as escolas nem sequer são obrigadas a informar as famílias dos alunos da mesma classe quando um dos alunos testa positivo. É uma política que minimiza transtornos, mas, segundo críticos, coloca outros alunos em risco. Alguns parlamentares do Partido Conservador rejeitam as máscaras e outras restrições, mas a questão é muito menos politizada que nos Estados Unidos.

“Ela não é vista como símbolo da liberdade individual, como é nos EUA”, comentou Barton. “Não que algumas pessoas aqui não odeiem máscaras.”

A política seguida na Inglaterra reflete a visão de longa data de que a maioria das crianças supera os efeitos da Covid em pouco tempo e que relativamente poucas delas precisam ser hospitalizadas. Foi o mesmo argumento que levou o governo inicialmente a resistir à vacinação de menores de 16 anos. Agora as autoridades aderiram à vacinação de crianças de 12 anos para cima, algo que, segundo elas, vai frear o aumento de infecções nas faixas etárias mais baixas.

O índice de infecções no Reino Unido continua alto —os casos chegaram a 33.869 na terça-feira (5)—, mas os de internações hospitalares e mortes começaram a cair.

Alguns especialistas argumentam que as crianças não transmitem o vírus tão facilmente.

“Sim, é claro que as crianças transmitem, mas em nível muito inferior à da transmissão adulta”, disse Devi Sridhar, diretora do programa de saúde pública global da Universidade de Edimburgo. “É raro ver uma classe inteira ser infectada.”

Sridhar disse que defende o uso de máscaras nas escolas secundárias porque isso ajuda a fazer da escola um ambiente seguro, mas destacou que no caso das crianças com menos de 12 anos, o argumento de que as máscaras prejudicam a fala e o desenvolvimento social é persuasivo.

Para alguns pais, é chegada a hora de agir. A mãe Lisa Diaz, no noroeste da Inglaterra, fez campanha nas redes sociais por uma greve escolar para transmitir ao governo a mensagem de que os pais não concordam com sua abordagem. “Estes são nossos filhos, não números numa planilha”, ela disse.
Para outros pais, contudo, o instinto é simplesmente dizer, em relação às máscaras, que já se vão tarde.

“Acho que podemos supor que todos, certamente os pais, já tomaram as duas doses de vacina”, opinou recentemente Robert Loynes, que estava buscando sua filha da escola em Londres. “Não tenho visto professores de máscara, mas não vejo problema nisso. Não espero que usem. A impressão que tenho é que as coisas voltaram ao normal, e isso a meu ver é positivo.”

Folha de São Paulo

Principais sintomas físicos e mentais da abstinência de nicotina

A síndrome de abstinência de nicotina provoca inúmeros sintomas nos ex-fumantes. Contudo, explica um artigo publicado no portal Melhor Com Saúde, esses efeitos colaterais variam em intensidade dependendo da pessoa. 

O fato da nicotina ser uma droga muito viciante faz com que o hormônio conhecido como dopamina seja liberado no cérebro – este hormônio é responsável por aumentar a sensação de prazer e bem-estar. E como tal, o organismo reage negativa e violentamente à ausência da droga.

Ainda assim, a síndrome de abstinência de nicotina não representa qualquer risco para a saúde. Estima-se que os sintomas associados à condição afetam até 85% dos ex-fumantes. 

Os sintomas desta síndrome variam, mas, sem dúvida alguma, o mais comum é a vontade de fumar que pode surgir na presença de múltiplos estímulos, como por exemplo ver outra pessoa fumar, ou inclusive sem uma causa aparente.

Os principais sintomas da síndrome de abstinência da nicotina são os seguintes, de acordo com o portal Melhor Com Saúde:

Sintomas físicos

Aumento do apetite
Tosse
Boca seca
Dor de cabeça
Tontura
Fadiga
Coriza (inflamação da mucosa das fossas nasais; rinite, defluxo)
Dor de garganta, na língua ou gengivas
Sensação de aperto no peito
Ganho de peso
Frequência cardíaca mais lenta ou bradicardia
Obstipação
Hipotensão

Sintomas mentais

Ansiedade, inquietação e irritabilidade
Dificuldade em se concentrar
Insônia e dificuldade para dormir bem
Raiva e frustração
Depressão
Desânimo
Mau humor

Os sintomas da síndrome de abstinência da nicotina normalmente duram de 4 a 12 semanas e surgem nas primeiras 12 a 24 horas após parar de fumar. 

Os especialistas explicam que a fase mais critica são as primeiras duas a três semanas de cessação tabágica. Sendo que os sintomas começam gradualmente a desaparecer e, com o tempo o indivíduo aprende a controlar o desejo de fumar. 

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