Conciliar cigarro e atividade física pode ser fatal; entenda

28 de junho de 2018, 10:52

Atletas fumantes podem ter morte súbita, infarto do miocárdio e arritmias cardíacas

O Institute for Health Metrics and Evaluation realizou pesquisa em 2015 em que constatou que cerca de 10% da população brasileira são fumantes. Essa condição traz uma série de prejuízos à saúde, ainda mais se for atleta.

“O cigarro é fator de risco para doenças cardiovasculares, portanto tabagistas que praticam esportes e não fazem exames periódicos podem ter morte súbita, infarto do miocárdio e arritmias cardíacas. Também podem ter crises de asma e rinite, principalmente quando a prática for em dias frios e com umidade relativa do ar muito baixa”, explica o pneumologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dr. Nelson Morrone Junior.

Conforme o especialista, o fumo desencadeia várias doenças respiratórias que fazem com que, ao praticar exercícios físicos, haja falta de ar, cansaço, tosse, náuseas e dores no peito.

“Ao perceber essa falta de fôlego, o esporte pode ser um estímulo para largar o cigarro. Porém, devemos sempre lembrar a necessidade de exames preventivos, sobretudo naqueles com mais de 40 anos, obesos, dislipidêmicos e com histórico familiar de doenças cardíacas. Outra orientação é fazer atividades regulares, evitando exercícios intensos”. Assim que parar de fumar, em poucos dias ou semanas, dependendo da idade e condição atlética, o prazer do esporte vai aumentar.

Dr. Nelson dá ainda dicas para quem quer cessar o vício do cigarro. A primeira é não compra-lo. A segunda é levar consigo uma foto de alguém que goste muito e sempre que for fumar olhar para a imagem e ter a certeza de que o cigarro abreviará o tempo de convivência com a pessoa amada.

O terceiro conselho é evitar gatilhos que façam ter vontade de fumar, como café e cerveja. A quarta dica é considerar que o hábito do tabagismo faz mal à saúde dele e da família. Por último, calcular o custo do cigarro, já que, se fumar um maço por dia, ao fim do mês terá desperdiçado valor equivalente a um almoço ou jantar com alguém especial.

“O cigarro é a maior causa de morte evitável no ser humano. Todos sabem que faz mal, mas pensam que as coisas ruins só acontecem com o vizinho, nunca com si próprio. A primeira etapa é reconhecer que o cigarro é um veneno e tomar a decisão de parar de fumar”, finaliza.

Principais sintomas físicos e mentais da abstinência de nicotina

A síndrome de abstinência de nicotina provoca inúmeros sintomas nos ex-fumantes. Contudo, explica um artigo publicado no portal Melhor Com Saúde, esses efeitos colaterais variam em intensidade dependendo da pessoa. 

O fato da nicotina ser uma droga muito viciante faz com que o hormônio conhecido como dopamina seja liberado no cérebro – este hormônio é responsável por aumentar a sensação de prazer e bem-estar. E como tal, o organismo reage negativa e violentamente à ausência da droga.

Ainda assim, a síndrome de abstinência de nicotina não representa qualquer risco para a saúde. Estima-se que os sintomas associados à condição afetam até 85% dos ex-fumantes. 

Os sintomas desta síndrome variam, mas, sem dúvida alguma, o mais comum é a vontade de fumar que pode surgir na presença de múltiplos estímulos, como por exemplo ver outra pessoa fumar, ou inclusive sem uma causa aparente.

Os principais sintomas da síndrome de abstinência da nicotina são os seguintes, de acordo com o portal Melhor Com Saúde:

Sintomas físicos

Aumento do apetite
Tosse
Boca seca
Dor de cabeça
Tontura
Fadiga
Coriza (inflamação da mucosa das fossas nasais; rinite, defluxo)
Dor de garganta, na língua ou gengivas
Sensação de aperto no peito
Ganho de peso
Frequência cardíaca mais lenta ou bradicardia
Obstipação
Hipotensão

Sintomas mentais

Ansiedade, inquietação e irritabilidade
Dificuldade em se concentrar
Insônia e dificuldade para dormir bem
Raiva e frustração
Depressão
Desânimo
Mau humor

Os sintomas da síndrome de abstinência da nicotina normalmente duram de 4 a 12 semanas e surgem nas primeiras 12 a 24 horas após parar de fumar. 

Os especialistas explicam que a fase mais critica são as primeiras duas a três semanas de cessação tabágica. Sendo que os sintomas começam gradualmente a desaparecer e, com o tempo o indivíduo aprende a controlar o desejo de fumar. 

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