Casos de coronavírus podem chegar a 5 mil nos próximos dez dias, aponta estudo

18 de março de 2020, 08:58

No melhor cenário estimado pelos pesquisadores, o País teria, em 26 de março, 2.314 casos; na hipótese mediana, 3.750 (Foto: Getty)

Até o próximo dia 26, o número de casos do novo coronavírus  no Brasil poderá subir até 25 vezes, ou 2.400%. Com isso, os registros chegariam a 5 mil, a maioria em São Paulo. A previsão está na primeira nota técnica do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), formado por cientistas da PUC-RJ, Fiocruz e Instituto D’or. O grupo vai monitorar sistematicamente a curva de crescimento do número de casos no País para municiar autoridades de saúde para o enfrentamento da epidemia.

No melhor cenário estimado pelos pesquisadores, o País teria, em 26 de março, 2.314 casos; na hipótese mediana, 3.750. Em São Paulo, onde se concentram 68% dos casos do Covid-19 no Brasil, a previsão é de que o número de doentes seja, no cenário mediano, de 2.550 (podendo variar entre 1.573 e 3.380). No Rio, seriam 450 casos confirmados dentro de dez dias (variando de 278 a 596).

Mesmo nos piores cenários, as previsões tendem a ser tímidas. Até agora as orientações no Brasil têm sido no sentido de que apenas os casos mais graves sejam testados para coronavírus. Não são submetidos a testes os casos mais brandos e assintomáticos. Eles podem ser contagiosos e respondem por cerca de 80% do total.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem recomendado testar o maior número possível de pessoas. O País, porém, não tem ainda estrutura hospitalar ou mesmo kits de diagnóstico em número suficiente para fazer esses testes. Tem priorizado os casos graves. O Ministério da Saúde já admitiu rever o procedimento, mas, por enquanto, é a que vale no Brasil.

De acordo com os especialistas envolvidos no levantamento, a decisão de fazer previsões de apenas dez dias tem por objetivo ser o mais preciso possível. Eles também querem oferecer aos gestores um horizonte próximo para dimensionar recursos e insumos.

“É muito difícil fazer previsões a médio e longo prazo nesses casos”, explicou o infectologista Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e coordenador de pesquisa do Instituto D´Or. “Em previsões de três meses ou mesmo de um mês, os números seriam muito díspares. Por isso, optamos por fazer previsões mais curtas, de dez dias, e em três cenários diferentes, para que sejam mais seguras.”

Os cientistas partiram do cenário em 15 de março, quando o Brasil tinha 200 casos confirmados. Para criar o modelo, eles se basearam na evolução da epidemia nos países que apresentavam as maiores séries históricas de dados: Irã, Itália, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, China e Coreia do Sul. Para o melhor cenário, por exemplo, os especialistas fizeram a previsão do Brasil com base nos dados da Coreia do Sul. Para o pior cenário, a evolução da curva seria similar à de Irã e Itália.

“A gente separou os países em grupos com comportamentos semelhantes e reproduzimos o comportamento do Brasil para aqueles padrões”, explicou Bozza.

A adesão às medidas de distanciamento social já adotadas pelos estados será crucial para determinar a evolução da curva. O modelo matemático, criado pela equipe do Departamento de Engenharia Industrial da PUC-RIO, será adaptado também na medida em que a realidade de cada país se alterar.

Fernando Bozza explica que ainda estamos muito no começo da epidemia. Diz que ainda é difícil prever que caminho o País vai seguir.

“Temos que ver como será a evolução nos próximos dias para entender qual curva o Brasil vai adotar”, disse.

O grande risco gerado por um crescimento exponencial no número de casos, como aconteceu na Itália, é gerar um colapso do sistema de saúde. Em média, estima-se que cerca de 20% dos casos são de pacientes mais graves. No cenário mais pessimista, teríamos aproximadamente mil pessoas precisando de internação hospitalar.

“Nós temos uma capacidade hospitalar que não é desprezível, especialmente nos grandes centros”, disse o pesquisador da Fiocruz. “Logicamente, essa capacidade não está distribuída de forma equânime entre o setor público e o privado, mas temos uma boa capacidade instalada (de leitos de UTI). Agora, se a epidemia atinge proporções muito maiores, não há capacidade instalada em nenhum lugar do mundo.”

Para o especialista, as medidas preconizadas pelo Ministério da Saúde e as já adotadas em muitos estados são positivas e chegam num ponto ainda precoce da epidemia.

“A estratégia da testagem geral é muito boa, mas não é muito factível num país como o Brasil, que tem mais de 200 milhões de habitantes e limitações estruturais no sistema de saúde; em países menores é mais fácil”, constatou Bozza.

O pesquisador criticou, no entanto, a postura adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que classificou a reação mundial à pandemia de “histeria”.

“O ministro da Saúde (Henrique Mandetta) e os secretários têm sido muito enfáticos em sua mensagem”, afirmou. “Mas a sinalização do Planalto é ruim e dificulta uma mensagem mais clara para a população.”

Os 7 alimentos que são ladrões de energia

Você provavelmente já ouviu falar e leu bastante sobre alimentos e suplementos que aumentam sua disposição e te deixam mais animado para encarar um treino ou até mesmo as tarefas do dia a dia. Mas também existe o outro lado dessa moeda. Não faltam vilões neste mundo na nutrição: os alimentos que são ladrões de energia e podem atrapalhar bastante sua rotina na corrida ou até mesmo se tornar um obstáculo numa prova.

Esses “ladrões” de energia atuam de diferentes maneiras no organismo. Em alguns casos, oferecem tanto açúcar que, num primeiro momento, essa elevada taxa de glicose resulta em mais disposição, mas, logo em seguida, a insulina liberada para normalizar essa glicose faz justamente o caminho contrário. E aí o cansaço chega com tudo.

Também tem aqueles alimentos que dão tanto trabalho para o sistema digestivo que muitos nutrientes são desviados para ajudar nesse processo, fazendo com que eles faltem na produção de energia em outras funções do organismo. Resultado: o corpo logo sente essa queda de disposição.

Para te ajudar a evitar esse cansaço causado pela má alimentação, acionamos três especialistas para fazer uma lista dos maiores ladrões de energia, suas principais armas e como combatê-las. Confira!

Os ladrões de energia 

Carboidratos simples

Alimentos com farinhas brancas vão roubar energia se consumidos em excesso. “Em um pré-treino, por exemplo, são aliados, mas viram vilões se não houver uma atividade física depois”, pondera Mayara Ferrari, nutricionista funcional esportiva. “Isso acontece porque a quantidade de açúcar no sangue fica muito elevada e o pâncreas libera mais insulina para quebrar todos esses carboidratos. Isso pode causar uma grande redução de açúcar no sangue, resultando em fadiga e falta de energia.”

Sal

Aquele sal extra para dar mais gosto à comida pode te deixar mais cansado. Em quantidade exagerada, o sal aumenta a pressão arterial e deixa o organismo mais desidratado porque mais água é necessária para compensar. “Ele prejudica o funcionamento adequado do organismo, que ficará a todo momento buscando esse equilíbrio. Isso dará uma sensação de cansaço e fadiga. Esporadicamente um pouco de sal não tem problema, mas abusar dele diariamente ou usar em grande quantidade é bastante prejudicial”, adverte Mayara.

Alimentos gordurosos e frituras

A gordura em excesso dificulta a digestão e atrapalha a chegada dos nutrientes à corrente sanguínea. “Como possuem uma digestão mais
lenta, eles fazem com que a circulação se concentre na região abdominal por mais tempo. Isso causa uma sensação de letargia e sonolência durante a digestão, que pode passar de três horas. E isso não é bom para quem vai se exercitar, pois precisará de boa circulação nos membros”, alerta a nutricionista Lara Natacci.

Doces

A lógica nesse caso é parecida à dos carboidratos simples: como eles são ricos em açúcar, dão um pico de energia no primeiro momento porque aumentam a quantidade de glicose no sangue, mas se a pessoa não for praticar uma atividade física logo em seguida, essa disposição logo pode virar cansaço. “O organismo vai aumentar a secreção de insulina para normalizar a glicemia, que é a quantidade de glicose no sangue. Por isso, a sensação de aumento de energia deve durar pouco e dar lugar à fadiga”, reforça Lara Natacci.

Café

O café, um dos estimulantes mais populares, também pode roubar sua energia. Ele realmente gera mais disposição num primeiro momento, mas sua ação no sistema nervoso tem como um dos efeitos a fadiga. “A cafeína, no cérebro, obstrui os efeitos da adenosina, substância que ajuda na transferência de energia e na promoção do sono, dando o efeito estimulante”, explica André Lemos, médico nutrólogo. “Por outro lado, também inibe a degradação da acetilcolina, que aumenta o estímulo muscular. E a consequência disso são o cansaço e a debilidade”, completa.

Corantes e conservantes

Presentes em muitos produtos industrializados, como nuggets, embutidos (salame, presunto, mortadela, peito de peru) e salsichas, eles
modificam o funcionamento adequado do organismo, que tenta repor o que os corantes “tiram” no processo de digestão. “Eles causam uma cascata de processos inflamatórios e oxidantes. Para reverter essa situação, disponibilizamos muitas vitaminas e minerais, fazendo com que o restante do organismo não funcione adequadamente”, destaca Mayara.

Refrigerante

O refrigerante é um dos “ladrões de energia” mais temidos. Alguns maratonistas e ultramaratonistas o utilizam durante provas quando já estão acostumados a seus efeitos, inclusive psicológicos, mas, para o organismo, eles não têm nada de “bonzinhos”. Isso porque o refrigerante, em geral, tem tudo em excesso: açúcar, sódio e corantes. Assim, desencadeia todos os processos já descritos de uma só vez. Além disso, estudos apontam que o refrigerante ainda pode atrapalhar o padrão de sono, prejudicando o descanso e interferindo na disposição.

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