Dona Marilene

11 de abril de 2018, 11:09

Por Marcelo Rodrigues

Faz dias que enviei crônicas para o jornal. A gravidez da mulher e as preocupações com a chegada do bebê me impediram de sentar e assim escrever. Em breve também irei embora da cidade, mas, antes de ir, pensava em uma última crônica como reconhecimento ao jornal e aos que me leram. A inspiração, porém, não vinha, e fui postergando essa crônica até o momento, quando uma triste razão me empurrou para o computador: o falecimento de Dona Marilene, gentil e caridosa Senhora que fez parte da minha infância. Depois de travar demorada luta contra o câncer, hoje, totalmente exaurido, seu corpo se rendeu e ela foi finalmente vencida. Mas vencida apenas nessa batalha física, pois continuará viva e presente nos corações daqueles que a amam. Um dia, toda vida se acaba; é inútil resistir; o que fica e jamais termina é tudo aquilo que fomos de amor e de justiça.
Conheci Dona Marilene quando ela sequer completara trinta e dois anos; era, então, uma jovem e bela mulher. Naquele tempo, eu me passava por um menino mal educado e brigão, mas a quem ela sempre tratou com respeito e carinho. Esse sentimento se estendeu a toda à minha humilde e instável família. Agradeço a ela por isso.
A última vez que a vi foi há pouco mais de uma semana, quando apareceu na casa da minha mãe numa visita bem rápida. Percebi que a sua saúde estava realmente fragilizada, mas não imaginava que o fim estivesse tão próximo! Naquele dia, insisti para que ficasse um pouco mais; respondeu que viria depois, mas jamais voltaria. Hoje me culpo por não lhe ter dado mais atenção e um abraço mais forte e prolongado.
Que Dona Marilene, depois de ter sido mãe zelosa e avó dedicada, possa finalmente descansar. Aqui, sua missão já se cumpriu. A vida é algo maravilhoso, a que todos nós nos agarramos com afinco pelos tantos prazeres que é possível na vida. Mas nenhuma existência é suportável quando o sofrimento não pára, quando a dor é constante. Nenhuma existência é digna quando não mais se vislumbra a alegria. E a morte, nessas ocasiões, é até bem vinda, pois não deixa de ser uma providência do destino para cessar o sofrimento e aliviar também a angústia dos entes queridos. Intimamente, creio que agora Dona Marilene é feliz, que não sofre mais. Agora, ela está em Deus, pois voltou para as mãos da natureza, que é mãe de todos nós e para aonde tudo retorna.
– Fique em paz, Dona Marilene. Aqui, a Senhora continua nos nossos corações.

Jacobina, 09 de abril de 2018

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

VÍDEOS