Jacobina: Rio do Ouro, um patrimônio que insiste em não ser moribundo

29 de outubro de 2019, 16:30

Um dos principais patrimônios do município vem há anos abandonado (Foto: Notícia Limpa)

Cantado em versos e prosas, o rio que melhor caracteriza a história de Jacobina e seu codinome ‘Cidade do Ouro’ agoniza, apesar de insistir por existir. O lendário e importante Rio do Ouro, outrora responsável em fornecer energia elétrica e água para consumo para a população que teima em subestimá-lo, timidamente e ferido segue combalido, mas perene.

Local utilizado para passeios, piqueniques, banhos e até  como ‘lavanderia comunitária’, o leito do Rio do Ouro foi fonte também de riqueza para garimpeiros que buscavam o metal precioso que empresta o seu nome. O sofrimento vem de longe, da época quando não se discutia sustentabilidade, preservação, condutas éticas, consciência ambiental e outros temas relacionados. Passaram-se os intendentes, os coronéis e inúmeros mandatos de prefeitos, e o Rio do Ouro sendo o mesmo, desprezado.

Vez ou outra o ‘rei do Parque da Macaqueira’ tenta avisar que não está satisfeito com o tratamento que tem recebido. Em curtos espaços de tempo, considerando o número de acontecimentos, vários transbordamentos aconteceram, provocando destruições e danos materiais.

A falta de cuidado com os principais rios que cortam a cidade (do Ouro e Itapicuru) é um problema visivelmente percebido pela população e tem contribuído para o aumento dos estragos após os temporais. Impedida de percorrer seu curso natural a água tende a procurar outros atalhos e, consequentemente, enchentes provocam os prejuízos já conhecidos.

Há sempre água fluindo no Rio do Ouro, com colorações diferentes em diversos trechos por conta dos inúmeros despejos de esgotos sem tratamento em seu leito. As grandes e bonitas moradias construídas ao longo de sua margem contrastam com a sua realidade e demonstram que poder aquisitivo não é necessariamente sinônimo de consciência e cidadania.

Há anos, inúmeros esgotos são despejados no leito do Rio

Em meio a um cenário de poluição e degradação cada vez mais preocupante do rio mais querido da população jacobinense, torna-se mais do que necessário evidenciar o alerta e o pedido de engajamento da população para o cuidado com um dos principais patrimônios do município. É incompreensível que o bem natural com o legado histórico que possui o Rio do Ouro não seja respeitado e preservado.

Se faz urgente a retirada da Secretaria Municipal de Transportes da margem do Rio e da entrada do parque onde o mesmo nasce. Não seria mais conveniente a Secretaria do Meio Ambiente funcionar no local?

A falta de capina indica sempre uma ‘tragédia anunciada”

Estragos causados pela forte chuva do dia 02 de abril de 2019:

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